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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A sílaba

A sílaba


Toda a manhã procurei uma sílaba.
É pouca coisa, é certo: uma vogal,
uma consoante, quase nada.
Mas faz-me falta. Só eu sei
a falta que me faz.
Por isso a procurava com obstinação.
Só ela me podia defender
do frio de janeiro, da estiagem
do verão. Uma sílaba,
Uma única sílaba.
A salvação.

Foi com este poema de Eugénio de Andrade que a Dra Celeste Alves iniciou a apresentação do meu livro Quando o mel escorre nas searas, apresentação que decorreu, como aqui anunciara, na livraria Flâneur, um espaço muito agradável que abriu há relativamente pouco tempo, na minha rua.


Foi belíssima a apresentação, muito generosa relativamente à minha poesia, que por certo não merece tanto.


Quando os amigos me felicitaram no fim, fizeram-no em relação ao livro(o que eventualmente poderia ser um simples gesto de cortesia) mas também pela escolha da apresentadora.

Com a sua autorização transcrevo um excerto dessa apresentação


(...)A junção imprevista destas duas realidades – o mel a escorrer nas searas - força-nos, pela sua estranheza, a uma paragem. Na realidade, é com um olhar mais atento que penetramos em vários ambientes de tudo o que nos rodeia, especialmente na natureza. É sobretudo nela que a autora se compraz, dissecando vivências e memórias. Ex:
A primavera não tarda.
Um manto branco cobre a ladeira.
Flores de amendoeira,
Ledas´,
Leves,
Breves.
A primavera vai alta.
Uma capa de verde veludo
Cobre o amendruco
Doce,
Tenro,
Imberbe.
Pleno o verão
A capa de veludo muito coçada,
A amêndoa já grada.
Fruto
Adulto,
Maduro.
Oculto dentro da casca, o grão.

À semelhança de Eugénio de Andrade que busca uma sílaba, também aqui é de forma meticulosa que a autora se detém nas coisas, fazendo chegar até nós pormenores de toda a espécie. Como? Através de quadros, na maioria campestres donde emanam cores, cheiros e sons, e recordações – muitas recordações do passado… Memórias que se presentificam e agarram, talvez como forma de enfrentar a inelutável voragem do tempo

Estavam vários amigos, entre eles uma ex-aluna minha que é médica em Bragança, e uma amiga( ainda família embora afastada) que veio da aldeia. 
Alguns amigos levaram “outros amigos também”



O meu filho mais novo,bem com a família, não puderam estar: o José teve um torneio de basquete e a Marta teve uma festa de uma amiguinha. 
Mas estiveram o meu filho mais velho , a minha nora e os filhos.
No fim ofereceram-me um ramo de biscoitos, representando flores, obra da minha nora que, como hobbie, faz coisas muito giras na área de bolos, cup cakes, etc



6 comentários:

  1. O teu sorriso diz tudo. Mais um êxito, mais uma recompensa. Parabéns!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Obrigada Virgínia. Plagiando Miguel Torga, a vida é feita de pequenos nadas.
    Bjs
    Regina

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  4. Desculpa mas não sei o que acontece por vezes mas o meu comentário sai repetido
    Ab

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  5. Olá, Regina.
    Uma pequena sílaba, como uma célula original de um poema.
    Bonito.
    abço amg

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