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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

De Setúbal ao Porto...

Após 10 dias quebro o silêncio, motivado por algumas deslocações e não só...

No dia 15 fui para Setúbal, onde no dia 16 foi apresentado Entre margens
A apresentação foi integrada na atribuição dos prémios do XVIII Concurso de Poesia e do VIII Concurso de Poesia Comunidade Escola
O júri das provas foi constituído pelos poetas Vítor Cintra, Regina Gouveia e Paulo Afonso Ramos, este último também representante da editora Lua de Marfim.
Na sessão de entrega de prémios foi apresentado o livro de poesia “Entre Margens”, de Regina Gouveia, uma edição da Lua de Marfim que resulta do primeiro lugar atribuído à escritora na edição de 2012 da prova destinada a adultos.

Na viagem para Setúbal o Intercidades não foi direto, como  acontece por vezes.
Mudei de comboio no Oriente e a meu lado sentou-se uma senhora, já de certa idade, cheia de tralhas, malas, sacos,  que dispôs a seus pés, ao colo, em cima da mesa rebatível, no corredor.. Comentou que não era aquele o seu lugar mas ficou por ali. Quando anunciaram que a próxima estação seria Pinhal Novo, onde eu teria que sair para apanhar o comboio urbano par Setúbal, pedi à senhora para me libertar o espaço a fim de eu poder passar. Como estava ao telemóvel fazia tudo lentamente só com uma mão. Entretanto o comboio parou e eu continuava impedida de sair. Quando por fim me libertou o espaço (só com uma mão porque a outra segurava o telemóvel) fui a correr pelo corredor, caí e fiquei com um braço e um joelho danificados.
Valeu-me um jovem que me ajudou a levantar e me levou até à gare arriscando-se a perder ele o comboio.
Ainda tenho dores e  ando com dificuldade. No próximo dia 3 irei a um ortopedista para analisar “os estragos”.
Mas tirando o incidente, a minha estada em Setúbal foi, como sempre, muito agradável. Fiquei em casa da minha amiga de infância Lourdes Sendas e juntou-se a nós a Isabel, uma amiga e ainda familiar minha, de quem falei já numa mensagem colocada no Verão de 2012. Demos um belíssimo passeio pela serra Arrábida e no dia 18 regressámos no carro da Isabel que vive habitualmente em França  mas que, tal como a Lourdes, em tempos viveu no Porto (fez parte do grupo de teatro pé de vento), cidade que já não visitava há muitos anos. No dia 19 fui com ambas rever lugares conhecidos e mostrar-lhes outros. Saímos de manhã. Fomos ao mercado do Bom Sucesso e ao Centro Português de Fotografia.
Aqui visitámos uma exposição belíssima, embora chocante,  de Gervásio Sanches.


A exposição está ordenada de forma cronológica, através de um percurso articulado em cinco grandes blocos temáticos: América Latina, Balcãs, África, Vidas minadas e Desaparecidos.
Além disso, a mostra inclui oito murais distintos, com aproximadamente 100 retratos de pessoas diretamente afetadas por algumas das realidades documentadas por Gervasio Sánchez: vítimas de mutilações e ex-meninos-soldados, ambos em Serra Leoa, e vítimas de minas antipessoais e familiares de pessoas desaparecidas em diversos países do mundo
 De seguida fomos  ao Palacete dos Viscondes de Balsemão onde visitámos uma exposição muito interessante, Pinturas Acromáticas de  António Fercundini  e o banco de materiais. Dali seguimos para a  loja do Luís Buchinho na Rua  José Falcão.
Sobre António Fercundini não havia no espaço qualquer informação biográfica nem ninguém ali nos soube informar. Pesquisando na NET encontrei o site  colocado acima
Almoçámos no “Piolho” que frequentávamos quando estudantes. A Isabel, perante o espanto do empregado, pediu caldo verde e papas de sarrabulho pois queria matar saudades dos respetivos sabores.
Após o almoço fomos visitar o “Passeio dos Clérigos”, entrámos em algumas lojas e  depois descemos a rua até aos Loios. No caminho entrámos numa loja que tinha várias malhas, algumas da marca Sidney, a preços muito convidativos. A Isabel fez algumas compras por achar que em França seria impensável ter aqueles preços.
Dos Loios fomos visitar a área restaurada junto ao Passeio das Cardosas, que tem gerado alguma controvérsia.
Por fim regressámos a casa. Havia muito mais para ver mas os dias pequenos acabam depressa...
No dia seguinte as duas partiram para Trás-os-Montes.
Entre as três, muitos pontos em comum nomeadamente uma grande paixão pelo Porto... 

No passeio perdi o meu relógio que me estava uma pouco largo, mas de que gostava muito. Já revisitei todos os espaços por onde andámos mas não o reencontrei.

A mensagem já vai longa. Termino-a com Porto Sentido e o porto aqui tão perto 

4 comentários:

  1. Reginamiga = Regina+amiga (*)

    Faz-me bem ler uma "reportagem" de viajem ou não fosse eu jornalista, dizem que reformado. Falso: um jornalista nunca se reforma... :-):-) :-)

    De tudo o que deixas expresso o que mais me tocou foram os "estragos" [a expressão é tua (**)] r a perda do relógio...

    E, claro, a matrona carregada de tralhas diversas que tiveste a desdita de encontrar. Pior seria se tivesse sido o Imóvel de Belém, o Passos de Coelho, o Paulinho das Panelas e outros que tais; não escorregarias: ,vomitavas. Pelo menos, eu fazia-o

    Setúbal é uma terrrra muito simpática, com a Luísa Todi, o Elmano Sadino e os salmonetes grrrelhados. E não esquecerrr o seu Vitórrrria.

    Na minha Travessa não há viagens de comboio, mas poderá haver. Basta que queiras ser minha colaboradora: Uma pessoa que escreve tão bem tem sempre lugar lá no meu espaço. Pensa e avança. Não pago um cêntimo, é a maldita da crise e a desgraçada austeridade e autoridade..

    Mas talvez a Maria Merkel Luís ou o Moedas ou outros da mesma fornada te dispensem uns cents. Só em impostos já entraram mais de dois mil milhões

    Qjs = queijinhos = beijinhos
    _______

    (*) Componho assim todos os nomes da malta da blogosfera;
    (**)Trato por tu todo o pessoal; sempre são 72 anos...se não gostares apita



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  2. Caro HAF
    Foi com surpresa e prazer que li o teu comentário. Concordo que ter por companheira de viagem a senhora das tralhas foi um mal menor quando comparado com as terríveis hipóteses que sugeres. De qualquer modo creio que seriam altamente improváveis. Não imagino tais senhores a viajar em intercidades e muito menos em classe turística. Obrigada pelo convite para escrever . Já visitei o teu blogue e já o coloquei nos meus favoritos
    Ab
    Regina

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  3. Magnífica reportagem, Regina. Lamentável foi o seu problema à saída do comboio motivado pela senhora das tralhas. Quanto ao passeio das Cardosas concordo muito com o que li até porque a Anni Gmther já nos tinha falado sobre isso.

    Um beijo e sempre, sempre a minha admiração.

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  4. Obrigada Graciete pelas suas palavras.Um grande bj
    Regina

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