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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

ERRO AO ABRIR

Por razões que desconheço, o blog deixou de abrir na página inicial. Agradeço que "cliquem" nesta para aceder às mensagens.
Obrigada pela compreensão

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Breves


Os portuenses, por nascimento ou por adoção, viram a sua cidade ser distinguida com a classificação de melhor destino turístico europeu, 2014.
Deixo um site onde poderão explorar as belezas da cidade, a voz de Rui Veloso em Porto Sentido  e um poema do meu primeiro livro

Miragem

Estou sentada no café do cais
aqui na Ribeira junto ao rio,
um passante segue pela rádio o  desafio,
e, ao meu lado, uma jovem  enlevada
olha com o olhar perdido  a outra margem,
enquanto um casal recorda uma viagem.
Os demais conversam sobre tudo.
Aqui e além  falares dispersos.
Aqueles ali creio que falam eslavo
e conversam com um ar muito sisudo
Na minha mesa está pousado um cravo
e o livro que ando a ler "Primeiros versos"
Não me apetece ler, de enamorada
que fico  ao olhar  esta paisagem
mista de sonho e de realidade,
nem sei se ela existe ou se é miragem.
Do outro lado, as caves imponentes;
atravesso a ponte e já me encontro em Gaia,
na vila nova que agora  é cidade.
Vejo o Douro, os barcos rio acima
levam turistas e passam indolentes,
vejo as fachadas de granito, e bem por cima
ameaçando chuva o céu cinzento.
Um ar frio perpassa-me, é o vento
o tal a que chamam de nortada.
Regresso e  inicio  uma viagem,
entro num carro eléctrico,  na paragem
e  aí vou eu  vagueando com o olhar,
S. Francisco, S. Pedro em Miragaia,
a  Alfândega,  Massarelos , vários cais.
O eléctrico avança um pouco mais
e do outro lado já vejo o Cabedelo,
o rio encontrou o Oceano, entrou no mar.
Difusos através da bruma,
uma traineira, um navio parado,
que para entrar na barra ao largo aguarda.
enquanto o mar se agita e regurgita  espuma.
A difusão da luz torna tudo mais  belo,
mas o  meu passeio vai findar, não tarda.
O meu corpo está enregelado
e o vento desalinha-me o cabelo.
É quase noite, urge regressar
mas é difícil ter que abandonar
estas paisagens de bruma e de granito.
Não sei se  adivinhando  o meu pensar
uma gaivota solta um pio, aflito.

                 in Reflexões e Interferências (2002)

E porque hoje as mensagens são breves  deixo mais algumas, a primeira  na sequência de uma outra colocada há uns tempos sobre o trabalho de Noé Sendas, a segunda com um texto  ( melhor e-mail do ano.ppt) para reflexão e a última com o "humor"de Quino ,sempre atual...




1 comentário:

  1. Olá Regina
    Gostei muito do seu post até porque é uma prova de que já recuperou do seu estado de saúde menos bom e mantém inalterável todo o seu espírito de
    curiosidade e análise de tudo o que nos rodeia e que
    eu tanto aprecio. Eu também gosto muito da Ribeira do Porto, mas gosto ainda mais de a apreciar da Ribeira de Gaia, o que faço algumas vezes com
    amigas da UPP.
    Quanto ao Porto como destino europeu não é que eu não concorde porque através do seu património tudo nos fala de História de uma época.Mas quanto ao Porto, cidade, lamento muita o seu estado de degradação.
    Também já conhecia o seu poema de que gosto muito além de o sentir profundamente.

    Um beijoi grande.

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