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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 22 de setembro de 2013

Um sábado diferente

Ontem e porque o dia foi diferente, decidi fazer mais um breve interregno nas minhas "reportagens" de férias...

Fui a Miguel Bombrada onde decorreram  as Inaugurações Simultâneas

Havia imensa animação, muito em particular na Rua de Cedofeita.
Limitei-me a passar. Não fiz a habitual visita às galerias, penso fazê-la com calma nos próximos dias,  pois tinha programado uma tarde diferente, uma visita à casa Andresen.
 
Há animais à solta na escuridão da Casa Andresen, a exposição Animais no Museu, de Antonio Pérez Rodríguez

Fui com o meu filho mais velho e a família. Todos gostámos, particularmente o meu neto Bernardo que só ficou triste porque “queria mais...”

Outra razão que me levou à casa Andresen foi o "regresso da poesia à Casa de Sophia

Esta foi a  segunda sessão organizada pelo grupo “Asas de Poesia”. constituído por Carlos Andrade, David Cardoso, Libânia Madureira, Manuela Barroso, Nuno Sá, Orlando Mesquita e Teresa Gonçalves. Do grupo conhecia Carlos Andrade que tem participado em várias atividades levadas a cabo pela Vivacidade e foi um dos animadores do grupo coral que ali foi criado, grupo que integrei mas que infelizmente já não existe. Conhecia também Orlando Mesquita que já não via há décadas. Foi professor de viola dos meus filhos a quem falei da sessão mas  só o meu filho mais velho teve disponibilidade para ir.

A sessão, com o título “É sempre poesia”, teve a participação dos “diseurs” Alzira Santos, António Portela, Cristina Pessoa, David Cardoso e dos músicos-compositores Carlos Andrade e Orlando Mesquita, acima referidos. Foram ditos poemas de José Régio, David Mourão Ferreira e de elementos do grupo “Asas de Poesia”.

Numa das suas intervenções Carlos Andrade tocou e cantou “Só assim será poema” de Hélia Correia, musicado por José Jorge Letria.
O refrão foi acompanhado por vários elementos do público, nos quais me incluí.

Foi um momento bonito mas também triste porque os ideais de Abril há muito "murcharam” como tão bem cantou Chico Buarque ( em tempos bem menos difíceis que os de agora...)

Mas voltemos ao poema de Hélia Coreia. Aqui fica a letra. Tentei encontrar na NET uma versão cantada. Eis a única que consegui
 
Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.

Que venha corpo e amante
e de amante seja irmão
que seja urgente e instante
como um instante de pão.

Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.

Que seja rua ou ternura
tempestade ou manhã clara
seja arado e aventura
fábrica terra e seara.

Que traga rugas e vinho
berços máquinas luar
que faça um barco de pinho
e deite as armas ao mar.

Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.

 
Deixo também um dos poemas de David Mourão Ferreira que ali foi dito, um soneto  que é um dos poemas seus de que mais gosto

 
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

4 comentários:

  1. Por acaso tencionava ir a Cedofeita pois sabia que ia haver livros e cantorias nessas bandas e gosto muito da rua, bem mais do que Migue Bombarda, que nunca gostei muito, é feia, suja e com pouca luz. Das outras vezes que fui não achei as expos nada de especial e fiquei frustrada, acho que aquilo é meramente para os amigos se encontrarem e beberem um copo, não vejo grande encanto naquelas lojas e galerias.
    Quanto à Casa Andersen, há meses que os bichos nos acompanham, os meus netos e filhos já lá foram mais duma vez, dado que fica mesmo aqui. A Luisa foi à noite e adorou. Tb quero ir à noite, pois acho a casa um espanto, só tenho pena que não haja onde sentar e eu não consiga estar de pé mais do que dez minutos...:)

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  2. Morar, como tua moras, em frente à casa Andresen é um privilégio...
    Bjs
    Regina

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    Respostas
    1. "Já murcharam a tua Festa, pá!
      Mas certamente esqueceram uma semente
      Nalgum canto do jardim".

      E essa semente há de florir.

      Quanto ao poema musicado por J,J.Letria, era uma das canções muito ouvidas na altura do nosso glorioso 25 de ABRIL.

      O poema do David Mourão Ferreira, que eu admirava muito, é lindo e dolorosamente verdadeiro.

      Isto tudo para dizer que o seu sábado foi muito lindo.

      Um beijo, Regina.

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