Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Viagem à Grécia- balanço final

Como referi na primeira mensagem dedicada a esta visita à Grécia, ia com muitas expetativas pois era um destino que sempre me atraíra. A realidade superou as expetativas. Adorei a visita. O meu marido, para quem esta viagem nunca fora motivo de especial interesse, também adorou.
A história, a beleza de inúmeros lugares que visitámos, o custo de vida, os transportes muito cuidados, o respeito pelos mais velhos (descontos em transportes, museus, etc), a segurança que sentimos, a alegria e a amabilidade do povo...
O cuidado com a história reflete-se inclusivamente nos bilhetes de  entrada para museus que, em alguns deles,  têm imagens distintas de visitante para visitante. Deixo imagens dos que considerei mais bonitos.
Em baixo os bilhetes de entrada (do meu marido e meu, frente e verso), no Museu da Acrópole em Atenas. Vimos outros bilhetes diferentes em visitantes que entraram ao nosso lado


  Bilhetes de entrada em Micenas e Olímpia

No cruzeiro, entre os vários acompanhantes havia um para os passageiros de língua portuguesa, o Roberto. Natural de  Porto Santo vive em Atenas há pouco mais de um ano. Uma prima casou com um grego. Desde logo houve um intercâmbio entre as duas famílias, a grega e a madeirense, a tal ponto que neste momento está a viver em casa dos sogros da prima.
A opinião dele sobre a Grécia não pode ser mais favorável e, referindo-se às notícias que aqui foram tão exploradas sobre  a falta de dinheiro nos bancos, etc, referiu que a situação das filas para levantar dinheiro, ocorreu apenas durante dois dias e a população aguardou calmamente que a situação a normalizasse.
Embora não sendo fã de cruzeiros reconheço que favorecem o contacto com os outros viajantes.
Conheci alguma pessoas muito interessantes nomeadamente um casal de Valência, um casal de Rosário na Argentina, uma brasileira de quem já falei em mensagem anterior, um casal de brasileiros
descendente de transmontanos e que todos os anos visitam a família em Portugal e uma espanhola de Bilbau. Trocámos endereços de e-mail e já comunicámos após a viagem.
Regressando à simpatia do povo grego termino com um episódio, já no avião. Ao nosso lado sentou-se uma senhora. Com as minhas alergias ao ar condicionado, a dada altura comecei a tossir e a senhora, num francês para mim muito correto, perguntou-me se eu estava bem. Expliquei que era do ar condicionado e a partir daí começámos a conversar. Era grega, professora de Francês e Inglês e ia a Geneve visitar um tio. Quando soube que éramos portugueses, repetiu aquilo que fui ouvindo ao longo de toda a viagem "Os portugueses foram muito pouco solidários com o povo grego.."
Ao longo da conversa deu-me os seus contatos (e-mail, telefone, morada). Se um dia eu voltasse a Atenas teria muito gosto em me guiar pela "Atenas" que não vi...
O marido era funcionário na televisão grega (ERT)  quando, há cerca de dois anos,  a  estação foi encerrada (viria a ser reaberta em Junho passado) . Posteriormente integrou a "ERT Open", plataforma criada por cerca de 400 profissionais, que continuaram a emitir em Atenas, Salónica e em várias cidades do país, mantendo viva a chama da “verdadeira cadeia pública".Fora do ar há dois anos, a estação pública de televisão na Grécia está de regresso ao pequeno ecrâ. 
Divulgador de poesia, poeta, tem uma grande admiração pelos escritores de língua portuguesa, entre outros Pessoa ( sob os diversos heterónimos), Camões, Saramago, Vinicius de Moraes. Ambos têm o sonho de visitar Portugal. Foi o momento de eu retribuir toda a sua gentileza anterior fornecendo os meus contactos e disponibilizando-me para os guiar numa eventual visita ao Porto.
Ontem enviaram-me um mail com alguns textos ilustrados(as ilustrações são belíssimas mas estão bloqueadas) 
  δασκαλακης
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões


     μποτσογλου
Sou um guardador de rebanhos. 
O rebanho é os meus pensamentos 
E os meus pensamentos são todos sensações. 
Penso com os olhos e com os ouvidos 
E com as mãos e os pés 
E com o nariz e a boca. 
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la 
E comer um fruto é saber-lhe o sentido. 
Por isso quando num dia de calor 
Me sinto triste de gozá-lo tanto, 
E me deito ao comprido na erva, 
E fecho os olhos quentes, 
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade, 
Sei a verdade e sou feliz.
 alberto caeiro

E porque falei de poesia e arte termino com um excerto do "Canto Geral" de Neruda, com música de Theodorakis (https://www.youtube.com/watch?v=aaOM4PzVJng)



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