Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Reflexões sobre a crise...


Onde encontrar as principais razões da crise?

Deixo esta pergunta para reflexão, conjuntamente com dois textos:  Entre Sentidos, artigo de Nassalete Miranda no último número de As Artes entre as Letras  e excertos de um livro que estou a reler “Crónicas do Sul “ de Luís Sepúlveda.


Centenário de Jorge Amado



 Os primeiros livros que adquiri de Jorge Amado, teria eu vinte e poucos anos, foram “Mar Morto” e “Jubiabá” edições  unibolso, publicadas por Livros do Brasil. Na altura o dinheiro não dava para maiores voos.
  
Mais tarde adquiri muitos outros pois, entre os meus escritores favoritos ( e tenho vários) encontra-se Jorge Amado. Duas das obras de que mais gosto são Teresa Batista cansada de guerra e Capitães da areia
Em S. Paulo, no Museu da língua Portuguesa, que tive oportunidade de visitar nesta minha última viagem ao Brasil, da qual dei testemunho aqui no blogue há cerca de mês e meio, esteve patente  até 22 de julho, uma exposição dedicada ao escritor, um dos mais prestigiados escritores brasileiros. O autor de "Gabriela, Cravo e Canela" nasceu a 10 de agosto de 1912 e faleceu a 6 de agosto de 2001.
A exposição, em parceria com a Fundação Casa de Jorge Amado, segue para o Museu de Arte Moderna da Bahia e, ainda este ano, para oito capitais, entre as quais Recife, Rio de Janeiro e Brasília, além de Buenos Aires, a capital argentina. 
Entretanto, em Portugal, e no âmbito das comemorações do aniversário de nascimento do escritor, estreia dia 19 nos cinemas o filme "Capitães da Areia" - baseado na sua obra homónima-, da realizadora Cecília Amado.


Gostaria de escrever uma mensagem maior mas ultimamente tenho tido o tempo muito ocupado e amanhã parto para a aldeia. Mas deixo-vos com este dois vídeos sobre o autor e a sua obra


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Professor Sérgio Ramos



Não conheço o professor Sérgio Ramos mas sei  que recebeu  o galardão de Educador Pré-Universitário do Ano, concedido pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE). A notícia foi publicada em Ciência Hoje 
Para ele os meus sinceros parabéns

domingo, 22 de julho de 2012

O flagelo dos incêndios.



Mais uma vez, aí está o flagelo dos incêndios.  E o futuro parece  cada vez mais assustador conforme estudo  referido em  mensagem colocada a 22 de Julho em Ciência Hoje 

Mas se as condições  climatéricas  têm uma grande influência  neste  drama, há outras razões que não podem ser esquecidas e que vão da negligência , pura e  simples, a uma malvadez sem limites

Em 2005,pôde ler-se -se no DN o  texto que segue

Incêndios e incendiários 

A evidência salta aos olhos o País está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.  José Gomes Ferreira, subdirector de Informação da SIC

 Esta “repugnante indústria” progride, por um lado pela ganância desmedida que não olha a meios para atingir os fins  e, por outro, porque é fácil recrutar incendiários. Segundo um estudo da PJ, os poucos incendiários que confessaram o crime por razões financeiras falaram em quantias muito baixas.  

Do referido  estudo resultou um perfil do incendiário português. Segundo os dados recolhidos por uma equipa do Instituto Superior da Policia Judiciária, 70% dos incendiários têm em geral 20 a 35 anos, são solteiros ou viúvos, estão desempregados e têm baixos índices de escolaridade

Daí que eu insira aqui, de novo, uma frase que coloquei há dias, atribuída a Nelson Mandela:

 A educação é a mais poderosa arma, pela qual se pode mudar o mundo.


Termino com um quadro famoso de Turner ,que testemunhou e recriou o Incêndio das Câmaras dos Lordes e dos Comuns em 1834




sábado, 21 de julho de 2012

Dia do Amigo...


Ontem doi o Dia do Amigo.
Não sabia que existe um Dia do Amigo. Soube-o, por acaso, através de dois dos blogues que incluí  nos meus favoritos:  De Rerum Natura e Letra Pequena.
No primeiro  podemos ler um belíssimo poema de Vinícius de Morais que eu usei numa pequena colectânea de textos sobre a amizade que organizei em 2005,Ano Internacional da Física, em que se comemorou o centenário do “Annus mirabilis”, 1905.
Nesse ano Einstein publicou quatro brilhantes artigos, entre eles um sobre relatividade restrita e outro sobre o efeito foto elétrico, trabalho pelo qual lhe viria a ser atribuído o prémio Nobel da Física em 1921.
Para mim, 2005 foi também “um ano miraculoso”. Recebi dois primeiros prémios em concursos de poesia, o Prémio Rómulo de Carvalho  e fui agraciada com a Comenda da Instrução Pública, por sugestão da Sociedade Portuguesa de Física. Quando recebi um telefonema a dizer que teria que ir a Lisboa para uma sessão na presença do Sr. Presidente da República (à data, Jorge Sampaio), mesmo sem imaginar que  iria ser agraciada, pensei que era uma brincadeira do meu amigo Ricardo Mota, perito em pregar partidas. Nunca imaginara tal situação. Foi para mim uma grande honra, eventualmente imerecida, que teve apenas um senão. Para  os meus pais, muito em especial para a minha mãe, teria sido um motivo de enorme contentamento. Infelizmente já ambos tinham falecido.
Tudo isto começou a propósito dos Dia dos Amigo. É que na sequência do que anteriormente referi, um grupo de amigos decidiu, sem eu saber, promover um almoço em Alfândega da Fé que teve lugar no dia 8/4/2006. Quando decidiram tomar tal iniciativa falaram com o meu marido, por isso ele estava a par do acontecimento. Eu só soube quando, em determinado dia,  me comunicou que dali a dois dias teríamos que ir a Trás-os-Montes, expondo então as razões da ida.
Disse-me o número de pessoas previstas, residentes em vários pontos do país, e fiquei espantada pois não  supunha ter tantos e tão bons amigos.
Pensei que teria que fazer algo que pudesse mostrar, embora de uma forma muito modesta, quanto o gesto me tinha tocado.Surgiu-me a ideia da colectânea. Fiz uma para cada um dos participantes. Só cerca de um ano mais tarde ingressaria na Utopia, para ter aulas de pintura com o Mestre Domingos Loureiro, mas uns tempos antes tinha, como autodidata,  feito uns trabalhos com pintura e  colagem e foi com um desses trabalhos que fiz a capa. 

Os textos incluídos foram os que seguem, tendo o primeiro, de minha autoria, sido escrito para o evento

Amizade
Como um rio, o tempo flui
arrastando consigo múltiplas memórias.
Algumas dissolve-as na voragem
e assim se desvanecem e em exponencial decrescem
tendendo para o nada.
Memórias há, porém, que o tempo não dilui,
antes sedimenta na passagem.
São as ausências que o não são porque, presentes,
têm o travo amargo doce da saudade;
são as presenças, que o são mesmo que ausentes,
dando real sentido à amizade.
(Regina Gouveia)

A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa…..Se queres um amigo, cativa-me.
( Saint-Exupéry)

A AMIZADE duplica as alegrias e divide as tristezas.
(Francis Bacon)

A AMIZADE é como os títulos honoríficos; quanto mais velha, mais preciosa.
(W Goethe)

A AMIZADE é como a sombra na tarde - cresce até com o ocaso da vida.
(La Fontaine)

Amigos
Tenho amigos que não sabem
o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre
do que o amor, eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor
tem intrínseco o ciúme,
que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro,
basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja
a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não lhes posso dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crónica
e não sabem que estão incluídos
na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção
de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo
que eu, tremulamente, construí
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam,
eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece
é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos
sobre alguns deles.
Quando viajo
e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima
por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo,
andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente
os que só desconfiam
ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
(Vinícius de Moraes)

Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
(Vinicius de Moraes)

Traz Outro Amigo Também
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
(José Afonso)

Um amigo
Há  uma casa no olhar de um amigo.
Nela entramos sacudindo a chuva.
Deixamos no cabide o casaco
fumegando ainda dos incêndios do dia.
Nas fontes e nos jardins das palavras que trazemos
o amigo ergue o cálice e o verão das sementes.
Então abre as janelas das mãos para que cantem
a claridade, a água e as pontes da sua voz
onde dançam os mais árduos esplendores.
Um amigo somos nós, atravessando o olhar
e os véus de linho sobre o rosto da vida
nas tardes de relâmpagos e exílios,
onde a ira nómada da cidade
arde como um cego em busca de luz.
(Eduardo Bettencourt Pinto)

Amizade ao longo
Passam lentos os dias
e muitas vezes estivemos sós.
mas depois há momentos felizes
para existir em amizade.
Olhai, somos nós.
…………………………………………………………………
No entanto calai-vos.
Quero dizer-vos algo. Quero apenas dizer
que estamos todos juntos. às vezes, ao falar, alguém esquece o seu braço sobre  meu e eu
ainda que esteja calado dou graças, porque existe paz nos corpos e em nós.
Quero dizer-vos como todos trouxemos
nossas vidas para aqui, para contá-las. Por muito tempo, uns com os outros, a um canto falámos, tantos meses que nos conhecemos bem,
e na lembrança o júbilo é igual à tristeza.
Para nós  a dor é terna.
Ai o tempo! Já tudo se compreende.
(Jaime Gil de Biedma)

Carta aos amigos

Mando-vos estes sabores
construídos na terra onde nasci.
E se mais não vos envio é porque eu mesmo
já não sei inventar outros amores
mal ou bem consentidos nos horizontes desta vida que pouco  a pouco construí
Agarrai-lhe o cheiro
que tem os odores da minha insatisfação
Segurai-lhe o gosto que guarda a memória
da minha paixão. 
Fazei o que no tempo melhor vos convier
mas não deixeis perder este sonho
curtido em dias e noites a fio
à roda de uma mesa qualquer.
Não deixeis morrer a alma
da voz que nos anima
cá por dentro ao desafio
pela vida que queremos vencer.
Como se o despontar de um novo dia
fosse apenas outro querer…
Como se a revolta interior
gritada contra toda a maldade
que nos traz o sofrimento
fosse apenas o livro aberto e puro
de tudo quanto está por escrever.
Mas que fique a sede da verdade
e da tolerância e do entendimento
de que sós andamos para trás
nesta terra que não merece fingimento
e nos pede simplesmente
que juntos aprendamos a crescer!
(Francisco José Lopes)

A propósito deste evento, Francisco José Lopes, natural de Alfândega da Fé, autor do último poema, escreveu uma mensagem no seu blogue http://resistente.3e.com.pt/. Infelizmente o blogue foi corrompido e não foi possível recuperar as mensagens anteriores a 2009. Como a guardei  coloco alguns excertos.

Regina Gouveia – em torno de uma Comenda e de um Prémio, com a amizade no coração

(…) Em 2005 foi distinguida com o prémio Rómulo de Carvalho instituído pela Sociedade Portuguesa de Física (…)  Foi-lhe igualmente atribuída a Comenda da Ordem da Instrução Pública pelo Presidente da República Jorge Sampaio.
No dia 8 de Abril, um grupo de familiares e amigos sentou-se à mesa
com Regina Gouveia num restaurante de Alfândega da Fé. O pretexto foi dar-lhe os parabéns por aquelas honrosas distinções, mas o motivo foi transmitir-lhe a amizade e a consideração que muita gente tem por ela. Foi, de facto, um excelente momento de convívio e amizade, no qual não faltou sequer o canto de um dos temas mais paradigmáticos da música de José Afonso, “Traz outro amigo também”. Aliás, bem de acordo com a sua forma de estar na vida, foi Regina Gouveia quem acabou por surpreender todos os presentes com uma “prenda” muito especial: um pequeno conjunto de poemas de vários autores que falam de amigos e de amizade, começando exactamente por um da sua autoria e onde naturalmente se incluía o texto/música já mencionado de José Afonso.

A finalizar deixo quatro  de entre as muitas fotos tiradas. 





E tudo isto a propósito do Dia do Amigo…

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mandela day



Nelson Mandela completou  hoje 94 anos

Esta meu texto pretende ser uma homenagem, modestíssima, é óbvio,  a um HOMEM tão GRANDE…  

Encontrei aqui uma referência curiosa, publicada já em 2010

Invictus é um pequeno poema do poeta Inglês William Ernest Henley (1849-1903). Foi escrito em 1875 e publicado pela primeira vez em 1888.
Nelson Mandela, citou-o como fonte de inspiração durante o  seu tempo na prisão.

Abaixo, em tradução livre do citado  blog

Do avesso desta noite que me encobre,
Preta como a cova, do começo ao fim,
Eu agradeço a quaisquer deuses que existam,
Pela minha alma inconquistável.


Na garra cruel desta circunstância,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
Minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.


Além deste lugar de ira e lágrimas
Avulta apenas o horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará destemido.


Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.

 Encontrei também o desenho abaixo e um vídeo com o poema anterior 
Pintura de nelson mandela, "hand of africa", 2003



Termino com uma frase de que gosto muito,  atribuída a Mandela


A educação é a mais poderosa arma, pela qual se pode mudar o mundo

Da "crise"ao bosão de Higgs


No último número da revista As Artes entre as Letras, no seu artigo de abertura,
Nassalete Miranda faz uma reflexão muito interessante sobre “a nossa  crise”.

Como podem ver ali são referidas as habilitações  de  “doutores” e “engenheiros” conseguidas  em cursos intensivos de fins de semana e equivalências.

A este propósito sugiro também um texto de Deana Barroqueiro


Regressemos  ao texto de Nassalete Miranda e à reflexão final … 

De resto, esperança!. A “partícula de Deus”, bosão de Higgs, ou vice-versa , já está aí para criar mentes brilhantes que vejam o óbvio…


E a propósito do bosão de Higgs …

Estive 10 dias na aldeia por causa de umas obras de conservação na casa que ali tenho, herança dos meus pais.

Ainda comecei a elaborar  um texto sobre os últimos avanços no que se refere à descoberta do bosão de Higgs mas não consegui arranjar tempo para o concluir. Seguem agora, embora com atraso, algumas referências, nomeadamente dois vídeos, com abordagens muito simples mas interessantes



E finalmente, porque ciência e poesia podem (devem?) andar de mão dadas, sugiro
este vídeo

Termino com um poema meu que, creio, já aqui deixei em outra mensagem.

Bosão de Higgs

Existirá desde o primeiro momento
ainda sem espaço, ainda sem tempo,
sem quando, nem onde,
em que o tudo era simplesmente o nada?
Afinal, a massa de onde é que provém?
É este, em essência, o segredo que, cioso, esconde,
mau grado o empenho de toda a ciência.
Cioso, acanhado,
quiçá temeroso de um qualquer depois,
ainda mais terrível do que eme cê dois
na bomba de Hiroshima
O bosão de Higgs existirá ou não?
Eis a questão.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Netos...


Na penúltima mensagem coloquei um texto da escritora Rachel de Queiroz , alusivo aos netos.
Hoje incluo este texto cuja "autoria" desconheço e que me foi enviado por e-mail.

 
E a propósito de avós e netos descobri na NET a pintura, Avó e neto,  dum autor português E.M.


 Outras obras deste autor, como as que deixo a seguir,  podem ser vistas aqui



A última fez-me lembrar um quadro (acrílico sobre tela) que pintei em 2009, numa fase a que o meu professor ( Domingos Loureiro), por graça, chamava a fase das arquiteturas

terça-feira, 3 de julho de 2012

Douro sublimado



 "O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta." 
Miguel Torga in "Diário XII"

É este o Douro que se apresenta com todo os seu esplendor, nestas imagens da Quinta do Crasto


É este o Douro que Miguel Torga sublima através dos seus poemas, não menos sublimes...

DOURO

Cai o sol nas ramadas.
O sol, esse Van Gogh desumano...
E telas amarelas,calcinadas,
Fremem nos olhos como um desengano.

A cor da vida foi além de mais!
Lume e poeira, sem que o verde possa
Refrescar os craveiros e os tendais
De uma paisagem mais secreta e nossa.

Apenas uma fímbria namorada,
Vermelha e roxa, se desenha ao fundo
O mosto de uma eterna madrugada
Que vem do incêndio refrescar o mundo.


DOIRO

Suor, rio, doçura.

(No princípio era o homem ...)
De cachão em cachão,
O mosto vai correndo
No seu leito de pedra.
Correndo e reflectindo
A bifronte paisagem marginal.
Correndo como corre
Um doirado caudal
De sofrimento.
Correndo, sem saber
Se avança ou se recua.
Correndo, sem correr,
O desespero nunca desagua ...

DOIRO

Corre, caudal sagrado,

Na dura gratidão dos homens e dos montes!
Vem de longe e vai longe a tua inquietação...
Corre, magoado,
De cachão em cachão,
A refractar olímpicos socalcos
De doçura
Quente.
E deixa na paisagem calcinada
A imagem desenhada
Dum verso de Frescura
Penitente


São Leonardo da Galafura

À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.
Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.
Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!

Termino com o Rio Douro de Dórdio Gomes 



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Com crianças, uma vez mais



 No passado sábado foi inaugurada a VII Feira do Livro da Maia (programa anexo)



30– SÁBADO

16:00– Inauguração

17:00– Encontro/Apresentação – Percurso: da descoberta à escrita de Ana Maria Costa
Público-alvo: comunidade em geral

21.30h – Conferência (Clube UNESCO da Maia) – Notáveis da Maia: Guilhermina Suggia e Eurico Thomaz de Lima por Victor Dias (Maestro dos Pequenos Cantores e crítico musical)
Público-alvo: comunidade em geral

1– DOMINGO

17.00h – Oficina - Canções para bebés por Ana Carneiro
Público-alvo: crianças dos 0 aos 2 anos

21.30h – Teatro de Robertos - Namorar à carreira pelos formandos da ação de formação “Construção e manipulação de bonifrates”
Público-alvo: comunidade em geral

2 – SEGUNDA

16.30h – Encontro/ Apresentação – “Breve história da Química” de Regina Gouveia
Público-alvo: Infantojuvenil

21.30h – Tertúlia – “Amor de perdição”, 150 anos depois…  por José Augusto Maia Marques e Joaquim Jorge Silva
Público-alvo: comunidade em geral
  
3– TERÇA

16.30h – Hora do conto – Brincar com as palavras, de Luísa Ducla Soares por Filipe Neves e Miguel Azevedo (Biblioteca Municipal da Maia)
Público-alvo: Infantil

21.30h – Sessão de contos – Histórias pequenas para pessoas grandes por Filipe Neves e Miguel Azevedo (Biblioteca Municipal da Maia)
Público-alvo: comunidade em geral

4 – QUARTA

16.30h – Oficina – Ilustração com Sónia Borges.
Público-alvo: Infantojuvenil

21.30h – Poesia e canto - Tertúlia poética e Tuna Universidade Sénior - Instituto Cultural da Maia
Público-alvo: comunidade em geral

5– QUINTA

16.30h – Teatro de fantoches – Robertices de Luísa Dacosta por Filipe Neves, Joana Cardoso e Miguel Azevedo (Biblioteca Municipal da Maia)
Público-alvo: Infantojuvenil

21.30h – Encontro/ Apresentação - A gestação da chuva de Hélder Reis e Ruy Silva
Público-alvo: comunidade em geral

6– SEXTA

16.30h – Oficina - Jogo dramático por Filipe Neves (Biblioteca Municipal da Maia)
Público-alvo: Infantojuvenil

21.30h – Sessão de contos – Histórias pequenas para pessoas grandes por Filipe Neves e Miguel Azevedo (Biblioteca Municipal da Maia)
Público-alvo: comunidade em geral

7 – SÁBADO

17.00h – Encontro/ Apresentação - A gatinha, a princesa e o bebé de Paula Gonçalves da Silva
Público-alvo: Infantojuvenil

21.30h – Dramatização – O rei e a estrela de Vanda Furtardo Marques pelo Grupo de Teatro Três Pancadas
Público-alvo: comunidade em geral

8 – DOMINGO

19.00h – Oficina – Construção de marionetas varas por Liliana Aguiar (Museu Municipal Maia)

21.30h – Dramatização – Arte em retalhos por Pé no Charco Teatro Oficina de Vermoim com encenação de Mário Sá

9 – SEGUNDA

21.30h – Conferência (Clube UNESCO da Maia) - Notáveis da Maia: Gonçalo Mendes da Maia por Luís Amaral (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)


Hoje, dia 2, conforme o programa, estive com crianças de nível pré-escolar que participam em actividades promovidas pela Câmara da Maia. Como a sessão era aberta ao público em geral, estiveram outras crianças e adultos.

Estava anunciada a Breve História da Química, mas tratando-se de crianças tão pequenas, foquei apenas a magia da Química, com experiências muito simples.
Depois falei um pouquinho nos outros livros, mais acessíveis ao nível etário em causa e fiz mais algumas experiências. Terminámos cantando um texto meu que nem sequer está publicado mas que costumo cantar com as crianças pequenas, adaptando-o a uma música infantil muito conhecida

A lua no céu está tão redondinha,
mas que maravilha, mas que maravilha, mas que maravilha …
Apareceu além no cimo do monte.
Vou lá apanhá-la e fica a ser minha e fica a ser minha
Não sou egoísta. Ponho-a na janela
para poder ser vista
por quem passar defronte, por quem passar defronte
Mas agora penso, se a tiro do céu,
jamais por lá brilha. a lua tão bela, a lua tão bela
prefiro que fique no céu a brilhar
Não a vou buscar. Não a vou buscar. Não a vou buscar.

Uma das crianças que assistia tinha concluído o 3º ano e  era muito participativa tendo colocado várias questões. O mesmo aconteceu com uma jovem do 7 º ano de escolaridade que estava a trabalhar na feira do livro (grande exemplo…) e assistiu à sessão.
No final veio cumprimentar-me uma conterrânea (do concelho de Alfândega da Fé) que eu não conhecia, mas de quem já ouvira falar dado que também escreve. Ao ver o meu nome anunciado fez questão de estar presente e de se dar a conhecer. Obrigada Lourdes Graça

E já que falei de crianças não resisto a colocar um texto da escritora Rachel de Queiroz , alusivo aos netos

Da autora, pouco conhecida em Portugal, tenho um livro muito interessante, Memorial de Maria Moura , que me foi oferecido por um primo brasileiro. Obrigada Abílio…

domingo, 1 de julho de 2012

Vida...


Na mensagem anterior, a que dei o título Miscelânea, o tema transversal a todos os textos incluídos foi a vida. Continuemos então a falar de vida.
Comecemos com a questão Existirá vida fora da Terra colocada em 10 de Junho, em De Rerum Natura 

A Terra é habitada por  milhões de milhões de seres, alguns considerados  vivos, outros não. Todos eles são formados por elementos químicos. Onde reside então a diferença ? Essencialmente na forma de organização desses elementos. A vida é uma manifestação fantástica da organização de elementos químicos.

 Vida

O mundo com todas as suas fragrâncias
é feito de elementos, misturas, substâncias.
Elementos  mais ou menos cem.
Como pode acreditar alguém, com senso,
que a diversidade de um  universo tão imenso
a partir de tão pouco seja conseguida?
Mas o mais estranho é o que agora vem.
Muito menos elementos tem
aquilo a que resolvemos chamar  vida.

Gouveia R. in Reflexões e Interferências

Possuindo não apenas unidade de composição mas também unidade funcional, a célula é a unidade básica da vida de todos os seres vivos, de cujo trabalho depende a própria vida.
Todo ser vivo é formado por células, alguns por uma única célula, seres unicelulares, outros por várias,  pluricelulares.

O ser humano é pluricelular. O corpo humano adulto é formado por cerca de 10 triliões de células. As maiores células do corpo humano têm aproximadamente o mesmo diâmetro de um fio de cabelo, mas a maioria são menores do que isso têm cerca de um décimo do diâmetro de um fio de cabelo humano, ou seja, um fio de cabelo tem cerca de 100 mícrons de diâmetro (um mícron é um milionésimo de um metro assim 100 mícrons correspondem a um décimo de um milímetro), deste modo uma célula humana comum pode ter cerca de um décimo do diâmetro de um fio de cabelo (10 mícrons). O dedo mínimo do pé representa 2 a 3 bilhões de células, dependendo do seu tamanho, em analogia considerando uma casa grande cheia de ervilhas, a casa corresponderia ao dedo mínimo do pé e as ervilhas às células.

Entre as várias células que compõem o corpo humano, as que mais me fascinam são os neurónios, responsáveis por quase tudo que ocorre no nosso corpo.


O neurónio é  uma célula nervosa, estrutura básica do sistema nervoso, comum à maioria dos vertebrados. Os neurónios são células altamente estimuláveis, que processam e transmitem informação através de sinais eletroquímicos. Uma das suas características é a capacidade das suas membranas plasmáticas gerarem impulsos nervosos.

E a propósito de neurónios não posso deixar de referir o texto Caminhos neuronais, da autoria do bioquímico António Piedade, incluído no livro “Caminhos de Ciência” 


 O referido texto pode ser  ser lido na íntegra aqui

Caminhos neuronais
Caminho adentro um trilho florestal debruado por pinheiros e eucaliptos. As folhas acompanham-me com os versos do poeta andaluz, Manuel Machado: “…caminante no hay camino, se hace el camino al andar”. De facto, só ao caminhar desvendo o fluir do caminho, os seus trilhos efluentes, as suas sendas que ficam inexoráveis para trás.

Caminho à beira-mar com a água salina a ondular a areia em vagas pulsantes. A cada onda, desaparecem os rastos dos meus passos. É como se a água levasse o caminho feito. A cada onda, renova-se o areal horizonte de meus passos futuros, como se uma nova folha se esbranquiçasse para receber, novamente virgem, o traço seguinte.

Caminho ao longo de um axónio imaginário, prolongamento celular nervoso que nasce do corpo neuronal e se espraia até à enseada da sua ligação, ou sinapse, com o neurónio a quem passa o testemunho de uma mensagem que flui. Flui como uma onda salina de potássio e sódio, propulsionada por uma acção potencial de natureza electroquímica. A passagem de testemunho tem cambiantes químicos que modelam a mensagem com neurotransmissores específicos: serotonina e noradrenalina associadas ao “humor”; dopamina ao controlo motor; acetilcolina à aprendizagem e memória; ácido gama-aminobutírico à inibição; glutamato e aspartato à estimulação; et cetera.

A vaga neurotransmissora banha o neurónio pós-sináptico, passo seguinte, e uma nova onda se espoleta e conflui com milhares de outras vindas de tantos outros neurónios, numa raiz dendrítica que encorpa no integrante corpo celular.

E assim, de sinapse em sinapse, passo a passo, a mensagem faz o seu caminho e a via neuronal se estabelece, consequente, numa acção causal de efeitos complexos ainda pouco estabelecidos, porque muitos são os caminhos e muitas as suas intercomunicações em rede(…).

(…)Um dia, se o sonho tiver natureza neuronal, peço emprestado o verso ao poeta luso António Gedeão e digo que “Eles nem sabem nem sonham, que o sonho comanda à vida” e que é pelo sonho que caminhamos!


Fotografias de neurónios feitas em alguns dos principais laboratórios de neurociências do mundo foram reunidas sob a inédita forma de uma exposição de artes plásticas que já passou por cidades como Barcelona, Chicago e Rio de Janeiro.


O Espaço Ciência Viva, no Rio de Janeiro, realizou uma atividade  com o tema “Cérebro – Viajando na Linguagem”, integrada num  Projeto Ciência e Arte. Os participantes foram envolvidos na criação artística de Redes Neurais. 


Aqui ficam duas imagens de trabalhos realizados



 
Termino com mais um poema...

Viagem
Do quark ao átomo, do átomo à célula, da célula à vida,
quanta energia despendida, quanta energia transformada…
Para quê tanto corrida se afinal é breve a estada ?
Já se aproxima a partida, foi há tão pouco a chegada.

Gouveia R. (in Pro tempore Suo tempore, a aguardar publicação)