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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Evocando Sebastião da Gama

Na passada 4ª feira, a convite das professoras bibliotecárias, estive na Escola D. António Ferreira Gomes, na Travagem. Fui e vim de comboio, o meio de transporte de que mais gosto.Chovia torrencialmente mas o prazer de estar num ambiente de escola, com professores e alunos empenhados, tudo compensa.
Hoje enviaram-me dois sites que fazem referência à visita. Aqui os deixo.

http://beaafg.blogspot.com
 
E a propósito de "ser professor" deixo alguns excertos do Diário de Sebastião da Gama
 
 

 

 
(...)A quem comunicarei o meu entusiasmo se não falar entusiasmado,
a minha tristeza se parecer que estou alegre, a minha necessidade de
chegar depressa se der a mostrar que tenho muito tempo?(...)

 
(...)Basta uma janela para me fazer feliz e foi o que me

aconteceu também quando cheguei à Sala 19. Era o Castelo, era

o Tejo, era a cidade de mármore e granito (como dizem) a espreitar

para dentro da aula. Vai, que fiz eu? Como queria tomar o

pulso aos rapazes em matéria de escrita, propus-lhes aquele tema.

«Da varanda da nossa aula» podia muito bem ser o título da

redacção; mas também podia ser outro, à escolha do freguês.

O que eles escrevessem serviria para eu ver como escreviam, como

viam e como imaginavam. À maneira de preparação, disse-lhes:

«Suponham que está aqui uma chávena da China. Vocês têm de

escrever a partir dela e podem fazê-lo contando que ela tem este

ou aquele feitio, esta ou aquela cor, um desenho que representa

isto ou aquilo e tem a asa do lado esquerdo. Mas também não

dizer nenhuma destas coisas e imaginar, com os olhos nela, uma

coisa passada na China: chinesinhos de rabicho, arroz comido

com pauzinhos, sei lá o quê. Ou fantasiar um chá das cinco em

que serviu aquela chávena: quem estava nesse chá, o que se disse,

o que se passou durante essa hora. Posto o que, vão à janela um

bocadinho, olhem, voltem, sentem-se e escrevam o que quiserem,

com o título ou subtítulo “Da varanda da nossa aula”.»

Os rapazes, feito o honesto barulho de correrem à varanda,

atiraram-se à obra. Eu fui pacatamente olhar Lisboa, porque

quero começar a fazer-lhes sentir que eles não devem copiar(...).
 
(...)O que era bom era dar sempre uma aula como a de hoje!” (22 de Outubro de 1949); “E foi o que eu ontem não consegui...” (25 de Março de 1949)(...)

3 comentários:

  1. O diário de Sebastião da Gama - que i há muitos anos - sempre me influenciou no meu modo de tratar os alunos, em plena liberdade, coisa que se torna fácil quando ensinamos línguas. Não é preciso seguir o manual ( mesmo escrito por mim...), pode-se dar azo a que a imaginação flua...e Português ainda melhor, dei aulas de P. em variados sítios e tinha um gosto enorme em ensinar a nossa língua e poder explorar a criatividade dos alunos. Fiz peças de teatro, em sitios tão longinquos como Chave e Sertã. Os miudos eram genuinos e aderiam a tudo, desde que não fosse demasiado intelectual.

    Continuas a peregrinar pelo país fora....na tua missão pedagógica e não só...parabéns!
    Bjo

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  2. Olá Regina
    Que dizer para além de mais uma vez expressar a minha admiração por si!!!
    A atenção dos alunos dá-me toda a razão.
    Também tenho que felicitar a Escola pelas iniciativas relativas à leitura e às bibliotecas.

    Um beijo.

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  3. Obrigada às duas. Mudei de computador e tenho tido alguns problemas em aceder a alguns sites, nomeadamente ao da Virgínia. Mas tudo há-de ir ao sítio...Bjs

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