Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 30 de setembro de 2012

O GPS e a teoria da relatividade

Em De Rerum Natura, numa das últimas mensagens, é indicada uma lista de vídeos para o ensino da Física, entre eles vários sobre a teoria da relatividade. Deixo aqui os endereços de um conjunto de seis particularmente interessantes. Embora não tragam nada de novo, apresentam os assuntos de  uma forma acessível a qualquer tipo de leitor. O primeiro começa por uma referência ao GPS .
Os restantes podem ser encontrados aqui:








E a propósito de GPS, deixo um poema que foi seleccionado para a antologia   Uma viagem pra Pasárgada, publicada em 2009

Carta a Bandeira
Meu caro Manuel Bandeira
Tomando o teu poema como guia parti um dia para Pasárgada.
Mas não  encontrei  o rei nem tão pouco o imperador.
Mulheres, essas eu vi, nalgumas, a face  oculta sob a burka ou o tchador. 
Se eram da vida não sei.
Não fui banhar-me no mar, não subi  em pau de sebo,
nem burro brabo montei.
Tão pouco fui à ginástica,  ou de  bicicleta andei.
Fui em busca de Pasárgada e em parte dou-te razão:é outra civilização
mas não sei se usa processo de impedir a concepção.
Fui em busca de Pasárgada.
Procurava ser feliz,  mas desisti de tentar
quando, triste,  à beira rio, 
eu quis chamar a mãe de água para histórias me contar.
Não a achei em parte alguma  desisti de procurar.
Foi então que decidi que devia regressar.
Quem sabe, talvez um dia Pasárgada eu vá achar,
escondida sob a bruma,  envolta em espuma do mar.
Se um dia tal acontece a posição vou-ta  mandar.
Quem sabe,  nesse lugar,  perdido algures no espaço,
dispões de um  GPS.
Até sempre. Um grande abraço.

Sobre a crise...

Nuno Garoupa  é Professor de Direito da Universidade do Illinois, EUA. De um artigo seu a propósito da crise, saído no Diário Económico e republicado em De Rerum Natura deixo alguns excertos

(…) O ponto central é que temos uma classe política dita predatória, isto é, uma classe política que utiliza o Estado para maximizar as suas rendas privadas sem grande prestação de contas e com bastante impunidade. Um Estado pensado, desenhado e estruturado ao serviço dos interesses pessoais dos políticos. Como aconteceu?
Para evitar a instabilidade e a crise institucional da l.ª República, a democracia instalou um oligopólio político completamente fechado que opera em cartel, equilibrando os interesses instalados dos vários lóbis.

Sem uma verdadeira contestação externa e operando em circuito fechado, mas como dinheiro fácil dos fundos europeus e do crédito barato, o oligopólio corrompeu-se. O Estado social deu lugar ao Estado dos interesses e das rendas. O problema é que, para sair da crise, o Estado dos interesses e das rendas tem que ser parcialmente, ou mesmo totalmente, desmantelado. Desmantelar esse Estado é negar a essência da própria classe política predatória. Consequentemente não pode haver solução para a crise económica e financeira sem uma ampla reforma do sistema político (…).

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Os "tesouros" da minha adega...



Já em mensagem anterior falei da adega da minha casa na aldeia. Um "território" que tem vindo a ser desbravado ao longo dos anos. Tudo ali foi parar, durante anos e anos seguidos. Nas minhas “explorações” fui encontrando verdadeiros achados (para mim, obviamente) O mais importante foi um conjunto de poemas  do meu pai,  posteriormente publicados.
Entre as “preciosidades” encontradas neste Verão contam-se uns sacos de estopa bordados a que já fiz referência. Mas para além desses encontrei vários, de um tecido grosseiro, que eram utilizados na apanha da amêndoa e da azeitona.
Como também já referi, no passado dia 3 foi inaugurada na casa da Cultura em Alfândega da Fé, uma exposição da artista plástica Lourdes Sendas, exposição que poderá ser visitada até aos finais de Outubro.
O trabalho maior é feito sobre uma lona  (as lonas eram usadas essencialmente na apanha  da azeitona)
 (Outros trabalhos da artista podem ser encontradas aqui
Da utilização da lona surgiu-me a ideia de utilizar os tais sacos grosseiros para fazer também alguns trabalhos. 
Já aqui referi várias vezes que tenho o privilégio de ser aluna do artista plástico Domingos Loureiro
na escola Utopia 
Artista  com  um mérito já sobejamente reconhecido, Domingos Loureiro é também um excelente professor, tentando explorar as potencialidades de cada aluno de acordo com suas capacidades e interesses.
Apoiou de imediato a ideia.  Usei pigmentos que trouxe do Perú que, por indicação do Professor,  diluí
numa misturei de alvaiade ( pigmento branco que, entre outras utilizações, serve  para misturar na tinta e fazer sobressair as cores, na medida em que "impermeabiliza o tecido).
Eis dois trabalhos já produzidos (infelizmente  as cores nas fotografias estão bastante alteradas).
Tentei tirar partido da costura dos sacos, artesanal mas muito bonita.
As molduras são também "achados ". Encontrei-as  no caos da adega...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O que a Troika queria Aprovar e Não conseguiu!

 
O que a Troika queria aprovar e não conseguiu!!!
 O texto que aqui insiro, foi publicada a 4 de Setembro último,  em Portugalíssimo

Acabou o recreio e o receio!

Este e-mail vai circular hoje e será lido por centenas de milhares de pessoas. A guerra contra a chulisse, está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso.

Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar.

Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.

2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;.

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.

14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.

20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.

24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".

25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;

26. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".

27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.

28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

30. Pôr os Bancos a pagar impostos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sorriso

Hoje, fui à Leitura do "Cidade do Porto" . Sentei-me a ler uma colectânea de poesia de Daniel Faria.


Deixo aqui o poema  Explicação do sorriso


A mãe disse-lhe escreve-me
De lá de longe para onde vais
E ela disse não é longe casar
E a mãe sorria cega de dor
E parecia de deslumbramento


terça-feira, 18 de setembro de 2012

A que distância está a nossa estrela?

Sinfonia dissonante

Ei-lo,  uma esfera de gás incandescente
plasma de matéria quente, ionizada.
Ei-lo, o astro rei de morte anunciada.
A luz que hoje nos chega,
após oito minutos de viagem, 
deixou retida, na voragem
de um silêncio denso e frio,
uma sinfonia dissonante
que eclodiu e ficou refém,
no mesmo instante, 
da  imensidão de um cosmos feito de vazio.

Gouveia R. em Poemas no espaço - tempo (a aguardar publicação)

Conforme o poema, a luz do sol demora 8 min a chegar à Terra. Viajando a luz a 300.000km/s  é fácil estimar a distância a que se encontra a nossa estrela (8x60x300.000 =  144.000.000 km= 144.000.000.000 m).

Mas se quisermos usar de  maior rigor diremos que da Terra ao Sol são 149.597.870.700 m, conforme poderemos ler em Ciência Hoje 

Da Terra ao Sol são 149.597.870.700 metros . A distância que separa o nosso planeta da nossa estrela tem norma definitiva

 A distância entre a Terra e o Sol é um dos valores mais antigos da astronomia
Os astrónomos redefiniram uma das distâncias mais importantes no Sistema Solar. A unidade astronómica (UA), a distância aproximada entre a Terra e o Sol deixou de ser uma complicada equação para converter-se num único número.
A nova norma foi aprovada em Agosto passado, por unanimidade, na reunião da União Astronómica Internacional que se realizou em Pequim. A unidade astronómica é agora de 149.597.870.700 metros.
A distância entre o nosso planeta e a nossa estrela é um dos valores mais antigos da astronomia. A medição precisa foi realiza pela primeira vez em 1672 pelo astrónomo Giovanni Cassini, que observou Marte desde Paris, enquanto o seu colega Jean Richer fazia o mesmo na Guiana Francesa (América do Sul).
A partir da diferença angular entre as observações, calcularam a distância entre a Terra e Marte e utilizaram-na para encontrar a distância da Terra ao Sol. O seu cálculo foi de 140 milhões de quilómetros, número próximo do actual.
Até à segunda metade do século XX, este tipo de medições era a única forma fiável de obter as distâncias no Sistema Solar. Recentemente, a UA incorporou a constante gravitacional de Gauss, o que colocou problemas aos cientistas que trabalhavam nos modelos do Sistema Solar.
Agora, a constante foi eliminada, já que as técnicas modernas permitem medir directamente as distâncias com precisão. Graças aos radares e láseres dos satélites, a alteração já podia ter sido feita há vários anos, mas só agora os astrónomos estiveram de acordo entre si sobre a mudança.



A terminar , duas obras de Monet : o nascer e o pôr do Sol




‘As Cores do Pensamento’



‘As Cores do Pensamento’ é o título de uma mensagem extraordinariamente interessante colocada em Ciência Hoje

É de apreciar a beleza artística que o próprio cérebro cria!

Exposição ‘As Cores do Pensamento’ estreia dia 25 Setembro em Lisboa


«O Grito» de Edvard Munch (esq.) e «Cortes de bulbo olfativo de ratinho» por M.M.Gabellec e M.Alonso do Institut Pasteur Paris, França, conseguido através da marcação por imunofluorescência com anticorpos dirigidos contra moléculas

Costuma dizer-se que qualquer semelhança com a realidade é pura ficção. Mas neste caso pode até nem ser… Imagens ampliadas do cérebro, produzidas por neurocientistas de laboratórios do mundo inteiro durante o seu trabalho de investigação, revelam inegáveis semelhanças com pinturas e esculturas de artistas de renome internacional.

Constatado o facto, reuniram-se as fotos do cérebro e as obras de arte para as colocar lado a lado e serem comparadas numa exposição intitulada 'As Cores do Pensamento' que, pela primeira vez, vai decorrer entre 25 de Setembro a 25 de Outubro, no Terreiro do Paço e nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Esta iniciativa conjunta da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Fundação Calouste Gulbenkian pretende dar a conhecer a um público menos especializado os progressos realizados na área da neurociência que identificam a relação do cérebro com a criação artística.

«Explosão» por Adolph Gottlieb (esq) e «O Poder da Atração» por Laura López-Mascaraque do Instituto Cajal, Espanha, conseguido através da cultura de neurónios pós mitóticos em gel de colagénio e marcação com anticorpos monoclonais

“É desta forma uma exposição sobre ligações. Ligações entre células nervosas, ligações entre regiões do cérebro, ligações entre o cérebro e a arte, ligações entre as pessoas que visitam a exposição para desfrutarem da beleza das mais recentes imagens do cérebro e da beleza artística que o próprio cérebro cria”, afirma Idan Segev, investigador da Universidade Hebraica de Jerusalém.

‘As Cores do Pensamento’ tem um carácter internacional pois foi devido ao sucesso desta exposição, o ano passado em Milão, que houve a ideia de a replicar este ano em Lisboa, Paris, e Deauville. Para além disso, está actualmente a ser planeada para 2013 em Londres, Berlim, Mónaco e Nova Iorque.

E porque estamos a falar de cores e pensamento, deixo aqui os meus últimos trabalhos, três em pastel de óleo sobre tela e outro em acrílico, também sobre tela




Termino com um vídeo muito interessante com o mesmo título: As cores do pensamento

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"Isto não é socialmente aceitável, pois não?"

O texto que aqui coloco é da autoria da professora  Helena Damião e foi publicado em De Rerum Natura

Não sei se percebi bem o que li numa pequena notícia do Expresso desta semana.

O jornalista (Micael Pereira) explicou-se bem (na verdade, explicou-se muito bem) ao relatar um pesadelo colectivo dos tempos que correm, mas quem sabe que esse pesadelo não é inventado, que decorre da realidade, para defesa da sua racionalidade e da matriz de valores em que ela assenta, põe-se a duvidar da sua própria capacidade de compreensão. É o meu caso.


A notícia, intitulada
Os impostos não são para todos, situa o pesadelo: num luxuosíssimo hotel construído num luxuosíssimo espaço algarvio. Ali, umas centenas de ricos, muito ricos, de vários países do mundo assistem a uma palestra proferida por um consultor estrangeiro sobre "como Portugal é a melhor escolha fiscal em 2012", pois "às vezes as medidas de austeridade em Portugal para os mais ricos são mais aparência do que realidade"... Isto é dito e está escrito num slide da sua apresentação. E o tom não é crítico (obviamente que naquela circunstância não o podia ser!), é afirmativo, para convencer os clientes a investirem (talvez investirem devesse ter aspas) em terras lusas...

Um milionário do Reino Unido presente, aparentemente desconcertado com o discurso, disse ao jornalista:


"(...) quem tem dinheiro, tem sempre forma de gerir a carga fiscal. Eu, no lugar do Governo. em vez de ter impostos baixos para gente como nós, baixava os impostos a todos os portugueses. Só assim é que há actividade económica (...) Além de mais, isto não é socialmente aceitável, pois não?"
Um milionário (sublinho, um milionário), a quem são oferecidas benesses fiscais, tem o discernimento social que falta a quem permite que se ofereçam benesses fiscais a "gente como ele".

Enquanto isto acontecia, nota o jornalista, o nosso Ministro das Finanças, em directo pela televisão, explicava ao país o mais recente aumento de impostos (destinado a "outra gente").


Tudo isto bate certo. Lamentavelmente.


 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Carrazeda de Ansiães, terra com marcas do tempo…




Escrito em 29/08

Ontem, dia 28, fomos explorar o património de Carrazeda de Ansiães. Digo fomos, porque foram connosco duas artistas plásticas ligadas a Alfândega: a escultora Isabel de quem falei em mensagem recente e a minha amiga de infância, Lourdes Sendas que no dia 3 inaugura uma exposição na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues.

Tinha estado em Carrazeda já há mais de 30 anos. Embora perto, os acessos  não eram famosos. Agora, com a abertura do IC5 tornou-se fácil a viagem. Valeu a pena e espero regressar no próximo verão para visitar o muito que ficou por ver.

A visita a Carrazeda, sede de concelho,  vale por si. Uma série de casas belíssimas em granito justificam a visita. Mas a par destas obras algumas seculares, há a modernidade.
Ali podemos visitar também um Museu Internacional de Arte Contemporânea ao ar livre que muito deve à iniciativa do escultor Alberto Carneiro, também presente com uma obra.




Já fora da vila há inúmeros pontos de interesse a começar pelo castelo de Ansiães, hoje em ruínas mas com obras de recuperação, situado na freguesia de Lavandeira, a 7 km da vila. Aqui se situava a vila medieval que em 1734 foi transferida para Carrazeda. No local que está a ser intervencionado, resistem ao tempo ruínas de casa, das várias muralhas e de  duas igrejas românicas, a de S. Salvador com um pórtico lindíssimo e a de S. João Batista,  totalmente destelhada, junto à qual se encontram restos de uma necrópole









Em Lavandeira vale a pena visitar a igreja de Santa Eufémia  e os seus frescos interiores






Ainda fomos a Selores, onde existe um belíssimo solar 



Por ver ficaram imensos locais de interesse, nomeadamente monumentos megalíticos, pinturas rupestres, etc, dispersos por outras aldeias do concelho.
Havemos de voltar…

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Pioneiro


Este texto foi escrito em 24/08


Entre as várias surpresas que encontrei na adega, neste Verão, contam-se vários números de uma publicação que o meu pai recebia,o Pioneiro da “Arcesp”, sigla da Associação dos Representantes Comerciais do Estado de S. Paulo, de que o meu pai era sócio. 




Publicação interessante, dada a  diversidade de temas, decidi colocar  aqui alguns excertos de textos de um dos números. Escolhi três textos,  um porque se  adequa à nossa realidade atual,  outro por fazer referência a uma descoberta científica e o terceiro, a última lição de um professor.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A minha adega…



Este texto foi escrito em 22/08

Na aldeia, as adegas sempre foram espaços onde tudo cabia, desde as talhas do azeite às  pipas do vinho, passando por panelas, balanças, garrafões, cestos, ferramentas, etc, etc, etc.
Eram geralmente espaços muito confusos onde as coisas por vezes “desapareciam” para serem encontradas às vezes, por acaso, uns anos depois…
Foi numa mala "perdida" na adega, que 22 anos após a morte do meu pai, encontrei um conjunto de poemas seus que a Câmara Municipal publicou ("Poemas Póstumos" referidos em mensagem anterior)
Geralmente todos os anos encontro “surpresas” na adega onde, aos poucos, vai começando a surgir o meu “museu”. Deixo algumas imagens do espaço, já um pouco organizado, mas ainda longe daquilo que é o meu sonho.






Entre as surpresas que encontrei este ano, contam-se vários sacos de estopa que se destinavam aos figos secos, à farinha, à amêndoa, etc. Todos eles com as iniciais do meu avô, bordadas em ponto de cruz(na imagem ficaram pouco nítidas)….



Mais uma mensagem ao PM



Nevoeiro, de Fernando Pessoa (Mensagem para Passos Coelho)

É este o título de mais uma mensagem ao PM, colocada por Deana Barroqueiro 

Depois da mensagem do primeiro ministro a anunciar medidas que vão criar mais pobreza para os velhos e os trabalhadores e mais riqueza para os ricos e intocáveis, deixo-vos esta outra Mensagem premonitória de um poeta desassossegado, na voz de Gal Costa.

Imersos num país de Nevoeiro de que nem o sol glorioso logra libertar-nos, assistimos impotentes à nossa destruição, levada a cabo por governantes incompetentes que juraram proteger-nos. Onde está a prometida equidade, que me faria aceitar os sacrifícios insuportáveis que nos pedem, quando vejo que os que mais podiam contribuir para a crise, são os que menos pagam e mais recebem, graças a um rol de medidas de excepção que lhes são oferecidas?

Estou a atingir o ponto de saturação, com esta política de extorsão, desigualdade de sacrifícios e de falta de horizontes. Estão a destruir o tecido social do país, borrifando-se para a democracia e os direitos do indivíduo. Não foram tanto os gastos das pessoas, mas as más políticas, a corrupção, jogos de influências e compadrios dos partidos que alternaram no Governo que puseram o país neste estado.


Portugal... é Hora!

O poema, na voz de Gal Costa

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer ―
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro…
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a Hora!

Fernando Pessoa, Mensagem


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Museu rural de Sambade




Este texto foi escrito em 18/08


Através de dois  blogues que constam nos meus favoritos, vou tomando conhecimento de algumas novidades da “terra”. Assim soube da recente criação de um museu rural na aldeia de Sambade. Dirigi-me ao posto de turismo mas não sabiam de nada. Gentilmente decidiram ajudar-me. Fizeram alguns telefonemas e assim fiquei a saber que ainda não havia um horário de abertura mas, nos fins de semana e dias festivos, bastaria procurar pelo Sr. Presidente da Junta que se encarregaria de mostrar o museu. Assim, no dia 15 fomos à referida aldeia. O Sr. Presidente da Junta que teve a iniciativa de criação do Museu, no que foi apoiado pela Câmara Municipal, fez questão de nos guiar a visita  com todo o pormenor. O Museu é pequenino mas irá expandir-se pois,  para já, usa apenas parte das instalações da antiga escola primária dado que o espaço restante está ocupado com um infantário. Prevê-se  para breve a mudança de instalações do mesmo, pelo que o Museu poderá crescer.

Foi sempre com muito entusiasmo me carinho que falou desta obra. No fim agradecemos todas as gentileza  e fomos brindados com mais uma. Fez questão de nos oferecer uma medalha da aldeia.
Obrigada Senhor Carolino e oxalá consiga continuar a sua obra por muitos anos.







Sunset Partys…




O Hotel & SPA Alfândega da Fé decidiu  celebrar o verão com a realização de Sunset Partys.
O conceito não é novo, mas chegou ao Nordeste transmontano numa unidade hoteleira brindada por um dos mais belos pôr do sol da região. A primeira Sunset Party foi  a 20 de julho, a segunda a 24 de agosto e a terceira está agendada para 21 de setembro
É em plena Serra de Bornes, a mais de mil metros de altitude, convidando a um contacto direto com a natureza, que estas  Sunset do Nordeste acontecem.
A entrada é livre e sem consumo obrigatório mas, por 20 euros, poderá associar-se a componente gastronómica ao espectáculo,  prolongando a Festa até à mesa do Hotel.
No dia 24 estivemos lá. Aqui ficam duas imagens.





Mas do terraço da minha casa na Parada, eu posso gozar diariamente este magnífico espectáculo. Aqui ficam também algumas imagens