Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fugas…


Mais uma escapadinha até ao meu Nordeste.
Entre as pouquíssimas propriedades rurais que ainda mantenho, conta-se uma vinha com uvas ótimas.
Quem cuida de tudo é um casal cuja família vem cuidando desde há muito (creio que dos finais do século XIX) das propriedades da minha família paterna.
Essa família cuida, fica com todo o rendimento (que é pouco) e com todos os subsídios a que teríamos direito que, presumo, não serão muitos. Em troca dão-nos algum azeite e vinho (este muito pouco porque só o meu marido bebe e esporadicamente), alguma fruta e uvas na altura da vindima.
Quando fazem esta, reservam alguma uvas de mesa para nós e colocam-nas num dos pátios cobertos de minha casa.
No sábado fomos buscar as uvas. Primeiro passámos pela aldeia do meu marido, onde almoçámos (foi só aquecer o almoço no micro ondas) e o meu marido aproveitou para, com a roçadeira que juntamente com a casa, herdámos do meu cunhado, cortar alguma erva que cresce muito rapidamente no quintal.
A meio da tarde fomos para a Parada. Lá estavam as uvas. E como ainda era dia, resolvemos passar pela vinha e fazer o “rebusco”. Adoro fazer isso. Procurar as uvas escondidas que, por qualquer motivo, ficaram escondidas nas cepas, é para mim um prazer. Ainda enchemos duas cestas …

No regresso ainda fotografei o pôr do Sol. Estava fabuloso mas com a máquina do telemóvel não consigo grandes fotos...



Como já aqui referi em tempo, quando os meus filhos eram crianças a viagem para o Nordeste era um pesadelo, Demorava-se praticamente um dia pois como enjoavam, tinham que se fazer várias paragens. Não havia IP, mem A4, nem IC5...A estrada era péssima, cheia de curvas.
Agora, com todas essas vias e o túnel do Marão, chegamos em menos de duas horas. Como levo sempre ligada a Antena 2, são duas horas de prazer...
Na ida, além da música, ouvi parte do programa "Príncipes da Medicina parte III" com Mário Cordeiro  e que pode ser visto aqui.
Centrou-se essencialmente no dealbar da psiquiatria pelo que a figura central foi Miguel Bombarda
No regresso, domingo, foi essencialmente música. De Bach, uma série de suites para violoncelo

Aqui um excerto da suite nº1
Aqui as seis suites

Ontem, segunda feira, o dia decorreu sem grandes novidades. Hoje, às 18 tínhamos a celebração de um contrato promessa de compra e venda, relativo à moradia que o os meus sogros tinham no Porto e só agora foi vendida.Decorreu na Rua Sá da Bandeira. Quando nos dirigíamos para lá vi que a capela de Fradelos estava aberta. Nunca ali havia entrado e valeu a pena.

A surpresa está no interior desta capela onde podemos apreciar imensos painéis de azulejos que retratam cenas da vida de Santa Teresinha, obras do pintor Jorge Colaço, o mesmo que produziu os belíssimos azulejos da Estação de São Bento.

E falando de azulejos, às 18 h teve lugar na Bertrand  (CC Cidade do Porto) a apresentação do livro
O Homem que escrevia azulejos de Álvaro Laborinho Lúcio, cuja sinopse podem ler aqui

A apresentação foi feita por Valter Hugo Mãe.
O autor tinha-me enviado um convite. Conhecemo-nos em 2008, na cidade da Horta, nos XV Encontros Filosóficos,: Educação para o século XXI. Ambos fomos convidados para fazer umas comunicações e  estávamos no mesmo hotel. Pessoa extremamente humana,  culta e gentil. 

A apresentação deveria começar às 18h, precisamente à hora em que eu tinha que estar em Sá da Bandeira. Felizmente ali foram uns minutos, Saí e perto do Silo Auto, apanhei o autocarro 200 que passava na altura. Fui até à Galiza e daí até à Bertrand.  Quando cheguei ainda não tinha começado a apresentação.A apresentação por parte de VHM foi muito interessante. Durante a mesma fez mais que uma vez referência a um  Adagio (do Concerto nº 1 em G maior para violino, op 26) de Max Bruch cuja "presença" no livro é muito forte.
Não conhecia  nem o autor nem a obra mas gostei imenso e por isso deixo aqui um excerto 


https://www.youtube.com/watch?v=bfZMmgIvc8g


Após a apresentação teve lugar uma intervenção do autor. Muito interessante, como o são as intervenções do Dr.  Laborinho Lúcio teve alguns momentos muito "soltos" com  humor . 
Dado o adiantado da hora não pude ficar para a sessão de autógrafos (ainda estive na fila mas desisti...


Enquanto estive no Nordeste, Graça Pires comentou a minha última mensagem. Geralmente os seus comentários coincidem com a divulgação de um novo poema no seu blogue (Ortografia do Olhar), que consta nos meus favoritos. Mais uma vez isso sucedeu.
O poema divulgado, Paz, é" belo e forte" tal como a foto que o acompanha

Sobrepor a voz à dor sem pátria.
Estar lá onde o olhar de todas as mães
procura o olhar de todos os filhos.
Ter um nome de combate para dizer paz.


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