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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sábado, 21 de março de 2015

Tempo de poesia

Só agora, quase a entrar no dia 22, arranjei uns minutos para falar na celebração do Dia da Poesia. Mas como diz Gedeão, todo o tempo é tempo de poesia.

Tempo de Poesia

Todo o tempo é de poesia
 Desde a névoa da manhã
à névoa do outo dia.
 Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia
 Todo o tempo é de poesia
 Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que a amar se consagram.
 Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.
Todo o tempo é de poesia.
Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.
António Gedeão

Incluo também um poema  do meu primeiro livro Reflexões e Interferências (2002)

Exploração

Qual exploradora,  parti um dia.
Embrenhei-me na selva da vida
onde sabia  andar escondida a poesia           
                                                   Encontrei-a
na luz ténue do sol ao fim do dia,
na molécula, no átomo, no quantum de energia,
nas leis de Newton, no conceito de entropia.
                                                  Encontrei-a
na reflexão da luz,  na impulsão no ar,
no cheiro a maresia e nas algas do  mar,
no orvalho, na geada, na chuva, no luar.
                                                   Encontrei-a
no ínfimo e  no imenso  que a vista não alcança,
nas rugas dum idoso, no rir de uma  criança,
numa tela, num concerto,  numa dança.
                                                    Encontrei-a
no voo da gaivota, na pétala da flor,
na chama que tremula e se multiplica em cor
e que  irradia energia na forma de calor
                                                    Encontrei-a
nas estrelas, nas galáxias mais distantes,
no olhar apaixonado daqueles dois amantes,
nos extintos dinossauros de dimensões gigantes.
                                                    Encontrei-a
em  medusas, corais, nos fundos oceanos,
no vento a  agitar nas árvores os ramos,
em  pinturas rupestres com vários milhares de anos
                                                     Encontrei-a
na violeta escondida no canto do jardim
e no frasco que continha essência de jasmim.
Tentei então guardá-la só para mim.
Foi assim que ela se evolou
e de novo eu aqui estou
a procurá-la.
Regina Gouveia

Termino com um poema de uma amiga minha que acaba de publicar o seu primeiro livro de poesia.

Cultivar o amor

Houve amores que chegaram outros foram sem querer
muitos deles adormeceram mesmo antes de morrer,
perdidos e não achados tantos  e tantos também
ficaram atormentados o coração estilhaçado
não souberam querer bem, o amor não escolhe idade
aparece sem dizer dá conta quando instalado
incrustado em todo o lado é chama de lume a arder
e quando esmorece cedo por força do mal querer
apaga-se o enamorado dá lugar a outro ser
que pode ter bom futuro ou acabar por ali
se não se alimenta - tem fome está condenado a morrer,
mas se cresce e se prolonga com força e vivacidade
terá por testemunho a sorte
pode o amor com vontade dizer olá à verdade
tornarem-se companheiros um do outro ter saudade,
não basta dizer que sim para colher no estio
as flores, as folhas e os frutos é preciso bem tratar
como o amor – cultivar.   

Maria Fernanda Bahia

2 comentários:

  1. Ouvir Mozart no Brava e ler estes poemas é simplesmente maravilhoso. Já conhecia os dois primeiros, mas adorei o terceiro. A tua amiga promete. Escrevi sobre as árvores e tb sobre a poesia hoje....

    Bom Domingo!

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    1. Obrigada. Já enviei o teu comentário à minha amiga. Agora vou ver o teu blogue. Aliás vi o anterior (sobre o pai) mas não consegui comentar.
      Bjs
      Regina

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