Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O último mês em síntese....

No dia 14 de Junho deixei aqui uma mensagem  a que dei o título  "roda viva". A roda viva continuou de tal forma que não consegui arranjar tempo para escrever . Por isso, deixo hoje o último mês em
síntese,
No dia 10, como então referi, tinha reunido em minha casa vários colegas do José, numa festinha de despedida que correu muito bem.
Na sexta feira seguinte, dia 12, contava ir para Trás-os-Montes mas não fui porque decorreu no Carolina uma festinha com os alunos do 1º ciclo. Os alunos de 4ºano, finalistas do ciclo, para além de outras atividades  representaram novamente, vestidos de cozinheiros, a coreografia que tinham apresentado no Coliseu.
Correu muito bem.
No dia 13, o Infantário  Barbosa du Bocage, que a minha neta mais nova frequentea  e a escola do Bom Sucesso, levaram a cabo a festa de encerramento do ano letivo, com um peddy paper.




Como o meu filho e a minha nora não podiam ir fui eu com a pequenita.
Logo no início houve uma grande confusão e eu não fazia a mínima ideia da constituição da equipa em que nos inseriram e  que tinha um número que não recordo. Ia perguntando às várias pessoas mas ninguém sabia. A dada altura vi, também perdido,  um pai com uma pequenita(a Leonor). Fizemos uma equipa e só então nos apercebemos que a minha neta e a  Leonor eram colegas e amigas. Passados cerca de 5 min de iniciarmos o percurso em busca das pistas, começou a chover torrencialmente. Entrámos no Cidade do Porto  e o peddy paper terminou  para nós...
Quando parou de chover regressámos ao espaço da escola e do infantário onde, por sugestão da educadora, fotografei alguns trabalhos que as crianças tinham realizado a propósito da  minha visita em 27 de Maio ( a que fiz referência em uma mensagem anterior)




A propósito do dia de Camões, a minha neta "retratou" assim o poeta


A partir do dia 15, e porque o meu neto José já estava de férias, ficava comigo todo o dia. Entretanto eu tinha que ir a Trás-os-Montes, ida que adiara como atrás referi. Ele quis ir connosco. Entretanto foi convidado para uma festa de um amiguinho da escola que frequentou antes de ser transferido para o Carolina Michaëlis e ficou indeciso quanto a ir connosco ou ficar.. Como não se decidia optámos por deitar uma moeda ao ar. Ficou mas desatou num choro sentido porque também queria ir...Ficou o neto, foram os avós. O tempo estava óptimo
Aqui ficam algumas fotos






Regressámos para o S. João e, como habitualmente, fizemos a cascata cujas fotos não ficaram famosas...

 

Na semana seguinte, o meu neto José frequentou todas a tardes, a escola de futebol Hernâni Gonçalves  e na semana a seguir frequentou, durante uma semana, um espaço onde praticou basquete Na mesma semana a minha neta fez um curso de surf .  Ambos adoraram as atividades.
Nesta semana o José está a frequentar um curso de verão na escola de música Santa Cecília.
No sábado parto para Trás-os-Montes com os quatro netos e só regressarei ao Porto em fins de Agosto. Até lá o blogue ficará de novo inativo...

Antes de terminar quero fazer referência  ao XVII PortoCartoon World Festival, cujo núcleo central está patente na Galeria Internacional do Cartoon do Museu Nacional da Imprensa.

Cerca de trinta exposições do PortoCartoon espalham o humor por diversos locais, dentro e fora do Porto. Trata-se da maior montra de humor do mundo, tanto em extensão como em número de desenhos.

Vila do Conde The Sytle Outlets, Dolce Vita Porto, Via Catarina, Galeria do JN, Casa Branca de Gramido (Gondomar), Aeroporto, Mercado do Bom Sucesso, Funicular dos Guindais, Livraria Lello, Piolho, Café Progresso, Café Célia, Café Velasquez, Museu do Vinho Bairrada, Estação de Braga, Museu de Imprensa - Madeira e Museu Nacional da Imprensa (com 3 exposições) são alguns dos locais onde já podem ser visitadas estas mostras.

 tema principal – A Luz – vem, mais uma vez, reforçar a preocupação relativamente aos grandes problemas da humanidade, deste que é um dos maiores certames mundiais de humor. Centenas de desenhos parodiam o 'ano internacional da luz' (ONU).

Integradas no PortoCartoon 2015, e patentes no MNI, estão ainda as mostras Sin Palabras - uma exposição comemorativa dos 20 anos de Magola, personagem criada por Nani Mosquera – e uma exposição de homenagem a Georges Wolinski. Esta última resulta de um convite dirigido pela Direção do MNI aos cartunistas de várias nacionalidades, vencedores do Grande Prémio do PortoCartoon, e inclui um busto da autoria do escultor Fernando Saraiva. Georges Wolinski, famoso cartunista assassinado em janeiro passado no atentado ao Charlie Hebdo, foi durante 10 anos Presidente do Júri do PortoCartoon e em 2014 recebeu o título de Cidadão Honorário do Porto – Capital do Cartoon.

Ernest Hemingway e Cristiano Ronaldo foram as figuras eleitas para o Prémio Especial de Caricatura do PortoCartoon 2015. A exposição do Prémio Especial de Caricatura Ernest Hemingway, cujo vencedor foi Dalcio Machado (Brasil), pode ser visitada na Galeria do JN até 30 setembro. A Galeria Internacional do Cartoon (MNI) acolhe a mostra do Prémio Especial de Caricatura Cristiano Ronaldo, cujo vencedor foi Krzysztof Grondziel (Polónia).

Até outubro vão ser ainda montadas exposições no Edifício Transparente, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, Palacete Visconde de Balsemão, Casa do Infante, Casa-Museu Guerra Junqueiro, Estação de Campanhã, ESAP, Café Via Garrett.


Deixo algumas imagens de carttons que podem ser vistos no Bom Sucesso
     

Boas férias para todos

terça-feira, 14 de julho de 2015

Os vampiros

Em  em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu, José Afonso dava o seu último concerto 


Estava hoje a ouvi-lo pela enésima vez e quando ecoaram Os Vampiros, lembrei-me de imediato de um texto que acabara de ler na NET e que deixo a seguir



Afinal o eurogrupo é um grupo sem existência legal  que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém” revela Varoufakis

Na primeira entrevista após deixar o Ministério das Finanças, Varoufakis revela que defendeu a emissão de moeda alternativa como resposta à asfixia dos bancos, fala da “completa falta de escrúpulos democráticos por parte dos supostos defensores da democracia na Europa” e acusa os governos de Portugal e Espanha se serem “os mais enérgicos inimigos do nosso governo”.
“Desde o início, esses países [os mais endividados] deixaram bem claro que eram os mais enérgicos inimigos do nosso governo(…). E claro que a razão era que o seu maior pesadelo era o nosso sucesso: se conseguíssemos um acordo melhor para a Grécia, isso iria obliterá-los politicamente, teriam de responder aos seus povos porque não tinham negociado como nós fizemos”, responde Varoufakis na entrevista à New Statesman.
O ambiente no Eurogrupo é um dos temas mais tratados na entrevista e é definido assim pelo antigo ministro das Finanças grego: “Aquilo é como uma orquestra bem afinada e Schäuble é o maestro. Tudo segue a sua pauta”. Para Varoufakis, apenas o ministro francês sai do tom, mas de forma “muito subtil”, parecendo que não se está a opor ao homólogo alemão. Mas no fim, quando o Dr. Schäuble responde a definir a linha oficial, o ministro das Finanças francês acaba sempre por aceitar”, explica.
Varoufakis explica também o episódio da sua “expulsão” da reunião do Eurogrupo em junho. Quando chamou a atenção de Dijsselbloem que as declarações do Eurogrupo têm de ser aprovadas por unanimidade e que ele não pode convocar uma reunião excluindo um dos membros, “ele disse: Tenho a certeza de que posso. Então pedi um parecer legal. Isso criou alguma confusão. A reunião parou cinco ou dez minutos, os funcionários falavam uns com os outros ao telefone e acabou por chegar um responsável dos assuntos legais ao pé de mim a dizer-me isto: Bom, o Eurogrupo não tem existência legal, não há nenhum tratado que tenha previsto este grupo”.
“Eurogrupo toma decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”
“Afinal o que temos é um grupo inexistente que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”, prossegue Varoufakis.
Quando falava nas reuniões, com argumentos económicos preparados, “as pessoas ficavam a olhar para mim, como se não tivesse falado (…) Bem podia estar ali a cantar o hino da Suécia que ia receber a mesma resposta (…) Nem sequer havia mal-estar, era como se ninguém tivesse dito nada”, revela Varoufakis.

O que mais impressionou Varoufakis nas reuniões a que assistiu foi a “completa ausência de qualquer escrúpulo democrático por parte dos supostos defensores da democracia”. O ex-ministro dá um exemplo: “Ter várias figuras muito poderosas a olharem-me nos olhos e dizerem ‘Você até tem razão no que está a dizer, mas vamos esmagar-vos à mesma’”.
Proposta de emitir moeda paralela, tomar posse do banco central e cortar dívida ao BCE foi a derrota que o levou a sair do governo
Varoufakis fala também pela primeira vez da derrota política que o levou a sair do governo. Segundo a versão do ex-ministro, propôs ao governo um plano com três ações caso o BCE obrigasse ao encerramento dos bancos: a emissão (ou o anúncio) de uma moeda paralela (uma promessa de dívida conhecida como IOU), o corte na dívida detida pelo BCE desde 2012 e tomar o controlo do Banco da Grécia. “Perdi por seis contra dois”, diz Varoufakis, que voltou a insistir no plano na noite da vitória do OXI.
Mas o governo tinha outros planos, segundo Varoufakis, que levaria a “mais concessões ao outro lado: a reunião dos líderes partidários, com o nosso primeiro-ministro a aceitar a premissa de que o que quer que aconteça, o que quer que o outro lado faça, nunca vamos responder de forma desafiante. E basicamente isso significa desistir… deixa-se de negociar”.

Termino com  um cartoon de André Carrilho, publicado na Diário de Notícias
“Ajuda à Grécia”

Publicado no Diário de Notícias


domingo, 12 de julho de 2015

António José Maldonado, o professor e o poeta.

Em Outubro de 1955, com 10 anos incompletos, entrei para o 1º ano do então Liceu Nacional de Bragança. O fascínio de uma nova etapa da minha vida onde quase tudo era novidade, a começar pela dimensão da escola. De entre as colegas da 4ª classe, poucas continuaram estudos, pelo que não conhecia a maior parte das alunas da  turma A, onde me “encaixaram” com mais 30 meninas. O Liceu era misto, contrariamente à escola onde fizera a 4ª classe mas, genericamente, meninos e meninas não partilhavam espaços. A professora Lina, foi substituída por vários  professores, creio que nove. Entre esses professores estava o Dr. António José Maldonado, professor de Português. Recordo-o como um professor muito afável mas bastante permissivo pelo que  não se aprendia muito nas suas aulas.
Voltei a tê-lo como professor na disciplina de História no 5º ano (actual 9º). Por motivos de saúde foi substituído, creio que no início do 2º período.
Por essa altura, surgiu na escola uma nova professora de Inglês, a Drª Aurora, com quem o Dr. Maldonado veio a casar.
Não voltei a tê-lo como professor. Que no 6º quer no 7º ano, embora as turmas fossem mistas, eram desdobradas na disciplina de Filosofia. O Dr. Maldonado dava aulas aos rapazes e o Dr. Lopes da Silva, então Reitor,  às meninas.
Já no fim da minha passagem por Bragança, constou-me que teria escrito um livro de poesia Futuros ou não,
Embora tivesse sempre uma palavra gentil para me dizer se me visse na escola ou na rua, nunca me apercebi do seu lado poético, o que não é de estranhar pois era ainda muito jovem quando  fui sua aluna.

Transcrevo um dos poemas desse livro

Futuros ou não
viajemos um para o outro, tranquilos; 
viajemos, sombras fugidias, levemente 
            eternas:
- Tu para mim, eu para ti.
  Futuros ou não,
passemos nos lábios inventando o fogo, 
passemos nos corpos repartindo as nascentes, 
passemos nas almas pronunciando espaço. 
  Como o ruído dos passos gasta a solidão
            dos caminhos,
assim tu em mim,
chegada de muitos gestos, dum mundo e de 
            outro mundo, do alfa e do omega.


António José Maldonado foi inserido pela crítica na chamada "Geração de 50", que se tornou célebre pelo seu inconformismo e revolta contra o regime salazarista. De entre os seus poemas destacam-se particularmente "Êxodo", "Dies Irae" e "Os Fundadores de Cidades". 

Na passada semana tive o tempo um pouco mais livre pelo que deambulei pela Baixa, muito em particular por livrarias. E numa delas, na Praça Guilherme Gomes Fernandes, descobri  Limite Cultivado, um livro de  António José Maldonado, prefaciado por Fernando Guimarães que também conheci como professor do Liceu de Bragança, embora nunca tivesse sido meu professor 



Voltando ao limite cultivado deixo dois poemas


Deixo também um poema de Fernando Guimarães 

ACERCA DE UMA ARANHA
O que se pode dizer? Falemos da sua leveza, dessa espécie de gesto
que a sustenta no ar. Permanece sozinha, para que se encontre
a si mesma. À sua frente estão múltiplos caminhos, mas escolhe
apenas um. Ela procura o centro de qualquer coisa. Aí fica
à espera, atenta como nós quando lemos um livro. Talvez esteja perto
daquilo que há muito se ignorava, de um segredo que a teia
lhe pode revelar quando estremece. Solta-se dela um fio
maior para que a luz venha ao seu encontro. Oscila um pouco
e afasta-se lentamente. É outra a página que se lê agora.
[in As Raízes Diferentes, Relógio d’Água, 2011]

Como referi no início,  recordo o professor como uma pessoa afável e próxima dos alunos. Lembro-me que numa das aulas, não sei se de Português ou de História um dia falou-nos de uma canção de que gostava muito e que trauteou. Tratava-se da Canção do Mar e creio que foi a primeira vez que a ouvi. Deixo-a na voz de Dulce Pontes




terça-feira, 7 de julho de 2015

Os gregos disseram NÃO

Já há imenso tempo que não escrevo acedo ao blogue. Mas hoje não poderia deixar de o fazer.
Se há algo que me incomoda é a subserviência....Por isso o NÃO  dos gregos merece o meu maior  aplauso.


Se a Troika estivesse realmente interessada em que os países, entre eles  Portugal e Grécia,reduzissem as despesas de uma forma justa, teria imposto a esses países medidas como por exemplo: 

A- reduções /extinções:

 1. de  mordomias dos ex-Presidentes da República (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros atestados, motoristas, etc.) e da Assembleia da República, (como almoços opíparos a custos ridículos),

2. do número de deputados da Assembleia da República 

3. no número de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e administradores como 2º e 3º emprego.

4. das empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euros/mês 

5.  do financiamento aos partidos

6. da distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que muitas vezes se deslocam em digressões particulares pelo País;.

7. dos motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias, muitas vezes em serviço não oficial

8. da renovação sistemática de frotas de carros do Estado 
  
9.  das viagens de deputados  em classe VIP( mesmo em pequenas distâncias),  e respectivas estadias em hotéis de cinco estrelas. 

10. das numerosas administrações  de hospitais e outros organismos públicos 

11. dos milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo

12. das várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que muitas vezes passaram fugazmente pelo Estado. 

13-dos salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos

14- das Parcerias Público Privadas 

etc, etc, etc

B-Eficácia 

1. na "perseguição"  dos milhões desviados por banqueiros

2. na investigação  do enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo  quem faz fortunas e adquiriu patrimónios de forma indevida 

3. no controle rigoroso de toda a actividade bancária 

etc, etc, etc

Mas não foi isso que sucedeu. Foram-se impondo medidas gravosas que afetaram essencialmente  os mais desfavorecidos e  a classe média. Isto tudo com  com a subserviência dos governos e dos povos...

Como homenagem ao povo grego, termino com um excerto de um filme que  marcou a minha geração