Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Semana da Ciência e da Tecnologia,

A Semana da Ciência e da Tecnologia, iniciativa que tem lugar em vários países do mundo é, em Portugal, uma iniciativa da Ciência Viva(Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, que tem como associados instituições públicas e laboratórios de investigação) a que ficará sempre associado o nome de Mariano Gago. Em curso desde 1997, inclui sempre o dia 24 de Novembro, Dia Nacional da Cultura Científica, e que comemora o nascimento de Rómulo de Carvalho. 

Nessa semana sou geralmente bastante solicitada pelas escolas e o presente ano não foi exceção. Como sempre, exploro alguns textos dos livros e faço algumas atividades muito simples que permitem explorar conceitos científicos ali implícitos. 


Na segunda feira estive no Externato Paraíso dos Pequeninos em quatro sessões com as crianças do 1º ciclo, um dia cheio de surpresas que culminou com uma entrevista conduzida por alguns alunos e que podem “ver” aqui.

A caixa que se vê no vídeo, foi um trabalho das crianças do 4º ano. Dentro continha um conjunto de trabalhos em tamanho A3, feitos pelas crianças do referido ano e um CD (capa em baixo) com poemas do livro Ciência para meninos em Poemas Pequeninos, lidos por alunos do 1º e do 2º ano



Do 3º ano recebi dois livrinhos. De cada um deixo a capa e um dos textos “em representação” de todos. Recebi ainda um marcador feito por um menino



Na terça feira com o livro Breve História da Química, estive no Agrupamento de Escolas Vallis Longus, onde já é costume ir.


Foram três sessões para alunos o 3º ciclo, cada sessão com duas turmas.
Os alunos estiveram bem muito em especial numa das turmas em que vários alunos ficaram no fim a colocar questões.
No fim, os colegas que são sempre extremamente gentis, ofereceram-me um conjunto de postais e marcadores alusivos à região de Valongo. O próprio envelope que continha o postais é decorado com motivos alusivos . 



Na escola há uma núcleo de fotografia dirigido pelo fotógrafo José Manuel Soares 
Ofereceram-me ainda uns pequenos sabonetes artesanais, feitos na escola, com a forma de trilobites.

Na quarta feira, 25 de Novembro, logo pela manhã fui à Biblioteca da Escola Carolina Michaëlis para onde já há algum tempo estavam agendadas duas sessões. 


A primeira para uma turma de 6º ano com o livro Pelo Sistema Solar vamos todos viajar e a segunda para os alunos do 1º ciclo, com o livro Era uma vez….ciência e poesia no reino da fantasia. Logo na primeira sessão tive uma surpresa quando, a par da turma de 6º ano, vi os alunos de 5º A, turma do meu neto. A professora de Português, que eu não conhecia, resolveu levar também os alunos. Foi uma boa surpresa. Após as duas sessões, visitei uma exposição dinamizada pelo grupo de Biologia/Geologia essencialmente constituída por minerais e peças à base dos mesmos, para venda. Esta exposição/ venda teve lugar também em Novembro de 2014 e, eventualmente, em anos anteriores mas só me apercebi a partir do momento em que o meu neto passou a frequentar a escola e, consequentemente, eu passei a ir lá com alguma frequência
À tarde fui à Escola Básica da Constituição que também pertence ao Agrupamento de Escolas Carolina Michaelis. Ali, os alunos de 2º ano “brindaram-me” com a representação do texto “Era uma vez ....um ecoponto” do livro Era uma vez….ciência e poesia no reino da fantasia.
Ontem, 26, continuando em Escolas do referido Agrupamento, pela manhã estive na Escola Básica do Bom Pastor, em duas sessões.
Na primeira sessão estiveram alunos de duas turmas que tinham trabalhado textos distintos,   textos  do livro Ciência para Meninos em Poemas Pequeninos e Era uma vez... um ecoponto. Relativamente a este texto fizeram uma série de desenhos que me entregaram,  encadernados. 


Na impossibilidade de colocar todos os desenhos escolhi um que melhor ilustra um excerto do poema de que transcrevo a seguir alguns versos
Esta é a história de um ecoponto
ali na esquina da rua que com o largo confina.
Ao sol, à chuva, às geadas, respirando ar poluído,
fustigado pelo vento, lá vai passando o seu tempo(...)
(...)Numa certa sexta-feira uma gaivota pousou
no referido ecoponto. Disse-lhe este num lamento:
Ecoponto
Estou muito preocupado, muito triste, descontente
com a falta de cuidado que se tem com o ambiente(...)
(...)Imagina só gaivota
que, na passada terça feira, um senhor todo janota
quis fazer do chão lixeira.
Lixo todo misturado, pelo chão ficou espalhado
e aqui mesmo ao meu lado(...)
(...)Levantou-se um vento forte e vê tu a minha sorte,
fustigado pelo vento e com o lixo à mistura.
Valeu-me ter pele dura….
..….….….….….….….….….…..
Gaivota
Acabo de ter uma ideia, uma grande solução.
Quando alguém mais descuidado deitar o lixo no chão
ou o trouxer misturado, sem qualquer separação,
leva logo uma bicada para ter mais atenção.
Ecoponto
Que boa ideia gaivota! Olha ali vem o janota…
Gaivota
Não queres ver o figurão… Deitou o lixo no chão
mas levou uma bicada, não vai esquecer a lição(...)


Na segunda sessão  estavam alunos que tinham trabalhado Era uma vez ....um planeta Era uma vez….ciência e poesia no reino da fantasia  e tinham elaborado o cartaz anexo.

À tarde fui à escola Irene Lisboa, a propósito da Breve História da Química. Eram bastantes alunos, não sei ao certo quantas turmas, mas correu bem e no fim muitos alunos quiseram ver pormenores das experiências que realizei, colocaram várias questões..
No fim da sessão fui buscar o José  à escola, depois fomos buscar a irmã ao infantário e seguimos todos para as aulas de música, eu e José tocamos ukulele e a Marta, piano
São dias muito “cheios”, um pouco cansativos, mas que me dão sempre um imenso prazer.


E ainda a propósito da semana da Ciência, no blogue de Rerum Natura, Carlos Fiolhais colocou ontem o texto com que termino a mensagem


O MITO DE EINSTEIN


Um dos pontos altos deste Ano Internacional da Luz é a celebração precisamente hoje, dia 25 de Novembro, do centenário da obra maior de Albert Einstein, a teoria da relatividade geral, que descreve a força da gravidade, ultrapassando Newton.  Foi um dos maiores empreendimentos do espírito humano:  percebeu-se que conceitos aparentemente tão díspares como o espaço, o tempo, a matéria e a energia estavam ligados por uma equação matemática que culminava longos esforços em demanda de uma descrição unificada do Universo. Ainda hoje essa equação se mantém de pé, apesar de todas as investidas teóricas e experimentais para a derrubar. De facto, a Natureza nada revelou até agora que nos faça duvidar da solidez da descrição einsteiniana.

Para mim como para tantos outros que escolherem a Física como profissão, Einstein foi um herói da juventude. Não me sentia tanto seduzido pelo lado icónico, seguramente o mais visível: o sábio de ar bondoso, farta cabeleira, camisola de lã e sandálias. Tratava-se antes da atracção pelo invisível, que a sua figura personificava melhor do que qualquer outra. Ele encarna a ideia de que o mundo é compreensível. Não sabemos porquê, mas é. O físico Einstein foi um pouco filósofo ao declarar: “O que há de mais incompreensível no mundo é o facto de ele ser compreensível.” Pode ser difícil, mas é possível decifrar os mistérios do mundo. O sábio suíço, nascido na Alemanha, também disse um dia que: “Deus é subtil, mas não é malicioso”. Não sendo ele uma pessoa religiosa no sentido comum, queria ele dizer que o Universo é intrincado, mas os seus mecanismos são acessíveis à mente humana. O trabalho continuado dos físicos e dos outros cientistas tem confirmado essa afirmação.

Incompreensível é também  o facto de o mundo se revelar compreensível através de equações. O cérebro de Einstein produziu há cem anos uma equação, cuja beleza espantou o próprio autor (“A teoria é de uma beleza incomparável”, comentou),  que permitiu previsões que se haveriam de revelar certeiras a respeito do mundo: um minúsculo desvio da órbita de Mercúrio em relação ao previsto usando as leis de Newton; uma pequena deflexão pelo Sol da luz proveniente de estrelas por detrás dele; buracos negros, abismos cósmicos que são fins locais do espaço-tempo; e o Big Bang, que é o início global do espaço-tempo a partir de uma prodigiosa concentração de energia.  Galileu tinha dito que “o Livro da Natureza está escrito em caracteres matemáticos”. E Newton tinha escrito os Princípios Matemáticos de Filosofia Natural, contendo a sua lei da gravitação universal. Mas Einstein veio acrescentar, numa base matemática, que a geometria do espaço-tempo (espaço e tempo tinham sido ligados em 1905 na sua teoria da relatividade restrita) é comandada pela matéria-energia (os dois também ligados na mesma altura). A força da gravidade mais não é do que o encurvamento do espaço-tempo, às ordens da matéria-energia. Para usar uma metáfora visual, um astro como o Sol está no espaço-tempo como uma bola  em cima de um lençol esticado. Se colocarmos um berlinde, que será a Terra, com velocidade adequada ele rodará em torno da bola central.

Roland Barthes, o semiólogo e filósofo francês que tal, como a teoria maior de Einstein, nasceu há cem anos (designadanente a 12 de Novembro de 1915), escreveu nas suas Mitologias (Edições 70, 1978): “(...) o produto da sua invenção assumia uma condição mágica, reincarnava a velha imagem esotérica e uma ciência inteiramente encerrada nalgumas letras. Há um único segredo do mundo e esse segredo condensa-se numa palavra, o Universo é um cofre-forte de que a humanidade procura a cifra: Einstein chegou quase a encontrá-la, é esse o mito de Einstein; aí se nos deparam de novo todos os temas gnósticos: a unidade da Natureza, a possibilidade irreal de uma redução fundamental do mundo, o poder de abertura da palavra, a luta ancestral entre um segredo e uma linguagem, a ideia de que o saber total não pode descobrir-se senão de um só golpe, como uma fechadura que cede bruscamente depois de mil tacteamentos infrutuosos.”

O prolongado confronto do cérebro humano com o Universo (um confronto natural pois o nosso cérebro é a única parte do Universo que o consegue compreender) vai tendo resultados felizes, como a epifania de Einstein há cem anos. A história da ciência ensina-nos que cada revelação não é o fim de nada, mas um novo princípio. Einstein não foi o fim de Newton, cuja teoria da gravitação universal continua a ser válida em certas condições.  Foi o início de uma cosmovisão bem mais fantástica do que a de Newton, pois o mundo do sábio inglês não podia albergar buracos negros nem provir de uma explosão inicial. Escreveu o Padre Teilhard de Chardin, paleontólogo e teólogo francês contemporâneo de Einstein: “à escala do cósmico só o fantástico pode ser verdadeiro.”





4 comentários:

  1. Não consegui ler tudo, mas dou-te os parabéns pelas actividades que desenvolves , sempre com dinamismo e empenho.
    A propósito, o meu filhoJoãoesteve ontem com o novo Ministro da Cultura e Ensino Superior que o convidou para Presidente da Fundação para a Ciência e Cultura. Ele recusou, pois não pode neste momento deixar a Veniam da qual é CEO, mas ficou muito sensibilizado pois sempre teve uma relação fantástica com Mariano Gago.
    Bom fim de semana!

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  2. Obrigada pelo comentário e um abraço de parabéns para ti e para o João.Não tenho dúvidas quanto ao bom desempenho que teria se tivesse podido aceitar o convite.
    Esperemos que o novo Ministro se porte à altura. Tenho algum receio relativamente ao da Educação, não por duvidar da sua competência, mas por nunca ter passado pelo ensino o que acho condição quase necessária (mas não suficiente) para entender os problemas da educação.
    Bjs

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  3. Concordo que é um dos ministérios mais difíceis de lidar. Infelizmente os profs formam um lobby tb dificil de roer e enquanto o foco for os profs e não os alunos, ou os dois em harmonia, torna-se dificil legislar....

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