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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 1 de março de 2016

Volvidos 100 anos


O passado dia 11 de Fevereiro foi  um dia histórico para a ciência: foram detetadas as ondas gravitacionais previstas há um século por Albert Einstein


A este propósito Carlos Fiolhais escreveu: 

A descoberta das ondas gravitacionais não é nada inesperado para os físicos. Todos eles esperavam, mais tarde ou mais cedo, que mais esta previsão de Einstein se viesse a confirmar. Mas é uma ironia da história que ela tenha sido feita escassos dois meses após o centenário da teoria da relatividade geral de Einstein, que tão bem descreve os fenómenos gravíticos através de uma deformação do espaço-tempo em volta de corpos com massa. Até agora todas as previsões da relatividade geral de Einstein bateram certo. É uma teoria não só bela - uma das mais belas teorias científicas - mas também verdadeira, muito verdadeira (...)
(...)Além de se confirmar uma teoria abre-se uma nova janela para observações do espaço. Até agora só se via o espaço através de luz (luz de vários tipos, visível ou invisível). Agora passa-se a recolher o "som" do espaço, que é como quem diz as vibrações não de nenhum meio material mas do próprio espaço-tempo, graças a acontecimentos singulares mas não muito raros que são grandes cataclismos cósmicos. Como disse um dos cientistas envolvidos, até agora só tínhamos olhos para o espaço, Agora temos também "ouvidos". E o espaço não é um sítio de pasmaceira, é um cenário de acontecimentos violentos, que nos fornece feéricos espectáculos de luz e cor.
Numa outra mensagem, Carlos Fiolhais responde a questões colocadas por uma leitora.

Por outro lado,  Vitor Cardoso, Professor do Departamento de Física do Instituto Superior Técnico, ULisboa e investigador do CENTRA-Centro Multidisciplinar de Astrofísica, fala-nos desta  deteção nos vídeos que seguem






O vídeo que segue, ajudar a perceber o que acima ficou referido


E já que falamos e ondas deleitemo-nos com estas "ondas sonoras" ao mesmo tempo que desfrutamos da poesia de Ricardo Reis, da beleza  do vai e vem das "ondas do mar" e das ondas eletromagnéticas responsáveis pelo colorido das imagens 


Uma após uma as ondas apressadas

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam a alva espuma
No moreno das praias.
Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o espaço
Do ar entre as nuvens escassas.
Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco ao meu senso
De se esvair o tempo.
Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada.


Ricardo Reis

2 comentários:

  1. Excelente postagem dedicada à ciência. Carlos Fiolhais sabe do que fala...
    Foi também bom ler aqui o Ricardo Reis.
    Beijos.

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  2. Obrigada pelo seu comentário.
    Carlos Fiolhais é sem dúvida um bom divulgador da ciência. E quanto a Ricardo Reis, "Tenho Mais Almas que Uma", o génio de Pessoa emerge em todos os seus múltiplos "eus"
    Já deixei uma mensagem no seu blogue desejando o maior sucesso para a apresentação do dia 12
    Ab
    Regina

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