Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Humberto Abad

Enviaram-me um e-mail com obras  de um escultor que não conhecia- Humberto Abad




Podem encontrar mais obras aqui e aqui



El hombre no es algo firme, hecho y acabado, nada único y unívoco, sino algo en proceso de llegar a ser, un experimento y una intuición y futuro, proyección y nostalgia de la naturaleza hacia nuevas formas y posibilidades. El hombre no es una configuración duradera es una transición, no es otra cosa que el puente estrecho y peligroso entre la naturaleza y el espíritu.

Hacia el espíritu le empuja su más íntima determinación, hacia la naturaleza, de vuelta a la madre, le arrastra su más íntimo anhelo, entre ambas fuerzas oscila y llena su vida(...).

(...)E
l destino del hombre está ligado a su infancia. Sus creencias, vivencias y la forma de ver la vida se relacionan directamente con su proceso de desarrollo. Partiendo de esta premisa el ser va construyendo su propia particularidad, que luego integra en el colectivo. De esta manera el hombre ha modelado y construido sus referentes culturales a través de espacios donde le es posible crear y transformar, desde las primeras paredes en las cuevas hasta nuestras paredes de nuestras ciudades.(...) 

De esa forma, esa relación entre el arte y el hombre ha facilitado el despegue de lo humano, entendiéndose esto como los factores donde la sensibilidad es una permanente, así como la capacidad imaginativa y de fabulación inherente al la condición humana, indispensables para el desarrollo sociocultural de una sociedad.

Esa realidad que en cada creador se presenta de manera indistinta, de acuerdo a su percepción del mundo y de la sociedad que le ha tocado vivir, es la única forma de moldearla, criticarla o simplemente de registrarla. Así lo entendieron los grandes artistas, quienes desde su perspectiva creativa mostraron las vivencias y experiencias del momento histórico que vivieron, consumando la posibilidad de transgredir la realidad con sus trazos y formas para dejar sentado a manera de crónica artística los hechos de una época.(...)

No quisiera despedirme de esta pequeña reflexión, sin daros a conocer una cita de Hesse que siempre la tengo presente como buscador:

“Cuando alguien busca, puede ocurrir fácilmente que su espíritu solo vea el objeto que busca, que no sea capaz de encontrar nada ni de admitir la entrada de ninguna cosa en sí mismo, porque solo piensa en lo buscado, porque tiene un objetivo, pero hallar es libre, estar abierto no tener una meta.”

Humberto Abad

Excerto de um texto da autoria do escultor

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Miguel Bombarda


Miguel Bombarda foi médido, investigador, professor  e político. Acabou assassinado por um doente  no Hospital de Rilhafoles. Não é de Miguel Bombarda que vou falar  mas sim da Rua Miguel Bombarda no Porto, onde se situa o Centro de Saúde S. João, o “meu” centro de saúde que, tendo em conta a minha experiência como utente há já alguns anos, funciona muitíssimo bem.
No dia 31 de Dezembro fui sujeita a uma pequena cirurgia no CICA  (onde também o atendimento foi excecional) e os curativos subsequentes têm sido feitos no referido Centro de Saúde.
Mas a Rua Miguel Bombarda é também a rua onde existem várias galerias de arte.
Hoje, após o curativo, dirigi-me à galeria Presença onde está uma exposição de Noé Sendasartista plástico a quem já me referi em outras mensagens e cuja exposição merece uma visita .


Aproveitei para visitar outras galerias. Na Fernando Santos está uma exposição de Alberto  Carneiro, na S. Mamede uma exposição de Gonzales Bravo, um artista que não conhecia e cujas obras me lembram um pouco obras de Tapies e, na Quadrado Azul, Sérgio Taborda.
Termino com imagens de obras destes artistas




terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Uma questão de dignidade


Na Escola Rodrigues de Freitas está uma exposição muito interessante, parte de uma exposição  do Pavilhão do Conhecimento e que tem por base Física para o Povo (agora com novo título, Física no dia a dia) de Rómulo de Carvalho.
Hoje fui vê-la para depois levar lá os meus netos. Quem está responsável é uma jovem que conheci no Carolina Michaelis onde fez um estágio brilhante com a colega Daisi (que me substituiu como orientadora quando eu passei a acumular na FCUP). Pois bem, a referida jovem deveria(?) ter feito aquela malfadada prova sem pés nem cabeça mas, com muita dignidade, recusou -se a fazê-la.
Até aceito que os candidatos, pressionados pelas crise e pelo desemprego crescente, aceitem ser submetidos a tal prova, não aceito minimamente que professores "instalados" aceitem  vigiar as provas..
Recuo no tempo até 1970. Até 1969, professores que quisessem fazer estágio tinham que fazer uma prova de admissão ao estágio  e, caso fossem admitidos, seriam estagiários  por um ano (homens) ou dois anos (mulheres) sem qualquer vencimento,tempo, findo o qual seriam submetidos a Exame de Estado. Em 1969 foram alteradas algumas das "regras do jogo" e eu, ainda com 23 anos, candidatei-me a estágio que fiz em 69/70 com o Dr. Carvalho Homem, um excelente  orientador, com quem muito aprendi. Terminado o ano letivo de 1969, houve em Coimbra uma ação de formação para professores já com estágio. Eu, como os demais estagiários, tería ainda que fazer, no início do ano letivo 70/71, o célebre  Exame de Estado com duas partes, uma teórica e uma prática que constava de uma aula, dada num dos Liceus Normais, a uma turma qualquer, sorteada de véspera, tendo como assistência os vários metodólogos
do país, entre eles Rómulo de Carvalho. O Exame de Estado correu-me muito bem mas a história que quero contar é ainda anterior ao exame de estado. Como acima referi, findo o ano letivo de 69, houve em Coimbra uma ação de formação para professores de Física já profissionalizados. Eu e uma colega de estágio, pedimos  para frequentar essa formação, mesmo tendo que a pagar, o que não acontecia com os demais professores.
Logo no primeiro dia fizemos uma visita de estudo. Entrámos num autocarro disponibilizado para o efeito e quando eu e a colega entrávamos ouvimos alguns professores comentar entre dentes. Duas professoras de aviário.
E logo de seguida, uma voz firme de uma senhora comentou. Não entendo colegas. Sempre questionaram a admissão ao estágio e o estágio não remunerado. Agora que estão do outro lado, menosprezam a formação das jovens colegas.
Eu e a minha colega ficámos boquiabertas. Durante a visita ficámos a saber que a intervenção tinha sido feita pela Drª Aurelina Martins, co- autora de livros de Física e Química em que um dos autores era Rómulo de Carvalho.
Durante a formação fiquei instalada em casa de um tio do meu marido, investigador no Departamento de Química da Faculdade de Ciências da Universidade de  Coimbra, onde também dava alguma aulas.
Ao jantar comentei o episódio. O senhor, que era uma pessoa muito reservada, comentou. Não me espanta. Fui colega de curso da Aurelina. É uma pessoa muito inteligente e com muita dgnidade..  
 Regresso aos professores que aceitaram vigiar  a tal "prova de avaliação". Creio que a  Dra. Aurelina nunca aceitaria tal papel.

E vêm-me à mente alguns textos:

A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.
Franz Kafka

Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta da colméia com medo das picadelas das abelhas.

Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo.
Mahatma Gandhi

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis

domingo, 12 de janeiro de 2014

Breves...


Começo pela escultura...
Jean-Pierre Augier nasceu em Nice, em 1941.Desde criança criava com materiais diversos. A partir de 1963 passou a trabalhar essencialmente a partir  de objetos de ferro e velhos utensílios abandonados, salvando-os assim do esquecimento, da inutilidade e da destruição.

O coro
 O lago dos cisnes
As chaves da felicidade

Aqui poderão ver várias das suas obras

A escolha da  obra "coro" para aqui colocar, prendeu-se com uma “aventura” que decidi iniciar...
Incentivada  pela minha amiga Paula Miguel, na passada 5ª feira, após  fazer um pequeno teste de voz, participei pela primeira vez num ensaio do coro do CPO (círculo portuense de ópera)   
O meu filho Nuno foi,  durante alguns anos, barítono no coro, mas agora não tem disponibilidade. Na altura quis convencer-me a entrar mas quem não tinha disponibilidade era eu...
Uma das  peças que está a ser ensaiada é uma zarzuela   da obra El Barberillo de Lavapiés cujo síntese podem ler aqui , musicada por Francisco Asenjo Barbieri. 
Na 5ª feira o ensaio incidiu sobre  o prelúdio da obra , de que  deixo também uma versão dançada 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A alternativa ao neoliberalismo chama-se consciência,

A alternativa ao neoliberalismo chama-se consciência, quem o afirma é José Saramago

Num dos meus blogues favoritos (blogs de Ciência) podem ver um vídeo com uma interessante intervenção de José Saramago, vídeo esse que pode ser visto diretamente aqui

Curiosamente, na sua intervenção Saramago refere o seu livro História do Cerco de Lisboa, que acabei de reler há dias, como referi em  post anterior.

A história começa com Raimundo Silva, solteiro, com mais de cinquenta anos, revisor de profissão, a rever um tratado de história com quatrocentas e trinta e sete páginas, intitulado “História do Cerco de Lisboa” – corria o ano de 1147 quando os portugueses, ajudados por cruzados, tomaram a cidade aos mouros.
No final da revisão, lê vezes sem conta a linha que afirma que os cruzados auxiliarão os portugueses a tomar Lisboa e eis que, pela primeira vez em tantos anos de profissão, infringe o código deontológico dos revisores, ao introduzir deliberadamente no texto um NÃO que altera toda a verdade histórica.
Com a mão firme segura a esferográfica e acrescenta uma palavra à pagina, uma palavra que o historiador não escreveu, que em nome da verdade histórica não poderia ter escrito nunca, a palavra Não, agora o que o livro passou a dizer é que os cruzados Não auxiliarão os portugueses a conquistar Lisboa



O Cerco de Lisboa, por Roque Gameiro

E por falar em consciência e neoliberalismo, termino com esta carta que me enviaram por e-mail

Carta da Marisa Moura à administração da Carris


 Exmos. Senhores José Manuel Silva Rodrigues, Fernando Jorge Moreira da
 Silva, Maria Isabel Antunes, Joaquim José Zeferino e Maria Adelina
 Rocha,

Chamo-me Marisa Sofia Duarte Moura e sou a contribuinte nº 215860101
da República Portuguesa.
Venho por este meio colocar-vos, a cada um de vós, algumas perguntas:
Sabia que o aumento do seu vencimento e dos seus colegas, num total
extra de 32 mil euros, fixado pela comissão de vencimentos numa altura
em que a empresa apresenta prejuízos de 42,3 milhões e um buraco de
776,6 milhões de euros, representa um crime previsto na lei sob a
figura de gestão danosa?
Terá o senhor(a) a mínima noção de que há mais de 700 mil pessoas
desempregadas em Portugal neste momento por causa de gente como o
senhor(a) que, sem qualquer moral, se pavoneia num dos automóveis de
luxo que neste momento custam 4.500 euros por mês a todos os
contribuintes?
A dívida do país está acima dos 150 mil milhões de euros, o que
significa que eu estou endividada em 15 mil euros.
Paguei em impostos no ano passado 10 mil euros. Não chega nem para a
minha parte da dívida colectiva.
É com pessoas como o senhor(a) a esbanjar desta forma o meu dinheiro,
os impostos dos contribuintes não vão chegar nunca 
para pagar o que realmente devem pagar:
O bem-estar colectivo.
A sua cara está publicada no site da empresa.

Todos os portugueses sabem, portanto, quem é.

Hoje, quando parar num semáforo vermelho, conseguirá enfrentar o
olhar do condutor ao lado estando o senhor(a) ao volante de uma
viatura paga com dinheiro que a sua empresa não tem e que é paga às
custas da fome de milhares de pessoas, velhos, adultos, jovens e
crianças?

Para o senhor auferir do seu vencimento, agora aumentado ilegalmente, 
e demais regalias, há 900 mil pessoas a trabalhar (inclusive em
empresas estatais como a "sua") sem sequer terem direito a Baixa se
ficarem doentes, porque trabalham a recibos verdes.
Alguma vez pensou nisso?
Acha genuinamente que o trabalho que desempenha tem de ser
tamanhamente bem remunerado ao ponto de se sobrepor às mais
elementares necessidades de outros seres humanos?
Despeço-me sem grande consideração, mas com alguma pena da sua pessoa
e com esperança que consiga reactivar alguns genes da espécie humana
que terá com certeza perdido algures no decorrer da sua vida.

Marisa Moura



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

De onde vimos? Para onde vamos?

No  post anterior referi que, sendo a esperança  a última a morrer, decidi começar o Ano Novo com uma “saudação” às artes e às ciências. Coube agora a vez às  Ciências.  E começo a mensagem com a questão: De onde vimos? Para onde vamos?

A resposta  fui buscá-la a alguns textos e vídeos que aqui deixo

O Big Bang explica tudo? 
(...)Afinal, seria o Big Bang uma teoria definitiva? Vejamos se essa é uma hipótese razoável. Ao longo da história, vimos que a idéia de universo evoluiu muito. Passou por diversos estágios, que podem ser caracterizados como teorias cosmológicas. Terra plana, modelo geocêntrico, heliocêntrico, galactocêntrico, Big Bang, Big Bang inflacionário... Cada modelo explica o que era conhecido na época e o que as medidas de então podiam confirmar. Não se pode dizer que essas teorias estavam erradas. Seria melhor afirmar que eram incompletas. Afinal, para nossa experiência diária, o modelo de terra plana não é ruim. A terra é redonda e, além do mais, gira em torno do Sol, e assim por diante. A descoberta de que o universo – tudo o que existe – evolui de forma que possa ser racionalmente analisado parece ser surpreendente. Mais surpreendente, o fato de que podemos demonstrar que ele teve uma origem. As leis que desenvolvemos no nosso pequeno planeta aplicam-se ao universo todo. Não há evidência de que haja qualquer discrepância mensurável.
Isso encerra a história? Tudo nos leva a crer que não. Se somos copernicanos no que se refere ao espaço, aprendemos também a ser copernicanos no que se refere ao tempo e, portanto, não vivemos num momento especial. O próprio Big Bang deve ser objeto de racionalização, de detalhamentos. Ao primeiro capítulo já assistimos: o Big Bang não ocorreu de forma qualquer; ele foi inflacionário. Quantas etapas mais surgirão na aventura humana de decifrar a natureza do universo em que vivemos?
A concepção de universo em meados do século XVII havia já incorporado as noções de espaço e tempo de Newton. O universo parecia um espaço-tempo estático e infinito, muito distinto daquele em que o destino humano e os deuses estavam intimamente ligados à concepção de mundo. O filósofo francês Blaise Pascal expressou assim o sentimento: "Tragado pela imensidão infinita dos espaços, dos quais não sei nada e o qual não sabe nada de mim, estou apavorado… O eterno silêncio destes espaços infinitos me alarma".
Afinal, estamos tão sós quanto imaginou Pascal? A natureza e o destino humanos estão totalmente desconectados da estrutura cósmica maior? Hoje sabemos que cada estrela pode conter um sistema solar e que cada galáxia possui, em média, cerca de 100 bilhões de estrelas. É legítimo supor que o número de planetas com condições semelhantes ao do planeta Terra é imenso, só considerando a nossa galáxia. Devemos lembrar ainda que o número de galáxias observáveis dentro do horizonte cósmico acessível é de 100 bilhões. Fica claro, pois, que existe um número enorme de planetas com condições nas quais a vida possa ter surgido e se desenvolvido. Isso não significa que a vida humana como a nossa seja comum. Não só porque ela pode ter assumido a sua feição fortuitamente, mas também porque ela é certamente efêmera, se considerada na escala de tempo cósmica. Exatamente por esse caráter efêmero e por causa das distâncias envolvidas, dificilmente duas civilizações de grau de desenvolvimento semelhante poderiam entrar em contato entre si, mesmo que existam simultaneamente em estrelas ou galáxias separadas.
Uma outra conexão que nos vincula com as estrelas diz respeito aos elementos químicos, indispensáveis para manter nossa estrutura física. Cada átomo de oxigênio que inspiramos, assim como cada átomo de cálcio que está nos nossos ossos ou de ferro e de carbono da nossa musculatura tiveram uma origem muito especifica, cuja história conhecemos. Apenas o hidrogênio e o hélio (além do deutério e parte do lítio) foram formados no Big Bang; os elementos químicos mais pesados foram todos sintetizados no centro das estrelas. Com a morte dessas, o gás enriquecido desses elementos pesados foi lançado ao espaço, apenas para se juntar aos restos de milhares de outras estrelas e formar uma nova geração de corpos celestes. O Sol já é uma estrela de terceira geração, e graças a isso a composição química do sistema solar é rica o suficiente para formar a vida como a conhecemos.
A cosmologia científica, ao contrário das cosmologias tradicionais, não tenta ligar a história do cosmos a como os homens devem se comportar (diferentemente do que, ainda hoje, os adeptos da astrologia nos propõem). É papel dos cientistas, artistas, filósofos e outras pessoas criativas entendê-la e expressar o sentido humano nela. O pleno impacto dessa cosmovisão sobre a cultura humana só se dará quando a compreensão da nossa realidade física for plenamente entendida pelo cidadão comum.
Enquanto isso, a missão da astronomia é de nos dizer onde estamos, de onde viemos e para onde vamos. E, pelo visto, essa missão parece não ter fim.

As confirmações do Big Bang 
No final dos anos de 1940, o astrônomo George Gamow sugeriu que a explosão inicial poderia ter deixado resquícios observáveis até hoje. Ele pensou que um universo tão compacto e quente teria emitido muita luz. Com a expansão, a temperatura característica dessa luz teria abaixado. Segundo cálculos simples, hoje ela talvez pudesse ser observada na radiação de microondas, com uma temperatura de cerca de 5 graus Kelvin. Em 1965, dois engenheiros, Arno Penzias e Robert Wilson, procuravam a origem de um ruído eletromagnético que estava atrapalhando as radiopropagações de interesse para um sistema de telecomunicações. Descobriram que a radiação vinha de todas as direções para as quais apontassem sua antena. Mediram a temperatura dessa radiação; eles encontraram um valor para a temperatura não muito diferente do previsto, de 2,7 graus Kelvin (próximo ao zero absoluto). Era a confirmação da teoria do Big Bang; Penzias e Wilson receberam o Prêmio Nobel de Física em 1978.



Criação (de Marcelo Gleiser

Ninguém testemunhou o que estava para acontecer.
O "tempo" não existia;
A realidade existia fora do tempo, pura permanência.
O espaço não existia.
A distância entre dois pontos era imensurável.
Os pontos podiam estar aqui ou ali, suspensos, saltitantes.
Entrelaçado em si próprio,
o espaço aprisionava o infinito.
De repente, um tremor;
uma vibração,
uma ordem que nascia.
O espaço pulsava, ondulando sobre o nada.
O que era perto se afastou. O agora virou passado.
O espaço nasceu com o tempo.
Ao falarmos em espaço, pensamos em conteúdo.
Ao falarmos em tempo, pensamos em transformação.
E assim foi.
O espaço borbulhou; o tempo, incerto, iniciou sua marcha.
Da agitação conjunta do espaço e do tempo surgiu a matéria,
expelida de seus poros.
Mas atenção!
Essa não era uma matéria ordinária feito a nossa.
Ela fez o espaço crescer,
inflar, como um balão.
Esse balão é o nosso Universo.

(...)Segundo algumas teorias modernas que lidam com a origem do espaço, do tempo e da matéria, existe um "nada quântico", uma entidade de onde universos-bebês podem surgir ocasionalmente chamada de "multiverso" ou "megaverso". Em algumas versões, esse multiverso é eterno e, portanto, não criado: o multiverso dispensa a Primeira Causa. Dessa existência cósmica atemporal, flutuações de energia a partir do "nada" ocorrem aleatoriamente, dando origem a pequenas bolhas de espaço, os universos-bebês. A maioria dessas flutuações desaparece, retornando à sopa quântica de onde vieram. Raramente algumas crescem. Um equilíbrio entre a força da gravidade e a energia armazenada no espaço permite que os universos-bebês surjam sem qualquer custo de energia. Ou seja, é possível, ao menos em tese, criar um universo a partir do nada: creatio ex nihilo. O tempo inicia a sua marcha quando a bolha cósmica sobrevive e começa a evoluir, isto é, quando existem mudanças que podem ser quantificadas. Se nada muda, o tempo é desnecessário.
As teorias que invocam o multiverso propõem que existimos numa dessas bolhas que conseguiu desprender-se da sopa primordial e crescer, produto de uma flutuação energética tão aleatória quanto a responsável por partículas ejetadas de núcleos radioativos. Nossa bolha, nosso Universo com "U" maiúsculo (para diferenciar de universos hipotéticos ou de partes do universo além dos nossos telescópios e instrumentos de observação), aparentemente tem a rara distinção de haver existido por tempo suficiente para que a matéria em seu interior tenha se organizado em galáxias, estrelas e pessoas: segundo essas teorias da cosmologia moderna, somos resultado do nascimento deveras improvável de um cosmo que, por ter as propriedades certas, foi capaz de evoluir a ponto de gerar criaturas capazes de se perguntar sobre suas próprias origens. Certamente, essa visão científica é um tanto distante da criação premeditada e sobrenatural retratada no Gênese. Mas será que ela é, de fato, capaz de abordar a questão da origem de todas as coisas?
Qualquer versão científica da criação (a ser explorada em detalhe mais adiante), inclusive essa valiosa tentativa de abordar racionalmente o problema da Primeira Causa, precisa ser formulada de acordo com princípios e leis físicas: a energia deve ser conservada; a velocidade da luz e outras constantes fundamentais da Natureza devem ter os valores corretos para garantir a viabilidade do nosso Universo. Ademais, um "nada quântico", com sua sopa borbulhante de universos-bebês, não é exatamente o que podemos chamar de um nada absoluto. O problema é que nós, humanos, não sabemos como criar algo a partir do nada. Precisamos dos materiais; precisamos das instruções. Essa limitação torna- se evidente quando tentamos lidar com a primeira das criações, a do Universo. Não se deixe levar por afirmações ao contrário, mesmo que usem termos inspiradores como "decaimento do vácuo quântico", "supercordas", "espaço-tempo com dimensões extra" ou "colisões de multibranas": estamos longe de obter uma narrativa científica da criação capaz de ser empiricamente validada (ou seja, testada por experimentos). Mesmo se, um dia, formos capazes de construir tal teoria, ela deverá ser qualificada como uma teoria científica da criação, baseada numa série de suposições.
A ciência precisa de uma estrutura, de um arcabouço de leis e princípios, para funcionar. Não pode explicar tudo simplesmente porque precisa começar com algo. Como exemplo desses pontos de partida, cito os axiomas dos teoremas matemáticos — afirmações não demonstradas, aceitas como evidentes e, portanto, como verdadeiras — e, nas teorias físicas, uma série de leis e princípios da Natureza, como as leis de conservação de energia e de carga elétrica, cuja validade é extrapolada muito além dos limites em que podemos testá-las. Como essas leis descrevem eficientemente os fenômenos naturais que podemos observar, supomos que continuarão a ser válidas nas condições extremas prevalentes na vizinhança do Big Bang, o evento que marca a origem do tempo. Porém, não podemos ter certeza se nossas extrapolações estão corretas — e cientistas não deveriam afirmar o contrário — até termos confirmação experimental. Como disse o paleontólogo J. William Schopf, da Universidade da Califórnia, "Asserções extraordinárias necessitam de provas extraordinárias".

Quase a terminar um vídeo longo, mas extraordinariamente interessante,  Além do Big Bang e um outro mais breve

Por fim alguns poemas

E foi o Big Bang, o caos, o cosmos,
o infinitamente grande.
E foi o tempo…
Tão longo o tempo em tão longa viagem …
E foi a vida…
Tão breve a vida  em tão fugaz passagem…

(Gouveia.R, 2002, não publicado)


Todos os elementos que constituem a vida
tiveram, à partida,  há muitos milhões de anos,
origem nas estrelas.
Foi da poeira cósmica que a espécie humana nasceu
e com ela,  a poesia e a lira de Orfeu.


Shiva, dançando, destruiu e recriou o universo,
o espaço e o tempo em plena conjunção.
Eis o om criador, a sílaba sagrada, a emergir do nada,
a poeira cósmica gerando astros, 
quais navios sem mastros, 
a vogar no universo em expansão.
Um dia nasceram as palavras. 
Nasceram também os poetas que, 
em suas lavras,
com palavras fizeram poesia.

A vida é apenas uma espera.
Esperamos que a noite suceda a cada dia,
e que a uma dor pungente  suceda a alegria.
Esperamos o fim anunciado
em que a luz dá lugar à  eterna escuridão.
Esperamos que, num orgasmo de energia,
uma supernova  expluda um dia
e,  num raio de luz que atravessa a imensidão,
um  longínquo passado nos seja devolvido,
por magia.


Uma esfera de gás incandescente
plasma de matéria quente, ionizada.
Ei-lo, o astro rei de morte anunciada.
A luz que nos chega
após oito minutos de viagem, 
deixou retida
na voragem de um silêncio denso e frio,
uma sinfonia dissonante  que eclodiu
e ficou refém, no mesmo instante, 
da  imensidão de um cosmos feito de vazio.



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Desta vez, a sétima arte...

Porque a esperança é a última a morrer, decidi começar o Ano Novo com uma “saudação” às artes e às ciências. Coube agora a vez à sétima arte

Ontem fui ver o file O passado de Asghar Farhadi, realizador iraniano, 


Em tempos tinha visto A separação , um outro filme do mesmo realizador Gostei imenso de ambos talvez um pouco mais de “A separação”.

A arte e a universalidade de Farhadi estão, de facto, na obra desde a escrita. Uma escrita intuitiva, onde várias histórias convergem para uma situação comum. Existe uma grande virtuosidade nos argumentos de Farhadi: a construção é sempre complexa, mas fluida. Trata-se de mostrar a dificuldade das relações humanas, das escolhas que se colocam a cada pessoa e que questionam os nossos valores, as nossas certezas. Conflitos conjugais, ou até mesmo familiares, pois as crianças têm sempre um lugar verdadeiro nos filmes de Farhadi. Em Le Passé, a jovem Lucie é mesmo a chave da história.

As personagens de Farhadi são frequentemente sujeitas a um dilema moral, mas o cineasta nunca dá uma resposta, deixa que o espectador julgue, como se pode ver na cena de abertura de Une Séparation, onde a câmara está no lugar do juiz (no início do videoclipe abaixo).
A precisão na escrita encontra-se também na direcção de actores, com quem ensaia várias semanas até se tornarem nas personagens, e, claro, na realização, constantemente reinventada e sempre ao serviço da correcção da história e das personagens. É isso que o cinema de Farhadi tem de universal, mesmo quando se baseia na realidade iraniana, como era o caso até aqui. 

Continuando a falar de cinema iraniano, não posso deixar de citar um outro filme que vi já há anos, O sabor da cereja de Abbas Kiarostami que podem ver na íntegra aqui  

 No seu livro Quando se apagam as cerejeiras, que já aqui referi, Luís Serrano tem um poema dedicado a este filme. É com esse poema que termino esta mensagem


domingo, 5 de janeiro de 2014

Depois da Música e da Pintura, a Literatura...

Acabei de reler a História do Cerco de Lisboa, de Saramago. Como creio já ter referido mais que uma vez, Saramago é um dos meus autores preferidos. Tenho quase todas as suas obras e de vez em quando apetece-me reler algumas. Acho que já reli todas as que tenho, algumas mais que uma vez.
O mesmo me acontece com muitos outros autores. Mia Couto é um deles e comecei agora a reler O outro pé da Sereia.
Continuando a falar de livros, há já vários anos que tenho para publicar um livro de contos, de extensão variável (desde 2  a 60 páginas). A Câmara Municipal de Alfândega da Fé, que ficou de o editar, tem vindo a adiar face às dificuldades económicas com que se depara. Este ano resolvi mandar editar na Várzea da Rainha, a  conselho do meu professor de pintura, Domingos Loureiro, que ali manda fazer os catálogos, meia dúzia de exemplares, só para a família. Qualquer pessoa pode fazer aqui uma simulação on-line  e ficar a saber por quanto fica a edição. Esta “editora” tem a vantagem manter o custo por exemplar, independentemente do número de exemplares pretendidos
Resolvi fazer a surpresa à família e o livro foi uma das prendas de Natal. 


A capa é da autoria do meu filho Nuno tendo por base uma tela minha.

Como não sabia o tempo que demoraria o processo, tratei de tudo em Outubro, mas recebi os livros dois dias após fazer a transferência bancária. Escondi-os tão bem que  corri o risco de não os poder usar como presentes pois tive dificuldade em encontrá-los Um dos contos, Vou-me embora para Pasárgada, que foi classificado em 2º lugar na 7ª edição do Concurso Dr. João Isabel, promovido pela Câmara de Manteigas,  já está on-line há bastante tempo (podem lê-lo "clicando" no título, no lado direito do meu blogue). 





Há mais cinco contos também classificados em concursos. Anexo um deles, que é o mais pequeno de todos. Qualquer dia coloco mais alguns on-line.

Os mudos

(…)Almas que atravessais o lodo da existência,
Este lodo perverso, iníquo, envenenado,
Levando sobre a fronte o esplendor da inocência,
Calcando sob os pés o dragão do pecado(…)

Guerra Junqueiro em  “Aos simples”

"Darbón, o médico de Platero, é grande como o boi malhado, vermelho como uma melancia....Já não tem um só dente e quase não come senão miolo de pão, que primeiro amassa entre os dedos. Faz uma bola e leva-a à boca. Aí a conserva revolvendo-a uma hora...Mas enternece-se como uma criança, com Platero."
Esta descrição que Juan Rámon de Giménez, no seu livro “Platero e eu” faz do veterinário Darbón, lembra-me sempre o Mudo.
Na aldeia onde nasci e onde vivi em criança, havia dois mudos. A um nunca conheci o nome próprio e não sei se alguém  o sabia ao certo. Toda a gente se referia a ele como o Mudo. Era grande, vermelho e desdentado. Tal como Dárbon, mascava continuamente miolo de pão amassado. Como não falava, emitia sons mais ou menos extensos "Ah", "Aaaaaaaaaah", que acompanhava com gestos exuberantes. Para além disso o seu rosto adquiria as mais diversas expressões desde a ternura à ira, pelo que não era difícil entender o que lhe ia na alma. Era um homem puro e bom. E tal como Darbón se enternecia com Platero, o Mudo enternecia-se com qualquer criança a quem tentava mostrar, por gestos e sons, o seu afecto. Mas as crianças, especialmente as mais pequenas, assustavam-se com a exuberância do mudo e fugiam dele, muitas vezes chorando. A tristeza ficava então estampada no seu rosto. Por mais que uma vez, em tais situações, vi os seus olhos marejados de lágrimas. Eu, habituada que estava desde muito pequenina, à sua presença frequente lá por casa, gostava muito dele. E o sentimento era mútuo. Quando me via emitia sons de satisfação e batia com a mão no peito. Queria deste modo significar a afeição que tinha por mim. 
Este era um dos mudos que havia na aldeia onde nasci. O outro era o ti Briato. O seu nome era Viriato mas provavelmente nem o próprio o sabia. O ti Briato era um velho de barbas grisalhas e olhos da mesma cor.
Ao que parece, não era mudo, mas agia como tal. A tudo o que lhe perguntassem respondia por gestos, encolhendo os ombros ou acenando a cabeça, afirmativa ou negativamente, conforme o caso. Mas ao contrário do Mudo, o seu rosto tinha sempre a mesma expressão vazia. Nunca o vi sorrir, tal como nunca consegui detectar nos seus olhos qualquer brilho. O seu rosto lembrava o de uma estátua e, tal como uma estátua, era incapaz de fazer mal a alguém.
Um dia o meu pai contou-me o que sempre ouvira contar ao meu avô. Em jovem o nome condizia com a pessoa pois o ti Briato era corajoso e valente como o herói dos Montes Hermínios. Para além disso era um rapaz bonito, alegre e muito ágil; montava um cavalo em pelo como ninguém. Era criado numa das casas ricas da aldeia e apaixonou-se pela filha do patrão. Quando este se apercebeu, despediu - o. A partir daí o Briato começou a ficar cada dia mais triste, mais metido consigo. Corria o ano de 1918. Por essa altura, a Europa foi assolada por uma epidemia terrível - a pneumónica.  Julieta, a filha do patrão, morreu vítima da doença. O meu pai dizia que foi a partir desse dia que o Briato deixou de falar e se foi transformando, aos poucos, no ti Briato que eu conheci. Nunca ninguém soube se a sua afasia era fisiológica ou se se tratava simplesmente de uma recusa em falar, motivada por uma imensa tristeza com origem numa profunda paixão.
Na vida destes dois homens havia muita coisa em comum: provavelmente uma enorme sensibilidade, a mudez, voluntária ou involuntária, a  bondade, uma vida de pobreza e solidão e um casebre idêntico por habitação. Talvez por isso a morte tenha decidido que partilhassem de um mesmo fim. Foi no ano da neve buraqueira. Ambos morreram enregelados, cobertos de neve quando esta, tocada a vento, entrou pelas suas casas mal protegidas. Lembro-me ainda das palavras do padre, quando do funeral:
Estes dois homens a quem ninguém alguma vez conheceu malícia, estão por certo no Reino de Deus.
E se o Reino de Deus existir e for tal como o fantasiam, ambos estarão felizes. O Mudo rodeado de anjos que, por certo, não se assustam com os seus sons e gestos um pouco grotescos, e o ti Briato sem entraves ao amor pela sua Julieta.



sábado, 4 de janeiro de 2014

A pintura de Nadir Afonso ao som da música de Carlos Paredes


Nadir Afonso nasceu em Chaves em 1920..Diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts em Paris(...)
Mais dados sobre  Nadir Afonso são apresentados  aqui num trabalho realizado numa escola do 1º ciclo e também aqui, ao som da música de carlos Paredes
Conheci pessoalmente Nadir Afonso, em 2005. No âmbito das comemorações do Ano Internacional da Física, ambos participámos no colóquio Einstein e a Teoria da Relatividade em Portugal: Simultaneidade e Perspectivas, que teve lugar a 24 e a 25 de Novembro.
No dia 24 as sessões decorreram na Cssa Museu  Abel Salazar e no dia 25, na  Reitoria da Universidade do Porto, de acordo com o programa anexo

9h00
III Painel
Einstein e a Teoria da Relatividade em publicações portuguesas até aos anos cinquenta
Prof. Doutor António Ventura
Einstein, o ícone e o herói popular
Mestre João Pedro George
A Imagem de Einstein no Cinema: da Ficção Científica à Ciência Ficção
Mestre António Reis

11h15
IV Painel
O que faz Einstein na minha sala de estar
Prof. Doutor João Lopes dos Santos
Física na Poesia. Poesia na Física
Mestre Regina Gouveia
Einstein - O Elogio da Invenção, o Elogio da Inteligência
Prof. Doutor Carlos Manuel Fragateiro

12h15 
Debate

14h30
V Painel
Arquitectura (s)
Arq.º Manuel Mendes
Einstein na obra de Xenakis - o movimento browniano
Prof. Doutor Cândido Lima, com a participação da violinista convidada Suzanna Lidegran
O Tempo e a Teoria da Relatividade
Nadir Afonso
Einstein, a Curiosidade e a Cultura Científica
Prof. Doutor Carlos Fiolhais

16h30 
Debate Final

Nesse dia tive o privilégio de almoçar ao lado de Nadir Afonso. O entusiasmo com que falava levava-o por vezes a excessos como o que deu lugar a grande polémica na sua intervenção, ao contestar a teoria da relatividade. Não obstante, era um prazer conversar com ele

Quanto a Carlos Paredes, o Mestre da guitarra portuguesa,  tenho alguns CD com obras suas, mas ao vivo só assisti a um concerto, de tal modo fabuloso que deixou uma marca indelével na minha memória.

Esta minha mensagem é, de certa forma, uma modesta homenagem a estes dois grandes vultos da cultura com projeção muito para além das fronteiras do país onde nasceram.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Bem vindos a 2014, com música...

Após  uma interrupção de 15 dias, motivada pelas festas, pelas funções de babysitting sempre reforçadas em férias escolares, aqui estou de novo.
O Natal, em família como sempre, foi acompanhado, como acontece desde 2006, de uma peça de Natal em que participaram os mais novos. Desta vez, no programa  “O Natal visto por...”, no Gouveias Canal, a entrevistadora Rita (11 anos) entrevistou várias personagens, desde o Pai Natal (Bernardo com 4 anos) a um homem das cavernas (José com 8 anos), passando pelo Bob Construtor (Bernardo), o  Homem Aranha (José), a Minie (Marta com 3 anos) e Josefino Marca Direto, um jogador de futebol que vai dar muito que falar(José)...  
A música e a dança também marcaram presença.
Reunimo-nos também para receber 2014,  mas com um programa mais simples... Enquanto preparava o almoço de Ano Novo fui assistindo na RTP ao concerto de Ano Novo, pela Orquestra Filarmónica de Viena dirigida por Daniel Barenboim. 

Na impossibilidade de deixar aqui o concerto, deixo alguns excertos de peças de alguns dos autores que constavam no programa :

Começo com Contos dos Bosques de Viena, de  Johann Strauss II 
Como muitos(senão todos)saberão houve três compositores austríacos com o nome Johann Strauss; o autor de Danúbio Azul, Johann Strauss II, o seu pai Johann Strauss I e um seu sobrinho, Johann Strauss III, filho do irmão Eduard.
O segundo trecho é a conhecida  Marcha Radetzky de Johann Strauss I. Seguidamente a valsa opus 79 de Eduard Strauss,  a valsa Dinamyden de Josef Srauss, irmão de Johaan II e de  Eduard e, a terminar este conjunto de obras da família Strauss, a polca opus 6 de Johann Strauss III 
Também o alemão Richard Strauss constava do programa. Deixo um pequeno excerto de  “Assim falou Zarathustra” da banda sonora de 2001 Odisseia no espaço. 
Mas para além da família Srauss e de Richard Strauss, outros compositores constavam no programa, incluindo Leo Delibes, pizzicato do bailado  Sylvia .

E já que temos estado a falar de música, deixo-vos uma breve e original história da música bem como um concerto muito especial, numa favela do Paraguai


Termino com votos de um Bom 2014, repleto de boa música e não só....