Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 29 de abril de 2014

Ciência para menino em poemas pequeninos

Em 28 de Maio de 2013, publiquei aqui uma mensagem com o título Ironias do destino em que dava conta do meu “desencanto” com a Porto Editora face ao adiamento sucessivo da publicação de uns livros meus, que entregues em 2000, acabariam por ser editados bastante mais tarde pela Campo das Letras e pela Gatafunho. Como alguns poemas desses livros constam de livros escolares da referida editora e como gosto de usar de  franqueza com as pessoas, comuniquei-lhes o meu descontentamento. Em boa hora o fiz pois o “diferendo” foi sanado. E depois da tempestade...a bonança.
Na  sequência deste reatar de uma boa relação que mantivera  com a Editora, acaba de ser publicada, pela mesma, e com “cara nova”, a 3ª edição do meu livro Ciência para meninos em poemas pequeninos.

Algumas das ilustrações (o ilustrador é o meu filho Nuno) são novas e há também algumas novidades nos textos. O livro, integrado na colecção  " O mundo das Histórias",  está muito bonito.
 





segunda-feira, 28 de abril de 2014

A Portugal está a faltar muita poesia.

 

A Portugal está a faltar muita poesia.

 

Esta afirmação foi feita por Vasco Graça Moura numa entrevista que deu recentemente à Visão.

Admiro-o muito como poeta, não tanto como pessoa.

Vasco Graça Moura faleceu ontem, aos  72 anos de idade

   

3.w.a.m.,texturas

digo outra vez da substância triste:
oiço um quarteto de mozart e penso
de que outono de sons se faz mais denso
o silêncio da música. persiste

uma rosa de sons, uma explosiva
mas contida espiral dilacerada,
como se o mundo fosse apenas nada
e a rosa fosse a própria alma cativa.

de que luz, de que tempo, de que espaço,
ou matéria de sombras e alegrias,
de que impurezas, de que revoltas ágeis,

se faz, ligando tudo, agora o laço,
a prender numa só as várias vias
de coisas tão efémeras e frágeis?

Vasco Graça Moura

 

O poema fala de música.  E é também de música que vou falar.

Na viagem de regresso de férias e, como é habitual, com  a Antena 2 ligada,  ouvi duas peças de autores que não conhecia, a 

Sinfonia No.1  de  François- Joseph Fétis e  o Concerto para Violino Nº. 2 em Re menor  de  Henrik Wieniawski 

 Ouvi também outras peças que conheço bem, nomeadamente a abertura da Ópera  L'italiana in Algeri de Gioachino Rossiniópera de que gosto imenso.

 

Há dias recebi um e-mail com uma versão muito interessante da Ave Maria de Gounod/Bach em flauta de Pan 

E por falar em Ave Maria, aqui deixo, na voz de ANDREA BOCELLI , não só a de Gounod/Bach mas também a de Schubert  , antecipando uma homenagem,  pelo Dia da Mãe,  à minha Mãe que tão bem cantava estas duas peças.

 

Termino com Amen numa versão em que participa Andre Rieu



sexta-feira, 25 de abril de 2014

A nova escola...


Na mensagem colocada em 2 de Abril referi-me a um aluno do 1º ciclo, numa escola pública, cuja professora , ainda nova, sempre o caracterizou  como uma criança irrequieta (não no sentido de travessa, mas significando precisamente o ter dificuldade em estar quieta), desconcentrada, um pouco infantil, mas meiga e educada ( o que corresponde à realidade).
A forma que esta professora encontrou para atenuar a irrequietude foi retirar-lhe, por vezes durante semanas seguidas,  todos os intervalos (inclusive o de almoço) e obrigá-lo, sempre que podia gozar do intervalo, a falar e brincar apenas com meninas, ficando impedido de conversar com os colegas do sexo masculino. Esta segunda prática gerou um comportamento de delação por parte das meninas, sempre que o aluno falava com rapazes.
Face à infantilidade, uma das medidas que adotou foi colocar-lhe uma chupeta na boca, dentro da sala de aula, humilhando-o perante todos os colegas.
Nenhuma das práticas resultou mas a professora insistiu apesar de várias vezes ter sido  abordada no sentido de repensar tais atuações. A professora tem tido muito sucesso com a  aprendizagem de conteúdos por parte dos alunos, incluindo o aluno em causa. Isso não faz dela uma boa professora. Esta professora precisava urgentemente de uma formação para evitar que continue a adotar práticas aberrantes  com os seus alunos. E provavelmente quem a “formou”precisaria também de formação..

A criança é um dos meus netos. Após a Páscoa, passou a ser aluno da Escola Carolina Michaelis que agora recebe alunos do 1º ao 12º ano.
Já há muito que não ia à escola mas tenho gostado do ambiente e o meu neto está a adorar a mudança.
Na sequência deste meu reencontro, surgiu o convite para ir ler alguma poesia no evento que ontem teve lugar.e a que me referi na mensagem anterior.
Senti uma certa comoção ao pisar novamente tantos espaças por mim pisados durante tantos anos, ao reencontrar colegas e funcionários, mas a comoção maior surgiu quando uma jovem (talvez já com 30 anos) se aproximou acompanhada por uma colega que me disse. A Inês foi tua aluna e ao ouvir falar no teu nome tentou logo encontrar-te. Disse-me a ex-aluna. Professora estou muito contente por revê-la. Adorei ser sua aluna.  








quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dia da Terra e Dia Mundial do Livro

Hoje, pelas 21 h , no Agrupamento de Escolas Carolina Michaëlis, decorre a  Noite da Terra. Aproveitando o evento, comemora-se também o Dia Mundial do Livro.  



Pediram-me para dizer alguma da minha poesia. Lá estarei, regressando assim à Escola onde fui professora durante vinte e seis anos



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Feliz Páscoa 2014



                                                                                          Adolescente,
                                                                                      eleva-se com porte de princesa.
                                                                                         Os ramos
                                                                                      oscilam graciosamente ao som da brisa.
                                                                                         Fustiga-a,
                                                                                      por vezes irado, o vento.
                                                                                         Violento, 
                                                                                     rasga-lhe as vestes e espalha os farrapos pelo ar
                                                                                         Bipolar,
                                                                                    afaga-a de seguida, com ternura.
                                                                                         e, placidamente,
                                                                                    a árvore retoma a gentil postura.

A todos os meus amigos desejo

uma Feliz Páscoa 2014

Já não há amendoeiras em flor, mas depois de amanhã partirei para o meu Nordeste, onde outras maravilhas da Natureza me aguardam. Entretanto desejo a todos uma Feliz Páscoa

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Falando de escolas e de educação...

Anteontem, dia 31, estive mais uma vez na Escola Básica S. Lourenço, em Ermesinde, a convite da Professora Bibliotecária. Os alunos de 8º ano ( 7 turmas com cerca de 30 alunos) têm vindo a desenvolver, desde o início do ano, um projeto dinamizado pelos professores de Língua Portuguesa e Física e Química, centrado no livro Breve História da Química que escrevi em 2011, no âmbito do Ano Internacional da Química, e  cuja edição foi patrocinada pela SPQ.


Estive com as 7 turmas distribuídas por três sessões (45 min cada), duas de manhã e uma à tarde. Em cada sessão fui surpreendida logo no início, por intervenções dos alunos. A 1ª, muito interessante, foi uma simulação de um telejornal em que o apresentador anunciava uma conversa com uma representante da escritora Regina Gouveia, conversa essa que girou à volta da obra, com apresentação das várias personagens,  e terminou com o pedido de uma visita da escritora à escola.
A 2ª, foi um  “sketch” em que alunos “vestidos” de saltimbancos, segurando tochas simuladas, anunciavam a minha presença e faziam a respetiva apresentação.

Lembro que a obra começa assim.
 Arauto
Venham ao largo da feira, chegaram os saltimbancos.
Se querem ficar sentados, tragam cadeiras ou bancos.

Entram os saltimbancos com uma  carroça,  archotes,  música. Fazem piruetas

A 3ª foi um PP com a minha apresentação e referências ao texto.

Mais uma vez, gostei muito de estar na Escola. Os professores são muito gentis e os alunos estiveram muito bem. Apenas na sessão da tarde  tive que chamar à atenção alguns alunos, após o que tudo correu lindamente.

À entrada e à saída vi, num “átrio” ,vários alunos empenhados em fazer e  colar cartazes para o Dia do Autismo, cartazes esses em que predominava a cor azul


Não sabia que 2 de Abril é o Dia do Autista  nem da importância do simbolismo da cor azul relacionada com a doença 
Vamos VESTIR AZUL no DIA 02 DE ABRIL... E QUEM SABE A SORTE DE MUITOS OUTROS E OUTRAS PODERÁ SER MUDADA... eu vesti azul e a minha sorte já mudou. Se o astronauta viu a Terra vestida de Azul, e se nos últimos dias de Lua Cheia, tão próxima de nós, os poetas e cantores puderam declamar e cantar em tom de "blues", se os artistas como Picasso, um dia, tiveram sua "fase azul", que tal reafirmarmos que O AUTISMO É AZUL. Mas isso só acontece e acontecerá: se nossos desejos de uma outra vida possível também forem intensificados em um devir azul como nosso planeta ainda em convulsão e tremores.... A TERRA É AZUL ... E O AUTISMO TAMBÉM! vamos cuidar, com muita suavidade, para que continuem assim.


Quando cheguei a casa liguei o computador, vim ao blogue e, como sempre, procurei nos favoritos se havia atualizações.
Em de Rerum Natura fui ler  o “post” "A Escola pública é um Inferno?"  e na sequência deste fui ler um  artigo de Alexandre Homem Cristo, que podem ler aqui . Deixo alguns excertos

O que se passa nas nossas escolas? Maria Filomena Mónica (MFM), num livro recentemente editado pela Fundação Francisco Soares dos Santos, responde. E a sua resposta não poderia ser mais incisiva: retratou um inferno, identificou factores para o insucesso e concluiu que a escola pública é má. Nada de surpreendente. Afinal, as conclusões a que chega não diferem das que tinha à partida, e que lhe conhecemos de outras intervenções públicas. Conclusões, aliás, alinhadas com as críticas habituais dos que desconfiam das escolas do Estado - a indisciplina reina, a exigência é baixa, os programas das disciplinas são todos péssimos e os miúdos não aprendem sequer o elementar.
Acontece que essas conclusões são muito discutíveis. Principalmente, por três razões. A primeira deriva da própria natureza da obra. Ao basear-se em relatos de uma dúzia de professoras e alunas, MFM sujeita-se a uma certa tentação pelo insólito, na medida em que só é digno de relato o que escapa à norma (i.e. o que não acontece normalmente). Construir generalizações a partir desses relatos é, por definição, abusivo. E apesar de não se tratar de um estudo científico, como aliás MFM tem referido nas suas entrevistas, não se pode deixar de realçar o óbvio: para além de um problema de representatividade da amostra, a obra sofre de um problema de fiabilidade.
(...)Ora, não é porque há escolas onde tudo corre mal que todo o sistema está comprometido. Tal como não é porque há escolas onde tudo corre bem que não há espaço para melhorias. Certezas, há uma. Só se promove a melhoria a partir de diagnósticos correctos. E apesar dos aspectos interessantes da obra, a base do diagnóstico de MFM não o está.

Não conheço o livro de Maria Filomena Mónica. Em tempos comprei um livro seu “Bilhete de Identidade” e confesso que esperava mais da autora das crónicas que por vezes vezes lia e continuo a ler.  A tal ponto me desiludiu que um dia, um amigo pediu-mo emprestado e eu dei-lho porque não tinha nenhum interesse especial em tê-lo na minha estante. Mas voltando ao livro que não conheço, procurei outras referências na NET e reproduzo  excertos de uma que podem ler aqui

socióloga Maria Filomena Mónica andou meses a procurar resposta para a pergunta "O que se passa dentro das nossas salas de aula?" e as respostas que obteve, a partir dos diários de duas professoras, quatro alunas e uma mãe, confirmaram os seus piores receios. "É uma escola criminosa, indigna, estúpida. ". E a culpa, aponta Maria Filomena Mónica é dos sucessivos ministros.

"Os pais que não se convençam que aquilo só se passa nas escolas públicas. Conheço miúdas das privadas que me fariam relatos igualzinhos ou piores", 

Sem soluções prontas a aplicar, Maria Filomena Mónica aconselha o ministro Nuno Crato a deixar de tratar os professores "como uns estafermos incapazes". "

 Por acreditar que os professores precisam de se sentir acarinhados "quer pelo poder, quer pela sociedade", a socióloga considera que o melhor que Nuno Crato podia fazer pela escola pública era deixar os professores em paz. "Deixá-los preparar lições, dar aulas e corrigir os exames dos alunos, em vez se os pôr a preencher relatórios que não servem para nada".

"Os culpados, segundo Maria Filomena Mónica, são todos os ministros que se sucederam na pasta depois de 1974”,porque “foram eles, e não os professores, que não souberam enfrentar o problema da massificação da escola; foram eles, e não os professores, quem elaborou os programas; e foram eles, e não os professores, quem levou as classes médias a retirarem os filhos do ensino público”.

Se em muitos aspectos  estou em total concordância, noutros discordo e confesso que não pude deixar de ficar arrepiada com a frase "É uma escola criminosa, indigna, estúpida. O que relatei no início mostra quão descabida é esta generalização.

Já por mais que uma vez me pronunciei no mesmo sentido que o excerto que segue:

Por acreditar que os professores precisam de se sentir acarinhados "quer pelo poder, quer pela sociedade", a socióloga considera que o melhor que Nuno Crato podia fazer pela escola pública era deixar os professores em paz. "Deixá-los preparar lições, dar aulas e corrigir os exames dos alunos, em vez se os pôr a preencher relatórios que não servem para nada".

Há muito mais a enumerar. Mas antes quero  deixar uma constatação.

Nos últimos anos tenho visitado dezenas de escolas, a maior  parte públicas, mas também algumas privadas. Do que tenho visto não deteto grandes diferenças e as que deteto têm a ver essencialmente com:
  • A diferença do número de alunos por turma ( genericamente maior no público que no privado),
  • O nível sócio-cultural dos alunos (genericamente melhor no privado ).

Mas vamos aos factos e cito apenas dois que, só por si, revelam problemas das escolas e dos professores.

1º facto
Sei de um  aluno do 1º ciclo, numa escola pública, cuja professora , ainda nova, sempre o caracterizou  como uma criança irrequieta (não no sentido de travessa, mas significando precisamente o ter dificuldade em estar quieta), desconcentrada, um pouco infantil, mas meiga e educada ( o que corresponde à realidade).
A forma que esta professora encontrou para atenuar a irrequietude foi retirar-lhe, por vezes durante semanas seguidas,  todos os intervalos (inclusive o de almoço) e obrigá-lo, sempre que podia gozar do intervalo, a falar e brincar apenas com meninas, ficando impedido de conversar com os colegas do sexo masculino
Não teve sucesso com nenhuma das práticas mas insistiu sempre até que o encarregado de educação, que várias vezes a abordou no sentido de repensar tais atuações,  optou por mudar a criança de escola. Para além disso , a segunda prática gerou um comportamento de delação por parte das meninas, sempre que o aluno falava com rapazes.
Face à infantilidade, uma das medidas que adotou foi colocar-lhe uma chupeta na boca, dentro da sala de aula, humilhando-o perante todos os colegas.
A professora tem tido muito sucesso com a  aprendizagem de conteúdos por parte dos alunos, incluindo o aluno em causa. Isso não faz dela uma boa professora. Esta professora precisava urgentemente de uma formação para evitar que continue a adotar práticas aberrantes  com os seus alunos. E provavelmente quem a “formou”precisaria também de formação..

Trata-se de uma escola pública mas conheço relatos de situações diferentes, mas tão graves quanto estas, que têm lugar em escolas privadas.

2º facto
Sei de professores que trabalham em mais que uma escola do mesmo Agrupamento, por vezes  distantes umas das outras, que lecionam várias disciplinas  em vários níveis, são diretores de turma, dão aulas de apoio. No caso de serem professores de áreas experimentais, têm que passar horas nos laboratórios a otimizar as atividades que irão ser levadas a cabo quer por si, quer pelos alunos.  Só quem foi professor nos ensinos básico e secundário tem consciência da tarefa ciclópica destes professores. Mas a tudo isto há que somar reuniões sobre reuniões, relatórios sobre relatórios, na esmagadora maioria das vezes, sem qualquer interesse.

Se houvesse uma vontade séria de  melhorar a qualidade da educação, far-se-iam investimentos na  formação e dar-se-iam condições de trabalho a quem trabalha. E por muito que o que sugiro possa parecer retrógrado, exercer-se-ia  uma "fiscalização" séria e isenta, relativamente às  práticas de escolas e professores,  para detetar necessidades (de formação e outras) e de seguida atuar em conformidade.

Mas as opções dos últimos ministérios tem sido  outras que  nada  têm a ver com a melhoria pretendida..
E os portugueses assistem, impotentes, à asfixia da escola pública  que durante muitos  e muitos anos foi o "baluarte "do  ensino de qualidade em Portugal .