Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 30 de março de 2014

Falando de ópera

Os meus problemas respiratórios, felizmente já ultrapassados, pelo menos por agora, fizeram-me interromper a minha participação no coro do CPO. Na semana passada retomei mas estou com dificuldade em acompanhar, pois há muitas músicas que foram ensaiadas durante  o tempo em que estive ausente. Uma delas é Va pensiero ( da ópera  Nabucco de Verdi
que em tempos já tinha cantado quando, no Carolina Michaëlis, se tentou criar um coro, dirigido pelo colega Correia Fernandes. Infelizmente a ideia acabou por não vingar. Outra é  Casta Diva (da ópera Norma de Bellini) . Nunca a tinha cantado mas sempre que a minha mãe a cantava eu comovia-me imenso. O mesmo me acontecia com   Un bel di vedremo (da ópera  M Butterfly de Puccini) Acho estas duas árias lindíssimas. A última não faz parte do programa que estamos por agora a ensaiar

Mas voltando ao coro, fui confrontada com oito  novas músicas. Uma das mais difíceis para mim é Noi siamo zingarelle  (da ópera Traviata de Verdi)

Para  além de ter que aprender a cantá-las, terei ainda que decorar os textos, o que não sei se irei conseguir.

Se  tiver que desistir restar-me- á , como recordação,  o cartão de sócia do CPO.





quarta-feira, 26 de março de 2014

Dia Mundial da Água


No passado dia 22 celebrou-se o Dia Mundial da Água 
A esse propósito deixo três vídeos, uma antevisão  aterradora  e dois  "gritos" de esperança


Termino com alguns poemas do meu livro Entre margens

Águas do rio, fugindo sob o meu olhar cansado, para onde me levais meu vão cuidado? Camilo Pessanha.

No rio cristalino que corria outrora,
as águas cantavam  enquanto corriam.
O cantar era seu mister, o correr era seu destino.
Agora, no rio que lentamente morre,
a água não corre,
arrasta-se dolente e já não canta, chora.

(…)Já os rios cheios, com bramidos fundos, num dilúvio d´água vão de mar a monte! (…)Guerra Junqueiro

Aos montes que os céus rasgam,
vales profundos os fendem.
São leitos de rios escavados, fundos,
águas que bramam demandando o mar.
Nas margens, líquenes, nas fragas, escondem bisontes
que foram esculpidos  em tempos perdidos.
Bebiam das águas, galgavam os montes.

 (…) Ó banzas dos rios , gemendo descantes (…) António Nobre

Jovial, fagueiro, por vezes arrebatado, violento,
assim corria o rio, outrora, em sobressalto ou lento.
Barítono, tenor, baixo, soprano, contralto,
cantava árias de amor e de paixão.
Aprisionaram-no. Tentou lutar.
Foi impotente perante a muralha de betão.
Parado, triste, agora já não canta.
Tem um nó na garganta.





sexta-feira, 21 de março de 2014

Breves.


Hoje  21 de Março comemora-se o Dia Mundial da Poesia e também o Dia Internacional da floresta e da árvore 

A propósito deste dia, o vídeo que segue é como que um grito de esperança neste planeta tão maltratado 

Ontem (e não hoje) começou a primavera

E para comemorar as três efemérides aqui deixo três poemas e um vídeo

A  dança de Shiva


Shiva, dançando, destruiu e recriou o universo,
o espaço e o tempo em plena conjunção.
Eis o om criador, a sílaba sagrada, a emergir do nada,
a poeira cósmica gerando astros, 
quais navios sem mastros, 
a vogar no universo em expansão.
Um dia nasceram as palavras. 
Nasceram também os poetas que, 
em suas lavras,
com palavras fizeram poesia.

Gouveia. R(2013),in Entre margens


(…) Devagar o vento inventa choupos e choupos devagar tornam-se rio (…) Daniel Maia-Pinto Rodrigues.

Na noite densa o rio desliza.
O seu rumor confunde-se
com o da folhagem. 
Salgueiros e  choupos erguidos na margem
oscilam com a brisa.
Será o rio que desliza?
Ou não haverá rio, 
apenas a folhagem a oscilar com a brisa?

Gouveia. R(2013),in Entre margens

Primavera

Com duas folhas de figueira
faço um par de sapatinhos,
dobro a folha sobre o pé
e prendo-a com uns pauzinhos.
Ponho um lenço na cabeça,
visto um vestido qualquer,
ponho uns brincos de cereja,
um colar de malmequer,
uma pulseira de giesta
e já estou pronta para a festa.

Gouveia. R(2013),in Ciência para meninos em poemas pequeninos de que em breve vai sair a 3ª edição (mas nada mais desvendo sobre  a surpresa)



O vídeo que segue é um festival de cor, ao som de Vivaldi 

E a finalizar mais uma breve...

No dia 7 de Março  estive na escola EB1 da Afurada de Baixo com meninos do 4º ano. Mais uma vez foi uma sessão muito interessante. A professora, uma senhora com 33 anos de serviço, tem uma relação fantástica com as crianças, que participaram ativamente durante toda a sessão.
Uma delas veio ter comigo no fim e disse: no próximo ano vou para o 5º ano e já não estou nesta escola. Depois, pode ir também à minha nova escola?
Ficaram de me enviar fotos mas até agora ainda não chegaram.


Einstein, um visionário?

Num trabalho datado de 1915, Albert Einstein previu  que um corpo de grande massa pode criar uma curvatura no espaço-tempo ao seu redor, capaz até mesmo de curvar a trajetória de um raio de luz que passe pelas imediações.
Em 1919 a  curvatura do luz  foi observada durante um eclipse solar.
Já há algum tempo coloquei uma mensagem sobre este tema que poderão consultar, por exemplo,  aqui e aqui


Nas últimas décadas da sua vida, Einstein dedicou a sua atividade científica à tentativa de unificar a gravitação com o eletromagnetismo. 

Apesar de Einstein ter falhado na sua missão, a sua influência permanece viva até hoje. A ideia de unificação de forças é uma das mais populares entre físicos teóricos do mundo inteiro. Ao eletromagnetismo e à gravitação são adicionadas duas outras forças, que se manifestam apenas a distâncias subatómicas, que são as forças nucleares forte e fraca. 

Pois bem, anteontem, no Público pôde ler-se: 
O físico norte-americano Alan Guth propôs, em 1980, a ideia de que quase imediatamente após o Big Bang – a cataclísmica explosão que criou o espaço e o tempo, há uns 13.800 milhões de anos –, o Universo, que era inicialmente um grãozinho microscópico, adquiriu de forma incrivelmente rápida mais ou menos o tamanho de uma bola de futebol. Esta brutal “inflação” – a palavra é de Guth – permitia, nomeadamente, explicar por que é que o Universo é tão uniforme em todas as direcções.Os especialistas sabiam que a inflação teria produzido ondulações no espaço-tempo, chamadas ondas gravitacionais, previstas pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein mas ainda por confirmar. Esta segunda-feira, uma equipa internacional de cientistas anunciou nos Estados Unidos ter finalmente conseguido “ver” directamente, pela primeira vez, ondas gravitacionais que, quase para além da dúvida, são “ecos” da inflação inicial do Universo(...)
(...)“Não só estes resultados são a prova irrefutável da inflação cósmica como também nos informam sobre o momento em que essa expansão aconteceu e sobre a sua potência”, diz o físico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, citado pela agência AFP. “E deitam uma luz nova sobre algumas das questões mais fundamentais, tais como por que é que existimos e como começou o Universo."
Carlos Fiolhais comentou a notícia  em De Rerum Natura. Deixo alguns excertos.

É como e vivêssemos no interior de um gigantesco forno de microondas. O nosso Universo está todo ele  impregnado de uma radiação muito uniforme de microondas, cuja explicação só é dada pela teoria do Big Bang. Quando o Universo tinha cerca de 350 000 anos, que é como quem diz muito perto da origem do espaço e do tempo há 13,7 mil milhões de anos, deu-se, por todo o lado, um importantíssimo evento cósmico: a formação dos átomos. O Universo, em expansão e em arrefecimento desde o seu início, passou de uma época em que era opaco, quando a luz não passava por ser absorvida por uma multidão de partículas vadias, para uma época em que é transparente, uma vez que os átomos só absorvem certos tipos de luz. Antes os núcleos atómicos leves (não havia pesados, pois estes só se podem formar nas estrelas e não havia estrelas) e os electrões andavam numa grande vadiagem. Depois acasalaram, por ser energeticamente mais favorável estarem juntos do que estarem separados. A luz, hoje visível sob a forma de microondas, espalhou-se por todo o lado. Antes o Universo era tão quente que era completamente caótico, depois a descida de temperatura possibilitou o aparecimento da ordem atómica. A detecção ocasional da radiação cósmica de fundo há 50 anos por Penzias e Wilson foi um grande momento da astrofísica: ficou mostrado não só que no início o Universo era mais quente, mas que o arrefecimento estava na origem da ordem. O Universo tem uma história e essa história era mais antiga do que a das galáxias, que se estão desde que existem a afastar umas das outras.  Se, antes de 1964, a teoria do Big Bang era hipotética,  deixou de o ser a partir daí. Depois disso, a observação da radiação cósmica de fundo foi efectuada com grande rigor, varrendo todo o céu, por satélites colocados acima da atmosfera como o COBE e o Planck. O retrato de 360 graus conseguido por essas sondas é o retrato mais antigo do céu, no sentido em que não temos maneira de observar directamente com luz o Universo antes de ter 350 000 anos. É a imagem do Universo enquanto criança. Mas, olhando bem para o retrato, procurando com o auxílio de bons telescópios terrestres, pormenores no retrato mais antigo que se conhece é possível confirmar (ou não) suposições teóricas sobre no que se passou antes. Uma das suposições mais consensuais é a existência de um período de expansão muito rápida do Universo quando a idade deste não passava de uma pequeníssima fracção de segundo. É a chamada inflação, que permite explicar a grande uniformidade do Universo, mesmo em regiões que parecem não poderem ter estado relacionadas na história cósmica.. A era inflacionária foi um período de expansão muito rápida do Universo, um período que não demorou muito.
Acaba de ser anunciado pelo Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, que gere um telescópio de microondas situado perto do Pólo Sul, que a radiação cósmica de fundo recolhida há marcas da inflação, designadamente marcas das poderosas ondas gravitacionais do Big Bang, que a inflação permitiu expandir.
As ondas gravitacionais são uma previsão da teoria da relatividade geral que Einstein propôs em 1916, que é ainda hoje a melhor teoria da gravidade disponível. São precisos grandes abalos gravitacionais para as produzir e daí a dificuldade da  detecção dessas ondas. Mas se há um evento que produziu sem dúvida ondas gravitacionais foi o Big bang, a criação do próprio espaço e tempo. A confirmarem-se os resultados agora divulgados, passamos a dispor de mais uma prova do Big Bang - e uma prova mais remota que a formação dos átomos - e, ao mesmo tempo, uma prova da teoria da inflação, que era uma componente especulativa do Big Bang. Do ponto de vista teórico estamos em "terra desconhecida", num tempo onde uma teoria física válida tem de unir a teoria da gravitação de Einstein com a teoria quântica, fornecendo uma explicação quântica da gravidade. As marcas vêm da observação pormenorizada da polarização[1] das microondas, isto é, dos planos de vibração das ondas electromagnéticas. A ser verdade temos, pela primeira vez, uma acesso observacional, embora indirecto, ao início do Big Bang. Ou melhor quase ao início, uma vez que o início é inacessível(...)

Na imagem:  a radiação cósmica de fundo vista pelo satélite Planck.













Também aqui podem encontrar comentários


(...)Cientistas em um observatório no polo sul anunciaram a detecção de ondas gravitacionais.
(...)O impacto dessa descoberta precisa de uma historinha para ser entendido, e é uma história bem antiga. Aliás, é a mais antiga: no princípio, houve uma explosão. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu entre o segundo zero e 1034 segundos, mas os astrofísicos e cosmólogos têm muitas teorias que começam a valer a parte dessa marca dos 1034 s . A melhor delas é a da inflação cósmica: o espaço-tempo expandiu de forma drasticamente acelerada e em seguida diminuiu a taxa de expansão. Essa teoria surgiu para explicar muita coisa estranha nesse nosso universo, muita gente tenta ajustar nessa teoria grandes questões não-explicadas, desde problemas na formação de galáxias à grande desproporção entre matéria e antimatéria no universo. Essa inflação deve ter causado muito alvoroço no universo, mas aconteceu em um passado tão remoto que muitos achavam impossível encontrar qualquer traço direto dela hoje. Muitos achavam, mas não todos. Existe uma boa quantidade de radiação atingindo a terra que vem de um período muito antigo no universo(...) Recebemos essa radiação porque ela ainda está “chegando à Terra”, desde aquele período. A grande descoberta vinda do polo sul é sobre a polarização dessa luz (...)
Para ser claro, não foram detectadas exata e diretamente ondas gravitacionais, e há gente séria trabalhando nisso, assim como nunca encontramos um dinossauro. Mas os ecos dessas ondas foram descobertos, e o escrutínio da comunidade científica será intenso para confirmar se as tais ondas são de fato a única, ou a melhor, explicação para esse quadro lindo de azuis e vermelhos que observamos na imagem acima.
   
 E foi o Big Bang, o caos, o cosmos,
o infinitamente grande.
E foi o tempo…
Tão longo o tempo em tão longa viagem …
E foi a vida…
Tão breve a vida  em tão fugaz passagem…
(2002)
Gouveia R. não publicado




[1] Uma explicação muito primária da polarização pode ser lida aqui http://www.seara.ufc.br/tintim/fisica/polarizacao/polarizacao4.htm

terça-feira, 18 de março de 2014

Museus da Universidade do Porto

Ontem tive que ir fazer um exame ao Hospital de Santo António.
À saída aproveitei para ver a exposição “ No coração do  Porto  patente desde janeiro na Reitoria da Universidade, com trabalhos de José Rodrigues e Isabel Saraiva. Dos trabalhos de José Rodrigues (que também tem origens em Alfândega da Fé, daí a  atribuição do seu nome à casa da Cultura) gostei mais das esculturas. Embora goste muito dos seus desenhos e pinturas,   genericamente aprecio ainda mais a sua obra como escultor.

Uma das esculturas,João Baptista e  Salomé.



Na obra de Isabel Saraiva gostei muito da forma como usa a cor.


Não percam a exposição que termina em Abril.

No dia 22, às 10h,  vai decorrer um “passeio” relacionado com a exposição.



Após a visita a esta exposição visitei as outras salas de exposição que têm exposições permanentes . Uma delas, Terra em Transformação, tem por objetivo mostrar algumas das etapas mais significativas da evolução da vida na Terra, com base no registo fóssil. 



A outra, na Sala Egípcia, a par de alguma peças gregas, contém  cerca de cem peças que compõem a "Coleção Egípcia" do Museu de História Natural da Universidade do Porto" . Algumas das peças podem ser vistas também aqui 

O Museu de História Natural da Universidade do Porto mantém-se  parcialmente em obras mas  irá reabrir, renovado,  dentro de algum tempo .

Na Reitoria pode ainda ser visitado (com marcação prévia) o Museu de Ciência .





segunda-feira, 17 de março de 2014

Amendoeiras em flor


Na última mensagem falei das cerejeiras em Alfândega da Fé. Durante muitos anos, a árvore mais associada ao concelho era a amendoeira. Hoje os amendoais estão a ser progressivamente abandonados (poema Nostalgia) mas, nesta época, ainda podem ver-se várias árvores floridas (poema Flores de amendoeira).

Nostalgia
Quando passo num amendoal, após o verão, sinto um misto de nostalgia e emoção
ao ver a amêndoa abandonada nas árvores e no chão.
Outrora significou   prosperidade  e eram guardados  os amendoais
para garantir que  os rebusqueiros não rebuscavam demais,
que rebuscavam só no chão, à claridade, só de dia e não ao lusco-fusco.
Hoje já ninguém anda ao rebusco.
No Verão,  sob um sol abrasador, era a apanha.
Hoje fica nas árvores e cai na terra que a arrebanha  e com ela se funde;
confundem-se os seus tons. 
Da escacha já há muito não se  ouvem sons.
Os escachadores ora em uníssono,
ora desfasados, habilmente manejados 
com gestos secos, certeiros e breves
por mulheres, crianças,  raparigas,
que enchiam o ar de risos e cantigas, 
iam partindo a amêndoa,  sempre cadenciados,
deixando o grão intacto ou com mazelas leves, 
enquanto das cascas, o monte  crescia no chão.
Mais tarde, a par da lenha, na  lareira, iriam servir para combustão.
O grão ia para sacos de serapilheira.
Mais tarde era vendido e o seu destino era assim perdido.
Aquele que ficava imperfeito, esbotenado, iria ser, mais tarde,  laminado,
misturado com ovos  e açúcar,  nos rochedos     (ver nota abaixo))
cujas receitas eram envoltas em segredos
e cuja doçura ocultava a  agrura de tanta fadiga e de tanto suor. 
Eram a lavra, a limpa, a enxertia, ano após ano um ritual que se cumpria
e quando floriam as amendoeiras, o lavrador contemplava do cimo das ladeiras 
aqueles véus de noiva a perder de vista,
não com o olhar breve de um turista, mas com um profundo olhar, cheio de amor.



Na foto podem ver-se, a par das flores,  amêndoas do ano anterior, por apanhar. 

Flores de amendoeira

As flores de amendoeira, antes da Primavera, 
cobrem a ladeira como um branco véu
ou como vestes de anjo  que se esfumou no céu.
Impressa no código genético a química magia

da ebúrnea cor  que recende a  nostalgia 

Gouveia, R. in Magnetismo terrestre

No passado fim de semana estive lá. Deixo duas imagens da vila vista de longe e algumas imagens de amendoeiras floridas.








Como sempre, aproveitei para visitar a Casa da Cultura   onde se pode ver uma exposição  de  Franchini.



Aqui podem ver uma entrevista com o artista que poderão encontrara na galeria AP´Arte  na Rua Miguel Bombarda, 122

Das obras que mais gostei foi das pinturas abstractas

Nota- na imagem podem ver-se os "rochedos" doces tradicionais de Alfândega da Fé, que são feitos com açúcar, claras e amêndoa laminada.


domingo, 16 de março de 2014

Ainda o Dia Internacional da Mulher...


Desde a última mensagem, há já quase um mês fui  iniciando algumas mensagens que, por razões de vária ordem, só hoje pude retomar.  À medida que forem  sendo concluídas irão ser publicadas, sem preocupações de ordem cronológica.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado no início do século, até a década de 1920.
Na antiga União Soviética, durante o estalinismo, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda partidária.
Nos países ocidentais, a data foi esquecida por longo tempo e somente recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960. Na atualidade, a celebração do Dia Internacional da Mulher perdeu parcialmente o seu sentido original, adquirindo um caráter festivo e comercial. Nessa data, os empregadores, sem certamente pretender evocar o espírito das operárias grevistas do 8 de março de 1917, costumam distribuir rosas vermelhas ou pequenos mimos entre suas empregadas.

1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres. 

 

No dia Dia Internacional da Mulher foram-me oferecidos dois bilhetes para um concerto de celebração dos 25 anos do IPATIMUP inserido no programa Expresso Oriente ( 2014 vai ser o ano do oriente na Casa da Música)


Sob a direção musical o japonês Takuo Yuasa foram apresentadas obras dos japoneses Teizo Matsumura  e Toru Takemitsu, a obra Hojoki-An account of my Hut de de Jonathan Dove, inspirada na obra Hojoki  e, em estreia nacional, a Primeira suite de Orquestra de Debussy.

Dos referidos compositores apenas conhecia Debussy de quem tenho alguns CD com obras como a suite Bergamasque,  com a conhecida Claire de Lune, por muitos considerada a sua obra prima, mas não conhecia a suite apresentada.

 

Na NET, embora com pouca qualidade, consegui encontrar excertos das peças que constam no programa (de Matsumura, de  Takemitsu, de Debussy , mas não de Jonathan Dove)

A finalizar, o maestro  Takuo Yuasa  falando sobre o concerto de 8 Março.

A obra de Debussy,  nomeadamente o excerto aqui colocado revela o fascínio do compositor pelas sonoridades orientais. 


Durante alguns dias tive em minha casa um investigador brasileiro, Joilson (que a minha nora investigadora conheceu quando, durante algum tempo, trabalhou no Recife), de passagem para um congresso em Oviedo, onde ambos  intervieram. O meu marido não estava muito interessado no concerto, receando que as obras japonesas, porque mais modernas, pudessem ser muito “dissonantes”. O investigador, por seu lado, estava interessado não só na música, mas também em conhecer a sala Suggia, pelo que o meu marido lhe cedeu o bilhete.


Acontece que nesse dia convidei para almoçar,  para além da família, o Joilson e outra investigadora brasileira também do Recife, Rosana. Manifestou vontade de ir ao concerto. Conseguimos ainda um bilhete e fomos os três. Gostei bastante. 

Por falar em Japão, lembrei-me da minha mãe, a mulher mais extraordinária que eu já conheci (não me canso de o repetir e hoje, no Dia Internacional da Mulher vem mais numa vez a propósito). Para além de inúmeras qualidades humanas, era lindíssima, bordava com uma perfeição inaudita,  cozinhava divinamente e tinha uma belíssima voz de soprano (foi solista num coro). Cantava árias de ópera mas também músicas ligeiras. Cerejeira do Japão era uma delas. Tive muita dificuldade em encontrá-la na NET porque  apenas em um dos sites consultados  a música correspondia à letra..

Cerejeira do japão
Bem baixinha, rente ao chão 
Transportou-me ao paraíso 
Recordando o teu sorriso 
Cerejeira do Japão 
Dar-te-ei meu coração 
Nunca mais te esquecerei, ó flor 
Cerejeira és meu amor 
Tive um sonho lindo de amor 
Num recanto pequenino japonês 
Foi tão lindo o sonho que até quis 
Acordado Ter Sonhado Outra Vez

Quando fazia a pesquisa passei por um site que achei interessante. 

A propósito de cerejeiras do Japão deixo algumas imagens  que poderão ver aqui 

Mas também em Alfândega da Fé há muitas cerejeiras. As cerejas são exportadas  e estão entre as preferidas por marcas de chocolates famosas como o «Mon Chéri» 

Termino com a foto de uma dessas cerejeiras e um poema. 



Prodígio
Prodigiosa aquela cerejeira com seus frutos.
Sensual, rubro o epicarpo, carnudo, nacarado o mesocarpo
da pudica semente protecção.
Tal como se fora a vez primeira, saboreio uma cereja calmamente  
num misto de volúpia e devoção. 
Gouveia, R.in Magnetismo Terrestre