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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 17 de janeiro de 2016

O Tempo perguntou ao tempo...

O Tempo perguntou ao tempo  quanto tempo o tempo tem, o Tempo respondeu ao tempo que em 2015 o tempo tem mais um segundo. No dia 30 de junho de 2015, o relógio bateu mais um segundo do que seria normal. Depois das 23 horas, 59 minutos e 59 segundos, vieram as 23 horas, 59 minutos e 60 segundos. Só um segundo depois chegou a meia noite. E assim ganhámos um segundo extra, o chamado "segundo intercalar".
Assim começa no nº 4 da revista Lusíadas (Inverno 2015) um artigo muito interessante da autoria do Professor   Rui Agostinho, Diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, e que tive oportunidade de ler anteontem, enquanto guardava por um consulta no Hospital da Boavista. Tenho o privilégio de conhecer pessoalmente Rui Agostinho, um excelente comunicador que fala com paixão  de tudo aquilo que faz. Deixo um quadro que acompanha o artigo e a indicação do site do observatório (oal.ul.pt) onde, entre outras informações, poderão ter informações sobre o cometa C/2013 US10 (Catalina) que está visível este mês.

Coo referi, fui ao Hospital Lusíadas numa consulta de rotina, Aproveitei para visitar a colega Manuela Mota que ali está internada, na sequência de um atropelamento. Durante vários anos professora no Departamento de Química da Faculdade de Ciências, por vontade própria  deixou o Ensino Superior. Leccionou no então Liceu Carolina Michaëlis (CM). Creio que foi a primeira doutorada que ali leccionou. Terá à volta de 86 anos, mas continua com o dinamismo que sempre lhe conheci, conduz, viaja, etc,etc
Há dias foi visitar um irmão que está internado e ao dirigir-se para o carro que tinha estacionado ali perto, foi atropelada na passadeira. Teve fratura de crânio, está cheia de equimoses pelo corpo e tem uma lesão na cervical. Quando do acidente foi transportada para o Hospital de Santo António. Quando, na 4ª feira  me dirigi ao Hosptial para visitá-la já tinha ido para o Hospital Lusíadas.
Mal entrei no quarto fiquei espantada pois apesar de todos os estragos estava sentada em frente a uma mesa, ao telemóvel com alguém, a tomar notas sobre qualquer coisa, como se nada tivesse.  
Estivemos bastante tempo à conversa pois de cada vez que eu propunha ir-me embora dizia-me com um ar jovial: deixe-se estar, estamos tão bem à conversa... Soube por ela que uma outra colega, mais ou menos da mesma idade, que também foi professora no CM estava na urgência do mesmo hospital, pois tinha caído em casa. Fui vê-la. Um pouco combalida, contrastava com a vivacidade da Manuela.

Lembrei-me que em tempos tinha lido um artigo interessante sobre envelhecimento  e fui procurá-lo. Deixo alguns excertos mas pode ser encontrado aqui

(...)O conhecimento científico só avança quando podemos medir ou contar as coisas de alguma forma. Podemos determinar a idade das árvores contando seus anéis anuais e a idade de alguns peixes contando quantas camadas de escamas possuem, mas não há forma de medição disponível por meio da qual possamos determinar a idade biológica dos seres humanos e da maior parte dos outros animais. No caso dos homens, obviamente, podemos usar a certidão de nascimento, mas, por mais confiável que seja, ela especifica apenas um único ponto no tempo. A idade cronológica mede quanto tempo, quantos anos se passaram a partir daquele ponto. Informa-nos quando devemos comemorar os aniversários e que números devemos escrever no campo idade dos formulários, mas, para os gerontologistas, o envelhecimento é cronológico apenas no sentido legal ou social. O tempo, em si, não produz efeitos biológicos. Os eventos ocorrem no tempo, mas não devido à sua passagem. Os eventos biológicos que se seguem ao nascimento acontecem em momentos diferentes e em ritmos diferentes em cada um de nós.(...)
(...)Em termos de envelhecimento, assemelhamo-nos a uma loja de relógios. Cada um de nossos muitos tecidos ou órgãos comporta-se como um relógio independente, que trabalha em um ritmo diferente dos demais. Por causa disso, uma pessoa com uma determinada idade cronológica poderia ser consideravelmente mais jovem ou mais velha biologicamente, dependendo da velocidade média na qual seus relógios estão trabalhando. Seria muito mais informativo conhecermos nossa idade biológica do que nossa idade cronológica, mas infelizmente não temos como medi-la.(...)
(...)Todos nós somos compostos de bilhões de células individuais e dos produtos gerados pelas células. A maioria das células presentes no nosso organismo hoje não estava presente há cinco ou dez anos. Na verdade, algumas não estavam presentes nem mesmo ontem.(...)
(...)A complicação é que, como resultado dos processos metabólicos normais, as moléculas podem se renovar ou ser substituídas sem que as células individuais nas quais estão contidas sejam substituídas. O que acontece com uma célula velha é análogo ao que poderia acontecer com um carro antigo. Se todas as peças do carro forem substituídas, o carro não será mais o mesmo. Se todas as partes da célula forem substituídas, a célula não será mais a mesma. Os neurônios com os quais você nasceu podem, aparentemente, ser os mesmos hoje, mas na realidade muitas das moléculas que os compunham quando você nasceu (exceto o DNA) podem ter sido substituídas por outras moléculas.(...)
(...) Todas as  moléculas, tenham ou não sido renovadas, são compostas de unidades mais fundamentais chamadas átomos, a maioria dos quais não sofreu mudanças desde a criação do nosso planeta.(...). Quando morremos, nossos átomos dissipam-se no meio ambiente, e alguns talvez venham a fazer parte de outro ser humano, em um padrão contínuo de átomos reciclados. (...). Nossos átomos são imortais, mas nós, como indivíduos, não.
(bilhão/bilião corresponde para nós a mil milhões)

A propósito destas últimas frases do texto lembrei-me de um poema do meu primeiro livro (Reflexões e Interferências)

Sorriso

Junto à campa da minha mãe
nasceram lírios no passado mês.
Alguns dos seus elementos,
o magnésio talvez,
já terão sido, por certo,
pertença da minha mãe.
Há momentos,passava perto
de um lírio que ali cortei
e quando o olhar fixei,
pareceu-me ver alguém
que sorria para mim.
Doce, o sorriso, sem fim.
Por certo era a minha mãe,
só ela sorria assim.

Mas regressando ao tempo, não poderia deixar de me referir a "Uma breve história do tempo" de que deixo um pequeno excerto: 


Resultado de imagem para Uma breve história do tempo

Durante os anos 70 dediquei-me particularmente ao estudo dos buracos negros, mas em 1981 o meu interesse pelas questões da origem e destino do Universo reacendeu-se quando assisti a uma conferência organizada pelos jesuítas no Vaticano. A Igreja Católica tinha cometido um grave erro com Galileu, quando tentou impor a lei numa questão científica, declarando que o Sol girava à volta da Terra. Agora, séculos volvidos, decidira convidar alguns especialistas para a aconselharem sobre cosmologia. No fim da conferência, os participantes foram recebidos em audiência pelo papa que nos disse que estava certo estudar a evolução do Universo desde o *big bang* , mas que não devíamos inquirir acerca do *big bang* em si, porque esse tinha sido o momento da Criação e, portanto, trabalho de Deus. Nessa altura fiquei satisfeito por ele ignorar qual havia sido a minha contribuição para a conferência: a possibilidade de o espaço-tempo ser finito mas sem fronteiras (3), o que significaria que não tinha tido um princípio e que não havia nenhum momento de Criação. Não tinha qualquer desejo de partilhar a sorte de Galileu, com quem me sinto fortemente identificado, em parte devido à coincidência de ter nascido exactamente trezentos anos depois da sua morte! (...

Ontem à noite decidi ver o filme Teoria  de Tudo que tenho gravado mas que pode também ser visto aqui.
De qualquer modo deixo o trailer 
https://www.youtube.com/watch?v=OgVdYzUW0yk



E a propósito de Tempo termino com a Persistência da memória de Salvador Dali

Pintura Abstrata Relógios Tempo Mar Pintor Dali Tela Repro


3 comentários:

  1. Obrigada pelas palavras deixadas no meu "Ortografia". Passarei aqui outras vezes.
    Beijo.

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  2. Obrigada pelas palavras deixadas no meu "Ortografia". Passarei aqui outras vezes.
    Beijo.

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