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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 3 de março de 2013

A neve

O meu neto Ju já por várias vezes me tinha dito: queria tanto  ir à neve. Creio que este desejo advinha essencialmente de se comparar com os primos. O tio (meu filho mais velho) já há alguns anos que reserva uns dias de férias por ano para fazer uma escapadita à neve com a família. Foi aliás neste contexto, que há dois anos fui com eles para, de certo modo, tomar conta do mais pequenino, à data com 20 meses (dei conta disso numa mensagem que então coloquei)

Em face dos últimos nevões decidimos ir ontem com o Ju ao Marão. Fomos ele, o pai e eu. Não levávamos grandes expectativas. Na saída para a Pousada do Marão tomámos a antiga estrada e, passado 1 km, deparámos com um manto de neve bem razoável, completamente virgem (só cerca de 1 h depois apareceram outras pessoas).
O miúdo delirou. Fizemos um boneco de neve, jogámos a pelotada (era assim que se designava em Bragança a brincadeira de atirar bolas de neve às pessoas) e ele e o pai andaram de trenó.
Aqui ficam algumas fotos







E por falar em neve deixo também um poema de Alberto Caeiro e um excerto da Dança dos copos da ópera A donzela de neve de Rimsky-Korsakoff

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa. Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar. Sinto um gozo de animal e vagamente penso, E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

4 comentários:

  1. Adoro a neve e habituei-me a vê-la em Trás os Montes quando lá vivi e em Munique ou Leeds, onde ia todos os anos no inverno. É suave, silenciosa, lindíssima. Só há dois anos deixei de a ver e faz-me falta. Se guiasse ainda me atrevia a ir perto só para a ver, mas não guio e tenho medo de acidentes.

    Bjo

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  2. Nunca vi neve a sério e tenho pena. Não sei porquê sinto um grande fascínio pelo Alaska, sem nunca lá ter ido e ser uma amante do Sol.Provavelmente essa atração resulta de algum filme que vi e que ficou cá gravado no meu subconsciente. Li o libreto da ópera e gostei. Apenas me entristeceu que Sol "derretesse" a Princesa quando ela começava a amar.E logo o Sol "que só peca quando em vez de criar seca".

    Um beijo, Regina.

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  3. O espetáculo da neve é sublime. Tenho pena das pessoas que nunca dele puderam desfrutar. Mas, tendo convivido vários anos com ele, penso sempre no frio a que está associado. Eu dou-me muito mal com o frio pelo que a neve, para além da extrema beleza, não me seduz.
    Bjs às duas
    Regina

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  4. Não me importo nada com o frio, até acho que aquele frio seco me faz bem, adorava subir de teleférico ao Tegelberg que fica nos Alpes alemães e disfrutar daquele espectáculo, as árvores lindas, as gotinas a brilhar ao sol, o reflexo do sol nas montanhas...que saudades...tenho de voltar a esses países onde neva sempre. O problema é os aviões, já tive alguns!!

    Bjinho

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