Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 29 de março de 2013

Audaz fantasia

No passado dia 24 decorreu em Alenquer a entrega dos prémios do primeito concurso AlenCriativos, que teve o apoio do Pelouro da Cultura do respectivo Município. O evento integrou-se nas comemorações do Dia da Poesia.
"Audaz Fantasia" foi o "mote" para os trabalhos.

Houve  369 participações de adultos ( havia também uma componente destinada às escolas), entre elas a minha  (sob o pseudónimo Maria Montenegro). Fiquei entre os 10 seleccionados tendo recebido uma menção honrosa. Não pude estar presente mas o evento da entrega dos prémios pode ser visto aqui
 
O poema, "Foi assim que nasceu a poesia", foi lido por Rui de Carvalho (com início  no instante 1h, 10 min).

Aqui o deixo.

Foi assim que nasceu a poesia.


Fogo, roda, imprensa,

agulha de marear,

telescópio,

astrolábio,

máquina a vapor,

radar...

 

Com audácia e fantasia

o pensamento inventa, cria.

 

Giotto, Rafael, Picasso, Miró,

Galileu, Newton, Einstein, Bohr....

 

Com audácia e fantasia

o pensamento inventa, cria.

 

Átomo, ião, raios X,

LASER, eletricidade,

televisão,

internet,

teoria quântica,

relatividade...

 

Com audácia e fantasia

o pensamento inventa, cria.

 

Bach, Mozart, Beethoven, Puccini,

Shakespeare, Camões, Pessoa, Pushkin.


Com audácia e fantasia

o pensamento inventa, cria.

 

Foi assim que nasceu a poesia.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Notícias de Alfândega da Fé...


 
Hoje, através do blogue Alfândega da Fé... Noticias de cá e de lá, que consta nos meus favoritos, recebi um vídeo de Alfândega da Fé que pode ser visto aqui. Deixo também duas fotos da vila e um soneto dedicado à mesma retirado de Luta e Canção. O autor é o poeta Manuel Gouveia (cuja mãe era prima direita do meu pai e cujo  pai era primo direito do pai do meu sogro....)




 
Aproveito para referir que na casa da Cultura Mestre José Rodrigues está patente ao público, desde o passado dia 22, a exposição "paisagem-corpo-paisagem" de Domingos Loureiro . Infelizmente não pude estar presente na inauguração.
                      
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Feliz Páscoa


Com os netos em férias, as minhas funções de avó tomam-me muito mais tempo. Mas é compensador. É pena que o tempo não ajude. Quase não podemos sair de casa com esta chuva que cai impiedosa e que deprime. Em tempos escrevi o poema que segue.

 
Fustigada pelo vento,

a chuva pela janela escorre silente.

Adere à vidraça

e perde o aspecto de pingente

que a gravitação lhe conferiu,

ao deformar a esfera que já foi.

Indiferente à tensão, à gravitação

e à adesão molecular,

cinzento e lento o dia passa.

Ao longe ouve-se o  mar bramir, dolente.

 

Já que estamos em vésperas de Páscoa, aproveito para deixar um outro poema sobre a chuva, mas realçando o seu lado benfazejo.
Com esse poema, que já escrevi também há anos,  e mais um dos meus trabalhos sobre sacos de apanha da amêndoa/azeitona, criei o meu postal com votos de Boa Páscoa
 



 
 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Ó Portugal, se fosses só três sílabas...

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,

linda vista para o mar,

Minho verde, Algarve de cal,

jerico rapando o espinhaço da terra,

surdo e miudinho,

moinho a braços com um vento

testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,

se fosses só o sal, o sol, o sul,

o ladino pardal,

o manso boi coloquial,

a rechinante sardinha,

a desancada varina,

o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,

a muda queixa amendoada

duns olhos pestanítidos,

se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,

o ferrugento cão asmático das praias,

o grilo engaiolado, a grila no lábio,

o calendário na parede, o emblema na lapela,

ó Portugal, se fosses só três sílabas

de plástico, que era mais barato!

 
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,

rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,

não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,

galo que cante a cores na minha prateleira,

alvura arrendada para ó meu devaneio,

bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

 
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,

golpe até ao osso, fome sem entretém,

perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,

rocim engraxado,

feira cabisbaixa,

meu remorso,

meu remorso de todos nós...

 
Hoje limito-me a deixar para reflexão este poema de ALEXANDRE O'NEILL que complemento com o vídeo anexo e com dois textos de opinião

 

quinta-feira, 14 de março de 2013

De novo pelas escolas...

No passado dia 7, quinta feira, após o meu serviço de voluntariado no H. de Santo António, fui para o meu Nordeste de onde regressei no domingo. Na segunda feira desloquei-me de novo a Trás-os-Montes, a convite do Agrupamento de Escolas de Ribeira de Pena. Saí na camioneta das 7 h da manhã e em Vila Real aguardava-me uma colega que me levou para Ribeira de Pena. Aí fiz três apresentações.

O Agrupamento engloba as escolas de  Ribeira de Pena e as de Cerva pelo que segui para Cerva, onde dormi. De Ribeira de Pena para Cerva fui com a professora Melita Machado, responsável pelo polo da Biblioteca Escolar  que ali criou. Já  quando  lecionava  em Mondim de Basto me tinha convidado para ir à respetiva escola, pelo que já conhecia o seu entusiasmo e envolvimento em diversas atividades com os alunos.

No dia seguinte  fiz também três apresentações em Cerva.

Quer em Ribeira de Pena quer em Cerva, os professores tinham trabalhado com os  alunos textos de  três dos meus livros : Ciência para meninos em poemas pequeninos( com os meninos do pré-primário),   Era uma vez ...Ciência e poesia no reino da fantasia ( com o 1º ciclo), e Pelo sistema solar vamos todos viajar( com o 2º ciclo). Os alunos, de acordo com as diferentes idades,   produziram textos, desenhos, maquetas e outros trabalhos  que estavam expostos ao longo de corredores, salas, etc. Para além disso fizeram apresentações, pequenas encenações, espetáculos coreografados, etc.

Foi notória a preparação minuciosa das várias apresentações feitas. Registo também  o aspecto muito cuidado de todos os espaços

O carinho com que todos me receberam foi fantástico pelo que deixo aqui expresso o meu agradecimento. Ficaram de me enviar algumas fotos. Entretanto deixo já um texto que um aluno, cujo sonho é ser poeta , escreveu, leu e fez questão de me oferecer.


 
Antes da abertura do IP4, quando nos deslocávamos  para o “meu Nordeste” e a fim de fugir à estrada do Marão, íamos ter a vila Real passando por Guimarães, Fafe, Vila Pouca de Aguiar . No caminho avistávamos  Ribeira de Pena, pelo que uma das vezes resolvemos visitar a vila. Cerva conhecia-a apenas através de textos de Camilo e pela descrição que a minha colega e amiga, Isabel Machado, me fazia da sua terra. Desta vez fui conhecer Cerva “pela mão” de uma irmã da Isabel, precisamente a professora Melita que me levou de Ribeira de Pena a Cerva e que foi sempre de uma enorme gentileza, tal como a sua mãe que vive em Cerva e  que em tempos eu já conhecera, através da Isabel.

Estava muito frio e chovia bastante pelo que não pudemos desfrutar das belíssimas paisagens que rodeiam o lugar. Deixo no entanto algumas imagens de um panfleto turístico que trouxe do hotel onde fiquei alojada.


 
De Cerva regressei ao Porto. Saímos  de Cerva juntamente com a Rita e a Beatriz (filhas da Melita, alunas do 1º ciclo  em Cerva e que, consequentemente, também participaram entusiasticamente  nas atividades levadas a cabo pela sua escola ) supostamente em direção a Guimarães onde eu apanharia o comboio. Mas não foi assim. A colega fez questão de me trazer a casa.

 Cheguei cansada mas  a experiência  foi, para mim, muito gratificante.

No dia seguinte, quarta feira, às 9,30 o “meu editor” veio buscar-me para me levar a Ermesinde onde, a propósito do livro Breve História da Química, fiz duas intervenções, uma de manhã e outra de tarde, abrangendo assim todos os alunos de 8 º ano. Também aqui fui muito bem recebida por todos, nomeadamente a Professora Bibliotecária, uma colega extrordinariamente afável. Fui entrevistada e brindada com intervenções dos alunos que tinham estudado a obra  num trabalho pluridisciplinar, desenvolvido essencialmente  nas áreas de Português e Física/Química. A sessão da manhã correu muito bem; de tarde a par de alunos muito interessados, houve dois ou três elementos que estiveram menos bem mas de qualquer modo gostei muito de estar na escola onde aliás já me tinha deslocado no ano letivo anterior.

E sob pena de me repetir,  sempre que me confronto com estas situações não posso deixar de manifestar a minha admiração pelos professores que, sobrecarregados com inúmeras tarefas, algumas sem sentido, ainda se envolvem entusiasticamente em diversas atividades com os alunos.

domingo, 3 de março de 2013

Aldebaran: a Estrela que deu nome à Serra


Aldebaran: a Estrela que deu nome à Serra é o título de um artigo publicado em Ciência Hoje


(...) o investigador português Fábio Silva apresenta uma teoria sobre a origem do nome da Serra da Estrela. O artigo publicado no «Papers from the Institute of Archaeology» sugere que a estrela que dá nome à serra seria a Aldebaran, a mais brilhante da constelação de Touro.
Quando comecei este trabalho, não estava a pensar encontrar nenhuma relação com a Serra da Estrela”, admite. “Mas quando fiz uma análise mais cuidada dos dólmens do Mondego, apercebi-me que existia um padrão. Todos estavam a apontar para a serra”.
Quando se está na câmara de um desses dólmens, olhando para a entrada através do corredor, vê-se a serra. Os dólmens foram construídos há 6 mil anos por povos semi-nómadas que tinham adoptado a agricultura e a pastorícia, continuando ainda a praticar a caça e a recolecção.
Devido a várias evidências, principalmente fora de Portugal, pensa-se que estes monumentos megalíticos seriam funerários. No entanto, em Portugal, “nomeadamente no norte do país, não há evidências nenhumas de enterramentos, nunca se descobriram ossos, por isso não podemos com toda a certeza afirmar que seriam monumentos funerários”, considera Fábio Silva.
Mas quer tenham sido utilizados para esse fim ou não, “tudo indica a eles estavam associados a elaborados rituais que aconteceriam tanto dentro do monumento como na área circundante. A grande questão, ainda em aberto, é saber para que serviriam esses rituais”(...)

Apontarem os monumentos para lá faz sentido, até porque isso acontece muito em outros países da Europa: os monumentos megalíticos encontram-se orientados para determinadas montanhas ou outros elementos naturais importantes”, informa.
 A procura de elementos astronómicos fez o investigador ir mais longe. Os dólmens apontam todos para a serra em geral, mas há uma zona em particular que é possível ver de todos eles, o que não acontece com o pico, por exemplo. “Se alguma coisa de interessante do ponto de vista astronómico se passasse, seria ali”, afirma.

Podia, explica, “ser o Sol a nascer em meados de Fevereiro ou a a Lua algures no Inverno”. Mas hipótese da estrela, nomeadamente a mais brilhante de todas – a Aldebaran – pareceu-lhe mais viável “porque teria o seu primeiro nascimento antes do nascer do Sol em fins de Abril”, quando o tempo fica mais ameno, o que indicaria a altura certa para o início da transumância para o cimo da serra.

Uma das poucas pinturas nas paredes dos dólmens que sobreviveu ao tempo, precisamente num dólmen no Carregal do Sal, é composta por cinco traços vermelhos, que parecem representar o Sol. “Poderia ser igualmente a Aldebaran, que é vermelha e muito brilhante”, considera. Devido ao movimento de precessão axial, a estrela deixou de nascer no alinhamento dos corredores megalíticos em 3 mil a.C., sendo que os dólmens tinham deixado de ser utilizados 100 ou 200 anos antes(...).


É interessante confrontar esta hipótese com a lenda que pode ser lida aqui

E a propósito de Aldebaran comparemo-la com outros corpos celestes

 
 

 

A neve

O meu neto Ju já por várias vezes me tinha dito: queria tanto  ir à neve. Creio que este desejo advinha essencialmente de se comparar com os primos. O tio (meu filho mais velho) já há alguns anos que reserva uns dias de férias por ano para fazer uma escapadita à neve com a família. Foi aliás neste contexto, que há dois anos fui com eles para, de certo modo, tomar conta do mais pequenino, à data com 20 meses (dei conta disso numa mensagem que então coloquei)

Em face dos últimos nevões decidimos ir ontem com o Ju ao Marão. Fomos ele, o pai e eu. Não levávamos grandes expectativas. Na saída para a Pousada do Marão tomámos a antiga estrada e, passado 1 km, deparámos com um manto de neve bem razoável, completamente virgem (só cerca de 1 h depois apareceram outras pessoas).
O miúdo delirou. Fizemos um boneco de neve, jogámos a pelotada (era assim que se designava em Bragança a brincadeira de atirar bolas de neve às pessoas) e ele e o pai andaram de trenó.
Aqui ficam algumas fotos







E por falar em neve deixo também um poema de Alberto Caeiro e um excerto da Dança dos copos da ópera A donzela de neve de Rimsky-Korsakoff

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa. Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar. Sinto um gozo de animal e vagamente penso, E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"