Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sábado, 10 de setembro de 2016

Em terras do Nordeste-parte 5

Dia 22 à noite chegaram à Parada, regressados do Algarve, o meu filho mais velho, mulher e filhos. Estava prevista a companhia  de uma amiga da Rita mas adoeceu . Os adultos regressariam ao Porto no dia 23 de manhã muito cedo pois já não estavam de férias.
Dia 23, as atividades privilegiadas pelos mais novos foram distribuídas entre a piscina e a preparação de uma partida aos pais. Estes sabiam que lhes iria ser pregada a partida e alinharam desde logo, sem saber no entanto em que constaria.
Dia 24 fomos a Macedo buscar a Marta que até ali foi de camioneta, vinda de Bragança, onde reside. É filha duns afilhados meus e neta de uma senhora que vive aqui na aldeia. É da idade da Rita e desde pequeninas costumavam encontrar-se aqui, na primeira quinzena de Agosto. De tal maneira conviviam que a Marta e o irmão entravam sempre nos nossos teatros de verão. Desde que herdámos a casa na Adeganha e por razões que expliquei na primeira mensagem desta série, começamos ali as férias. Assim as meninas deixaram de poder conviver como anteriormente. No verão passado fomos a Bragança e estiveram juntas mas apenas umas horas. Este ano decidi convidá-la para vir passar uns dias  em minha casa, na Parada. Ficou ali mas todos os dias ia visitar a avó e umas primitas francesas que estavam de férias em casa da avó. O Bernardo ia também para brincar com as meninas. A Rita nem sempre os acompanhava, pois estava empenhada na preparação da partida a fazer aos pais, quando chegassem.
No dia 25 fomos à Adeganha, que a Marta queria conhecer. Aproveitámos para convidar o primo Manuel António Gouveia( de quem falei na mensagem anterior) e a mulher que só tinham estado na Adeganha quando tudo era ainda um caos. Partiram após o almoço e as meninas continuaram na preparação da partida
Com alguma ajuda da Marta e minha, a brincadeira ficou pronta a tempo.
A mãe iria ficar sentada num dos 5 quartos, presa a uma cadeira com umas correntes e um cadeado. O pai, fechado também na zona dos quartos, teria que, mediante várias pistas e códigos, descobrir uma chave para abrir o cadeado e libertar a mãe. De seguida, os dois teriam que, novamente através de enigmas, pistas, etc, encontrar a chave para poderem sair. Com um sistema de câmaras vídeo, cá fora podiam ser seguidos todos os seus passos no interior.
A casa presta-se bem para esta brincadeira pois a parte dos quartos pode ser facilmente isolada do resto da casa. Enquanto as meninas preparavam a partida, o Bernardo divertia-se em sucessivos banhos na piscina, findos os quais ia secar-se ao sol, no terraço. Mas andava entusiasmadíssimo com os preparativos.
No dia 26 ao princípio da tarde tive que ir a Alfândega para se reorganizar o programa do Encontro de Escritores (de que falei anteriormente),  dado que a minha apresentação não estava prevista inicialmente. Ficou acordado que interviria ao fim da manhã, a seguir ao meu amigo António Afonso.
Regressámos à aldeia.
Filho e nora chegaram ao fim do dia acompanhados da Inês, amiguinha da Rita que não pudera vir na semana anterior. Deixaram as tralhas numa salinha à entrada e, já sem tralhas, foram para a zona dos quartos. A Inês quis tomar parte, acompanhando os pais da Rita no interior. Demoraram meia hora a conseguir sair mas acharam imensa piada.
Acabada a brincadeira fomos jantar no terraço como acontece geralmente no verão. Após o jantar ficámos ali a conversar até à 1h da manhã, todos exceto o Bernardo que às 11h, muito contrariado foi para a cama.
Estava a jantar quando recebi um telefonema do António Afonso. Estava com uma enxaqueca tremenda pelo que me pedia para o anteceder na apresentação, caso se atrasasse um pouco.
O evento começaria às 10h, mas não sabendo ao certo a hora a que ira intervir, não faria sentido irmos todos logo de manhã. Iria apenas eu e avisá-los-ia quando se aproximasse a hora da minha intervenção. Só que alguém teria que ir comigo por causa do número de lugares disponíveis nos carros.
Lembrei- me entretanto que a Gorete, uma professora que vive na aldeia e perto de minha casa, costuma gostar de ir a estes eventos. Eram já 23h,  Fui a casa dela e como visse a luz acesa bati. Disse-me que gostaria muito de ir mas sozinha não iria. Quando lhe propus ir com ela ficou muito satisfeita.


No dia 7 lá fomos logo de manhã, no carro da Gorete. Como referi, do programa não consta a minha apresentação que foi decidida "em cima do acontecimento"





 Mal chegámos vieram pedir-me para fazer a primeira intervenção da manhã, que iria ser única pois o António Afonso não tinha melhorado e não podia comparecer. Avisei de imediato a família e como antes das intervenções houve uma atuação do grupo de cantares de Alfândega da Fé, conseguiram chegar a tempo.

https://www.youtube.com/watch?v=UUFNI5TEI3U

Fiquei surpreendida com a atuação do coro que  não me lembro de alguma vez ter ouvido. Pelos vistos tem sido premiado quer em Portugal que no estrangeiro. Em 2015 ficaram em 1º lugar num concurso nacional promovido pelo INATEL

De seguida e após as intervenções da Presidente da Câmara e da responsável pela Poética Editora, apresentei Terras de Cieiro.




Poderão  encontrar aqui, http://videos.sapo.pt/QYSakUKO5orWuncKYDlm,  um breve vídeo do Encontro referido também em http://5l-henrique.blogspot.pt/2016/08/alfandega-da-fe-recebeu-o-vi-encontro.html



As minhas apresentações são geralmente breves pois, quando estou “do outro lado”, apercebo-me que é difícil acompanhar intervenções longas. Dizem que correu muito bem. Seguiram-se várias intervenções por parte do público, pelo que o tempo destinado a apresentações foi totalmente preenchido.
Numa delas falou-se sobre perspetivas de futuro para Alfândega. A Presidente da Câmara aproveitou para falar em iniciativas que  têm sido levadas a cabo  na aldeia de Felgueiras. Decidi que iria visitar a aldeia logo que possível
Uma outra intervenção foi feita por uma autora que escreve em língua mirandesa. Quando terminou, falei num poema em língua mirandesa que acho belíssimo. e que vi publicado na Antologia Por longos dias, Longos Anos, Fui silêncio. em que também participo.



De tal modo gostei do poema que o divulguei aqui numa mensagem em 25/10/2015. Quando referi o poema, a referida autora, cujo nome é Adelaide Monteiro, disse: Sou eu a autora desse poema.

Eis um excerto do mesmo

YOU FUI MULLHIER,

You fui siléncio!...
Por lhargos dies, lhargos anhos,
you fui siléncio (...)
(...)Apuis,
fiç-me la mulhier coraige
dw la somlombra de ls mius dies,
páixaro smenuçado na punta de la xibata
qu´andefeso se tomba na friaige
i,
als mius uolhos
deciu la nuite inda de die
i
you fui nuite...
na paç de la nuite!..

Acabámos por ficar juntas no almoço. Foi muito agradável a conversa que foi alargada a outras pessoas, autores e não só, que também ficaram próximas de nós.
Após o almoço
 estava prevista uma visita ao Santo Antão da Barca, mas por razões que referi em mensagem anterior, a visita teve que ser substituída. Fomos de autocarro até Sambade (aldeia do concelho) visitar o Centro de Interpretação do Território, uma visita muito interessante. 



Finda a visita regressámos à vila onde visitámos a polémica Torre do Relógio 

https://www.youtube.com/watch?v=8uTgQQV0IGw

Terminadas as visitas recomeçaram as apresentações
Foram apresentados os livros "Aves de incêndio" de Raquel Serejo Martins  e" Hominídeo Humanizado" de António Sá Gué
A primeira apresentação foi muito longa e ouviu-se muito mal.
Deixo no entanto um poema do livro, publicado aqui

Deixei o meu coração no forno,
é só aqueceres e tens jantar.
O que sobrar dá ao gato.
Eu sempre gostei do gato.

Raquel Serejo Martins
In:Aves de incêndio. 

Confesso que não me diz muito.  mas quem sou eu para avaliar?...

Quanto ao último autor, já não pude assistir pois o programa foi tendo atrasos sucessivos e era já bastante tarde quando se iniciou a apresentação

Entretanto marido, filho, nora netos e as duas amigas da Rita foram até à praia fluvial da Foz do Sabor, onde almoçaram ( um pic nic que a minha nora preparou), nadaram, andaram de canoa...

Resultado de imagem para praia fluvial da Foz do sabor

Quando regressei a casa estavam apenas as “mulheres”, as três amiguinhas e a minha nora que preparava o jantar.
Os “homens”, marido filho e neto, tinham ido pescar.
Chegaram por volta das 20 h com três peixinhos e vários lagostins que nos serviram de entrada para o jantar. Decidiram regressar à noite em busca destes crustáceos. Saíram sem que o Bernardo desse conta pois caso contrário também queria ir e não se sabia a que horas regressariam….
Chegaram por volta da meia noite com um balde cheio de lagostins que àquela hora pululavam junto à albufeira...


Os lagostins serviriam de novo como entrada no almoço do dia seguinte, após o qual regressariam ao Porto.
Mas antes de almoço fomos colher amoras de silva. Para a Inês tudo era novidade pois nunca tinha estado numa aldeia

A Marta partiria no dia seguinte de camioneta para Bragança pelo que quis aproveitar o resto do tempo com as primitas que regressariam a França no dia seguinte.



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