Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dádivas dos deuses


Espargos silvestres são para mim uma autêntica dádiva dos deuses.

Nesta época é fácil encontrá-los em várias zonas do país nomeadamente no Nordeste Transmontano.

O prazer de colhê-los é tão grande como o de saboreá-los. Mas não são fáceis de achar para quem não esteja habituado.
No dia 25 lá estávamos nós em mais uma caminhada, a procurá-los.  
Por lapso não levámos máquina fotográfica. Pensei que no dia seguinte regressaria para fotografar não só os espargos, mas também um campo coberto de arçãs, giestas, estevas, papoilas, num colorido de uma beleza indescritível.
No dia seguinte o tempo mudou repentinamente. Soprava um vento gélido que impossibilitava qualquer caminhada. Fomos de carro em busca de paisagens idênticas à que acima descrevi, mas não encontrámos. Deixo aqui algumas fotos tirada de dentro do carro .
 Alfândega da Fé

Um campo na minha aldeia com arcãs giestas e estevas. Por aqui ainda não tinham florido as papoilas.
 
Quanto aos espargos, deixo fotos e um vídeo que encontrei na NET.
 


Aproveitei a ida a Alfândega para tirar algumas fotos da exposição Volver Paisagem de Domingos Loureiro na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues , exposição a que fiz referência quando da sua inauguração em 22 de Março.







 
Imagem retirada de um catálogo japonês (presente na exposição) onde, entre  vários autores consagrados, se encontra Domingos Loureiro.

 
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O romper das cordas

O título desta mensagem fui buscá-lo a De Rerum Natura onde poderão ler um texto muito interessante de que deixo um breve excerto


(...)Alguns buscam a transcendência na meditação ou na oração; outros procuram-na auxiliando os seus semelhantes; e ainda outros, os felizardos que têm talento, procuram a transcendência na prática de uma arte.

Uma outra forma de abordar as questões mais profundas da vida é através da ciência. Não quero com isto dizer que todos os cientistas investigam as respostas a essas perguntas; a maioria não o faz. Todavia, dentro de cada área científica, existem aqueles que são movidos pelo ímpeto de saber qual é a verdade mais essencial acerca do seu objecto de estudo. Se forem matemáticos, querem saber o que são os números ou que tipo de verdade a matemática descreve. Se são biólogos, querem saber o que é a vida e como ela surgiu. Se são físicos, querem saber o que são o espaço e o tempo, bem como o que deu origem ao mundo. Estas questões fundamentais são as mais difíceis de responder e o progresso para a obtenção das respostas raramente é directo. Apenas um punhado de cientistas tem paciência para esse trabalho. É o mais arriscado, mas também o mais gratificante: quando alguém responde a uma pergunta sobre os princípios por trás de um
assunto, pode estar a alterar tudo o que sabemos(...)

domingo, 21 de abril de 2013

Poesia e Ciência


A convite do Exploratório Infante D. Henrique (Ciência Viva) em Coimbra, estive ontem no referido espaço cuja visita aconselho vivamente, muito em particular na companhia  de crianças. Ali, de uma forma interativa, são explorados conceitos científicos de forma adequada ao nível dos mais novos  e não só...
Também ali funcionam várias oficinas de formação.
Ontem decorria uma sessão de uma oficina, no âmbito da exploração das relações entre Ciência e Poesia.

Na minha intervenção foram referidos vários poetas de  Camões a Álvaro de Campos passando, entre outros, por Gedeão, Eugénio Lisboa, Mário Sá Carneiro e Gilberto Gil de quem foi apresentado o poema “quanta” onde a dada altura diz
(...)Sei que a arte é irmã da ciência
Ambas filhas de um Deus fugaz (...)

Como música de fundo, excertos da 8ª sinfonia de Herschel que além de astrónomo (descobriu Urano) foi compositor.

E a propósito de poesia coloco um texto referido em De Rerum Natura. O título é   A poesia é precisa nas escolas,pode ser lido aqui e começa assim

"Deixem-me começar assim: Precisamos de poesia. Precisamos, mesmo. A poesia faculta a literacia, constrói um sentido de comunidade e contribui para a resiliência emocional. Ela pode ultrapassar fronteiras que mais nada consegue. Abril é o Mês Nacional da Poesia. Integrem alguma poesia no vosso coração, casas, salas de aulas e escolas."

A viagem a Coimbra fi-la de comboio, o meio de transporte de que mais gosto. E já que estamos em maré de poesia, dois poemas que evocam este meio de transporte noutros tempos....Um de Manuel Bandeira e outro de Chico Buarque que deixo com a voz do cantor e autor
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu presciso
Muita força
Muita força
Muita força
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora
Vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
Manuel Bandeira
 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Em busca de outros “companheiros”...


A propósito do título desta mensagem, incluo um texto que pode ser lido aqui não esquecendo as devidas adaptações que o acordo ortográfico não contemplou... Por exemplo, um bilião corresponde, em Portugal, a  mil milhões.
 

NESTA SEMANA, a agência espacial americana Nasa autorizou a construção de um satélite caçador de planetas parecidos com a Terra, mas que giram em torno de estrelas distantes. Com o nome de Tess (do inglês "Transit Exoplanet Survey Satellite"), ele identificará a ligeira queda da luz estelar provocada pela passagem de um planeta à frente de uma estrela, o método do "trânsito", e deverá ser lançado em 2017.

Kepler, a missão atual, usa o mesmo método e vem identificando milhares de potenciais planetas e confirmando centenas deles. Tess buscará planetas em uma região bem mais ampla do céu, focando em estrelas mais brilhantes.

Com isso, cientistas esperam identificar planetas mais parecidos com a Terra. A questão é saber quão raro é o nosso planeta, já que a maioria das estrelas tem planetas orbitando à sua volta.

Nossa galáxia, a Via Láctea, tem em torno de 200 bilhões de estrelas. Se pelo menos metade delas tem planetas e se, em média, estrelas têm em torno de quatro planetas, chegamos a 400 bilhões de planetas só na nossa galáxia.

Como não só planetas mas também suas luas podem ter condições favoráveis à vida, o número pode chegar a um trilhão de mundos. Sabemos que ao menos um planeta nesse trilhão tem vida. Quantos outros podem ter? Milhões? Centenas? Nenhum?

Parte da resposta depende justamente da frequência com que planetas rochosos como a Terra aparecem dentro da "zona habitável", a região em torno de uma estrela onde planetas e luas podem ter água líquida. A complicação é que certas luas fora dessa zona podem ter água líquida, como é o caso de Europa, a lua de Júpiter, que tem um oceano com quatro vezes mais água do que todos os oceanos da Terra, sob uma camada de gelo de dois quilômetros de espessura.

Portanto, um otimista diria que o Universo é cheio de vida, que é questão de tempo até acharmos algum sinal disso. Afinal, com tantos planetas e luas por aí... Só que a vida é algo muito complexo. O primeiro passo --reações químicas que de alguma forma geram vida da não vida-- não é algo trivial. Tanto que não temos a menor ideia de como repeti-lo no laboratório.

Missões como Kepler e Tess poderão até identificar traços de substâncias ligadas à vida na atmosfera de exoplanetas, como o ozônio e o oxigênio. Se isso ocorrer, teremos evidência de que a vida pode existir por lá. E é muito provável que algum tipo de vida simples exista em outros mundos.

Mas se você for um entusiasta de inteligências extraterrestres, a coisa fica bem mais difícil. Da vida simples aos seres multicelulares --e destes aos inteligentes--há muitos obstáculos que dependem dos detalhes da história do planeta.


Junte a isso a ausência de contato com "eles" e vemos que provavelmente estamos sós. Se não sós, ao menos isolados neste canto da galáxia. O que significa que somos raros e valiosos. Essa é uma das grandes revelações da ciência atual. Basta o mundo se convencer disso e começar a mudar

 

E a propósito de “outros universos” deixo um poema que consta do livro Entre Margens a sair dentro de dias

 
Oculto no tempo está o caminho

que eu hei de seguir, quando me perder

por entre os meandros da minha memória.

Envolta no tempo ou no seu reverso,

eu hei de partir para outro universo, 

noutra dimensão,

em que  o pensamento,  sem grades,  algemas,

possa vaguear  com asas apenas, 

adejar num cosmos pleno de harmonia,

poeira estelar a gerar poesia.

Gouveia.R, Entre margens

 
Termino com uma imagem de um trabalho sobre a criação, de Franciso de Holanda (1543-1573), pertencente a um conjunto de obras De Aetatibus Mundi Imagines
 


 

sábado, 13 de abril de 2013

Num mundo onde vale tudo....


Phnom Penh, 26 mar (Lusa) -A versão francesa de "Survivor" foi cancelada após a morte de um concorrente, devido a ataque cardíaco no Camboja, no primeiro dia das filmagens do "reality show".
A estação francesa TF1 informou que tinha cancelado a temporada 2013 do programa designado "Koh Lanta", depois de o concorrente de 25 anos Gerald Babin se ter sentido mal na sexta-feira, durante as filmagens em Koh Rong, na costa ocidental do Camboja.
Segundo o ministro do Turismo do Camboja, Thong Khon, a equipa de televisão planeava ficar cinco meses no país.

A propósito desta notícia aconselho a leitura de um texto publicado in de Rerum Natura


Mas neste  mundo onde vale tudo há mais e, a meu ver, com consequências muito graves
Vejam e pasmem...
 

 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

De Esmoriz a Almodôvar...

No dia 3 estive em Coimbra no Colégio Bissaya Barreto onde já tinha estado em 2012. Desta vez as crianças eram do ensino pré-escolar,  oriundas de diferentes meios sociais, de acordo com um projeto inclusivo  que norteia a instituição.

Trabalhei com várias turmas de crianças ,naquelas idades em que por um lado se deixam facilmente fascinar e por outro fascinam quem com elas trabalha.

Nesse dia era o aniversário da minha neta mais velha pelo que o dia continuou “em festa”.

No dia 4 parti de manhã para Esmoriz, onde também me desloquei em 2012, sempre a convite da professora bibliotecária, Manuela Lima. Estive com 4 turmas de alunos de 7º ano de escolaridade, envolvidos em projetos sobre o mar. Também ali as sessões correram muito bem. Após o almoço parti para Almodôvar.

Há já algum tempo tinha recebido um convite para ali me deslocar. Confesso que a primeira ideia foi recusar, dada a distância Almodôvar/ Porto. Acabei por aceitar lembrando-me que podia aproveitar para visitar um primo que vive em Lagos, há pouco mais de um ano.

De Esmoriz fui até Aveiro onde apanhei o Alfa para o Sul. Saí em Tunes, por volta das 21 h. Ali tinha à minha espera a colega Teresa Conceição, que tive o privilégio de conhecer nesse dia. Cheguei já tarde e fiquei instalada num pequeno hotel da vila. Como a estadia não incluía pequeno almoço, de manhã fui até  ao centro. Estava um dia muito frio pelo  que não deu para fazer grande exploração da terra.

Regressei ao hotel onda às 9 h a colega me foi buscar.

A minha intervenção inseriu-se no III Encontro “Aqui há Ciência ....e Palavras” cujo programa anexo.
III Encontro “Aqui há ciência e …palavras!”

5 de abril de 2013 – Auditório da EB2,3/S Dr.º João de Brito Camacho
 
09:00-09:15 – Receção dos participantes

 09:15-09:30– Sessão de abertura:

Diretora do Agrupamento de Escolas de Almodôvar Dr.ª Maria João Alves

Vereadora da Câmara Municipal de Almodôvar Dr.ª Sílvia Baptista

Bibliotecário, professor Filipe Mestre

 
09:30-10:30 – Explicação de brinquedos científicos com o professor Julio Guémez

 
10:30-11:15 – Apresentação de trabalhos de alunos alusivos à apresentação do Professor Guémez

A Santa do tempo, Valéria Colaço, João Vicente, Inês Rebelo, Marcelo Romão (10º A)

Sempre em pé, Beatriz Clara, Carolina Guerreiro, Adriana Colaço (10º A)

Brinquedo científico, Nelson Cavaco (11º A)
 
11:15-11:30 – Troca de ideias com o professor Julio Guémez

11:30-11:45Pausa para café (com a colaboração dos alunos da turma 8º E)

11:45-11:50 – Apresentação da professora Regina Gouveia por uma aluna

 11:50-12:50 – “Pelo sistema solar vamos todos viajar” – apresentação da autoria da professora Regina Gouveia

12:50-13:15 – “Era uma vez” – leitura/apresentação de textos por alunos do 7º A e do 7º B

 
13:15-14:20Almoço

 
14:25-14:30 – Apresentação do cientista Pedro Ferreira por um aluno

 
14:30-15:30 – “À conversa com o cientista Pedro Ferreira” - Entrevista, em videoconferência, sobre obras de divulgação científica, conduzida por alunos da turma 10º A

15:30-15:45 Teatralização em torno da Físico – Química

Enigmas com o fogo, Elisa Silva, Bruna Metelo, Alexandra Costa (10º A)

15:45-16:45 – Apresentações de trabalhos de alunos sobre obras dos autores convidados e conteúdos abordados em aula

Candeeiro de lava, Miguel Pinto, José Godinho, Guilherme Afonso (10º A)

CSI Almodôvar, Joana Pereira, Inês Barôa, Catarina Valente, Daniela Varela (10º A)

Brinquedo científico, alunos do 11º A

Brinquedo científico, alunos do 11º A
 

16:45 -17:00 – Apresentação de “Projetos Alternativos na Vida em Ciência e… Palavras”

Projetos de recuperação do espaço escolar, alunos do 9º C

 
17:00-17:10 – Teatro de Marionetas, alunos do 8ºE

 
17:10-17:20 - Encerramento

 
Os alunos do 8ºF farão a divulgação da programação do evento na rádio escolar
 
Como se pode ver, para além da intervenção do Professor Júlio Guémez (Professor titular do Departamento de Física Aplicada da Faculdade de Ciências da Universidade de Cantábria), da minha e da entrevista  em videoconferência ao astrofísico Pedro Ferreira conduzida por alunos, o programa incluía várias atividades realizadas pelos mesmos. Tratou-se de um programa muito bem elaborado mostrando o forte empenho de professores e alunos.

No próximo ano o encontro (será o IV) terá por título “Aqui há Ciência, Arte e Palavras” significando que se pretendem alargar, ainda mais ,as fronteiras dos saberes envolvidos.
Ao fim do dia a colega Teresa levou-me a Lagos onde os meus primos me aguardavam. Receberam-me com todo o carinho a que me habituaram e, embora o tempo não tivesse ajudado muito(estava muito frio), esta “escapadela” soube-me muito bem...

Ontem, domingo, às 14 h apanhei o comboio de regresso a casa.

Deixo algumas fotos de Almodôvar e Lagos, poucas porque o frio não convidada muito a saídas...

 


Em Almodôvar,  a Igreja e o hotel onde fiquei hospedada.




 Em Lagos, fotos tiradas da urbanização onde habitam os meus primos