Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

E mais um Natal se passou...


A minha última mensagem data do passado dia 15. Com os netos em férias, o tempo escasseia. Mas é tão bom estar com eles...

No dia 17 o avô fez anos mas só festejámos o aniversário no dia 20, pois a minha nora mais nova, que estava há um mês em trabalho no Brasil, só regressou dia 18.
A minha outra nora,"expert" na confeção e decoração de bolos, desta vez fez um bolo com decoração interior. Em cada fatia, aparecia um gato, uma "réplica" do nosso Fuscas, cujo principal cuidador é o avô.



Mas voltemos aos netos. Apesar das diferenças de idades (R com 12 anos, J, com 9, B, com 5 e M com 4) ainda conseguem brincar todos (como se pode ver na foto) e por vezes horas a fio. Na imagem preparavam um pic-nic virtual. Estavam acampados na sala usando uma tenda de índios com que os meus filhos brincavam quando eram pequenos.



A par da brincadeira, havia que preparar o habitual teatro de Natal. Geralmente são os netos que escolhem o tema. Eu crio a peça e, com ajuda da mais velhinha, trato dos adereços, do guarda-roupa, etc. Desta vez o tema era A oficina do Pai Natal.

Na oficina trabalhavam quatro duendes
Cartucha(M)   tinha a seu cargo entregar as cartas a Adivinho e de seguida ir buscar as prendas a um saco e entregá-las a Embrulhas que tinha a função de as embrulhar. Este passava-as a Laçarote que iria colocar um laço  em cada uma e, de seguida, colocá-las no saco do Pai Natal. A par disso era responsável por qualquer reparação que os brinquedos eventualmente necessitassem. 

Cartucha entra na sala arrastando um saco com cartas
Estou muito cansada Esta saca é muito pesada.

Laçarote-Eu estou pronto para ajudar.Vamos a saca arrastar.

Arrastam a  saca e levam-na para o pé de Adivinho. Cartucha tira uma carta do saco  e  Adivinho tenta ler Pai Natal cero  una  vuneca  que vaza cici con una zaia cor de civi  ? Embrulhas, decifra  aqui.

Embrulhas-Pai Natal quero  uma   boneca que faça xixi com uma saia cor de Kivi 
Cartucha, vai buscá-la  para eu embrulhar aqui. Depois é só por o laço.

Laçarote-Deixa que eu faço.

Cartucha vai buscar a boneca a um saco com brinquedos e entrega-a a Embrulhas que, depois de embrulhada passa a  Laçarote.  Este põe um laço na embalagem e coloca a prenda no saco do Pai Natal.

Adivinho- Quero  outra carta para ler.

Cartucha entrega outra carta a Adivinho.

Adivinho-  Pai Natal, pitola? Deve querer uma pistola. Nem pensar em dar pistolas. Cartucha, arranja aí  duas bolas.

Cartucha procura no saco e entrega as bolas a Embrulhas que depois  entrega o embrulho a Laçarote, etc   ...
Adivinho-  Quero  outra carta para ler, se a conseguir entender.

Cartucha-   Aqui está esta bonita.

Adivinho- Espero que esteja bem escrita. Um taro dufisca encanado ? Outra vez atrapalhado. Embrulhas, ajuda aqui

Embrulhas-    Mas ainda há pouco eu li...

Adivinho-  Esta já é diferente. Escreve tão mal esta gente...

Embrulhas- Está decifrado. Um carro do faísca, encarnado.

Cartucha-   Aqui está  e mais não há.

Embrulhas- Ui,  como está estragado...Laçarote, vais  ter que o arranjar.

Laçarote-     Cartucha , vem-me ajudar.

Cartucha-     Vou já, ja.

Pegam na caixa de ferramentas e tentam arranjar o carro.

Embrulhas- Quando estiver arranjado vai ter que ser embrulhado e levar um Laçarote.

Arranjado o carro, Cartucha entrega-o  a Embrulhas que o passa a Laçarote etc...

Laçarote- Vejam só a minha sorte... Sempre, sempre a trabalhar....

Adivinho- Não paras de te queixar. Nós também estamos cansados.

Embrulhas- E esfomeados...

Cartucha- Vamos mas é almoçar.

Laçarote- E se o Pai Natal chegar?

EmbrulhasOra, que venha  ajudar...Até lhe fazia bem, a barriga reduzia...

Laçarote- Já está velhote, coitado.

Adivinho- E eu estou esfomeado.

Cartucha- Eu também.

Em coro- Vamos interromper para qualquer coisa comer

Embrulhas- Eu quero  um pastel de nata. 
Adivinho-    Eu quero um  sumo de lata.
Laçarote-     Quero um bife bem passado. 
Cartucha-     Eu quero um grande gelado. 

Preparam-se para sair.

Embrulhas- Já alguma vez pensaram que todos os anos fazemos prendinhas  para toda a gente
e que jamais recebemos o mais pequeno presente?

Laçarote-      É verdade  e isso é grave.

Adivinho-      Grave? Não, greve... É o que vamos fazer para o Pai Natal perceber que também temos direitos que devem ser satisfeitos.

Saem segurando um cartaz com os dizeres "Duendes unidos jamais serão vencidos", que repetem em coro.



Após o almoço de Natal, sempre em minha   casa com filhos, netos,  os pais e alguns primos da minha nora mais velha, tem lugar o espetáculo que, para além da peça de teatro tem música e dança.

Mal acabou a peça, a minha neta mais pequenina veio ter comigo "Quero fazer outa vez o tiato".

Antes do Natal temos que preparar  teatro, danças, canções, cartões, desenhos, prendinhas
Como a minha nora mais nova colecciona presépios, sugeri ao J (9 anos) a construção de um pequeno presépio em cartão.Eis o que ele fez após eu lhe ter dado algumas dicas para cada figura, que ele recortou, pintou e depois colou na base


O primo  quando viu o presépio disse de imediato: Também quero fazer um.
E virando-se para mim, disse-me: faz-me um molde para o burro. Em papel fiz o  molde, a partir do qual ele fez o desenho em cartão. Cortou com a minha ajuda, pintou, dobrou e colou na base.
De seguida quis um molde para a vaca e após esta estar colada pediu- me um molde para a ovelha.
Terminada a ovelha pediu-me um molde para o pastor.
Colado o pastor perguntei qual a figura que se seguiria. A resposta foi "Não preciso de mais nada".



Este meu neto adora tudo o que se relacione com animais. Os seus programas favoritos na TV são todos os que abordem a vida animal desde os insectos e vermes a peixes, répteis,  aves, mamíferos, e muito em particular tudo o que vive nas selvas ou no quintal do avô.

Grande parte das prendas que recebeu estão relacionadas com animais (livros, jogos, etc).
Recebeu inclusivamente um kit para montar um aquário no qual vinham minúsculos ovos de peixe e nutrientes. Já nasceram alguns peixinhos, com menos de 1cm.

E por falar em presentes de Natal,  os dos meus filhos incluem sempre dois álbuns com as fotos dos netos ao longo do respetivo ano. São as prendas de que mais gosto.

Ao fim da tarde apareceram os meus primos, os dois filhos e o genro. Em tempos passávamos o Natal sempre juntos,  mas com as famílias alargadas, a presença de  todos na ceia e no  almoço  de Natal torna-se muito difícil.
Por isso vamos reunir-nos todos aqui em casa num almoço, no próximo dia quatro. A convite dos meus primos, também nos  reunimos antes do Natal, num almoço, no Hotel Porto Cruz. Como éramos muitos foi-nos reservada uma sala só para nós com uma grande abertura para o rio. Deixo algumas fotos




Assim se passou mais um Natal com momentos inesquecíveis

Como os netos continuam em férias, continuo a ter o privilégio da sua companhia.
Para além das construções com os  inestimáveis LEGOS em que a  maior parte já foi dos meus filhos, houve duas "caças ao tesouro" com enigmas, a que o meu neto mais novo chamava inimigos (queo uma caça ao tesouo com inimigos);  agora já diz corretamente...


E porque Natal é tempo de cinema e de música deixo duas sugestões: O filme "A lancheira", um filme que, apesar de indiano, é interessante e o concerto para violino, opuss 64 de Mendelssohn



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Íris Científica


O que é o tempo? Qual é a rocha mais antiga da Terra? Quando e onde é que se formou o Sol? Que mensagens recebemos do espaço? O que são os vírus e qual a sua história? O que são bactérias resistentes? Quando é que os coelhos foram domesticados? Há rãs que congelam? Como é que era o cérebro de Einstein? As lágrimas são sempre iguais?
Estas e muitas outras perguntas encontram resposta no novo livro “Íris Científica 2”, de António Piedade, que vai ser lançado amanhã, dia 16 de Dezembro, às 18h00, no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra.
Esta obra de divulgação científica vai ser apresentada pelo professor doutor Carlos Fiolhais.
“Íris Científica 2” é um livro que reúne uma trintena de textos que viajam por diversas disciplinas da ciência: biologia, bioquímica, química, física, geologia, astronomia e história da ciência.
Os textos estão impregnados de uma abordagem interdisciplinar, o que no geral defende a tese de a cultura científica ser só uma.
Sobre o autor escreveu Carlos Fiolhais: «António Piedade é um talentoso comunicador de ciência. Com formação em bioquímica e vários artigos originais publicados nessa área do conhecimento científico, ele sabe como o “caminho se faz a andar”. Tem-se revelado, nos últimos anos, uma voz original na comunicação de ciência em língua portuguesa, uma voz que consegue com aparente facilidade transpor a barreira entre os primeiros exploradores e aqueles que estão interessados em saber novas da exploração. (…) Há um elemento muito peculiar na escrita de António Piedade que contribui sobremaneira para o prazer da leitura: é a marca literária, por vezes mesmo poética, que ele sabe imprimir à sua escrita».
António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. É consultor científico do projeto “Ciência na Imprensa Regional” da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica – Ciência Viva.







domingo, 7 de dezembro de 2014

Feliz Natal 2014






Do azevinho, o rubro.
Do vinho  e da canela,  o aroma.
Das ruas, o soar da música,
o vozear da gente,
que em compras se afadiga,
imune ao vento rude.
Da  festa em família, a alegria
no rosto das crianças espelhada.
Assim se exibe o Natal, ano após ano.
No seu verso, sem estrofe,
no seu verso  desvalido, desumano,
um ror de gente sofre,
calada.


Feliz Natal 2014
Regina Gouveia




sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O bosão do João já está na minha mão...


O bosão do João,  cujo lançamento anunciei em  mensagem anterior, já está na minha mão...

Chegou hoje pelo correio. 


Como já referi, para mim foi uma agradável e inesperada surpresa o convite para integrar a "antologia", convite feito por Rui Malhó, que não conheço pessoalmente.



Tanto ou mais agradável  ainda foi aperceber-me, ao ver o livro, de que estou em tão ELEVADA  companhia... 



Os 88 poemas estão distribuídos por "temas"


A explicação do interessante título do livro é dada por Rui Malhó em "Palavras prévias"


Sobre o livro,  refere António Nóvoa:


O  livro "abre" com um excerto de Suspensão coloidal de António Gedeão

Postulados e leis e lemas e teoremas,
tudo o que afirma e fura e diz sim,
teorias, doutrinas e sistemas,
tudo se escapa ao autor dos meus poemas.
A ele, e a mim.



E mais não digo...

Aqui, mesmo ao lado...


No passado dia 28 estive na Escola Básica da Constituição, aqui mesmo ao lado de minha casa,  com três turmas de alunos do 1º ciclo , (3º e 4º ano).
A visita foi muito agradável pois as crianças estiveram extremamente interessadas. Algumas, no fim da sessão,  perguntaram  se eu não poderia  ir visitá-las todas as semanas.

Poemas do livro Ciência para meninos em poemas pequeninos  tinham sido trabalhado por  professores e alunos. Estes fizeram desenhos e poemas. Os meninos de 3º ano também  pintaram uma tela alusiva ao poema  Mar

Mar
Já brincaste com a areia e com as conchinhas do mar?
Já viste as ondas a ir,  para logo a seguir  voltar?
Encosta um búzio ao ouvido e fica atento a escutar.
Parece que se ouve o mar a contar os seus segredos.
Diz que se sente doente, que está muito poluído.  
Hoje é um petroleiro,  amanhã é um cargueiro 
que deita lixo para o mar.
E  também há muita gente
que deita na praia lixo, uma garrafa, uma lata,
uma pistola de  esguicho, uma embalagem qualquer.
Ora isso não pode ser  pois a poluição mata
as algas e os peixinhos.  Mata  até os passarinhos
que na areia vão pousar  ou água vão debicar
nas pocinhas dos rochedos.
Gouveia .R, in Ciência para meninos em poemas pequeninos

A tela, que me ofereceram,  vem acompanhada  deste texto:

A nossa inspiração foi...
"(...)Encosta um búzio ao ouvido e fica atento a escutar.

Parece que se ouve o mar a contar os seus segredos (...)



 

Para além do Mar, os poemas trabalhados por todas as crianças foram: Despertar, Astronautas, Rio.

Despertar

O Sol acordou estremunhado e virou-se para o outro lado.
Ai que sono tão profundo…
Precisava  de acordar. Tratou de se  espreguiçar,  os olhitos esfregou,
à pressa a cara lavou e nem sequer almoçou que já ia a hora tardia
neste cantinho do mundo que tinha que alumiar.
Assim que o sol despontou, um galo do seu poleiro  tratou logo de o saudar
Ora viva senhor Sol, có-có-ró-có-ró-có-col,   passe bem o dia inteiro.

Astronautas
Chamava-se Laika uma cadelinha que foi para o espaço; foi num foguetão
Viu o que até então nunca ninguém vira. Viu  de lá a Terra , uma bola azul,
que gira, que gira,  viu o pólo norte e viu o pólo sul .
Pobre cadelinha andou pelo espaço às voltas, coitada,
ficou muito ourada, não aguentou.  Não pôde contar o  que se passou.
Voltaram ao espaço,  passados uns anos, astronautas russos e americanos.
Os americanos  na Lua pousaram  e por  lá caminharam, sempre aos saltinhos,
com estranhos fatos, muito anafadinhos.
Vinham comovidos, quando regressaram
pois o  astro mais belo que dos céus se enxerga é um  planeta azul,
o planeta Terra.

Rio
Era um rio transparente,  cristalino, onde os peixinhos nadavam sem destino
 para um e outro lado. O rio cantava sempre uma melodia
de que  as pedras no fundo pareciam gostar.
Mas chegou um dia a poluição  e o som do rio,  em agonia,
era um som triste, desafinado.
Muitos meninos juntaram-se, então,  e decidiram o  rio limpar .
O rio voltou  a cantar e,  de contente, ofereceu  a cada menino um presente:
Uma pedrinha bem redondinha que repetia a melodia que o rio estava sempre a cantar.
Gouveia .R, in Ciência para meninos em poemas pequeninos

Fizeram imensos desenhos e poemas.  Todos mereciam aqui ser referidos mas, na impossibilidade de colocar tantos, deixo, por  ano de escolaridade, um  texto e um  desenho relativos a cada poema.



Despertar
Quando o dia nasceu
Parece que tudo se levantou,
O sol foi o primeiro.
O relógio tocou
Todas as pessoas acordaram
Porque é de dia
Temos alegria!
Toc, toc,toc,
O tempo acabou
Erguem-se flores
Levantem-se preguiçosos!
O dia já começou!          



Astronauta

Viajo pelo espaço
De galáxia em galáxia
Vejo as estrelas passar
Adoro vê-las a brilhar!
Um buraco negro eu vejo
E lá quero chegar,
Para ver o que lá se passa
Para o mundo contar.  

 Astronautas

Uma cadela
Chamada Laika
Foi ao espaço.
Viu coisas novas,
Que nunca ninguém viu.
Mas além de tudo,
Na viagem não sorriu.
Finalmente chegaram astronautas,
De muitos países.
E descobriram que,
A Terra é a mais bela. 



Rio

Na aldeia da minha avó,
Há uma festa junto ao rio.
Onde todos se reúnem,
Para dançar o corridinho.
Os pássaros cantam as músicas,
Os peixes fazem acrobacias.
Todos se divertem,
Junto ao rio das fantasias.          






Em PP que projetaram, pôde ler-se:

Obrigado
Regina Gouveia,
Pela sua presença
e pelo desafio proposto

EB constituição   2014/2015 

O agradecimento veio acompanhado dum ramos de rosas que não pude fotografar porque, terminada a sessão, fui para Trás-os-Montes.

Também eu agradeço a tarde tão agradável que ali passei.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O bosão do João

No próximo dia 4 de Dezembro, pelas 18h, na Academia de Ciências de Lisboa vai ser lançado o livro O bosão do João.A apresentação será feita pelo Professor  Doutor José Barata-Moura.

Fachada principal da Academia de Ciências de Lisboa (R.da Academia das Ciências, 19)


Salão Nobre 

O livro contem” 88 poemas com ciências” , de  vários autores selecionados por Rui Malhó , Professor Associado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que concebeu o livro. 
Fiquei muito admirada e sensibilizada quando me foi pedida autorização para reprodução de três poemas  meus, que integram livros já publicados.

Dificilmente poderei estar presente mas envio o convite para a eventualidade de estarem  por Lisboa (casualmente ou não)  e acharem que pode ter interesse.



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Semana da Ciência e da Tecnologia


Esta semana é dedicada à Ciência e à Tecnologia com várias atividades, nomeadamente uma que decorre no Porto, aberta ao público em geral e cujo programa podem ver aqui 
No âmbito das comemorações da Semana da Ciência e da Tecnologia, o CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto) vai estar de portas abertas à comunidade no sábado, 29 novembro. Os visitantes terão oportunidade de conhecer o centro e contactar diretamente com os investigadores e ainda participar em atividades especialmente preparadas para melhor dar a conhecer os trabalhos de investigação.Entre as 10h e as 18h decorrerão Ateliers de Ciência onde se realizarão atividades experimentais; atividade práticas onde será possível observar diferentes organismos à lupa e ao microscópio; palestras sobre temas da atualidade e ainda visitas guiadas aos laboratórios do CIIMAR. Os mais novos terão ainda oportunidade de realizar atividades lúdico – pedagógicas e observar organismos vivos como algas, estrelas-do-mar; ouriços-do-mar, entre outros. Esta iniciativa visa assim contribuir para o aumento da educação e da literacia científica, despertar a curiosidade pelas ciências marinhas e ambientais e proporcionar um contacto direto da população com a investigação desenvolvida num centro de investigação.
Rua dos Bragas nº 289, Porto | 223390607 ciimareventos@ciimar.up.pt

Também várias escolas estão a dinamizar atividades integradas nesta semana, nomeadamente  o Agrupamento de escolas Vallis Longus em Valongo e o agrupamento de escolas Carolina Michaelis, no Porto




Ontem desloquei–me  a Valongo para fazer quatro apresentações (duas de manhã e duas de tarde)  a alunos de 5 turmas de 9º ano, com base no meu livro “Breve História da Química”.
Fui extraordinariamente bem recebida por professores bibliotecários e demais professores ligados aos eventos, nomeadamente professores de Física e de Português bem como pelos funcionários, muito em particular a funcionária da Biblioteca . Também os alunos foram genericamente muito agradáveis e reagiram muito bem . Em cada sessão um grupo de alunos fez a minha apresentação em PP após a qual teve lugar a sessão, como sempre, complementada com algumas experiências.
Na sexta-feira vou estar com duas turmas, uma de 3º e outra de 4º ano, na escola básica da Constituição que agora pertence ao Agrupamento de Escolas Carolina Michaelis.

Ao consultar o blogue deste agrupamento, encontrei um vídeo referente à minha visita em Maio, a uma outra escola básica, visita que aqui referi na altura. Embora com atraso, aqui deixo o 

A semana da Ciência e da Tecnologia integra o  Dia Nacional da Cultura Científica , 24 de Novembro, que  corresponde ao dia de nascimento de Rómulo de Carvalho, notável professor de Física e Química, promotor da cultura científica e do ensino da ciência no nosso país e  notável poeta  sob o pseudónimo de António Gedeão

Em 2006 comemorou-se, por todo o país, o centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho. Foi-me pedida a colaboração para vários eventos que tiveram lugar no Porto. Um deles decorreu no Clube Literário, infelizmente já extinto. O texto a seguir é um excerto do que então disse:

(...)Coube-me  abrir esta sessão. Começo por dizer que é para mim uma honra enorme poder, com o meu modesto contributo, homenagear RC/AG que conheci quer directa quer indirectamente. O que quero eu dizer com isto?
Em 1960, entrei para o 6º ano do Liceu (equivalente ao actual 10º ano) e um dos livros que me marcou foi este livrinho*  (digo livrinho porque é pequeno em tamanho). O autor é Rómulo de Carvalho, cujo  nome na altura não me dizia nada em especial. Já o livro, esse disse-me bastante a ponto de o ter conservado até hoje e o ter utilizado muitas vezes, já como professora de FQ.
Em 1962, já estudante universitária deparei com este livro**, numa  montra de uma livraria. Associei o autor ao mesmo do tal guia de TP. Comprei-o e achei-o de tal modo interessante que fui comprando os outros da colecção. Na altura não devo ter reparado que alguns eram ilustrados por António Gedeão.
O nome de António Gedeão só me despertaria a atenção quando, em 1964, num nº da revista o Tempo e o Modo, me apercebi dum poema que achei belíssimo. Adquiri então o livro Poesias  Completas que na  1ª edição,  em 1964, reuniu os poemas de Movimento perpétuo, Teatro do Mundo, Máquina de Fogo. Em 1968, a 2ª edição inclui ainda Linhas de Força e o Poema para Gedeão(...)

*Guia de Trabalhos práticos de Química                 **História dos balões

O poema a que me refiro é Impressão Digital


Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

Ouçamo-lo em jeito de fado, na voz de Carminho

Deixo ainda outros poemas, porventura não tão conhecidos, e outras vozes

Poema da mala das naus
Poema da morte na estrada
Poema do fecho éclair 

domingo, 23 de novembro de 2014

Recordações de viagens-egito 3

 Retomo a minha "reportagem" sbre a viagem ao Egito em 1990

No 4º dia da viagem, havia uma visita opcional a Abu Simbel   
Não fomos pois éramos quatro e o custo total da viagem tornar-se-ia demasiado elevado para nós. Para além do templo que podemos ver no vídeo,   é fascinante a forma como o mesmo foi transladado  para evitar a sua submersão, quando da construção  da barragem de Assuão

Para os que, como nós, não foram a Abu Simbel,  estava programada,  de manhã, uma visita ao souk de Assuão. Para mim é fascinante passear por estes mercados  com toda a exuberância de cores, sons, odores...Muita da  população é núbia . Os núbios são facilmente reconhecidos no Egito pela sua pele negra, mas sem os traços da África subsaariana. Os núbios são altos e esguios, de olhos amendoados, nariz pequeno e lábios finos. As mulheres núbias andam  todas vestidas de negro.
As outras  vestem túnicas de outras cores e usam um lenço, tipo echarpe . Em Assuão alguns desses lenços eram muito bonitos. Comprei um, embora nunca o tenha usado pois parte da beleza resulta da forma como o colocam e eu não sei. De qualquer modo aí vai uma amostra do meu. 

Comprei ainda uma cassete com música egípcia e núbia.

À tarde fomos visitar vários pontos de interesse junto ao Nilo. Fomos de "feluca,  faluca, falua",  barco tradicional naquela zona. 
La faluca ó falúa es un barco de vela pequeño (por lo general, pueden llevar una docena de pasajeros, más un par de personas como tripulación), que puede tener una o dos velas casi triangulares,1 y uno o dos mástiles ligeramente inclinados hacia la proa. La palabra faluca procede del árabe: فلوکه faluka, pequeño barco, que a su vez proviene del término griego epholkion "paliskermo", barco. Su uso se generalizó en muchas regiones del Cercano Oriente y África del Norte; por su naturaleza son especialmente adecuadas para la navegación de cabotaje (cerca de la costa) o ríos del interior y, de hecho, han se utilizado profusamente en el mar Rojo y el río Nilo. Actualmente han quedado obsoletas y, con fines comerciales, suelen ser sustituidas por las más modernas lanchas de motor, pero aún se siguen utilizando en algunas circunstancias, por ejemplo, para su uso turístico en lugares como Asuán y Luxor, en Egipto. Este tipo de barco se utilizó tradicionalmente en Sicilia, incluso actualmente, para la pesca de pez espada en el estrecho de Mesina. Si vais en pareja os recomiendo un tranquilo paseo por el Nilo en Aswan. Una manera de descansar del bullicioso Egipto mientras se contemplan los paisajes de la zona y las aves que habitan en ella.
En un viaje a Egipto no debe faltar un paseo en faluca; un barco con una o dos velas triangulares que seguro será una delicia. Si el recorrido parte de Asuán, se divisará en la lejanía el Mausoleo del Aga Khan III, palmerales, pequeñas poblaciones de pescadores y el hotel Old Catarat, donde escribió Agatha Christie una de sus novelas y que serviría después para el rodaje de la película "Muerte en el Nilo". La faluca silenciosa recorre las aguas del Nilo sumergiendo a los tripulantes en un alegre sopor, mecidos por la brisa. Una sensación maravillosa. 

Ao lado, em barcos improvisados, navegavam crianças lindas,  cantando a fim de receberem uma gratificação dos turistas.
Como já referi anteriormente  o meu marido fez um filme de várias horas sobre a viagem ao Egito mas não sei como colocar fragmentos desse filme on- line. Nessa impossibilidade tenho procurado na NET e sobre Assuão e respetivos pontos de interesse, encontrei este vídeo  

Tenho no entanto algumas fotos tiradas durante o passeio

Na encosta podem ver-se, escavados, túmulos de nobres


Felucas no Nilo


Dentro da feluca

As crianças 

A primeira paragem foi na ilha Elefantina  (antigo mercado de elefantes), depois numa outra ilha onde visitámos o Jardim Botânico e finalmente a visita ao túmulo de Aga Khan.
Aga Khan é o título hereditário dado ao imã maior dos Ismaelitas, um dos braços da corrente xiita. Aga Khan III foi o 48º a receber o título (em 1877) , e foi um homem muito rico. Pai de Ali Khan, que foi casado com a atriz Rita Hayworth,  A sucessão foi para um filho de Ali Khan, Aga Khan IV. 
Após a  morte de AGa Khan III, em 1957, a viúva  iniciou a construção do mausoléu em sua homenagem, na colina acima de sua casa.
Entrando para o mausoléu de AgaKhan

Por detrás de nós, uma construção  branca, a casa de Aga Khan III.


Segundo consta, a viúva, sempre que estava em Assuão,  visitava diariamente o túmulo do marido, depositando ali uma rosa . Tendo falecido em 2000,  um jardineiro cumpre agora essa  missão.

Finda a viista fomos para o hotel onde jantámos. Dali tirámos uma foto à colina onde estão escavados os túmulos dos nobres. 



À noite fomos de novo ao souk.