Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Não deixes para amanhã...



Chamava-se Rosalina e tinha 75 anos. Trabalhou muitos anos em casa dos meus pais.

Quando passava à minha porta, na aldeia, cumprimentava-me sempre com o mesmo comentário. Ai que saudades tenho do tempo em que aqui trabalhava.
Nos últimos anos deslocava-se já com muita dificuldade.  No verão passado não a vi. Uma sobrinha informou-me que já quase não saía de casa, devido às dificuldades de locomoção.

Decidi ir visitá-la. Estava no fim das minhas férias e fui adiando a  visita, por um ou outro motivo. Ainda há dias tinha dito aos meu marido: quando for à Parada tenho que ir visitar a Rosalina. Agora é tarde demais. Soube há pouco que a Rosalina morreu ontem,  aos  75 anos de idade.

Ao abrir o blogue Alfândega da Fé... Noticias de cá e de lá deparei com a notícia.


Uma mulher de 75 anos morreu, este sábado, na sequência de "queimaduras graves" provocadas por uma queda na lareira de sua casa, em Parada, Alfândega da Fé.

 
De imediato liguei para a aldeia. Foi a Rosalina, disseram-me.

 
Fiquei triste. Sei que ela teria ficado muito satisfeita se eu a tivesse ido visitar.

Lá diz o ditado: Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje...

 

3 comentários:

  1. São essas pessoas que merecem a nossa atenção. Penso que sem algumas empregadas que tive durante anos de vida extremamente difícil, não me teria sido possível trabalhar como trabalhei e chegar onde cheguei. Sempre dei valor ao trabalho doméstico e procurei ser justa e agradecida, mas chego sempre à conclusão de que nunca as ajudamos suficientemente.

    Bjo

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  2. É triste este seu post mas, infelizmente, o que relata está hoje a acontecer com demasiada frequência.
    Lamento muito o que aconteceu à senhora sua amiga, mas isso não é mais que um reflexo da falta de humanidade que se instalou neste país.
    Também me tem acontecido adiar certos afazeres, do que depois me venho a arrepender. Mas é a vida que nos leva a não seguir de imediato os nossos desejos e as consequências,muitas vezes, são tristes. Mas a Regina, com a sua vida tão preenchida, tem muitas razões para que isso aconteça.
    O que é inconcebível é a falta de apoios de uma grande parte dos idosos deste país.

    Um beijo grande, Regina.




















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  3. Há muito que fazer em relação aos idosos deste país. Faz-me imensa impressão a falta de ocupação dos velhinhos, na maior parte dos lares que conheço. Em tempos, no Vivacidade houve um grupo coral e fomos atuar num Lar de idosos. Penso que não seria assim tão difícil desenvolver, com caráter sistemático, actividades que tornassem o seu dia a dia menos monótono (por vezes dá-me a sensação que estão ali só à espera da morte)
    Fico muito triste quando penso nestas coisas
    Bjs às duas

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