Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Festival literário em Bragança

Na mensagem de 28/05 deixei o programa  de um Festival Literário em Bragança em que  iria estar presente. O festival decorreu de 1 a 4 de junho e o programa do dia 4 foi o que a seguir anexo


Aproveitando o fim de semana convidámos una amigos de longa data. Saímos sexta feira à tarde e fomos diretos à minha aldeia. É uma aldeia incaracterística mas conhecida pelo Santuário de Santo Antão da Barca
que lhes fomos mostrar
Mandado construir pelos Távoras,  no século XVIII, foi  transladado pedra a pedra da sua localização inicial, na sequência da construção da barragem do Baixo Sabor



A construção da barragem alterou profundamente a belíssima paisagem que com  uma beleza diferente continua a merecer uma visita 

 


Ao fim do dia fomos para a Adeganha, aldeia do meu marido, à qual já me referi várias vezes e  cuja igreja românica é referida por Saramago em Viagem a Portugal
a igreja é esta. Não caiu em exagero quem a gabou. A igreja da Adeganha é coisa para se ter no coração”
José Saramago, Viagem a Portugal
 
 Dormimos na Adeganha e na manhã seguinte passeámos pela aldeia inserida numa zona de fraguedo
 granítico, rude e belo.
 Almoçámos e seguimos para Bragança por Alfândega da Fé que vimos apenas de passagem pois o nosso primeiro destino era o Hotel SPA,  Senhora das Neves, em Sambade, donde se avista uma paisagem soberba.

Seguimos então para Bragança, onde às 16 h se iria iniciar  o 4º dia de Festival Literário e eu iria falar um pouco da minha última obra "Quando o mel escore nas searas"




A sessão prolongou-se por toda a tarde. Encontrei colegas do tempo de Liceu o que foi extremamente agradável. Um deles, o meu amigo de infância António Afonso, pintor, poeta, dramaturgo, falou da sua última obraO guardador de Memórias”, sobre a vida e obra de Abade Baçal e um grupo de atores representou um pequeno excerto da peça. A par disso,um dos intervenientes, Virgílio Gomes, investigador em História da Alimentação, fez uma intervenção muito interessante. Perguntei-lhe se era familiar de um Sr Virgílio Gomes que era um amigo do meu pai. Respondeu-me que fora o seu pai.
Também gostei de outras intervenções nomeadamente uma  sobre Miguel Torga.

Finda a sessão, um afilhado meu(de batismo e casamento)  que vive em Bragança fez questão que fôssemos jantar a sua casa e o convite foi extensivo aos meus amigos. Receberam-nos com o carinho a que sempre me habituaram. 
Após o jantar regressámos ao Centro Cultural onde foi prestada uma homenagem póstuma a Mário Péricles da Cruz  (http://videos.sapo.pt/KvPGZ5sFV0j3lEu7P81j)

«Em 1938, Mário Péricles da Cruz, criou a Livraria Liz, que englobava as áreas de Livraria, Papelaria e
encadernação.A personalidade amável, contemporizadora e solidária do fundador catapultou a Livraria para um plano diferente dos restantes estabelecimentos congéneres e depressa se colocou na vanguarda dos mesmos a nível da cidade e região.
Era um tempo em que a cidade de Bragança recebia os estudantes de quase todo o distrito, uma vez que não havia estabelecimentos de ensino de grau superior ao primário nos outros concelhos.
Acontecia também que a maioria das famílias tinha sérias dificuldades económicas que não lhes permitia a compra, a dinheiro, dos livros e demais material escolar. Consciente dessas dificuldades, Mário Péricles da Cruz, facilitava a sua aquisição a crédito, sendo os pagamentos efetuados de acordo com as possibilidades de cada família. Isso permitiu a muitos estudantes prosseguir os seus estudos, o que não teria acontecido sem as facilidades concedidas.
Tal comportamento empresarial, impossível nos dias de hoje, aliado a um comportamento exemplar como cidadão e às qualidades excecionais de bondade e simpatia, granjearam-lhe um prestígio social de grande relevo que foi aumentando com o passar dos anos.
A área de encadernação, foi entretanto abandonada, passando a ser exercida no Patronato, para onde transitaram os empregados colocados nesse serviço.
As áreas mais desenvolvidas eram as de papelaria, livros e material escolar, sendo a vertente de livraria pouco desenvolvida, o que bem se compreende se atentarmos às condições sociais e políticas dessa época.
Mário Péricles da Cruz viria a falecer em 1972, passando a empresa a ser gerida por sua filha Maria Celeste da Cruz Machado, em colaboração com o seu marido Luís Emílio de Brito Machado, passando a intitular-se Livraria Mário Péricles da Cruz.
Nos primeiros tempos a orientação dos serviços prestados não sofreu grandes alterações, vindo, no entanto, a verificar-se uma grande viragem, com o desenvolvimento da vertente Livraria, tendo em conta a abertura política verificada, a instalação do ensino superior em Bragança e o aparecimento de estabelecimentos congéneres, mais virados para as áreas de papelaria, livros e material escolar.
Com o decorrer do tempo, a vertente Livraria foi de tal modo incrementada que, nessa área, era reconhecidamente a melhor Livraria de Trás os Montes e uma das boas livrarias do norte do país; com milhares de livros das mais diversas áreas do saber.
A sua clientela era a mais diversificada, incluindo muitos espanhóis da Galiza e da região de Leão que aqui vinham procurar obras dos melhores autores portugueses.
Em 2004, por imperiosos motivos de saúde e tendo em conta a realidade económica de então, entendeu-se dar por finda a atividade da empresa, gerando uma onda de consternação nos clientes que lamentaram o desaparecimento da Livraria onde se habituaram a encontrar livros de que precisavam.
» [página de facebook Amigos da Livraria Mário Péricles]

O encontro terminou com uma conversa com Rentes de Carvalho e Sérgio Godinho, na sua atividade de escritor

De Rentes de Carvalho tinha lido há relativamente pouco tempo o livro Pó, Cinza e Recordações, um diário escrito entre maio de 1999 e maio de 2000. Logo na 1ª página, datada de 15 de maio de 1999, escreve:

Está hoje com 86 anos e com uma lucidez e um humor invejáveis...
Passava já das 23 h quando saímos de Bragança em direcção `Adeganha onde dormimos. No dia seguinte ainda passeámos pela Adeganha, fomos visitar a Cardanha, onde o meu marido nasceu e regressámos à Adeganha para almoçar. Após o almoço regressámos. No caminho parámos num miradouro para ver o vale da Vilariça e passámos pela Junqueira para ver a capela que pertenceu à família da Adeganha


2 comentários:

  1. Não encontraste o meu filho Zé numa rua em Bragança? Ele é juiz lá como sabes e gosta bastante, apesar de estar a 200 km de casa. Duvido é que ele tenha tempo para tertúlias - e mesmo que tivesse, duvido que fosse, embora ele sempre adorasse literatura.
    Ando virada para romances ingleses e séries da TV britânica, que cada vez aprecio mais...
    Abraço

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  2. Não sei porquê, tinha a ideia que o Zé estava em Macedo de Cavaleiros.
    Eu vivi em Bragança 8 anos (4ª classe e 7 anos do liceu). Adorei...
    Gostei de saber que o teu filho também gosta. E agora em menos de 2h chegamos lá.... Quando os meus filhos eram pequenos a viagem demorava-nos entre 7 a 8 h. Era muito penoso...
    Ab
    Regina

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