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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 13 de janeiro de 2013

Ode ao planeta

 Ode ao planeta é o título da mais recente mensagem de um blogue que tenho nos meus favoritos. O autor é Marcelo Gleiser a quem já me referi aqui por mais que uma vez a propósito da sua série de vídeos "Poeira das estrelas"

Eis a mensagem que pode ser lida aqui

Minidocumentário incrível se inspira na transformação pela qual passam os que veem a Terra do espaço

"Me lembro da decolagem, que é uma experiência inesquecível. Os motores foram desligados e me senti sem peso. Flutuei até a janela e vi que estávamos sobre a costa da África. Foi então que entendi que estava no espaço. Fiquei incrivelmente excitado pois era algo que queria fazer desde que tinha seis anos de idade."

Esse depoimento, do astronauta americano Jeff Hoffman, que tripulou o ônibus espacial, faz parte de um minidocumentário incrível, inspirado no chamado "efeito visão total", sugerido pelo escritor Frank White em 1987 para descrever a profunda transformação emocional que astronautas sentem ao olhar para a Terra do espaço.

(Em inglês, chama-se "overview effect", que se traduz mal para o português. Escolhi "visão total" pois faz referência ao cerne do efeito, a visão total da Terra.) Eis o link do vídeo que sugiro a todos, mesmo se não souberem inglês: http://vimeo.com/55073825.

"Você começa com uma expectativa do que vai ver, mas nada se compara ao que é visto de fato. É tão mais bonita do que você imagina, essa coisa dinâmica, brilhante, cheia de vida... É o nosso poema," disse Nicole Stott, astronauta da Estação Espacial Internacional.

"As luzes das cidades, a linha separando noite e dia, estrelas cadentes passando abaixo da gente, as auroras dançando nos céus, as tempestades e os raios subindo e descendo... Tudo ao mesmo tempo, passando rápido pela espaçonave, tão difícil de descrever," disse outro.

Edgar Mitchell, que ficou em órbita em torno da Lua numa missão Apollo enquanto seus companheiros estavam no solo, descreve como via a Terra, o Sol e a Lua passando a cada dois minutos e como o estudo da astronomia e da cosmologia- que ensinaram-lhe como toda essa matéria, incluindo a nossa, veio de estrelas que explodiram bilhões de anos atrás e como toda a matéria tem os mesmos átomos- deu-lhe um profundo sentido de união com a totalidade do Cosmos.

Em todos os depoimentos se vê uma profunda reverência com o nosso planeta, uma emoção primal que remete os que a sentem a um estado de transcendência em que o "eu" deixa de ser importante, e o que existe é o coletivo.

Os astronautas da Estação Espacial Internacional, em especial, passam a maior parte de seu tempo livre olhando para a Terra, observando seus detalhes em um estado contemplativo que só pode ser descrito como espiritual. Uma coisa é estar aqui, no meio da confusão, das vozes e luzes, do crime, das disputas e guerras. Outra é ver tudo de longe, como uma entidade única, o peixe que vislumbra o oceano como um todo e entende de onde vem.

O "efeito visão total" traz uma compreensão da profunda unidade entre a Terra e a vida nela, um planeta azul viajando pelo espaço, uma espaçonave ele também, um organismo vivo e profundamente frágil.
Pensar que o manto que protege a vida na Terra, a atmosfera, é fino como a casca de uma maçã e que, sem ele, não poderíamos sobreviver.

De longe, os astronautas veem o impacto negativo da nossa presença. E temem pelo futuro do planeta e da nossa espécie. A Terra, vista como um todo, é o símbolo da nossa era. E a necessidade imperativa de sua preservação deveria ser o nosso mantra.


Na sequência desta mensagem sugiro alguns vídeos:
  • Terra vista da estação espacial Internacional  
  • Imagem da Terra transmitida pelos satélites da Agência Espacial Europeia 
  • O planeta que temos

Termino com dois poemas meus que, eventualmente, poderei já ter colocado em outras mensagens
 

Poeira cósmica

Todos os elementos 
que constituem a vida
tiveram à partida,
há muitos milhões de anos,
origem nas estrelas.
Foi da poeira cósmica
que a espécie humana nasceu
e com ela,  a poesia e a lira de Orfeu.
(In poemas no espaço- tempo, em fase de edição)


Astronautas
Chamava-se Laika
uma cadelinha que foi para o espaço;
foi num foguetão
Viu o que até então nunca ninguém vira.
Viu de lá a Terra, uma bola azul,
que gira, que gira,
viu o pólo norte e viu o pólo sul .
Pobre cadelinha
andou pelo espaço às voltas, coitada,
ficou muito ourada, não aguentou.
Não pôde contar o que se passou.
Voltaram ao espaço, passados uns anos,
astronautas russos e americanos.
Os americanos na Lua pousaram
e por lá caminharam, sempre aos saltinhos,
com estranhos fatos, muito anafadinhos.
Vinham comovidos, quando regressaram
pois o astro mais belo
que dos céus se enxerga
é um planeta azul, o planeta Terra.
(in Ciência para meninos em poemas pequeninos, editora GATAfunho 2008, 2009)




1 comentário:

  1. Lindo o minidocumentário.
    Também gostei muito dos videos e imagens. Os seus poemas já conhecia e gostava e completam muito bem o post.

    Um beijo.

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