Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O ROUBO DO PRESENTE

O roubo do presente é o título de um texto de José Gil,  que podem ler aqui
"Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspectivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro. O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu. O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho. O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias border-/ine enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens). O presente não é uma dimensão abstracta do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direcções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público. Actualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efectiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil. Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espectral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si. Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria­-nos do nosso poder de acção. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país."
Ao ler este texto lembrei-me de um poema de Manuel Alegre que aqui deixo na voz de Manuel Freire


Não há machado que corte 
a raiz ao pensamento
não há morte para o vento 
não há morte
Se ao morrer o coração 
morresse a luz que lhe é querida 
sem razão seria a vida 
sem razão
Nada apaga a luz que vive 
num amor num pensamento 
porque é livre como o vento 
porque é livre


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A todos um Bom Natal

A todos um Bom Natal





Uma das letras de Eu hei-de ir ao Presépio (,Natal de Elvas) uma canção de Natal de que gosto muito.


Eu hei-de m'ir ao presépio
A assentar-me num cantinho
A ver com'o Deus Menino
Nasceu lá tão pobrezinho.

Ó meu Menino Jesus,
Que tendes, por que chorais?
Deu-me minha mãe um beijo,
Choro por que me dê mais.

O Menino chora, chora,
Chora por muita razão:
Fizeram-lhe a cama curta
Tem os pezinhos no chão.

A propósito de presépios  deixo a imagem de um presépio de Júlia Ramalho que podem ver aqui, entre muitos

E por falar de Júlia Ramalho, estive anteontem com ela, na feira de artesanato, na Praça D. João I. Conheci-a quando dei aulas em Barcelos (tinha 21 anos e ela também). Um dia fui visitar o "atelier" de Rosa Ramalho, em Galegos e ali comprei várias peças da conhecida artesã com quem tive o privilégio de conversar durante muito tempo (Rosa Ramalho era uma óptima conversadora). Júlia trabalhava já com a avó mas creio que ainda não produzia peças suas. Anteontem fui ao seu "stand" e conversei com ela. Infelizmente está bastante doente. Adquiri uma das suas peças que já figura na minha estante, ao lado das da avó.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

De um gesto bonito a atuações antiéticas


De um gesto bonito....


Tudo aconteceu durante as cerimónias fúnebres de Nelson Mandela, no estádio Cidade do Futebol, no Soweto, em Joanesburgo.
Barack Obama estendeu, sem hesitar, a mão para cumprimentar Raúl Castro . 


a atuações antiéticas...

Vejam o vídeo 

Gustav Mahler

A passagem do século XIX para o XX foi marcada por mudanças substanciais na cultura, ciências e artes da Europa. A era das vanguardas artísticas, que tornou as artes plásticas independentes da necessidade de representação fiel da natureza, abriu espaço para o cubismo com Picasso e o surrealismo com Dalí; o simbolismo na literatura tomou lugar da tradição romântica de descrições minuciosas e abriu espaço para metáforas poéticas, subjetivas; James Clerk Maxwell, Max Planck e Albert Einstein revolucionam a física com modelos de comportamento atômico que ultrapassavam a mecânica newtoniana, e o mundo conheceu a relatividade do espaço e do tempo; Sigmund Freud descobre a importância fundamental da psiquê em nossas vidas, o sutil limite entre o consciente e o inconsciente, inaugurando a psicologia como ciência; os irmãos Lumière inventam o cinema e George Eastman faz da fotografia uma arte popular; Gottlieb Daimler e Karl Benz inventam o automóvel. 
Dentro de tão rico cenário, a música também gerou representantes destas profundas transformações de consciência, tendo como porta-voz o compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), uma das personalidades mais marcantes e influentes do cenário musical europeu na virada do século

A mensagem de hoje é dedicada a Mahler. Na passada 6ª feira  assisti na Casa da Música, a  um concerto comemorativo dos 105 anos de Manoel de Oliveira, que estava presente. Foi apresentada  a 9ª sinfonia de Mahler.

A Nona Sinfonia é(...)uma obra extremamente compensadora: A liberdade exterior e interior que Mahler experimentou nesta fase permitiu –lhe  olhar a música de maneira totalmente nova e explorar novos horizontes. Uma narrativa de subjetividade ímpar, absolutamente poética, permeada por combinações sutis e geniais de timbres diversos, ritmo dissolvido (no primeiro e no último movimento), harmonias etéreas, e ainda retomando temas de todas as suas sinfonias precedentes, de maneira implícita, mas como que fazendo um grande balanço da sua obra. O último movimento é uma reafirmação do final da canção da Terra, mas só instrumental. O maestro Bruno Walter via, neste movimento, o último finale que Mahler completou, "uma atmosfera de transfiguração, apoiada pela singular transição entre o lamento da despedida e a visão radiante do Paraíso".

Entretanto tinham-me oferecido dois convites para o dia seguinte, também na Casa da Música, às 18h. O concerto era o mesmo mas fui  pois não ia perder a oportunidade de ouvir novamente a 9ª de Mahler..
Deixo o segundo  e o quarto andamento

Como referi, o concerto de sexta feira foi dedicado a Manoel de Oliveira.
Aqui deixo um texto do catálogo, da autoria de José Luis Borges Coelho



E a terminar, um filme de Manoel de Oliveira , um documentário sobre a cidade do Porto através das aguarelas do pintor António Cruz, de  que deixo algumas imagens





sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Invictus

Invictus é um pequeno poema do poeta Inglês William Ernest Henley (1849-1903). Ele foi escrito em 1875 e publicado pela primeira vez em 1888.Nelson Mandela, citou-o como fonte de inspiração durante seu tempo na prisão.

SOB O MANTO DA NOITE QUE ME COBRE,
NEGRO COMO AS PROFUNDEZAS DE UM POLO A OUTRO,
EU AGRADEÇO A TODOS OS DEUSES
POR MINHA ALMA INVENCÍVEL!

NAS GARRAS FEROZES DAS CIRCUNSTÂNCIAS,
NÃO ME ENCOLHI NEM DERRAMEI MEU PRANTO.
GOLPEADO PELO DESTINO
MINHA CABEÇA SANGRA,
MAS NÃO SE CURVA.

LONGE DESTE LUGAR DE IRA E LÁGRIMAS
SÓ ASSOMA O LOUVOR DAS SOMBRAS
AINDA ASSIM, A AMEAÇA DOS ANOS ME ENCONTRA
E ME ENCONTRARÁ SEMPRE
DESTEMIDO!

POUCO IMPORTA QUÃO ESTREITA SEJA A PORTA
QUÃO PROFUSA EM PUNIÇÕES SEJA A LISTA
SOU O SENHOR DO MEU DESTINO!
SOU O CAPITÃO DA MINHA ALMA!

O poema é referido também neste vídeo

Nelson Mandela terá dito um dia:

A morte é inevitável. Quando um homem fez o que considera seu dever para com seu povo e seu país, pode descansar em paz.

Nelson Mandela um dos maiores vultos da Humanidade, pode assim descansar em paz


São atribuídas a este HOMEM essencialmente bom, tolerante  e corajoso os excertos que seguem:

Não se é amado porque se é bom. É-se  bom porque se é amado

Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que vence esse medo.

A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo

Sonho com o dia em que todos compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.


(excertos do discurso de posse em 10 de maio de 1994)

"Chegou o momento de construir".
            Hoje, através da nossa presença aqui e das celebrações que têm lugar noutras partes do nosso país e do mundo, conferimos glória e esperança à liberdade recém-conquistada.
Da experiência de um extraordinário desastre humano que durou demais, deve nascer uma sociedade da qual toda a humanidade se orgulhará.
Os nossos comportamentos diários como sul-africanos comuns devem dar azo a uma realidade sul-africana que reforce a crença da humanidade na justiça, fortaleça a sua confiança na nobreza da alma humana e alente as nossas esperanças de uma vida gloriosa para todos.
Devemos tudo isto a nós próprios e aos povos do mundo, hoje aqui tão bem representados.
Sem a menor hesitação, digo aos meus compatriotas que cada um de nós está tão intimamente enraizado no solo deste belo país como estão as célebres jacarandás de Pretória e as mimosas dobushveld.
De cada vez que tocamos no solo desta terra, experimentamos uma sensação de renovação pessoal. O clima da nação muda com as estações.
Uma sensação de alegria e euforia comove-nos quando a erva se torna verde e as flores desabrocham.
Esta união espiritual e física que partilhamos com esta pátria comum explica a profunda dor que trazíamos no nosso coração quando víamos o nosso país despedaçar-se num terrível conflito, quando o víamos desprezado, proscrito e isolado pelos povos do mundo, precisamente por se ter tornado a sede universal da perniciosa ideologia e prática do racismo e da opressão racial.
Nós, o povo sul-africano, sentimo-nos realizados pelo facto de a humanidade nos ter de novo acolhido no seu seio; por nós, proscritos até há pouco tempo, termos recebido hoje o privilégio de acolhermos as nações do mundo no nosso próprio território(...)
(...)Apreciamos sinceramente o papel desempenhado pelas massas do nosso povo e pelos líderes das suas organizações democráticas políticas, religiosas, femininas, de juventude, profissionais, tradicionais e outras para conseguir este desenlace. O meu segundo vice-presidente o distinto F.W. de Klerk, é um dos mais eminentes.
Chegou o momento de sarar as feridas.
Chegou o momento de transpor os abismos que nos dividem.
Chegou o momento de construir.
Conseguimos finalmente a nossa emancipação política. Comprometemo-nos a libertar todo o nosso povo do continuado cativeiro da pobreza, das privações, do sofrimento, da discriminação sexual e de quaisquer outras.
Conseguimos dar os últimos passos em direção à liberdade em condições de paz relativa. Comprometemo-nos a construir uma paz completa, justa e duradoura.
Triunfámos no nosso intento de implantar a esperança no coração de milhões de compatriotas. Assumimos o compromisso de construir uma sociedade na qual todos os sul-africanos, quer sejam negros ou brancos, possam caminhar de cabeça erguida, sem receios no coração, certos do seu inalienável direito a dignidade humana: uma nação arco-íris, em paz consigo própria e com o mundo(...).
(...)Dedicamos o dia de hoje a todos os heróis e heroínas deste país e do resto do mundo que se sacrificaram de diversas formas e deram as suas vidas para que nós pudéssemos ser livres.
Os seus sonhos tornaram-se realidade. A sua recompensa é a liberdade.
Sinto-me simultaneamente humilde e elevado pela honra e privilégio que o povo da África do Sul me conferiu ao eleger-me primeiro Presidente de um governo unido, democrático, não racista e não sexista.
Mesmo assim, temos consciência de que o caminho para a liberdade não é fácil.
Sabemos muito bem que nenhum de nós pode ser bem-sucedido agindo sozinho(...)
Nunca, nunca e nunca mais voltará esta maravilhosa terra a experimentar a opressão de uns sobre os outros, nem a sofrer a humilhação de ser a escória do mundo.
Que reine a liberdade.
O sol nunca se porá sobre um tão glorioso feito humano.
Que Deus abençoe África!


Aos 94 anos, foi  homenageado com uma escultura de aço e concreto que reproduz o seu rosto.
A efígie foi instalada na cidade de Howick, zona rural da África do Sul, no lugar exato onde Mandela foi preso, pouco depois de fundar o braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA).
Consiste em 50 placas de aço, com 10 metros de altura cada, cortadas a laser e inseridas na paisagem. Num ponto específico de observação, a visão em perspectiva das colunas surpreende ao assumir a imagem de Nelson Mandela. O escultor é Marco Cianfanelli, de Joanesburgo, que estudou Belas-Artes em Wits University.
A parte frontal da escultura é um retrato de Mandela com barras verticais que representam sua prisão”, disse Ciafanelli e acrescentando: “Quando alguém caminha ao longo da escultura, esta irradia um raio de luz, o que simboliza o levante político de muitas pessoas e a solidariedade.”. 



Também através da música se têm prestado homenagens a este HOMEM como neste vídeo e neste outro  


Em tempos escrevi o poema que segue. Deixei-o ficar, sempre com a intenção de o melhorar o que nunca fiz. Apesar disso, mesmo considerando que é um poema muito pobre, insiro-o aqui como uma modestíssima homenagem a Mandela

Chamava-se Sidharta.
Deixou tudo e partiu
em busca de um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem segregações,

E o budismo espalhou-se pelo mundo.

Chamavam-lhe Mestre.
Deixou tudo e partiu
em busca de um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem discriminações.

O cristianismo espalhou-se pelo mundo
mas o preço do sonho foi a vida.

Chamava-se Mahatma Gandhi
e tinha um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem qualquer segregação.

O preço do sonho foi a vida,
mas a semente não ficou perdida.

Chamava-se Martin Luther King
e tinha um sonho audaz,
quase uma fantasia.
Um mundo diferente,
livre, fraterno, sem qualquer segregação,

A semente começara a germinar
mas ainda não era o tempo de colher.
O preço do sonho foi, uma vez mais, a vida.

Chama-se Nelson Mandela
e teve o mesmo sonho audaz,
quase uma fantasia.
Liberdade, igualdade, fraternidade,
respeito pelos direitos humanos.

A fantasia que sonhou
é hoje realidade.
Acabou o  apartheid para os sul africanos.

Mas ainda há que lançar muita semente à terra
para exterminar completamente
o ódio, a segregação, a fome, a guerra.

Termino coma outra frase de Mandela que nos deve fazer refletir face à situação que se vive em muitas partes do mundo e, infelizmente, também  em Portugal

"Ainda há gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram."
Nelson Mandela


domingo, 1 de dezembro de 2013

Arte: do paleolitico ao modernismo e pós modernismo

Eis excertos de uma mensagem publicada aqui, um  blogue incluído nos meus  favoritos

Recentemente, foram descobertos os instrumentos musicais mais antigos, flautas feitas de ossos de abutres e mamutes, datando entre 35 mil e 40 mil anos atrás (...)  Certamente o som das flautas e dos tambores acompanhava os rituais(...) 
A música e a pintura não eram as únicas expressões artísticas dessas sociedades ancestrais. A escultura também. Figurinos conhecidos como Vênus do Paleolítico, datando de mais de 25 mil anos, mostram o corpo de mulheres bem dotadas de estrogênio, provavelmente símbolos de fertilidade. O impulso criativo parece ser tão antigo quanto a nossa espécie.

Do pouco que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo -e não em guerra com ele.


Arqueólogos descobriram em uma caverna na Alemanha um artefato pré-histórico que eles consideraram como o mais antigo instrumento musical artesanal já feito: uma flauta de osso de pássaro. Os pesquisadores acreditam que o objeto, datado de 35 mil anos atrás, fortalece a hipótese de que as primeiras populações humanas da Europa tinham uma cultura complexa e criativa. 




 Outra flauta paleolítica  

A Venus de Willendorf é uma estatueta com 11,1 cm de altura representando estilisticamente uma mulher, descoberta perto de Willendorf, na Áustria.
Foi desenterrada em 8 de agosto de 1908, pelo arqueólogo Josef Szombathy. Está esculpida em calcário oolítico, material que não existe na região, e colorido com ocre vermelho.
Em 1990, após uma revisão da análise desse sítio arqueológico, estimou-se que tivesse sido esculpida há 22.000 ou 24.000 anos. Pouco se sabe sobre a origem, método de criação e significado cultural.
A Venus faz parte da coleção do Museu de História Natural de Viena.


Figuras rupestres no Coa



E da arte do paleolítico à arte moderna e pós-moderna, com Paul Klee, Henry Moore, Niemeyer  e Prokoviev (Dance of the Knights)







quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nós e o Universo

Gosto de receber e gosto ainda mais de oferecer. As prendas e ofertas preferidas são livros.
 Nós e o Universo é o título de um livro que dei ao meu filho mais velho quando fez 8 anos. Um dia em que estava a ler um texto sobre a translação da Terra, pergunta-me:
Mãe, nós só não damos por isso porque também andamos com a Terra, não é? Se andássemos mais depressa ou mais devagar apercebiamo-nos.


Achei muito curiosa a observação tanto mais que, sendo professora de Física, encontrei alguns alunos que sentiam dificuldade em perceber isso.  De facto, desde que comecei a escrever esta mensagem, há cerca de 5 min, já percorri ( já percorremos...), sem nos apercebermos, nada mais, nada menos 9.000km (300sx 30km/s)...
E recordo um excerto do poema para Galileu de A. de Gedeão

(...)Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.(...)

Tudo isto vem a propósito da minha visita ao Sol dos pequeninos a que referi há dias. No respectivo site já podem ser vistas algumas fotos. Basta clicar em actividades


E a propósito do Universo há pouco tempo foi divulgado que foram detectados os primeiros neutrinos  de altíssima energia vindos de fora do sistema solar

Após quase meio século de tentativas, uma colaboração científica internacional detectou pela primeira vez, graças a um “telescópio” construído nas profundezas de um glaciar na Antárctida, 28 neutrinos de altíssima energia vindos de fora do nosso sistema solar. Os resultados desta façanha científica – e técnica – são publicados na revista Science com data desta sexta-feira.


Termino com Júpiter, da obra Os Planetas de Holst.  Sendo uma obra de inspiração astrológica não tem nenhum trecho dedicado à terra

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Nem no farelo....

Eis a crónica de Carlos Fiolhais de hohe in de Rerum  Natura

O Estado português está quase falido. Um bom indicador da proximidade da falência é a falta de papel nos serviços públicos. Neste final do ano, já não há papel nas universidades e nas repartições de impostos, e só restam algumas folhas nas esquadras de polícia.

Eu sabia que, nas instituições de ensino superior, há já alguns meses que o papel estava em racionamento, em face do drástico aperto orçamental. Agora acabou. Os cursos e projectos que eram de papel e lápis passaram a ser só de lápis, aproveitando-se as costas do papel usado. O pior é que a maior parte dos cursos e projectos exigem experiências laboratoriais. O ministro da Educação e Ciência, um renomado matemático, não sentirá porventura com suficiente acuidade as necessidades dos químicos, que além de papel e lápis precisam de vidros e reagentes, pelo que foi bastante oportuna a reacção dos reitores, em nome dos docentes e investigadores.

Recentemente, numa Repartição de Finanças onde fui cumprir uma obrigação fiscal, fiquei a saber que lá também já não há papel. Quiseram não só ver o meu cartão de cidadão, um costume muito português, como também ficar com fotocópia dele, um outro costume muito nosso. Não sei por que razão os serviços do Estado querem, repetidamente, cópia de informação que, algures, lá têm e poderiam obter facilmente se acaso falassem uns com os outros. Mas, habituado que estou a passar o cartão a funcionários do Estado, autorizei o que estava à minha frente a fazer a respectiva cópia. Fiquei, porém, surpreso quando ouvi que eu é que tinha de entregar a cópia. Como contribuinte empenhado numa solução rápida, prontifiquei-me a ajudar do outro lado do balcão. Mas não, ali ninguém, nem eles nem eu, podia fotocopiar. Porquê? Porque, disseram-me, não havia papel. Ao faltar nos cofres o papel-moeda, estava a faltar nos serviços a moeda para o papel. Só então me apercebi das verdadeiras proporções da crise: As Finanças, que sempre tinham tido montes de papel, agora nem uma resma têm. Eu, que não tinha comigo nenhuma folha, ofereci-me, condoído, para ir buscar algum papel a minha casa (estaria a casa de banho deles também carente e não seria melhor trazer um rolo?). Não, não queriam o meu papel. O meu papel seria ir ao quiosque da esquina pedir uma fotocópia. Queriam de mim um contributo, ainda que modesto, ao comércio local. Estava perante uma parceria público-privada.

Foi nessa altura que me surgiu, num clique, uma saída para a falta de papel nas Finanças. Simples, muito simples. As Finanças cobrariam as fotocópias aos contribuintes que ousassem aparecer com os documentos mas sem as cópias na mão. Como nas Finanças um cidadão deixa o couro e o cabelo, pagar uma mera folha A4 não seria para ele significativo. Todos juntos pagaríamos a resma. Mas não, assim como não aceitaram o meu papel, também não quiseram saber do meu simplex. Uma vez que a negativa foi de um funcionário, que não funciona por míngua de papel, pode ser que que a ministra de Estado e das Finanças aceite o pagamento das fotocópias como uma ajuda ao Estado depauperado. O Ministério das Finanças poderia até lançar um imposto do papel. Quer papel? Paga! As florestas agradeceriam.

Estou, claro, a partir do princípio de que as Finanças, viciadas como estão em papel, não podem passar sem ele. Mas o facto é que podem, se fizerem um conveniente desmame. Hoje em dia há scanners e computadores baratos que podem fazer e guardar uma cópia de qualquer documento, prescindindo por completo do papel. Na Repartição podiam ter digitalizado o meu cartão e guardado os bits bem guardadinhos. Receio, contudo, que o nosso Estado continue a andar aos papéis, sendo moderno só na aparência. É certo que a Direcção-Geral dos Impostos envia cartas intimidativas pela Internet, mas não é menos certo que elas seguem amiúde para o destino errado. Há dias recebi um emailoficial ameaçando-me por não ter feito a declaração do IRS, quando eu a tinha apresentado no prazo. Não perderam o papel, porque a declaração tinha sido electrónica, mas devem ter perdido os bits. Sugiro que, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, os peçam à NSA norte-americana, que controla a circulação electrónica mundial.

Apesar do desgoverno, a falência do Estado ainda não está consumada. Pouco depois do episódio das Finanças tive que ir à polícia apresentar um documento que não encontrei no porta-luvas do carro durante uma operação stop. O meu cartão de cidadão foi novamente solicitado para a inevitável fotocópia (a milésima cópia que o Estado fazia dele) e, aleluia, naquele lugar, havia fotocópias SCUT, sem custos para o utilizador. Em Portugal, os polícias aindam podem fazer coisas que os professores universitários e os trabalhadores fiscais não conseguem. O Dr. Miguel Macedo ainda tem o papel que falta ao Doutor Crato e à Doutora Albuquerque.


Este e outros  comportamentos, nomeadamente de organismos do estado, lembram-me o aforismo: poupar no farelo para esbanjar na farinha. É que nem no farelo...
O caso  do papel é paradigmático basta ver, por exemplo, o contributo do ME ao exigir relatórios e mais relatórios, fichas e mais fichas, etc. Mas há muito mais. Muitos dos aparelhos de ar condicionado de organismos público e não só, estão de tal modo mal regulados que ao entrar nos mesmos se treme de frio no verão e se transpira no inverno(infelizmente não é um fenómeno apenas português).
Nas casas de banho, as torneiras “automáticas” estão genericamente mal reguladas. Nalgumas já tenho feito a experiência de lavar as mãos dos meus quatro netos, as minhas,  e após as cinco lavagens a água continuar ainda a correr.
Quanto não poderiam poupar estado e cidadãos se fizessem um uso racional de bens essenciais? Mas é mais fácil decretar reduções de salários(ALGUNS) e pensões(ALGUMAS), aumento de impostos, etc, etc

Sempre que falo no uso racional da água não resisto a referir este vídeo

Termino com alguns poemas meus de um projecto ainda não publicado  Requiem pela água e com imagens do Rio da Prata
I
Docemente a chuva foi caindo
cobrindo a terra mãe ressequida, exangue.
Da cópula gerou-se nova vida e eis campos verdejantes,
searas ondulantes e amoras rubras de sumo cor de sangue.
II
Era o riso cristalino das crianças que se confundia com o correr da água no regato, 
era a gota de orvalho sobre a rosa
qual pérola que a ostra protege,mãe ciosa,
era, nas gotas de chuva, a luz refractada
a desdobrar-se num arco-íris imenso
como que a segurar o céu cinzento e denso.
III
Deixou de cair a chuva benfazeja
não por vingança, apenas por cansaço,
e o deserto vai avançando passo a passo.
Suplicante o olhar perdido da criança,
que passa fome e sede sem entender porquê.
Vazio o olhar do velho sem esperança 
que não implora mais, pois já não crê.
IV
A água cantava na fonte onde corria, outrora.
O cantar, o correr eram seu mister.
Agora deixou de correr. Não corre nem canta, só chora .






terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sol dos pequeninos


Sol dos pequeninos é Creche e Jardim de Infância em Miramar quase em frente ao Senhor da Pedra.
Há cerca de 15 dias recebi um e-mail da Diana que fazia parte de um  “duo” de teatro que esteve associado à Editora 7dias6noites e encenou várias vezes, de uma forma muito interessante, a minha obra Breve História da Química, editada pela referida editora.
No e-mail a Diana referia que estava a trabalhar  no Sol dos pequeninos e que, em conversa com uma professora, esta lhe terá dito que gostava muito de contactar uma autora que em tempos e na BMAG (Biblioteca Municipal Almeida Garrett) tinha visto interatuar com crianças, interligando ciência e poesia. A Diana associou de imediato a autora à minha pessoa (o mundo é pequeno...). Foi assim que fui contactada pela Adriana, uma educadora brasileira que me lembro de ter conhecido na BMAG  e que trabalha de uma forma muito interessante com as crianças.
Na passada quinta-feira, dia 21, a Adriana, juntamente com a Diretora da Escola, vieram buscar-me para, a propósito do sistema solar,  estar com as crianças dos 2 aos 5 anos.
Ao chegar esperavam-me a Diana e o Nuno, com quem ela contracenava no teatro.
Antes da sessão fui  visitar a escola e fui esclarecida quanto ao seu projeto, muito interessante
Com as crianças li textos e excertos de Ciência para meninos em poemas pequeninos e Pelo Sistema solar vamos todos viajar, textos que complementei com algumas experiências.
Entre as crianças mais crescidas algumas participaram muito ativamente. Os mais pequeninos reagiram bem essencialmente às experiências.

No fim, os meninos dos 2 aos 4 anos saíram e ficaram apenas os de 5 anos. A dada altura  entrou uma educadora com um cesto cheio de canudos de papel, contando uma história relacionada com o espaço  e incumbiu-me de entregar um canudo a cada menino. Tratava-se de um jogo, sobre o sistema solar, construído pelas educadoras e que deveria ser "resolvido" pelas crianças em interacção com os mais velhos(pais, irmãos, etc).
 






sábado, 23 de novembro de 2013

Os Cratos


Recebi há dias um e-mail cujo conteúdo era o que segue


Não vou falar do Crato Prior mas de Crato, o Pior, e de um outro Crato que eu conheci, não pessoalmente, mas através de algumas das suas publicações, o Nuno Crato investigador e professor de matemática , autor de uma vasta obra de divulgação científica  que acerca de Rómulo de Carvalho, seu professor, refere:


 In Crato. N (org), 2006,  Ser Professor. Antologia de textos de pedagogia e Didática, Gradiva .

Ora a política de Crato, o Pior, nada tem a ver com o que o texto acima defende. Os professores hoje não podem preparar cuidadosamente as aulas nem treinar as experiências.
Seguindo as pegadas de Maria de Lurdes Rodrigues, que até há bem pouco tempo considerava como o(a ) pior ministro(a) da educação que conheci na minha longa carreira de professora,  Crato, o Pior não está preocupado com a qualidade das lições nem com o bom funcionamento das experiências; grande parte do  tempo dos professores  é empregue em reuniões genericamente estéreis, no preenchimento de  relatórios e fichas na sua esmagadora maioria totalmente inúteis.

(...)Para que os professores mais velhos, os únicos ainda com memória, não dêem conta destas falsificações, inventaram relatório atrás de relatório, ficha atrás de ficha, reunião atrás de reunião, impedindo-os assim de exercer o que supostamente seria o seu objectivo: ensinar. E quando nos intervalos de relatórios, fichas, reuniões conseguem o tempo para ensinar, o cansaço e desânimo são tão grandes que até se convencem que os seus conhecimentos estão errados e o livro que têm em frente está correcto e completo.

Não contente com esta competição com a sua antecessora, Crato, o Pior (se ainda não  destronou MLR, há pelo menos um empate) resolveu criar uma prova para avaliação de professores.
A prova modelo foi aplicada a adolescentes que  responderam à escolha múltipla da prova e passaram 

Eu, como aposentada, estou expectante porque se tal prova é condição necessária ( e porventura suficiente) para se ser professor, então não se gaste mais dinheiro na formação de professores. Contratem-se já todos os adolescentes que mostraram um bom desempenho  e, se necessário, aplique-se de imediato a toda a população adolescente de modo a poder selecionar os melhores....
Com toda esta economia na formação de professores, talvez os aposentados deixem de ser espoliados pelo Governo.

Oh Senhor Ministro, o que pode revelar esta prova sobre o estar em sala de aula ?

Faço minhas as palavras de Leonor Santos 

Mascarar um teste que pretende avaliar conhecimentos e capacidades considerados essenciais para a docência nos diferentes níveis de ensino com um teste psicométrico é no mínimo enganador. Mas mais importante ainda, o que se fica a saber sobre a qualidade do desempenho da função docente de um candidato que obtenha a pontuação máxima nesta prova? Se uma das características essenciais da docência hoje é também ser capaz de antecipar situações de sala de aula e agir no momento face ao inesperado, o que uma prova deste tipo nos revela sobre isso?


Eis  uma carta aberta de um professor ao primeiro-ministro que podem ler aqui 

22/11/2013 - 21:56
Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar.
O meu nome é Manuel Maria de Magalhães e sou professor profissionalizado do grupo 410 (Filosofia), desde 2002. Desde então fui contratado por 13 escolas, em cinco distritos diferentes (Viana do Castelo, Braga, Porto, Guarda e Viseu). Em todas excedi sempre aquilo que me era pedido, como prova o reconhecimento, em alguns casos público e formal, que alunos, colegas, órgãos das escolas e encarregados de educação prestaram ao meu trabalho.
 Em termos de formação contínua de professores desprezei sempre as acções de formação promovidas pelo ministério através das suas direcções regionais, que conjugam o verbo "encher" na perfeição, para procurar na academia a continuação dos meus estudos sob a forma de congressos ou mesmo na execução de duas pós-graduações nas áreas em que o meu grupo disciplinar se move. Em todas as escolas o meu trabalho foi avaliado, de acordo com o estipulado, tendo inclusivamente sido dos primeiros a submeter-se voluntariamente às "aulas assistidas". Em consequência das suas políticas educativas encontro-me no corrente ano desempregado e sem perspectivas de encontrar colocação nesta área, tal como dezenas de milhares de colegas meus, muitos deles com uma história profissional bem mais dura do que a minha e muitos mais anos de serviço. É neste quadro que Vossa Excelência, através do seu ministro da Educação, nos quer obrigar a fazer um exame para poder continuar a concorrer ao ensino. Era a humilhação que faltava e a maior de todas.
Ao enveredar por este caminho, Vossa Excelência está a descredibilizar todos os docentes com provas dadas nesta causa que é tomada como uma missão em prol do desenvolvimento do país. Está a descredibilizar as universidades que nos formaram e as escolas que nos avaliaram. Está a destruir a credibilidade do próprio ensino, através de uma avaliação retroactiva, sem fundamento, obscura nos seus contornos, pois até esta data pouco se sabe sobre o processo, que é mais próprio de regimes ditatoriais revolucionários do que de democracias maduras, onde todas as partes devem ser ouvidas.
Estou de acordo consigo num ponto: a Educação não está bem,apesar dos esforços de tantos, mas residirá apenas na classe docente a causa desse mal? Já reparou que todos os governos eleitos impuseram uma política de Educação diametralmente diferente dos anteriores? Já se deu conta que a Educação foi verdadeiramente uma área em que se "atirou dinheiro" para cima dos problemas na esperança que passassem? No ensino, como em muitas outras áreas, também existiu o privilégio do betão face à formação. Quantas escolas não têm psicólogos, sobretudo clínicos, que tanta falta fariam aos inúmeros casos dramáticos que assolam milhares de alunos? Que vínculos tem o Estado, através da Segurança Social, para ajudar a estabelecer pontes entre as famílias e a Escola? O que se (não) tem feito em termos de prevenção da indisciplina em ambiente escolar, seja na sala de aula ou fora dela? O que fez o Estado para promover a autoridade (não autoritarismo) do professor e do auxiliar de acção educativa que ainda é tratado, à maneira do Estado Novo, como um mero contínuo, desprezando o seu vital papel nas escolas? Construir ou renovar escolas não chega… Se quer introduzir alterações em atitudes e comportamentos dos docentes, este não é seguramente o melhor caminho. Se analisar a formação que o ministério nos disponibiliza, constatará que não tem, na maioria dos casos, qualquer interesse em termos pedagógicos. Já pensou em fomentar a ligação entre as universidades e as escolas neste sentido? Ao persistir neste caminho, Vossa Excelência encerra em si o pior modelo de docência: o do professor que obriga os alunos a uma avaliação para a qual não os preparou.
Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar. Não farei qualquer exame retroactivo, imposto de forma ditatorial. Se o preço a pagar for a exclusão definitiva do ensino, assumo-o. Mais importante do que as palavras que proferimos é o exemplo que perdura. A dignidade não está à venda e não posso ser incoerente com tudo o que tenho passado aos alunos que o Estado me entregou. Ainda assim tenho a esperança que Vossa Excelência tenha a humildade (uma das maiores, se não a maior, virtude humana) de reconhecer o erro que esta medida encerra e procurar novas soluções.
Professor de Filosofia

Já aqui me referi várias vezes à avaliação de professores. Sou do tempo em que no fim do estágio se fazia  exame de estado, perante uns seis metodólogos e  em que os inspetores entravam pela sala de aula sem disso sermos avisados. Nunca temi qualquer avaliação e sempre defendi que a observação de aulas por equipas competentes, logo isentas, sem aviso prévio, será a forma mais fidedigna de avaliar professores. Durante 22 anos fui orientadora de estágio e durante 9 anos lecionei a cadeira de Didática da Física no Mestrado em Física para o Ensino da FCUP. Avaliei para cima de uma centena de professores e candidatos a professores. Sei que há maus e bons professores embora estes últimos sejam a maioria, por mais que se tente denegrir o trabalho docente.


Senhor Ministro deixe os professores ensinar porque ensinar e aprender são  actividades humanas, das mais nobres .

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

De Setúbal ao Porto...

Após 10 dias quebro o silêncio, motivado por algumas deslocações e não só...

No dia 15 fui para Setúbal, onde no dia 16 foi apresentado Entre margens
A apresentação foi integrada na atribuição dos prémios do XVIII Concurso de Poesia e do VIII Concurso de Poesia Comunidade Escola
O júri das provas foi constituído pelos poetas Vítor Cintra, Regina Gouveia e Paulo Afonso Ramos, este último também representante da editora Lua de Marfim.
Na sessão de entrega de prémios foi apresentado o livro de poesia “Entre Margens”, de Regina Gouveia, uma edição da Lua de Marfim que resulta do primeiro lugar atribuído à escritora na edição de 2012 da prova destinada a adultos.

Na viagem para Setúbal o Intercidades não foi direto, como  acontece por vezes.
Mudei de comboio no Oriente e a meu lado sentou-se uma senhora, já de certa idade, cheia de tralhas, malas, sacos,  que dispôs a seus pés, ao colo, em cima da mesa rebatível, no corredor.. Comentou que não era aquele o seu lugar mas ficou por ali. Quando anunciaram que a próxima estação seria Pinhal Novo, onde eu teria que sair para apanhar o comboio urbano par Setúbal, pedi à senhora para me libertar o espaço a fim de eu poder passar. Como estava ao telemóvel fazia tudo lentamente só com uma mão. Entretanto o comboio parou e eu continuava impedida de sair. Quando por fim me libertou o espaço (só com uma mão porque a outra segurava o telemóvel) fui a correr pelo corredor, caí e fiquei com um braço e um joelho danificados.
Valeu-me um jovem que me ajudou a levantar e me levou até à gare arriscando-se a perder ele o comboio.
Ainda tenho dores e  ando com dificuldade. No próximo dia 3 irei a um ortopedista para analisar “os estragos”.
Mas tirando o incidente, a minha estada em Setúbal foi, como sempre, muito agradável. Fiquei em casa da minha amiga de infância Lourdes Sendas e juntou-se a nós a Isabel, uma amiga e ainda familiar minha, de quem falei já numa mensagem colocada no Verão de 2012. Demos um belíssimo passeio pela serra Arrábida e no dia 18 regressámos no carro da Isabel que vive habitualmente em França  mas que, tal como a Lourdes, em tempos viveu no Porto (fez parte do grupo de teatro pé de vento), cidade que já não visitava há muitos anos. No dia 19 fui com ambas rever lugares conhecidos e mostrar-lhes outros. Saímos de manhã. Fomos ao mercado do Bom Sucesso e ao Centro Português de Fotografia.
Aqui visitámos uma exposição belíssima, embora chocante,  de Gervásio Sanches.


A exposição está ordenada de forma cronológica, através de um percurso articulado em cinco grandes blocos temáticos: América Latina, Balcãs, África, Vidas minadas e Desaparecidos.
Além disso, a mostra inclui oito murais distintos, com aproximadamente 100 retratos de pessoas diretamente afetadas por algumas das realidades documentadas por Gervasio Sánchez: vítimas de mutilações e ex-meninos-soldados, ambos em Serra Leoa, e vítimas de minas antipessoais e familiares de pessoas desaparecidas em diversos países do mundo
 De seguida fomos  ao Palacete dos Viscondes de Balsemão onde visitámos uma exposição muito interessante, Pinturas Acromáticas de  António Fercundini  e o banco de materiais. Dali seguimos para a  loja do Luís Buchinho na Rua  José Falcão.
Sobre António Fercundini não havia no espaço qualquer informação biográfica nem ninguém ali nos soube informar. Pesquisando na NET encontrei o site  colocado acima
Almoçámos no “Piolho” que frequentávamos quando estudantes. A Isabel, perante o espanto do empregado, pediu caldo verde e papas de sarrabulho pois queria matar saudades dos respetivos sabores.
Após o almoço fomos visitar o “Passeio dos Clérigos”, entrámos em algumas lojas e  depois descemos a rua até aos Loios. No caminho entrámos numa loja que tinha várias malhas, algumas da marca Sidney, a preços muito convidativos. A Isabel fez algumas compras por achar que em França seria impensável ter aqueles preços.
Dos Loios fomos visitar a área restaurada junto ao Passeio das Cardosas, que tem gerado alguma controvérsia.
Por fim regressámos a casa. Havia muito mais para ver mas os dias pequenos acabam depressa...
No dia seguinte as duas partiram para Trás-os-Montes.
Entre as três, muitos pontos em comum nomeadamente uma grande paixão pelo Porto... 

No passeio perdi o meu relógio que me estava uma pouco largo, mas de que gostava muito. Já revisitei todos os espaços por onde andámos mas não o reencontrei.

A mensagem já vai longa. Termino-a com Porto Sentido e o porto aqui tão perto