Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A alternativa ao neoliberalismo chama-se consciência,

A alternativa ao neoliberalismo chama-se consciência, quem o afirma é José Saramago

Num dos meus blogues favoritos (blogs de Ciência) podem ver um vídeo com uma interessante intervenção de José Saramago, vídeo esse que pode ser visto diretamente aqui

Curiosamente, na sua intervenção Saramago refere o seu livro História do Cerco de Lisboa, que acabei de reler há dias, como referi em  post anterior.

A história começa com Raimundo Silva, solteiro, com mais de cinquenta anos, revisor de profissão, a rever um tratado de história com quatrocentas e trinta e sete páginas, intitulado “História do Cerco de Lisboa” – corria o ano de 1147 quando os portugueses, ajudados por cruzados, tomaram a cidade aos mouros.
No final da revisão, lê vezes sem conta a linha que afirma que os cruzados auxiliarão os portugueses a tomar Lisboa e eis que, pela primeira vez em tantos anos de profissão, infringe o código deontológico dos revisores, ao introduzir deliberadamente no texto um NÃO que altera toda a verdade histórica.
Com a mão firme segura a esferográfica e acrescenta uma palavra à pagina, uma palavra que o historiador não escreveu, que em nome da verdade histórica não poderia ter escrito nunca, a palavra Não, agora o que o livro passou a dizer é que os cruzados Não auxiliarão os portugueses a conquistar Lisboa



O Cerco de Lisboa, por Roque Gameiro

E por falar em consciência e neoliberalismo, termino com esta carta que me enviaram por e-mail

Carta da Marisa Moura à administração da Carris


 Exmos. Senhores José Manuel Silva Rodrigues, Fernando Jorge Moreira da
 Silva, Maria Isabel Antunes, Joaquim José Zeferino e Maria Adelina
 Rocha,

Chamo-me Marisa Sofia Duarte Moura e sou a contribuinte nº 215860101
da República Portuguesa.
Venho por este meio colocar-vos, a cada um de vós, algumas perguntas:
Sabia que o aumento do seu vencimento e dos seus colegas, num total
extra de 32 mil euros, fixado pela comissão de vencimentos numa altura
em que a empresa apresenta prejuízos de 42,3 milhões e um buraco de
776,6 milhões de euros, representa um crime previsto na lei sob a
figura de gestão danosa?
Terá o senhor(a) a mínima noção de que há mais de 700 mil pessoas
desempregadas em Portugal neste momento por causa de gente como o
senhor(a) que, sem qualquer moral, se pavoneia num dos automóveis de
luxo que neste momento custam 4.500 euros por mês a todos os
contribuintes?
A dívida do país está acima dos 150 mil milhões de euros, o que
significa que eu estou endividada em 15 mil euros.
Paguei em impostos no ano passado 10 mil euros. Não chega nem para a
minha parte da dívida colectiva.
É com pessoas como o senhor(a) a esbanjar desta forma o meu dinheiro,
os impostos dos contribuintes não vão chegar nunca 
para pagar o que realmente devem pagar:
O bem-estar colectivo.
A sua cara está publicada no site da empresa.

Todos os portugueses sabem, portanto, quem é.

Hoje, quando parar num semáforo vermelho, conseguirá enfrentar o
olhar do condutor ao lado estando o senhor(a) ao volante de uma
viatura paga com dinheiro que a sua empresa não tem e que é paga às
custas da fome de milhares de pessoas, velhos, adultos, jovens e
crianças?

Para o senhor auferir do seu vencimento, agora aumentado ilegalmente, 
e demais regalias, há 900 mil pessoas a trabalhar (inclusive em
empresas estatais como a "sua") sem sequer terem direito a Baixa se
ficarem doentes, porque trabalham a recibos verdes.
Alguma vez pensou nisso?
Acha genuinamente que o trabalho que desempenha tem de ser
tamanhamente bem remunerado ao ponto de se sobrepor às mais
elementares necessidades de outros seres humanos?
Despeço-me sem grande consideração, mas com alguma pena da sua pessoa
e com esperança que consiga reactivar alguns genes da espécie humana
que terá com certeza perdido algures no decorrer da sua vida.

Marisa Moura



2 comentários:

  1. Olá Regina
    Saramago era um génio. Para nos mostrar a realidade da vida, invertia os factos e assim nos transmitia a realidade dos acontecimentos. Lembro-me, p.e,, da
    frase de Jesus crucificado, dirigida aos homens-
    "Perdoai-lhes homens que ele não sabe o que fez" no Evangelho segundo Jesus Cristo.E o que eu
    depreendo do Ensaio sobre a Cegueira- Na terra dos
    cegos quem tem um olho não é rei (mulher do médico). E aquele NÃO tem um extraordinário valor
    para a verdade dos factos. E assim ele nos mostrava
    a verdadeira História do acontecimentos.
    O nosso grande Prémio NOBEL da Literatura.
    Quanto à carta já a tinha lido e acho-a muito boa e
    verdadeira.

    Um beijo, Regina.

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