Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

“Jóias” portuenses pouco conhecidas




 Conhecem a PASTELARIA SERRANA?

Fica na  Rua do Loureiro, junto à Estação de São Bento 
Na fachada já há poucos sinais da sua anterior importância mas dentro a história é diferente:
No teto temos uma tela de Acácio Lino, datada de 1912,  com motivos alusivos a jóias, figuras angelicais e um pavão.
No espaço podemos ver ainda  obras de outros antigos alunos da Escola de Belas-Artes do Porto como o escultor José de Oliveira Ferreira (autor das esculturas que adornam o primeiro piso do edifício) e o seu irmão Francisco de Oliveira Ferreira (que assina a arquitetura do espaço).
A obra foi encomendada no início do século XX por Alfredo Pinto da Cunha para a Ourivesaria Cunha, que ali funcionou entre 1880 e 1914 (altura em que se mudou para a Rua de 31 de Janeiro, no espaço onde hoje funciona a Machado Joalheiro).



Podem ver mais imagens aqui  

  
Conhecem a BARBEARIA TINOCO?

Hoje chama-se Oficina do Cabelo, nome que já teve outrora. Também já foi conhecida por Cabeleireiro Sousa.  Fica na Rua Sá da Bandeira, nº13. Esta barbearia existe desde 1929 . 

Obra do arquiteto Manuel Marques é por vezes atribuída a Marques da Silva com quem Manuel Marques trabalhou.

No interior mantém todo um ambiente da época e a porta terá sido uma porta belíssima,  Consta, que terá passado para as mãos de um arquiteto camarário que terá convencido o dono da barbearia a substituir  a dita porta por uma mais moderna de alumínio, também já substituída.

 Uma breve reportagem pode ser vista aqui


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Evocando Sebastião da Gama

Na passada 4ª feira, a convite das professoras bibliotecárias, estive na Escola D. António Ferreira Gomes, na Travagem. Fui e vim de comboio, o meio de transporte de que mais gosto.Chovia torrencialmente mas o prazer de estar num ambiente de escola, com professores e alunos empenhados, tudo compensa.
Hoje enviaram-me dois sites que fazem referência à visita. Aqui os deixo.

http://beaafg.blogspot.com
 
E a propósito de "ser professor" deixo alguns excertos do Diário de Sebastião da Gama
 
 

 

 
(...)A quem comunicarei o meu entusiasmo se não falar entusiasmado,
a minha tristeza se parecer que estou alegre, a minha necessidade de
chegar depressa se der a mostrar que tenho muito tempo?(...)

 
(...)Basta uma janela para me fazer feliz e foi o que me

aconteceu também quando cheguei à Sala 19. Era o Castelo, era

o Tejo, era a cidade de mármore e granito (como dizem) a espreitar

para dentro da aula. Vai, que fiz eu? Como queria tomar o

pulso aos rapazes em matéria de escrita, propus-lhes aquele tema.

«Da varanda da nossa aula» podia muito bem ser o título da

redacção; mas também podia ser outro, à escolha do freguês.

O que eles escrevessem serviria para eu ver como escreviam, como

viam e como imaginavam. À maneira de preparação, disse-lhes:

«Suponham que está aqui uma chávena da China. Vocês têm de

escrever a partir dela e podem fazê-lo contando que ela tem este

ou aquele feitio, esta ou aquela cor, um desenho que representa

isto ou aquilo e tem a asa do lado esquerdo. Mas também não

dizer nenhuma destas coisas e imaginar, com os olhos nela, uma

coisa passada na China: chinesinhos de rabicho, arroz comido

com pauzinhos, sei lá o quê. Ou fantasiar um chá das cinco em

que serviu aquela chávena: quem estava nesse chá, o que se disse,

o que se passou durante essa hora. Posto o que, vão à janela um

bocadinho, olhem, voltem, sentem-se e escrevam o que quiserem,

com o título ou subtítulo “Da varanda da nossa aula”.»

Os rapazes, feito o honesto barulho de correrem à varanda,

atiraram-se à obra. Eu fui pacatamente olhar Lisboa, porque

quero começar a fazer-lhes sentir que eles não devem copiar(...).
 
(...)O que era bom era dar sempre uma aula como a de hoje!” (22 de Outubro de 1949); “E foi o que eu ontem não consegui...” (25 de Março de 1949)(...)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Brincando com os sons

A última mensagem do blogue Da Física à Química, incluído nos  meus favoritos, conduz-nos a um site   onde podemos brincar um pouco com os sons.
Podemos fazer variar amplitudes e frequências, ver qual a frequência do lá normal (440 Hz) e dos demis sons, tocar músicas, etc, etc, etc
Se ainda desse aulas, usá-lo-ia com os meus alunos. Deixo a sugestão para os professores que eventualmente leiam este blogue.
E porque falamos de sons deixo dois vídeos, um com sons da natureza e outro com  um excerto da
suite  Peer Gynt, de Grieg.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Tangentes



Hoje, no Centro Comercia Brasília, ao passar em frente à  book house, vi uma banca  sua com livros a preços muito convidativos. Comprei um livro de poesia de uma autora que desconhecia. O título é Tangentes e a autora,  Merícia de Lemos




Aqui deixo um dos poemas


domingo, 13 de janeiro de 2013

Ode ao planeta

 Ode ao planeta é o título da mais recente mensagem de um blogue que tenho nos meus favoritos. O autor é Marcelo Gleiser a quem já me referi aqui por mais que uma vez a propósito da sua série de vídeos "Poeira das estrelas"

Eis a mensagem que pode ser lida aqui

Minidocumentário incrível se inspira na transformação pela qual passam os que veem a Terra do espaço

"Me lembro da decolagem, que é uma experiência inesquecível. Os motores foram desligados e me senti sem peso. Flutuei até a janela e vi que estávamos sobre a costa da África. Foi então que entendi que estava no espaço. Fiquei incrivelmente excitado pois era algo que queria fazer desde que tinha seis anos de idade."

Esse depoimento, do astronauta americano Jeff Hoffman, que tripulou o ônibus espacial, faz parte de um minidocumentário incrível, inspirado no chamado "efeito visão total", sugerido pelo escritor Frank White em 1987 para descrever a profunda transformação emocional que astronautas sentem ao olhar para a Terra do espaço.

(Em inglês, chama-se "overview effect", que se traduz mal para o português. Escolhi "visão total" pois faz referência ao cerne do efeito, a visão total da Terra.) Eis o link do vídeo que sugiro a todos, mesmo se não souberem inglês: http://vimeo.com/55073825.

"Você começa com uma expectativa do que vai ver, mas nada se compara ao que é visto de fato. É tão mais bonita do que você imagina, essa coisa dinâmica, brilhante, cheia de vida... É o nosso poema," disse Nicole Stott, astronauta da Estação Espacial Internacional.

"As luzes das cidades, a linha separando noite e dia, estrelas cadentes passando abaixo da gente, as auroras dançando nos céus, as tempestades e os raios subindo e descendo... Tudo ao mesmo tempo, passando rápido pela espaçonave, tão difícil de descrever," disse outro.

Edgar Mitchell, que ficou em órbita em torno da Lua numa missão Apollo enquanto seus companheiros estavam no solo, descreve como via a Terra, o Sol e a Lua passando a cada dois minutos e como o estudo da astronomia e da cosmologia- que ensinaram-lhe como toda essa matéria, incluindo a nossa, veio de estrelas que explodiram bilhões de anos atrás e como toda a matéria tem os mesmos átomos- deu-lhe um profundo sentido de união com a totalidade do Cosmos.

Em todos os depoimentos se vê uma profunda reverência com o nosso planeta, uma emoção primal que remete os que a sentem a um estado de transcendência em que o "eu" deixa de ser importante, e o que existe é o coletivo.

Os astronautas da Estação Espacial Internacional, em especial, passam a maior parte de seu tempo livre olhando para a Terra, observando seus detalhes em um estado contemplativo que só pode ser descrito como espiritual. Uma coisa é estar aqui, no meio da confusão, das vozes e luzes, do crime, das disputas e guerras. Outra é ver tudo de longe, como uma entidade única, o peixe que vislumbra o oceano como um todo e entende de onde vem.

O "efeito visão total" traz uma compreensão da profunda unidade entre a Terra e a vida nela, um planeta azul viajando pelo espaço, uma espaçonave ele também, um organismo vivo e profundamente frágil.
Pensar que o manto que protege a vida na Terra, a atmosfera, é fino como a casca de uma maçã e que, sem ele, não poderíamos sobreviver.

De longe, os astronautas veem o impacto negativo da nossa presença. E temem pelo futuro do planeta e da nossa espécie. A Terra, vista como um todo, é o símbolo da nossa era. E a necessidade imperativa de sua preservação deveria ser o nosso mantra.


Na sequência desta mensagem sugiro alguns vídeos:
  • Terra vista da estação espacial Internacional  
  • Imagem da Terra transmitida pelos satélites da Agência Espacial Europeia 
  • O planeta que temos

Termino com dois poemas meus que, eventualmente, poderei já ter colocado em outras mensagens
 

Poeira cósmica

Todos os elementos 
que constituem a vida
tiveram à partida,
há muitos milhões de anos,
origem nas estrelas.
Foi da poeira cósmica
que a espécie humana nasceu
e com ela,  a poesia e a lira de Orfeu.
(In poemas no espaço- tempo, em fase de edição)


Astronautas
Chamava-se Laika
uma cadelinha que foi para o espaço;
foi num foguetão
Viu o que até então nunca ninguém vira.
Viu de lá a Terra, uma bola azul,
que gira, que gira,
viu o pólo norte e viu o pólo sul .
Pobre cadelinha
andou pelo espaço às voltas, coitada,
ficou muito ourada, não aguentou.
Não pôde contar o que se passou.
Voltaram ao espaço, passados uns anos,
astronautas russos e americanos.
Os americanos na Lua pousaram
e por lá caminharam, sempre aos saltinhos,
com estranhos fatos, muito anafadinhos.
Vinham comovidos, quando regressaram
pois o astro mais belo
que dos céus se enxerga
é um planeta azul, o planeta Terra.
(in Ciência para meninos em poemas pequeninos, editora GATAfunho 2008, 2009)




sábado, 12 de janeiro de 2013

Nelson Mandela, o lutador pela Liberdade

Em 6 de agosto de 1962  Nelson Mandela foi preso  e assim permaneceu durante 27 longos anos.
No 50.º aniversário da captura e prisão e, no próprio local onde tal sucedeu,  foi colocada uma instalação/escultura  de Marco Cianfanelli, artista plástico sul africano, de Johannesburg.

A instalação de 50 placas de aço com cerca de 10 metros de altura, 5 metros de largura e mais de 20 metros de extensão reproduz, de modo tão fiel quanto contemporâneo,  a silhueta facial de Mandela, de modo a que o mesmo seja lembrado pelos seus feitos e a humanidade  perceba a importância de lutar por ideais destinados a um bem maior.



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Spielberg não contou tudo o que se passou....


 "Spielberg não contou tudo o que se passou, porque se o tivesse feito, poucos teriam ido ver o filme, aquilo foi demasiado brutal para ser apresentado na tela".

Estas foram as palavras que Joseph Bau dirigiu ás suas filhas, quando viram "A Lista de Schindler".

Bau, o "pintor de Cracóvia
", foi um dos 1200 judeus polacos que se salvaram graças aos bons propósitos do empresário alemão, Oskar Schindler.

Obrigada Schindler e Aristides Sousa Mendes


 

Repartindo o pão,  de Joseph Bau


 É importante não esquecer

A terminar mais um trailer, desta vez do belíssimo filme "A vida é bela" 
e um excerto da Barcarola que faz parte da banda sonora do filme 



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ano novo, vida nova...

Ano novo, vida nova...

Tenho estado a fazer uma arrumação no meu escritório essencialmente eliminando material que usei com os alunos. Foi assim que me apercebi de um texto de Máximo Ferreira publicado em 1995. Com a clareza que é apanágio do autor, fala-nos da diferente posição do nascer e pôr do sol ao longo do ano. Aqui o deixo

E a propósito do nascer e do por do sol vieram-me à mente duas obras de Monet, José Afonso e a canção  Menino do Bairro Negro e o Poema das coisas belas de António Gedeão.





POEMA DAS COISAS BELAS



As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivos serão belas?
E belas, para quê?

Põe-se o Sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas por que será belo o pôr do sol?
E belo, para quê?

Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?

Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?
 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Percursos -continuação

Tal como prometi, esta mensagem contém alguns quadros da Ana Maria por si seleccionados e que gentilmente me enviou.



O seu trabalho é muito interessante. Todos os trabalhos expostos são acrílicos com  fios e/ou rendas e/ou panos colados. O meu preferido é o que surge na última imagem.  

sábado, 5 de janeiro de 2013

PERCURSOS



Hoje foi a inauguração da exposição Percursos a que fiz referência em mensagem anterior. Encontrei pessoas que já não via há algum tempo, o que é sempre bom.
Anexo algumas fotos


No rés-do chão, onde está parte da exposição, com a Ana Maria e um dos técnicos da Biblioteca da Maia 
Ao fundo os meus últimos quadros feitos em sacos outrora usados para a apanha da amêndoa e da azeitona.

Imagem de um deles

Anexei-lhe um excerto do poema Tempos agrestes


Eram tempos agrestes

quando da azeitona ou da amêndoa,a apanha.
Era o vento  cieiro que vinha de Espanha

uma brisa seca, cortante,  gelada

que gretava a pele já de si curtida,

era a soalheira que encardia

o rosto no  ateado Agosto(…)
Gouveia, R, in Magnetismo terrestre


Ao lado dos referidos quadros, estão algumas aguarelas. Uma delas foi pintada a pós a minha viagem à Índia em 2011

Também a este quadro anexei um poema


Cálida a tarde

Ocre a  terra

Azul, o sari.

O cheiro a incenso

na  morna brisa

vinda do sul
Regina Gouveia, 2012


No andar de cima, "pastéis" de óleo, acrílicos e óleos



Na imagem, "pastéis" de óleo sobre papel

Com uma colega dos tempos da faculdade.
Ao fundo um óleo e um pastel de óleo, ambos sobre tela, e à direita um acrílico sobre tela (vê-se apenas uma parte).

Na próxima mensagem colocarei trabalhos da Ana Maria. Aguardo apenas que me envie as imagens que
seleccionar para publicar aqui.