Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Cidade do Porto, mais pobre...


Hoje de manhã, em conversa com um casal conhecido, fiquei tristemente surpreendida. Disseram-me que a Livraria Leitura, no Centro Comercial Cidade do Porto, tinha fechado.

Incrédula passei por lá à tarde, na vã esperança de que tivesse havido qualquer confusão na informação.

Tudo entaipado, apenas a cafetaria Arcádia continua aberta. Ali disseram-me que o fecho da livraria foi uma surpresa pois, só no dia 1 quando ali chegaram, é que depararam com a situação.

O referido casal disse-me ainda que, há dias, um funcionário tinha denunciado a existência de salários em atraso já há alguns meses e que, na sequência da denúncia, tinha sido despedido.

Ainda estou um pouco em “estado de choque”. Ia ali semanalmente, por vezes com os netos, algumas vezes comprando, outas apenas “saboreando” as novidades literárias.
Das minhas lides de escrita considero que na cadeia autor, editor, livreiro, é este o que acaba por ficar “com a melhor parte”- 30 a 50% conforme os casos. O autor genericamente fica com 10% (por vezes menos). Isto quando lhe pagam. No meu caso,  a Campo das Letras pagou enquanto não entrou no processo de insolvência; das outas  editoras continuo a aguardar, possivelmente “sine die”...Mas voltando à cadeia. O editor tem as despesas de edição, envio dos livros  e muitas vezes a devolução por parte das livrarias. Estas, que ficam com os livros à consignação, se venderem vendem, se não venderem devolvem...
Algumas pagam quando pagam, se pagam...Pelo menos é essa a versão das editoras com que tenho trabalhado.

Não  foi só o Centro Comercial Cidade do Porto que ficou mais pobre. A cidade do Porto também, nomeadamente todos os que nela gostam de livros...

E a propósito deixo um comentário sobre a saudosa livraria e um poema meu ainda não publicado

Submissão


As letras dentro das sílabas.

As sílabas dentro das palavras.

As palavras dentro dos textos.

Os textos dentro dos livros.

Gosto de livros.

Gosto de passear o olhar por título e autor.

Depois, qual ritual, num gesto sensual,

acaricio a capa e a lombada,

aspiro o seu odor.

Por fim decido-me a abri-los, a folheá-los

E, de uma forma sôfrega, apressada,

começo a lê-los.

Leio-os por vezes só de uma assentada.

Mais tarde releio-os lentamente,

saboreando frases e palavras uma a uma.

Em suma,

ler é uma fonte inesgotável de prazer.

Mas o livro não pode ser qualquer.

Alguns, simplesmente não os leio,

outros abandono-os quando a meio.

Todos eles simples, submissos,

aceitam os meus gestos, 

manifestos ou  omissos.

(2008)

 

5 comentários:

  1. Deste-me um desgosto, Regina. Ainda na 2ª lá estive...é incrível. Adorava lá ir e mesmo que não comprasse livros, o espaço era agradável e tinha sempre gente.
    Só se vão abrir outra noutro shopping da periferia....é o mais provável, mas estou sempre à espera de que fechem o CP. Já faltou mais. Primeiro os cinemas, depois n lojas, acabam por ficar as Zaras e as Cortefiel, igual a todas as outras que pululam na cidade. Cada vez há menos livrarias, salvam-se a Almedina e a Bookhouse no Arrábida.

    As rendas devem ser exorbitantes no CP.

    O poema é muito giro. Gosto mesmo!

    Bom Domingo!

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  2. Eu sei que oCP tem a "cabeça a prémio". O edifício é horrível mas quer se queira quer não é um dos poucos espaços fechados dentro da cidade onde ainda é (era) agradável passar alguns momentos.Por isso prefiro que exista mesmo como mamarracho, do que seja demolido para construir ali, sabe-se lá o quê...
    Quanto ao poema´, obrigada pelo comentário
    Bjs
    Regina

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  3. Olá Regina
    Não tenho consultado os blog porque estive uns dias fora mas, ao "folheá-los" hoje (ai, os livros), deparou-se-me esta triste notícia, tanto mais triste porque o meu marido foi um dos grandes impulsionadores e criadores do seu prestígio.
    Mas os tempos que correm estão para situações semelhantes e a cultura é perigosa, portanto um alvo a abater.
    Foi um desgosto grande, principalmente para o meu marido, que também não sabia da notícia.

    Um beijo.

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  4. Eu sei. O Dr. Costa Paz, que foi meu professor e posteriormente meu colega, era assíduo frequentador da Leitura e falava do seu marido com uma consideração enorme
    Bjs
    Regina

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  5. Há pouco no intervalo do almoço fui à LU para comprar um livro de prenda, saborear um café e deliciar-me com as novidades literárias e grande desgosto - a LU está fechada! O CP ficou mais pobre

    Por favor reabram com outra livraria

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