Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

POR QUE NÃO UM SUDOKU?

É este o título da mensagem que segue, colocada por Carlos Fiolhais in De Rerum Natura

Já tínhamos saudades de Vasco Pulido Valente. Nesta crónica no Público de hoje arrasa a incompetente prova que pretende avaliar os candidatos a professores.  No fundo trata-se de uma prova de charadas e o IAVE, cuja competência não dá para mais, bem poderia pôr um sudoku ou palavras cruzadas, que o resultado seria semelhante. O resultado deste tremendo erro político de insistir numa prova absurda é o desprestígio, na opinião pública, não só dos professores como dos exames, que deveriam servir para seleccionar os melhores e melhorar o sistema e assim só servem 
para polémicas inúteis.

A crónica de VPV pode ser lida aqui


Aconselho também a leitura do artigo  Português dos redactores da PACC não cumpre os requisitos mínimos


in http://www.mdb.pt/content/crato




in http://correntes.blogs.sapo.pt/2013/11/

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Mestre Resende na Fundação Cupertino de Miranda


Começo esta mensagem com um excerto  de um texto de Jorge Fiel, publicado em 2007, a propósito de uma exposição de Mestre Resende na Alfândega do Porto

Ouça um bom conselho. Faça a si próprio o favor de se deixar mergulhar na formidável explosão de cores intensas que experimentará ao visitar a exposição comemorativa dos 90 anos de mestre Júlio Resende...

Faço minhas as palavras de Jorge Fiel a propósito da exposição “Sinais do Modernismo no Porto- anos 50 " patente na Fundação Cupertino de Miranda.
Com outras cores, mas nem por isso menos formidável.... O meu marido tinha ido à inauguração mas eu não pude ir pois fiquei com a minha neta mais nova que estava com gripe.
Gosto muito da obra de Mestre Resende que tenho visto quer em exposições permanentes no Lugar do Desenho e  na galeria Baganha, quer em exposições temporárias em vários locais, nomeadamente na Alfândega do Porto.
Para João Fernandes, director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, não há dúvidas que a obra de Júlio Resende “é um dos capítulos mais importantes da história da arte portuguesa do século XX”.
Deixo fotos dos duas obras  de que mais gostei( gostei de todas, em geral) bem como de um trabalho feito só com linhas. Todas elas foram retiradas do catálogo  que contém  um texto belíssimo da filha, Marta Resende






Como referi na mensagem anterior, na Fundação estava (ou devia estar por dois dias...) uma outra exposição"Reciclar é Arte". Parece que foram entregues pouquíssimos trabalhos.
De qualquer modo deixo uma foto do meu (no cavalete) , feito a partir de pedaços de persiana estragada e tendo por moldura rolos de cartão, e dos que estavam ao lado

                                         

E já que comecei a mensagem com um "bom conselho" termino com " Bom Conselho " de Chico Buarque

Quando procurava no youtube, encontrei no  Ciber Dúvidas" uma análise" do poema que achei interessante.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Senilidade precoce?


Um terço dos professores chumbou na prova de avaliação  é o título de uma notícia que pode ser lida aqui

Mas que avaliação?

Nada melhor para responder que um texto de António Mouzinho, publicado em De Rerum Natura. Não resisto a transcrevê-lo na íntegra porque é de uma enorme lucidez


Como defendo que os professores devem ser um escol, a flor das nossas instituições de ensino e das profissões — acrescentada do gosto e do talento para lidar com alunos com esta ou aquela idade —, fico particularmente impressionado com os testes psicotécnicos a que agora são obrigatoriamente submetidos para entrar (ou permanecer) nas malhas do ensino.
Aqui há uns anos (antes do Decreto Regulamentar respetivo, o 26 de 2012) pediram-me que avaliasse um conjunto de colegas, com uma condição: não metia o pé nas suas aulas. Há dois tipos de avaliação do exercício docente: presencial e não presencial. A minha era do segundo tipo.
Inteirei-me da forma como a coisa era feita: havia uns formulários a preencher, com (e atente-se ao vocabulário) «Dimensões», subdivididas em «Domínios», com «Descrição/Avaliação da Actividade Realizada» (a atividade ainda tinha um «c») e, para rematar, «Evidências».
As Dimensões eram, afinal, (1)«Vertentes»: vertente profissional, social e ética, (2)«Desenvolvimentos» (parte I): desenvolvimento do ensino e da aprendizagem, (3)«Participações»: participação na escola e relação com a comunidade educativa, e (4)«Desenvolvimentos» (parte II): desenvolvimento e formação profissional ao longo da vida.
A primeira dimensão (só um bocadinho mais de paciência, caro Leitor, que já começo o fogo de artifício propriamente dito) refletia-se em três domínios: (1)«Compromisso com a construção e o uso do conhecimento profissional», (2)«Compromisso com a promoção da aprendizagem e do desenvolvimento pessoal e cívico dos alunos», e (3)«Compromisso com o grupo de pares e com a escola».
A segunda dimensão (estamos quase…) incidia em mais quatro domínios: (1)«Preparação e organização das actividades lectivas» (os dois últimos «c» podem ser utilizados pelo Leitor numa ocasião de carência, se assim o entender), (2)«Realização das actividades lectivas«, (3) «Relação pedagógica com os alunos» e (4)«Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos». Os pontos 2 e 3 eram, por razões óbvias, excluídos da minha atuação como avaliador sem presença na sala de aula.
A terceira dimensão (está a escaldar!…)  versava os três domínios seguintes: (1)«Contributo para a realização dos objetivos do Projecto Educativo e dos Planos Anual e Plurianual de Actividades», (2) «Participação nas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica e nos órgãos de administração e gestão» e (3)«Dinamização de projetos de investigação, desenvolvimento e inovação educativa e sua correspondente avaliação».
A quarta dimensão tinha de ser… o tempo!: «Formação contínua e desenvolvimento profissional».
Como é que eu lidava com isto tudo? Ora bem: Cada um dos domínios era esclarecido por indicadores e descritores (de que vou dar um exemplo mais adiante), premiado com uma quantificação e — coisa importante — fundamentado por uma evidência (mais uma vez a linguagem). A «evidência» é o fenómeno com existência física comprovada: não basta afirmar «vi uma senhora com doces olhos que se dirigiu a mim num clarão de luz e me interpelou dizendo "António, são 5 horas e 58 minutos, menos uma hora nos Açores, e presta atenção ao que te vou confidenciar"». É necessário captar a senhora em vídeo e passar pela secretaria da escola para dar veracidade à gravação. O professor afirma que em novembro fez uma ação de formação no Instituto Superior Técnico tendo saído de lá com um doutoramento numa área da engenharia de materiais? Sim senhor, mostre lá o canudo. Fez uma visita de estudo com os alunos de Sociologia à Disneyland de Paris? Ok: exiba os bilhetes e os bonés do rato Mickey.
Vamos, então, aos descritores; pego logo no segundo, e adiantemos serviço: trata-se do «Desenvolvimento do ensino e da aprendizagem». São listados indicadores: «Correcção científica, pedagógica e didáctica da planificação das actividades lectivas», «Planificação do ensino de acordo com as finalidades, as aprendizagens previstas no currículo, a rentabilização dos meios e recursos disponíveis e a articulação curricular». Os descritores e os níveis de desempenho respetivos são estes:
(1)«Planifica as actividades lectivas com correcção científica, pedagógica e didáctica, demonstrando uma articulação lógica e coerente dos diferentes domínio curriculares — Excelente»;
(2)«Intermédio — Muito Bom»;
(3)«Planifica as actividades com correcção científica, pedagógica e didáctica  — Bom»;
(4)«Intermédio — Regular»;
(5)«Demonstra graves inconsistências na planificação, sem articulação evidente dos diferentes domínios» — Insuficiente.
Topam?
Vá lá; mais um para o caminho, que está frio: desta vez sobre o «Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos». Os indicadores: «Desenvolvimento de actividades de avaliação das aprendizagens, para efeitos de diagnóstico, regulação do processo de ensino e avaliação e certificação de resultados», «Promoção de processos de auto-regulação nos alunos que lhes permitam apreciar e melhorar os seus desempenhos». E, novamente, os descritores e níveis:
(1)«Mobiliza diversas modalidades de avaliação (diagnóstica, formativa, sumativa, auto-avaliação) com regularidade, adequação e rigor, construindo e aplicando instrumentos de avaliação diversificados e representativos dos critérios de avaliação definidos em departamento curricular e aprovados em Conselho Pedagógico — Excelente»;
(2)«Intermédio — Muito Bom»;
(3)«Mobiliza diversas modalidades de avaliação (diagnóstica, formativa, sumativa, auto-avaliação) com regularidade, adequação e rigor, construindo e aplicando instrumentos de avaliação representativos dos critérios de avaliação definidos em departamento curricular e aprovados em Conselho Pedagógico — Bom»;
(4)«Intermédio — Regular»;
(5)«Mobiliza com incorreções graves as modalidades de avaliação» — Insuficiente».
Pescam?
Vamos, então, à pirotecnia: o resultado de todo este processo é que o professor avaliado nunca poderia ter nota superior a Bom. Porquê? Porque não existia avaliação presencial.
Assim sendo, o que poderia acontecer? Que qualquer indivíduo inteligente poderia recolher, de entre o programa aprovado e meia dúzia de sugestões dadas pelos próprios livros adotados — com a respetiva ganga de orientações para a planificações de aulas, execução de testes e fichas, e receituários variados —, a estrutura do seu relatório final; esta seria facilmente verificável pelos sumários e avaliações sortidas feitas aos alunos. Claro, também estaria alinhado com os critérios de avaliação da escola. Imaginemos, agora, que este professor produzia turmas com resultados medianos que, em exame, se iam abaixo com «os nervos» (surgem como nos bifes: quando são examinados). Somente o relatório, fechado antes dos exames, nada tinha a ver com eles. O Bom seria o máximo: 7,9 em 10.
Ao lado, um colega mais descuidado gizaria, à última hora, um relatório feito à pressa, com uma ou outra falha na descrição da atividade, com ausência desta ou daquela evidência ou, simplesmente, lapsos de memória. Baseando-se na sua boa intuição ou na experiência de anos anteriores, produzia a sua planificação de aulas por grandes blocos soltos, sem registos minuciosos. Seja, no entanto — por hipótese —, que produzia turmas com resultados igualmente medianos mas que, em exame, superavam a classificação interna da frequência, fazendo aquilo que se designa por «brilharete». O Bom seria inferior, porque o relatório, que foi entregue antes dos exames, estava bem redigido, mas apresentava deficiências: digamos, 7 em 10.
Vamos admitir que o professor avaliador fez o seu trabalho com correção, de acordo com as boas práticas, definidas pelo ministério, que a escola lhe transmitiu. Em agosto, adormecia, prazenteiro, numa espreguiçadeira algarvia, beirã, ou transmontana (só a espreguiçadeira é de rigueur), aliviado por se ver livre de critérios e tabelas que, muito simplesmente, estava longe de poder verificar: era-lhe vedada a entrada numa sala de aula dos colegas avaliados; nunca os viu ensinar e avaliou-os a partir de paleio de sanzala; enfim, perdão: baseando-se em relatórios de atividade.
O professor medíocre e cuidadoso safou-se com 7,9; o professor excelente mas menos atento à papelada ficou pelos 7. O palerma é o segundo, que não se precaveu e fez um relatório assim-assim. Ora o relatório é que era avaliado (ó palerma!). A comunidade respira fundo: tudo está bem.
Agora, a confidência, a fechar a estória: resolvi o problema cumprindo a lei, mas atribuindo, de acordo com os visados, a mesma nota aos avaliados que cumpriram o guião — e foram todos. Sei, por portas e travessas, que eram diferentes como professores, mas não sou abelhudo ao ponto de ter arranjado maneira de urdir um inquérito paralelo para fazer a folhinha a eventuais patifes, levando os outros à glória. Nada disso transparecia proporcionalmente, de qualquer forma, nos relatórios entregues.
Era aquela a bambochata que o ministério encomendara, e teve.
Não serviu para nada.
O Bom, de qualquer forma, foi passado por inerência do cargo a milhares de professores antes disso; limitei-me a produzir mais uns quantos. Não voltei a ser solicitado — se calhar — porque as notas todas iguais irritaram alguém.
A novidade, agora, é os psicotécnicos!
Nunca uma alma, em ministério de que eu me lembre, cuidou de estabelecer uma estrutura de ações de formação rotineiras, para grupos inteiros das escolas, sobre didáticas das disciplinas ensinadas. Não se tornava necessário para quem, em tempos, emergia de um estágio pedagógico tradicional (isso era feito, longamente, lá dentro), mas é absolutamente necessário hoje, se o professor saiu de uma dessas trapalhadas que por aí há a «formar» professores (acreditadas por sucessivos ministros).
Não é feito, mas é feita uma espécie de testezinhos psicotécnicos como expediente para verificar capacidades perfeitamente elementares, lógicas e de expressão na língua materna. Como dizia Carlos Fiolhais nestas páginas, «para excluir os supostamente piores».
Ora o ensino público nacional tem considerável qualidade, apesar das deficiências todas que se lhe aponta (ao sistema, à formação e seleção de professores, às condições materiais de funcionamento, à gestão do curriculum e dos programas, e por aí fora). Essa qualidade é-lhe emprestada, unicamente, por um corpo docente empenhado que continua a sustentar tão bem como pode, com dedicação aos alunos, com brio profissional, e com uma paciência notável, toda a casta de asneiras que sucessivos ministérios põem de pé.
Retire-se-lhe uma resma de papéis idiotas da frente substituindo-a por uma boa ação de formação sobre as matérias que ensina diariamente, e logo se verá o professor a bendizer o tempo empregue, em vez de maldizer a vida e a burocracia. Mas é mais fácil fazer testezinhos manhosos do que didática.
O presente ministério, na sua prática corrente, desvaloriza algumas das boas medidas tomadas com um comportamento geral de espertice saloia: sim, vai apanhar os professores impertinentes num ardil de testezinhos manhosos; sim, vai promover uma cultura da «utilidade», reforçando os conteúdos que, «realmente», servem para alguma coisa; sim, vai desfazer-se dos projetos de investigação que gastam dinheirinho público sem gerar retorno aparente imediato (castigando e premiando os projetos de investigação «como um mestre-escola do antigamente», no dizer de José Vítor Malheiros, citado no De Rerum Natura); sim, vai regular-se por uma enérgica política de avaliação de resultados, transferindo para instituições de ensino critérios do mundo empresarial. Sim, vai pôr Baião a falar Inglês, porque Baião, assim, fica melhor. Diz quem? Diz quem sabe. Holy Cross of the Douro - Bayou terá a sua EQ Foundation, claro (correspondendo i-quiu a um escritor inglês do século 19 chamado, por extenso, Eça de Queirós: escreveu King Solomon's Mines). No restaurante, o arroz de favas é divino (divine)!
O ministério da educação (assim, com letra minúscula) consegue ser sempre igual a si mesmo, por mais que mudem os ministros, porque estes, de conluio com aquele, entendem que devem legislar com mão alvar pondo-se, de seguida, à espreita, em vez de fazerem o seu trabalho — resolvendo.
Os professores precisam de boa formação, não de chicanes.
Se o ministério se sujeitasse aos seus próprios critérios de avaliação de figurino empresarial, estaria despedido em dois dias.
Ah: e com justa causa! António Mouzinho

Recomendo , do mesmo autor, o texto publicado aqui em 2011 cujos comentários merecem ser lidos. Transcrevo um deles

Para cúmulo do teatro a que vamos assistindo, repare que no palco da 5 de Outubro, os actores Professores/as estão a representar os papeis de homens e mulheres a dias nas escolas
Contratam-se por um mês, ou no que der na real gana aos donos das lojas (lojas=escolas).
Depois das indignidades lançadas contra o professorado, a matéria não tem fim.
O que apetece repetir como César, quando se apercebeu que um dos assassinos era o seu filho Brutus, e adaptá-lo na boca dos professores: "Tu quoque, Crate, fili mi?"  (Até tu, Crato, meu filho?)
De assassinato em assassinato vamos indo.
Com um abraço de muita mágoa.
Outro não é possível.


O problema vem de há muito como os textos referidos evidenciam. Já em 2008, Desidério Murcho referia:

"Há quem pense que a avaliação de professores imposta pelo Ministério da Educação visa melhorar o ensino, mas isto é falso. Pior: nem é por essa razão que os responsáveis ministeriais querem avaliar os professores. Pois se o fosse, a maneira mais óbvia de os avaliar, com menos custos e menos complicações processuais, seria através do tratamento estatístico dos resultados dos alunos em exames nacionais, cientificamente rigorosos e pedagogicamente lúcidos." 

Ainda a propósito da atual prova, diz Carlos Fiolhais

(...)Defendo que devemos escolher os melhores professores, mas para isso essa prova é mal feita. De resto, é inútil. Mal feita porque não passa de um  teste psicotécnico, sem nada a ver com a profissão docente. Inútil porque não serve para escolher os melhores docentes, mas sim para excluir os supostamente piores. Apenas afasta meia dúzia de candidatos a professores, num tempo em que há poucos lugares. Quanto a escolher os melhores, o MEC já mostrou que não o sabe fazer. 
A prova tem outros danos: instalou na sociedade a ideia de que  os professores são, em geral, incompetentes. Ora não são, são na sua grande maioria profissionais não só capazes como dedicadíssimos. A insistência na prova serviu, portanto,  para colocar a profissão contra os actuais ocupantes da 5 de Outubro, que estão a perturbar o clima escolar e a afastar a atenção dos verdadeiros problemas da educação.
O ministro Nuno Crato colocou-se contra os professores que o levaram, em ombros, a ministro. Quanto à direcção do IAVE, antigo GAVE - Gabinete de Avaliação Educativa, que devia ser um organismo técnico para realizar exames e não político, ela não  é independente do Ministério nem do ministro. É grave!

Num artigo que escrevi em 2011, refiro

(...) É preciso que o que se avalia tenha realmente a ver com a qualidade de ensino e aprendizagem, não virtuais como as que nos tentam impingir, mas reais.
E a real qualidade de ensino- aprendizagem será tanto melhor quanto menor o tempo que os professores tiverem que dedicar a preencher papéis e a assistir a reuniões, ambos obsoletos na maior parte dos casos.”

Hoje, ao ouvir Nuno Crato falar da prova, fazendo uma analogia com o exame para tirar a carta de condução, fiquei “estarrecida”...
Senilidade precoce? 

Sr. Ministro, para tirar a carta de condução é preciso prestar uma prova, não num  simulador, mas conduzindo realmente por várias trajetos escolhidos pelo examinador, enfrentando os verdadeiros problemas que um condutor enfrenta no seu dia a dia
Por  essa lógica o Sr. Ministro devia ser o maior defensor de uma  avaliação dos professores que  teria que que passar  pela prática da docência, necessariamente em sala de aula. Aí estaria totalmente de acordo consigo...

Deixo-vos com um texto, que podem ler aqui e que vai no mesmo sentido daquilo que acabo de exprimir

Confesso que fiquei embaraçado com a prestação. o Senhor passou nitidamente por momento mau, patético, que deixou em baixo. Talvez cansaço, uma reacção à onda de frio, uma tentativa de fazer humor, não sei. Mas que não correu bem, não correu.
Lembrou-se Nuno Crato de comparar a PACC com o exame de condução. Disse o Senhor Ministro na RTP que um exame de condução também não avalia tudo pelo que a PACC também não pode avaliar tudo. Genial.
Existe um pormenor irrelevante, nos exames de condução, certamente porque estão fora da alçada do MEC, os candidatos a condutores têm que obrigatoriamente, adivinhem ... isso, conduzir. E realizam também o exame teórico sobre o famoso "Código".
Mas na visão iluminada de Nuno Crato e do IAVE é adequado avaliar as capacidades e conhecimentos para se ser professor sem observar o seu trabalho em sala de aula. Serve uma prova de que avalie, dizem "competências lógicas". Está, logicamente, certo.

A comparação de Nuno Crato entristeceu-me mais do que me sentir discordar ou indignado. Acho um insulto à inteligência comum fazer esta comparação, nós não somos parvos Senhor Ministro. Não vale a pena produzir mais comentários, é a náusea.

Cartoon selecionado aqui
Mais um cartoon 





terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Reciclar é uma Arte


Em Outubro tomei conhecimento do concurso Reciclar é uma Arte.



Quando frequentei a escola UTOPIA , o Professor Domingos Loureiro,um dia  lançou-nos o desafio de fazer  um trabalho com material supostamente sem valor. Pessoalmente resolvi usar uns pedaços de uma persiana, que tinha sido substituída numa das janelas de minha casa. Foi esse o trabalho que apresentei para o concurso.

Passado algum tempo recebi este mail:

Caro participante,

Agradecemos, mais uma vez, a inscrição efetuada no concurso “Reciclar é uma Arte”, e aproveitamos para informar que existe a possibilidade do seu trabalho ser exposto durante a realização do Encontro Internacional da Ciência para a Reciclagem (http://imsr2015.wix.com/ercr#!inicio/cuus), organizado pelo ERCR (European Research Centre for Recycling) que se irá realizar de 22 a 23 de janeiro de 2015, na Fundação Cupertino Miranda.

Caso esteja interessado em participar nesta exposição extra concurso, deverá informar a organização até 30 de Dezembro de 2014 e o trabalho terá que ser entregue até 15 de janeiro de 2015.

A Comissão Organizadora.

Assim, nos próximos dia 22 e 23, o meu trabalho, figurará, entre muitos, na Fundação Cupertino de Miranda. Aqui fica o convite.

Pessoalmente, estou curiosa quanto aos trabalhos apresentados.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Fiat Lux


Em 2010 fui convidada a escrever um texto sobre a Luz, para o catálogo de uma exposição. Enviei o texto e passado algum tempo,  traduzido em espanhol e inglês, recebo- o para revisão de provas.
Como domino relativamente bem o espanhol foi fácil fazer a revisão mas o mesmo não se passaria com o inglês.   Por acaso estava a passar uns dias em minha casa um primo meu, tradutor, que chegou a fazer traduções em simultâneo, na ONU. O texto em inglês foi comparado com o original  e feita uma ou outra alteração de modo a traduzir melhor o que eu pretendia referir. 
Passado mais algum tempo recebi dois exemplares do catálogo,  Fiquei um pouco surpresa pois não imaginava que fosse um catálogo tão bem apresentado e com tão elevada qualidade.
Na altura frequentava, na escola Utopia, aulas de pintura com Professor Domingos  Loureiro 
 a quem mostrei o catálogo.
Disse-me:
Não interprete mal as minhas palavras mas, provavelmente, nunca nenhuma das obras que já escreveu ou irá escrever,  será lida em tantas parte do mundo como este seu texto no catálogo.

Não me tinha apercebido de tal....


Fiat Lux. Creación e iluminación es el catálogo preparado para ilustrar la exposición comisariada por Paulo Reis en el espacio de MACUF (Museo de Arte Contemporáneo Gas Natural Fenosa) entre el 15 de Abril y el 4 de Julio de 2010. En este, se recogen, además de abundante material gráfico de la exposición, textos de M. de Fátima Lambert, Regina Gouveia y Paulo Reis, así como fichas explicativas del trabajo de cada uno de los artistas participantes en la exposición e imágenes de todas las obras. La portada de Fiat Lux ha sido concebida por DARDO para dejar que la luz se haga, y por ese motivo se ha diseñado en negro con un troquel de círculos. El papel blanco brillante también se ha seleccionado para facilitar el reflejo de la luz sobre las superficies. Al tratarse de una exposición colectiva, el catálogo se ha estructurado teniendo en cuenta la presencia de una serie de fichas de

Deixo um pequeno excerto do texto em espanhol, que poderá ser lido aqui, na íntegra.

MISTERIOSA LUZ, SIMPLE Y BELLA
Regina Gouveia

Unos ojos que me habían mirado con demora,
no sé si por amor o por caridad,
me habían hecho pensar en la muerte, y en la nostalgia
que yo sentiría si me muriese ahora.
Y pensé que de la vida no tendría
ni nostalgia ni pena por perderla,
sino que en mis ojos muertos guardaría
ciertas imágenes de lo que pude ver.
Me gustó mucho la luz. Me gustó verla en todas las maneras,
Desde la luz de la luciérnaga a la fría luz de la estrella,
del fuego de los incendios a la llama de las hogueras.
Me gustó mucho ver como centellea en la cara de un cristal,
cuando traspasa, en una lámina tranquila,
la polvorienta niebla de un pinar,
cuando salta, en las aguas, con contorsiones de culebra,
desecha en piedras preciosas de un lapidado cetro,
cundo incide en un prisma y se desdobla
en los siete colores del espectro (...)
Gedeão, A. in Saudades da terra
La fascinación por la luz se remonta a las sociedades más primitivas que habían divinizado al
Sol y a la Luna. La Serra de Sinta fue conocida antiguamente como sierra de la Luna pues ahí se
practicó su culto.
En la antigua Grecia los hombres habían empezado a intentar explicar el mundo físico a su
alrededor, de una forma más racional y menos mitológica. Pero el estudio de la luz estaba
fuertemente ligado a la percepción visual. Pitágoras y en general los seguidores del platonismo
admitían que los ojos emitían luz. Epicuro fue el primer filósifo en defender que la luz sepor fuente y al entrar en los ojos produce la sensación visual(...).

Tudo isto veio a propósito de 2015 ser o  Ano Internacional da Luz  cujo objetivo, segundo a Unesco, é  "esclarecer os cidadãos de todo mundo para a importância da luz e das tecnologias óticas nas suas vidas, no seu futuro e no desenvolvimento da sociedade"

No site poderão encontrar muitos  vídeos e também muitos textos como o que anexo a seguir.

A Brief History of Light

From early attempts to understand the motion of stars and planets to the appreciation of the importance of light in photosynthesis, efforts to understand the nature and the characteristics of light have revolutionized nearly every field of science. This page will provide an overview and timeline of the history of our understanding of light, and will provide a link to the presentation given on this topic at the Opening Ceremony.
Where to begin?
An important stage of the evolution of the Universe occurred around 300,000 years after the Big Bang, when the temperature was cool enough (around 4000 degrees) for neutral atoms to form. Before that time, there were too many charged particles to allow light to travel more than a very short distance.  After atoms were formed, light could travel immense distances. In fact, we can receive today ‘light’ (in the form of microwaves) that has been traveling for over 13 billion years.
Perhaps of more importance to us was the formation of the Sun and the solar system - including our planet - about 4.5 billion years ago. Earth has been bathed with light from the Sun ever since; it is our most important source of energy. Sunlight warms us, causes weather patterns, allows plants to manufacture oxygen and our food from carbon dioxide and water, and it allows us to find our way around in the daytime!
The use of sunlight in photosynthesis, to make oxygen and carbohydrates from carbon dioxide and water, is a process first established over two billion years ago by cyanobacteria. They made the large quantities of oxygen in the atmosphere which allowed oxygen-breathing life to evolve. Today plants use chlorophyll to achieve the same result, keeping the atmosphere breathable, and providing food energy for us and all other advanced life forms.
Of course, mankind has found other sources of light over the course of history. Fire is obviously the earliest of these: from the camp fires of our cave-dwelling ancestors to the spirit lamps still used where there is no electricity. But electricity is the source of artificial light today, starting with the invention of the incandescent light by Joseph Swan and Thomas Edison and progressing via fluorescent lighting to modern light emitting diode (LED) lights.
Mankind has also learned to control light. The use of mirrors and lenses to divert light, or to magnify images, dates from pre-history. Microscopes and telescopes, using multiple mirrors and/or lenses are two closely related inventions from just a few hundred years ago. They allow us to study objects smaller than our naked eyes can see, and objects at large distances, whether ships at sea, or astronomical bodies at enormous distances.
We can also send light from one place to another using optical fibres or ‘light guides’ . These allow us to use light to transmit large amounts of information, and to explore regions where we cannot go, such as in medical probes or endoscopes.
No blog De Rerum Natura, Carlos Fiolhais tem colocado vários "post" a propósito, nomeadamente  "O ARTISTA PORTUGUÊS NUNO MAYA VAI ABRIR O ANO INTERNACIONAL DA LUZ EM PARIS"

Um outro post tem por título O que é a luz ? Podem lê-lo a seguir.




Vale a pena, neste Ano Internacional da Luz, voltar a esta questão muito antiga. Ao longo da história, foram-lhe sendo dadas diferentes respostas. Para os atomistas gregos,  a luz era, como aliás tudo o resto, constituída por partículas. No início do século XVIII, o físico inglês Isaac Newton recuperou esta teoria, uma vez que ela permitia explicar, entre outros fenómenos ópticos, a propagação rectilínea da luz, a reflexão (embate da luz na superfície de um espelho) e refracção (desvio da luz ao passar de um meio para outro).

Contudo, um outro físico, o holandês seu contemporâneo Christian Huyghens, conseguia explicar os mesmos fenómenos usando ondas. Apesar do enorme prestígio de Newton, foi a teoria ondulatória que acabou por prevalecer no século XIX: logo no início desse século, uma famosa realizada pelo inglês Thomas Young, exibindo a interferência de luz que passa por duas fendas, só podia ser compreendida com a ajuda de ondas. Uma partícula nunca pode anular outra partícula, mas uma onda já pode anular outra onda. Assistiu-se então ao triunfo da teoria ondulatória, para a qual muito contribuiu uma memória de 1815 do francês Augustin-Jean Fresnel, sobre a difracção da luz (espalhamento quando sai de um pequeno orifício).

Se a luz é uma onda, o que é que está a vibrar? Há 150 anos, o escocês James Clerk Maxwell, ao juntar, na mesma descrição matemática, a electricidade e o magnetismo, foi o primeiro a propor que a luz era uma onda que resultava da vibração do campo electromagnético. O que é esse campo? Para explicar a força eléctrica e a magnética à distância tinha-se introduzido a noção de campo. Existe um campo magnético associado ao campo eléctrico e a luz mais não é do que a propagação de uma perturbação periódica desses dois campos, conjunto a que chamamos campo electromagnético. A velocidade da luz foi calculada a partir de propriedades eléctricas e magnéticas. Apesar de essa velocidade ser constante, podiam existir ondas com  comprimentos de onda muito diferentes. A luz visível corresponde a uma pequena “janela” no conjunto dos comprimentos de onda. Luz invisível, como a ultravioleta e a infravermelha, é tão luz como a luz visível, só diferindo desta por o comprimento de onda ser menor ou maior. Com a detecção instrumental de luz invisível, a onda parecia ter ganho à partícula!

Mas a luz reservava-nos surpresas. Em 1905 as partículas de luz voltaram quando o físico suíço Albert Einstein se viu obrigado a introduzir a noção de “pacote” de luz (fotão) para descrever o arranque de electrões de um metal por luz ultravioleta. Graças a Einstein Newton estava vingado… A energia do fotão dependia do comprimento de onda: havia fotões ultravioletas, infravermelhos, e, com uma energia intermédia, fotões azuis, verdes e vermelhos. Como conciliar a descrição ondulatória, que funciona bem em certas circunstâncias, e a descrição corpuscular, que funciona bem noutras? Uma estranha teoria – a teoria quântica – conseguiu fazê-lo, impondo-se como a moderna teoria da luz. A luz propaga-se no espaço como uma onda, mas pode ser produzida ou apanhada como partícula. Hoje em dia conseguimos emitir luz fotão a fotão, evidenciando o seu carácter corpuscular, mas, se colocarmos um obstáculo com duas fendas à frente dessa luz, verificaremos que ela passa pelas duas, como seria de esperar de uma onda. A experiência desafia o nosso senso comum. Quem diz que o mundo tem de estar de acordo com o nosso senso comum? 


Termino com dois poemas meus. 

  Misteriosa luz


Desde o Big-Bang  corre pelo espaço
sem  aparentar o mínimo cansaço.
Sem concorrente na corrida
é, de antemão, a vencedora da  partida.
Durante a já longa viagem
foi criando vários laços na passagem
ao tornar iridescente o belo diamante
quando nele se reflete e se refrata,
ao cobrir o mar de um manto cor de prata,
ao ruborizar o céu à hora de alva  e ao  sol poente,
ao emprestar à lua um manto de luar,
ao tornar multicolor  o céu e o  mar,
ao brincar com  a chuva,  como se fora criança,
traçando no céu o arco da aliança,
ao espargir de cor a mãe natureza
que a ama com  fervor  e  a olha com  enleio.
Misteriosa luz, lasciva, bela.
Através dos vidros da janela vejo,
projetada no passeio,
a indelével sombra  dum longínquo amor.

In Entre margens(2013)

Arco-íris

Passeio no jardim das Tulherias,
o céu é cinza, o ar é baço.
Pelo espaço
ecoam doces melodias
que uma criança extrai da concertina.
Não sei se é menino ou se é menina,
só vejo as mãos e os olhos de um negro penetrante.
Um velho casaco do irmão, talvez do pai
cobre-lhe  a cabeça e sobre os ombros cai,
tentando protegê- la do frio que é cortante
É Abril, um Abril de chuva  e frio,
o dia é  sombrio.
No Céu, um arco íris imenso
cobre a cidade com um halo intenso.
Lá ao fundo o obelisco hirto e só,
recorda o Egipto, e um certo faraó.
Mais além o Arco do Triunfo e la Défense
"Honni soit qui mal y pense".
Para trás, o Louvre e a Catedral
ali à esquerda, sempre monumental,
a torre Eiffel
qual torre de Babel
onde se ouvem os  idiomas mais diversos,
são os turistas, por Paris dispersos.
Lá em cima, o Sacré Coeur, Monmartre,
esta é a cidade luz, da boémia e da arte
no país de Renoir, Rodin, Ravel  e Sartre,
Belmondo, Godard, Chevalier
do grande Le Corbusier,
de Descartes e Lavoisier,
de Aznavour, Piaff e Juliette
Paris dos Boulevards, de la Vilette,
do centro Pompidou, Beaubourg, Les Halles
do  Moulin Rouge e de Pigalle,
da Ópera,  da Madalena,
das pontes sobre o Sena.
É Abril, um Abril de chuva  e frio.
A música flutua no ar denso
e no Céu,  sombrio,
um arco íris imenso.
Tudo isto me fascina e me seduz:
Paris,  o som da concertina,
e  a  dispersão da luz

In Reflexões e Interferências (2002)



sábado, 10 de janeiro de 2015

A besta humana

Quando tinha os meus 18 anos li “A besta humana” de Zola, obra onde  o autor contrapõe à evolução tecnológica da sociedade, marcada na época pelos transportes ferroviários, a natureza humana permanecendo cruel e corrupta.

O livro marcou-me bastante e essa marca ressurge, geralmente, quando ocorrem atrocidades como as que, recentemente, tiveram lugar em França, fruto de um fundamentalismo bárbaro, sem sentido.

Para Leonard Boff, o fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista assumindo doutrinas e normas sem cuidar do seu espírito e da sua inserção no processo sempre evolutivo da história, que obriga a contínuas interpretações e atualizações, exatamente para manter a sua verdade essencial.

Lembrei-me de outros excertos  ou citações que nos fazem refletir sobre qualquer fundamentalismo, seja étnico, religioso, político ou outro.

A mente do fundamentalista é como a pupila do olho: quanto mais luz recebe, mais se fecha. (Stephen Hawking)

Não tenho nenhum preconceito de raça, nem de casta ou de credo. Todo o que me importa saber é que um homem é um ser humano, e isto é suficiente para mim. (Mark Twain).

Quanto menos evidência existe em favor de uma ideia, maior a paixão, maior a violência. (Bertrand Russell)

O desejo de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para o desejo de controlá-la. (H. L. Mencken)

Discutir com um homem que renunciou à sua razão é como medicar um cadáver. (Thomas Paine)

A forma mais comum de loucura é a crença apaixonada no palpavelmente falso. Essa é a principal ocupação da humanidade. (H. L. Mencken)

Os medos coletivos estimulam o instinto de rebanho e tendem a produzir ferocidade para com aqueles que não são considerados como membros do mesmo. (Bertrand Russell)

Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse. (Friedrich Nietzsche)

Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existirem muito mais crentes do que pensadores. (Bruce Calvert)

Sempre que o correto se torna dependente da autoridade divina, as coisas mais imorais, injustas e infames podem ser justificadas e estabelecidas. (Ludwig Feuerbach)

O respeito pela vida religiosa dos outros, por suas opiniões e seus pontos de vista, é um pré-requisito para a coexistência humana. Isto não significa que tenhamos que  aceitar tudo como igualmente correto, mas que cada um tem o direito de ser respeitado em seus pontos de vista, desde que estes não violem os direitos humanos básicos.(Hellern, Notaker, Gaarder).

As religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos. (Stendhal)

Quanto menos inteligente é o branco mais estúpido lhe parece o negro. (André Gide)  

O racismo é a expressão do cérebro humano reduzida à sua mínima expressão. (Rigoberta Menchú)

Termino com alguns “cartoons” .







quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Feliz 2015


Comecemos o Novo Ano com Poesia



RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre
Carlos Drummond de Andrade


Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
– Ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
– Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
– O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …
Mário Quintana


Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento
Fernando Pessoa

Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga