Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Alentejo, povo que canta ...

Numa das últimas mensagens referi –me a alguns géneros de música de que gosto particularmente. No que respeita à música portuguesa gosto de fado, muito em particular do fado de Coimbra e gosto muito dos cantares alentejanos.

Decidi dedicar-lhes a mensagem de hoje com  Vamos lá saindo , Não quero que vás à monda,Senhora d´Aires , Quando eu era ganhão  e Castelo de Beja 
Neste último vífdeo,  o grupo coral é um grupo de jovens, o que permite acreditar que o canto alentejano continua vivo

Falar de canto é falar de música e falar de música alentejana, implica falar da  viola campaniça
instrumento que esteve quase em extinção mas que felizmente hoje conta  com vários tocadores, alguns deles bem  jovens 

 E já que falo de música alentejana, um dos cantores (cantautor) de que mais gosto é  Vitorino de que deixo Queda do império e Leitaria Garrett


Falar de  Alentejo e de violas campaniças remeteu-me  para Manuel da Fonseca de quem deixo  os poemas  Romance do terceiro oficial de finanças e Sol do mendigo 

Romance do terceiro oficial de finanças

Ah! as coisas incríveis que eu te contava
assim misturadas com luas e estrelas
e a voz vagarosa como o andar da noite!

As coisas incríveis que eu te contava
e me deixavam hirto de surpresa
na solidão da vila quieta!…
Que eu vinha alta noite
como quem vem de longe
e sabe o segredo dos grandes silêncios
- os meus braços no jeito de pedir

e os meus olhos pedindo
o corpo que tu mal debruçavas da varanda!…

(As coisas incríveis eu só as contava
depois de as ouvir do teu corpo, da noite
e da estrela, por cima dos teus cabelos.
Aquela estrela que parecia de propósito pra enfeitar os teus cabelos
quando eu ia namorar-te...)

Mas tudo isso, que era tudo para nós,
não era nada da vida!…
Da vida é isto que a vida faz.
Ah! sim, isto que a vida faz!…
- Isto de tu seres a esposa séria e triste
de um terceiro oficial de finanças da Câmara Municipal!…

SOL DO MENDIGO

Olhai o vagabundo que nada tem
e leva o Sol na algibeira!
Quando a noite vem
pendura o Sol na beira dum valado
e dorme toda a noite à soalheira...
Pela manhã acorda tonto de luz.
Vai ao povoado
e grita:
- Quem me roubou o Sol que vai tão alto?
E uns senhores muito sérios
rosnam:
- Que grande bebedeira!

E só à noite se cala o pobre.
Atira-se para o lado,
dorme, dorme...

Termino com pintura de Armando Alves, alentejano


3 comentários:

  1. Excelente post desde a música, à poesia, à pintura.
    E tudo alentejano.

    Um beijo,Regina

    ResponderEliminar
  2. Muito bonito.
    Também gosto muito da paisagem alentejana, planície sem fim que contrasta tanto com a da Trás os Montes e Minho.
    Os cantares são lindos fazem lembrar as dos Barqueiros do Volga, que tínhamos em casa. Só homens!
    A pintura é fantástica, gosto muito!
    bjo

    ResponderEliminar