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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Continuando a falar de poesia...

Em março passado foi publicada Entre o Sono e o Sonho - Antologia de Poesia Contemporânea.

Nesta obra de 1200 páginas está representado o trabalho de aproximadamente 1000 poetas contemporâneos portugueses. Trata-se de uma obra plural, representativa da diversidade poética portuguesa e obrigatória em qualquer biblioteca de poesia!
A edição é da Chiado Editora. A convite da mesma participei com o poema que anexo, inspirado numa obra de Chagall.

Promenade


Na nossa vida, como na paleta de um artista, há uma única cor que fornece o sentido da vida e da arte. É a cor do amor.

Marc Chagall.

 

                    É verde o campo onde o casal passeia.

No povoado, ao fundo,

o tom rosa pálido de uma casa

funde-se com o céu,

destacando-a das demais,

todas elas verdes

como o campo que as rodeia.

Com a mão esquerda, Marc,

o homem visivelmente enamorado,

sustenta Bella, a mulher,

silhueta em tons de rosa forte,

que sobre a cidade esvoaça.

Na mão direita um pássaro.

Junto ao pé, do mesmo lado,

um tufo de flores rubras contrasta

com o verde forte da paisagem.

Uma fantasia?

Um sonho marcado pela nostalgia da infância?

Em S. Petersburg, no State Russian Museum,

a mulher permanece esvoaçante.

Mas, por certo,

acabou por pousar junto do seu amante.

Também o pássaro,

liberto da mão do homem que o prendia,

terá voado lançando no ar

chilreios de alegria.

 


 

3 comentários:

  1. Adoro a pintura......linda.

    E o poema, claro. Parabéns!

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  2. Obrigada às duas.
    Conhecia mal a obra de Chagall mas após várias pesquisas, fiquei fascinada
    Bjs
    Regina

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