Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 23 de junho de 2014

La Bayadère


Como vem sendo hábito, a Academia de Dança da Boavista, escola de ballet que a minha neta Rita  frequenta há alguns anos,  apresenta  um espetáculo por esta altura


No sábado, fui ao Rivoli ver o bailado La Bayadère de Leon Minkus em que a minha neta  participou, como acontece todos os anos. Levei o primo,  meu neto José que, curiosamente, assiste sempre com muita concentração o que espanta tanto mais quanto ele é uma criança com dificuldades de concentração. O primo, com 5 anos, por vezes tentava conversar com ele que, de imediato, lhe pedia: por favor deixa-me estar atento.
Embora cansado (pratica atletismo e de tarde tinha participado numa competição) aguentou firme até ao fim
Dizia-me à saída: Acho fantástico como a dança, os gestos,  a música são como uma espécie de fala (linguagem) 
Dormiu cá em casa, o que acontece com alguma frequência. Leu um pouco e depois apagou a luz. Passado algum tempo entrei no quarto. Dormia com um sorrido nos lábios. Talvez estivesse a sonhar com o bailado...

Como não se pôde filmar, deixo alguns excertos  da obra, a que assisti pela primeira vez.

Do compositor, já tinha assisti ao vivo ao bailado D. Quixote, que tenho em CD. Deixo também um excerto.

E da música passo para as artes plásticas, deixando imagens de estações  do Metro de Estocolmo, algumas das quais tive oportunidade de ver, quando ali estive em 2009


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Chico Buarque


Já varias vezes me referi  a Chico Buarque de Holanda neste blogue. O primeiro disco que eu comprei, sem ainda  ter gira discos, foi um single com Pedro Pedreiro
 Chico Buarque completou  hoje 70 anos.
Filho de Sérgio Buarque de Holanda,  historiador e jornalista  e de Maria Amélia Cesário Alvim, pintora e pianista, viveu sempre num ambiente extremamente rico do ponto de vista cultural. Niemeyer era amigo de seu pai e de certo modo influenciou o seu ingresso no curso de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU). Desistiu do curso em 1965 e começou a dedicar-se  por inteiro à carreira artística. Em 1966 ganhou o Festival de Música Popular Brasileira com a canção "A Banda". Em 1969 auto-exilou-se em Itália, fugindo da Ditadura Militar no Brasil. Talvez por isso tenha sido um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização do país. Mas a suatividade não se esgota na música. Além de compositor de músicas sobejamente conhecidas e  de bandas sonoras para alguns filmes, Chico é poeta (para além das letras de inúmeras músicas escreveu, por exemplo, Chapeuzinho Amarelo, um livro-poema para crianças), autor de peças para teatro e livros de ficção: Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado. Considero este último extraordinariamente interessante  e aconselho a sua leitura. Mas o texto de que mais gosto é provavelmente A casa  de Oscar 

Numa das mensagens em que o referi,  falei do seu heterónimo que muitas pessoas desconhecem-  Julinho  da Adelaide. Foi sob este pseudónimo, usado durante alguns tempo para driblar a censura,  que compôs, entre outras, o “milagre brasileiro” aqui na voz de sua irmã  Miúcha  que foi casada com João Gilberto (de cuja obra também gosto muito). Dessa ligação nasceu a cantora Bebel Gilberto

Tenho muita dificuldade em escolher a canção de Chico de que mais gosto. Deixo algumas das preferidas
(que são dezenas...),
Bem querer , Quem te viu, quem te , Notícia de jornal ,Permuta dos santos ,Amanhã vai ser outro dia,Fado tropical ,Construção  que podem encontrar neste "mix"

Esta última canção lembrou-me de imediato um vídeo chocante que me enviaram há pouco tempo e com o qual termino esta mensagem

Fim de semana...

Regressei anteontem do meu nordeste, onde fui passar o fim de semana. Já lá não ia desde a Páscoa O tempo, uma das causas que foi impedindo anteriores  idas programadas, estava fabuloso
Fui ver o Sabor, mais uma vez. A albufeira da barragem já está a encher  mas, da minha aldeia,  ainda  se identifica bem o antigo leito.
O Santuário de Antão da Barca, já “partiu”, deixando o lugar vago para o mar de água que, em breve, ali se quedará.  Altaneiro, vê-la-á de longe e sentirá saudades da água que ali corria, por vezes buliçosa.


Entre calhaus e areias, grossas, finas,
virgens porque há muito não pisadas,
e mescladas de vegetação rasteira,
resistem ao tempo, no fundo da ladeira,
umas ruínas de um açude, um canal e um moinho,
cuja  cobertura se perdeu 
como  todos os anos se perdia quando o rio,
nas enchentes,  lúbrico crescia.
Ainda hoje o  rio umas vezes adormece
outras galopa na viagem.
Do moinho que  agoniza junto à margem
resta, corroída,  uma mó que em tempos
transformava grão em pó.
Restam também vestígios de uma antiga construção
e,  numa fraga,  escavada uma pequena cova,
talvez  a gamela de um cão. Quiçá um perdigueiro,

companhia de caça do moleiro. 

(In Gouveia, R., Magnetismo terrestre, 2006)


 (…) Ó banzas dos rios , gemendo descantes (…) António Nobre

Jovial, fagueiro, por vezes arrebatado, violento,
assim corria o rio, outrora, em sobressalto ou lento.
Barítono, tenor, baixo, soprano, contralto,
cantava árias de amor e de paixão.
Aprisionaram-no. Tentou lutar.
Foi impotente perante a muralha de betão.
Parado, triste, agora já não canta.
Tem um nó na garganta.

 (In Gouveia, R., entre margens, 2013)











O novo espaço está com ar  “simpático”. A capela já foi trasladada mas no interior ainda  há muito a fazer.
Também fui à vila ...Ali, na Casa da Cultura estava patente uma colectiva de fotografia-"Momentos Vintage". 

Nunca ouvira falar de qualquer dos artistas. Na Net só encontrei alguns dados sobre Fernando Durão,  do qual deixo o texto anexo retirado de um folheto


Ao fazer as pesquisas soube que  Alfândega da Fé  poderá vir a fazer parte da  maior Reserva da Biosfera da Europa 

Ontem, quando regressava ao Porto, como sempre com a Antena 2 ligada, ouvi algumas obras muito interessantes. Dou conta de duas.
Cenas portuguesas de Viana da Mota e a ópera, Os prazeres de Versalhes, do compositor Charpentier

Ao descrever a ópera o apresentador referiu que um dos prazeres a que a mesma se referia era o chocolate. Achei um pouco estranho que à época, já fosse conhecido na Europa. Assim fiz a pesquisa que podem ver aqui e fiquei um bocadinho mais culta...

Não consegui encontrar a ópera na NET mas deixo-vos com um excerto de uma obra do compositor, que por certo ouviram muitas vezes. Eu não sabia qual o autor...

 A terminar, convido-vos para o festival Sete Sóis Sete Luas







sexta-feira, 13 de junho de 2014

Final de ano lectivo


No passado domingo realizou-se mais um almoço de antigos alunos do Liceu de Bragança. 



Desta vez foi no Porto e quando assim acontece costumo ir, embora sofra sempre uma tremenda deceção ao encontrar muito poucos colegas. É certo que através desses poucos, vamos sabendo notícias de muitos outros .  Alguns, infelizmente,  já partiram.
O tempo que passei  em Bragança foi um dos melhores períodos da minha vida. A vida académica ali era intensa, especialmente a partir do 6º ano ( hoje 10º).  Nas ocasiões mais solenes trajávamos capa e batina.

 Uma dessas ocasiões era a comemoração do 1º de dezembro, em que eu participei ativamente quer através das danças, quer do teatro ( no 7º ano fui a atriz principal no papel de" Princesa das Águas" contracenando com o Gigante Adamastor ( o colega Luís Salazar que não voltei a encontrar após terminar o Liceu)

Perdi o texto e não consigo encontrá-lo na NET . Deixo um excerto de  Os Lusíadas, uma obra prima da literatura portuguesa...  
“Amores da alta esposa de Peleu
Me fizeram tomar tamanha empresa;
Todas as Deusas desprezei do Céu,
Só por amar das águas a princesa;
Um dia a vi, coas filhas de Nereu,
Sair nua na praia e logo presa
A vontade senti de tal maneira,
Que inda não sinto cousa que mais queira.”

Outra data festiva era o 10 de junho que coincidia com a festa de encerramento do ano lectivo. Aí participava nos  espetáculos de ginástica e de dança e, por vezes, tocava(muito mal...) acordeão e piano





Tudo isto veio a propósito do final de ano letivo. O meu neto José, que neste período foi transferido da escola do Bom Sucesso para o Carolina Michaëlis, onde concluiu o 3ºano do ensino básico, participou, no âmbito do “Projeto Criar”, num evento que decorreu na passada quarta feira. 


Sete meninos da turma cantaram, em inglês, a canção que segue 

Ontem  foi o sarau de fim de ano que teve início às 21 h. Assistimos no jardim, ao cimo das escadaria,  a uma série de atuações por crianças e jovens .Algumas tinham lugar na antiga Biblioteca, junto das varandas, para poderem ser vistas do jardim, outras na entrada da escola, entre os arcos e as portas .

Numa sessão bastante eclética com  poesia, música (de vários os géneros), bailado,teatro,  houve atuações de grande qualidade a par de outras mais fraquinhas. O José ficou até às 23 h ( a irmã adormeceu e o pai ficou com ela no carro) mas a festa continuou não sei até que horas ...

Protestou por ter que ir embora mas hoje, às 9 h teria que estar na escola novamente...

domingo, 1 de junho de 2014

Dia da Criança


Hoje  comemorou-se em Portugal, e não só, o  Dia da Criança. Mas em muitos países há datas diferentes para a comemoração.
Como já aqui referi várias vezes, não sou muito apologista destes “DIAS”. O Dia da Criança devia ser todos os dias e o mesmo diria para os demais DIAS.
Para o meu neto Bernardo, o Dia da Criança é também o dia do seu aniversário. Hoje  completou 5 anos.
As festas de aniversário são sempre realizadas em casa. Todos os coleguinhas da escola são convidados pelo que, com alguma antecedência, começamos a preparar a festa, muito em particular as  atividades para as crianças. Este ano, e porque o Bernardo adora tudo o que se relaciona com animais (embora não saiba ler, os seus programas favoritos na TV são sobre animais, no National Geographic), o tema da festa foi Bem vindos à  selva.  Construiu-se um grande painel (tipo flanelógrafo) com  um espaço que simula uma selva. Escondidas estavam várias imagens de animais que as crianças teriam que procurar,  mediante pistas, e depois colar no flanelógrafo, no local  certo, até ficar completo.



Todos os anos as atividades são diferentes (por exemplo,  no ano passado tinham a ver com os Angry Birds de que ele era fã, na altura).

À semelhança dos anos anteriores, tudo correu lindamente .

O bolo foi  feito e decorado pela minha nora( mãe do Bernardo), que ultimamente tem esta "arte" como hobby. 




E porque falamos de animais,  aqui deixo  Pedro e o Lobo em duas versões,uma pela Orquestra Sinfónica de Vancouver e outra mais adaptada ao público infantil 

Termino com algumas ilustrações de animais da autoria de Susie Ghahremani  que foram retiradas daqui