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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Arde e ganha...


Na  última mensagem falei da aldeia Adeganha

Em termos etimológicos, Adeganha era o nome que se dava às terras do antigo reino de Portugal, tomadas a montes ou campos vizinhos para formar o termo municipal. Mas aqui explica-se a formação da palavra através de uma história associada às "Três Marias". Três figurinhas femininas esculpidas em pedra no frontal de igreja matriz.
Reza a história que as Três Marias eram irmãs e pastoras. Iam para o monte de Frei Vivas, monte de zimbros, carrascos, sobreiros e giestas apascentar, o gado. Enquanto o gado pastava, elas entretinham-se a jogar às cartas. Mas uma das três irmãs ganhava sempre, não havia maneira de a fazerem perder, as outras duas ficavam roídas de inveja e intrigadas - Seria ela bruxa? ou aquilo seria obra do Céu? Nem uma coisa nem outra. Ela ganhava sempre porque jogava com manha.
Finalmente as outras duas descobriram e combinaram desforrar-se. Fizeram uma grande fogueira, com muita lenha, e empurraram para a fogueira a irmã batoteira que lá ficou a arder em grandes chamas. Se tentava sair as outras duas não deixavam e com os dedos em "figas"diziam: Arde e ganha! Arde e ganha! E assim ficou o nome de Arde e Ganha, Adeganha.

Na aldeia existe uma igreja românica que merece ser vista não só exterior como interiormente até porque há alguns anos foram postos a descoberto belíssimos frescos que cobriam as paredes. Um deles é o que segue.
 

 
 
 
As"Três Marias" Fachada da Igreja Matriz

 

3 comentários:

  1. Gostei da história....embora macabra!!

    Gosto muito do estilo românico, diz -me mais do que o barroco ou mesmo algum gótico. A espiritualidade emerge da nudez das paredes e dos arcos, a solidez da pedra simples sem artifícios. Fico pasmada dentro duma igreja românica, mesmo quando é pequenina como a de Cedofeita.

    O fresco é lindíssimo e o alto relevo muito curioso. ( em minha casa eramos seis Marias....imagina se os nosso métodos fossem esses!!)

    Obrigada.....

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  2. Também gosto muito do românico pelas mesmas razões. E esta igreja é particularmente sóbria dada a envolvência. Logo que a casa esteja minimamente habitável convido-te para ir lá pois vale a pena
    Bjs
    Regina

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  3. Também gosto do românico e acho que o fresco está muito bem restaurado, embora haja especialistas que dizem que o fresco não deve ser restaurado, pois deixa de ser fresco.Ouvi isto a especialistas na "rota dos frescos", no Alentejo. Num passeio da UPP, claro.
    Um beijo.

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