Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Kefir

Nos princípios da década de 70, trabalhava o meu marido num atelier de arquitectura, quando o escriturário lhe falou na flor do iogurte, assim chamada  porque  colocada no leite o  transforma  em iogurte.



Ofereceu-nos um pouco e ainda hoje, em minha casa, o iogurte  é feito usando a flor cuja colónia  está sempre em crescimento. A flor inicial tem vindo, ao longo dos anos,  a  originar inúmeras  ofertas…

O Kefir foi considerado um presente de Alá pelas tribos muçulmanas das Montanhas de Cáucaso. e vem sendo cultivado e partilhado há séculos, por isso é considerado anti- ético o seu comércio. Kefir é uma palavra turca e significa: Sentir-se Bem ou Bom Sentimento.

Mas a que propósito resolvi falar do Kefir?

Em finais de 2011 nasceu o  projeto Ciência com Todos, projeto sem fins lucrativos e onde os seus intervenientes são voluntários.
Nasceu da vontade pessoal e sonhadora do seu criador Joao Pedro Cesariny Calafate
Aqui  poderá ler-se
Somos um grupo de pessoas/profissionais que estamos ligados à Ciência de diferentes e diversos modos, tendo todos em comum o facto de nos interessarmos muito por esta tão importante área do conhecimento humano e pela sua divulgação ao público em geral e aos jovens em particular.
O seu objectivo principal é fornecer aos jovens, e demais interessados, um espaço onde possam colocar as suas dúvidas acerca do mundo e do universo e onde possam encontrar respostas perceptíveis e cientificamente adequadas, dadas por especialistas de diferentes áreas da Ciência e Tecnologia.
 A comissão científica deste projecto é formada essencialmente por professores doutores universitários e/ou investigadores, especialistas, ligados aos diversos ramos da Ciência e da Educação em Ciência. 


No espaço em boa hora criado, podemos  colocar as nossas dúvidas, através de um fórum.
Uma das questões recentemente colocada  foi

O "kefir", também conhecido por "flor do iogurte", é utilizado para produzir iogurte a partir do leite onde é mergulhado. Que organismos fazem parte do kéfir? Inclui bactérias que vivem em simbiose? É conhecido o modo como interagem? Onde poderei encontrar informação fidedigna sobre este assunto?

 
Eis excertos da resposta (apresentada por Carlos Silva) :

O que nós chamamos de kefir é um conjunto de bactérias e leveduras a viver em comunidade, simbioticamente, ligadas entre si através de uma substância produzida por elas, a que chamamos biofilme(...).

(...)O kefir é portanto uma colónia de seres vivos, que quando colocada em substrato apropriado, é capaz de fazer processos fermentativos.

Ao transformar o leite (no caso que referiu) numa bebida saborosa esta colónia está na verdade a utilizar o substrato para crescer tanto ao nível do número de indivíduos da colónia, como a nível da quantidade de biofilme.

Se começar com uma pequena porção de flor do iogurte, após algumas utilizações terá uma porção maior. É portanto comum as pessoas oferecerem o kefir que entretanto surgiu a novos utilizadores, dando instruções orais de como tratar da colónia. Diferentes localizações e diferentes modos de cultivo irão resultar em combinações diferentes de bactérias.

Isto faz com que o kefir tenha uma forte componente tradicional e que se vá alterando ao longo do tempo. O kefir que os portugueses utilizam é composto por bactérias ligeiramente diferentes do kefir utilizado por franceses.

Portanto, é difícil dizer com exactidão que bactérias e leveduras fazem parte do kefir. No entanto sabe-se que entre 65% e 80% da colónia são bactérias da espécie Lactobacilli, sendo a maior parte restante bactérias do género lactococci e leveduras. As duas primeiras fazem fermentação láctica (que transforma o leite em iogurte, produzindo ácido láctico,) e as leveduras fazem fermentação alcoólica, produzindo álcool. (tal como acontece na fermentação pão ou na cerveja). Também é às vezes descrita a existência de bactérias produtoras de ácido acético (que são responsáveis por transformar o vinho em vinagre)...

(...)falámos dos organismos que fazem parte o kefir(...)  Falta saber, como é que elas comunicam entre si?
As bactérias comunicam entre si através de sinais químicos que libertam para o espaço onde vivem. Na superfície da célula existem receptores que se ligam a estes sinais químicos. Estas moléculas são como palavras de ordem que desencadeiam determinado mecanismo. Basta então que diferentes bactérias tenham receptores que identifiquem os mesmos sinais químicos para que todas estejam” a falar na mesma língua” e actuem em conjunto formando relações simbióticas.

Um dos mecanismos de comunicação mais famosos é o Quorum sensing. Este dá-se quando as bactérias, através da concentração destes sinais químicos no meio onde vivem ficam a saber que existe um número elevado de bactérias (ou baixo). Ao ultrapassar uma certa concentração destes sinais moleculares (portanto, ultrapassado um certo número de indivíduos que os produz) a colónia desenvolve uma resposta em conjunto. (...) no caso do kefir, formação de um biofilme.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Ler devia ser proibido


É este o título de uma mensagem colocada em De Rerum Natura . Não deixem de consultar.

Como complemento deixo o cartoon anexo.


O Principezinho, mais uma vez ...

Prometi em mensagem anterior que iria falar sobre a encenação de O Principezinho pelo grupo de Teatro 3 Pancadas. O grupo começou a preparar a peça não há muito tempo e já fez, em escolas, algumas apresentações de excertos . Vi a que levaram a cabo no Colégio de Santa Teresa de Jesus  em Santo Tirso. A encenação envolve marionetas, teatro de sombras e projecção de imagens. Gostei do que vi.

Recebi o Principezinho como prenda de anos ou Natal (não sei bem) quando tinha 12 anos e já não sei quantas vezes o reli. Faz agora uma ano dediquei-lhe um post. Reproduzo o texto introdutório 

Já há muito que não escrevia uma carta mas senti uma necessidade imperiosa de contactar com o principezinho. Dele apenas conheço a morada. Nem telefone , nem e-mail…
Decidi então escrever-lhe

Ao Principezinho
Asteróide B612

Caro principezinho.

Deves achar estranha esta carta pois possivelmente nem sabes quem eu sou. Mas eu conheço-te desde os meus 12 anos e nunca mais te esqueci. Tão pouco esqueci a descrição da tua viagem e as tuas conversas com Saint Exupéry, que ele tão bem nos legou.Como estão o teu planeta, a tua flor e o teu carneiro? Como resolveste o problema com a mordaça? Tens estado atento aos vulcões e aos baobás? Tenho a cereteza que sim pois, tal como o acendedor de lampiões que encontraste no quinto planeta que visitaste, tens pleno sentido da responsabilidade Voltaste à Terra? Suponho que não. Não creio, aliás, que gostasses do que irias ver. Está infestada de pessoas que pensam como o homem de negócios e como o rei. O ter e o poder passaram a valores primordiais. Cada vez mais agitados, os homens correm de um lado para o outro sem conhecer o sabor da água de uma fonte cristalina
Gostaria de emigrar para o teu planeta mas sei que é pequeno demais.
Ainda espero que neste meu planeta nos dêmos conta, um dia, de que o essencial é invisível para o olhar. Entretanto vou continuar a estar atenta ao teu riso vindo lá das estrelas
Se quiseres responder-me podes fazê-lo para o meu blogue www.docaosaoscomos.blogspot.com


Há dias em Ciência Hoje foi noticiado que a  Sonda Kepler descobriu mais 11 sistemas planetários.
Quem sabe,  um dia vai descobrir o Asteróide B612?


Tenho boas razões para pensar que o planeta de onde o principezinho tinha vindo era o asteróide B612. Este asteróide foi visto ao telescópio uma única vez, em 1909, por um astrónomo turco. Nessa altura, o cientista fez uma grande demonstração da descoberta a um Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém o levou a sério por causa da maneira como estava vestido. As pessoas crescidas são assim.
Felizmente, para a boa reputação do asteróide B612, um ditador turco lembrou-se de impor ao seu povo, mas impor-lhe sob pena de morte, que passasse a trajar à ocidental. O astrónomo tornou a fazer a demonstração em 1920, agora muito bem posto. E toda a gente a aceitou.
Se vos contei isto tudo sobre o asteróide B612 e se vos confiei o número dele foi por causa das pessoas crescidas. As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falam de um amigo novo, nunca perguntam nada de essencial. Nunca perguntam: «Como é a voz dele? A que é que ele gosta mais de brincar? Faz colecção de borboletas?» Em vez disso, perguntam: «Que idade tem? Quantos irmãos tem? Quanto é que ele pesa? Quanto ganha o pai dele?» Só então julgam ficar a saber quem é o vosso amigo.
Se contarem às pessoas crescidas: «Hoje vi uma casa muito bonita de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombas no telhado...», as pessoas crescidas não conseguem imaginá-la. Precisam de lhes dizer: «Hoje vi uma casa que custou cem mil contos.» Então já são capazes de a admirar: «Mas que linda casa!» 

(excerto de O Principezinho)
Sempre actual este texto de Antoine de Saint-Exupéry tal como os outros, muito em particular a conversa com o homem de negócios.


- "E que fazes tu de quinhentos milhões de estrelas?"
- "Nada. Eu as possuo."
- "E de que te serve possuir as estrelas?"
- "Servem-me para ser rico."
- "E para que te serve ser rico?"
- "Para comprar outras estrelas, se alguém achar."

No entanto, fez ainda algumas perguntas.

- "Como pode a gente possuir as estrelas?"
- "Eu as administro. Eu as conto e reconto, disse o homem de negócios. É difícil. Mas eu sou um homem sério!"

O principezinho ainda não estava satisfeito. "Eu, se possuo um lenço, posso colocá-lo em torno do pescoço e levá-lo comigo. Se possuo uma flor, posso colher a flor e levá-la comigo. Mas tu não podes colher as estrelas."

- "Não. Mas eu posso colocá-las no banco."

- "Que quer dizer isto?"
- "Isso quer dizer que eu escrevo num papelinho o número das minhas estrelas. Depois tranco o papel à chave numa gaveta."

"As pessoas grandes são mesmo extraordinárias, repetia simplesmente no percurso da viagem."
(excerto de O Principezinho)


Mas nada melhor que ler/reler o livro ou, se o tempo for escasso, ver os vídeos que  seguem I , II   e III

E já que falámos de planetas mais uma informação lida em Ciência Hoje, sobre as dunas de Titã

sábado, 28 de janeiro de 2012

De novo, o Dr. Quantum


Em tempos,  já coloquei aqui um vídeo que, de uma forma divertida, nos faz pensar num mundo muito diferente: o mundo quântico.
O blogue de Rerum Natura colocou-o numa das suas últimas mensagens

Um outro vídeo, usando a mesma personagem, transporta-nos para um mundo bidimensional, a Planolândia

E já que falamos de vídeos interessantes, também sugiro este sobre as potências de dez, que também já aqui coloquei

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

De novo em digressão…

No passado dia 16, acompanhada pelo grupo de teatro 3 pancadas, estive na escola Bissaya Barreto
Fizemos duas sessões ( 2º e 3º ciclos ) relativas ao livro Breve História da Química. No final, os alunos de 6º ano entrevistaram-me com muito “profissionalismo”

Gostei muito de estar na escola

No fim foi-me oferecida uma biografia  de Bissaya Barreto,  traduzida por Henrique Galvão




Bissaya Barreto foi uma figura com um percurso político muito controverso

Matriculado na Universidade de Coimbra, fez parte da geração de estudantes da Greve Académica de 1907. Frequentava, na altura, o 1.º ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e foi um dos 160 alunos (chamados intransigentes) que não renovaram a matrícula para fazer exame.
Na Faculdade de Medicina acaba a licenciatura em 1913, formando-se, anos antes, em Filosofia e Matemática, com excelentes notas.
Sendo ainda aluno universitário, lecciona, no Colégio de Coimbra, a disciplina de Ciências Físicas e Biológicas, colaborando na altura com o professor Sidónio Pais, que porventura o terá influenciado.
Em Coimbra, enquanto estudante, foi um republicano convicto. Pertenceu, quando frequentava o 4.º ano de Medicina, ao comité civil da organização carbonária autónoma de Coimbra, "Carbonária Portugália", em Janeiro de 1910. Ao mesmo tempo, faz parte, em Coimbra, da loja maçónica Revolta (aliás, como todos os do comité de estudantes da Carbonária Portugália) com o nome simbólico de Saint-Just, tendo atingido o 5.º grau do Rito Francês.[1]
Participou, como delegado, no Congresso do Partido Republicano, realizado em Coimbra.
Colega de Oliveira Salazar na Universidade, acompanhou-o depois na tertúlia do Centro Académico de Democracia Cristã (CADC), e pode dizer-se, tal era a admiração pessoal que tinha por ele, que foi Salazarista antes do Salazarismo. O ditador, mais tarde, agradeceu-lhe a atenção dedicada.

Mas se do ponto de vista político o percurso parece revelar alguma falta de coerência, o mesmo não sucede no que respeita ao aspecto  humano e humanitário. Impulsionou sanatórios, leprosarias, casas da criança, refúgios para idosos, institutos maternais, bairros económicos, campos de férias, colónias balneares, estando à frente da campanha de luta contra a tuberculose, a lepra e a loucura. À sua iniciativa se devem os Sanatórios de Celas e dos Covões, actualmente Hospital Pediátrico de Coimbra e Hospital Geral, respectivamente. Também a criação da Maternidade Bissaya Barreto, o Hospital Sobral Cid, o Hospital Psiquiátrico do Lorvão, o Hospital Rovisco Pais (que foi uma moderna leprosaria) o Hospital da Figueira da Foz, entre outras instituições que ainda se encontram em funcionamento.Criou a Escola Normal Social e o Portugal dos Pequenitos.Em 26 de Novembro de 1958, criou uma Fundação, em Coimbra, que tem o seu nome, com sede na casa onde viveu.

Henrique Galvão, que viria a ser um grande opositor ao regime Salazarista, na nota introdutória do livro acima citado (nota do tradutor) refere


Após o 25 de Abril foi exonerado de todos os seus cargos, morrendo em Lisboa a 16 de Setembro de 1974.
Actualmente, a Fundação Bissaya Barreto  tem em funcionamento um Centro de Documentação com diversos documentos, fotografias e bibliografia sobre a sua vida e a sua obra.

De Bissaya Barrreto é a frase  que segue e que permanece actual


Continuando a digressão...

No dia 23 estive, também com o grupo de teatro,  no Colégio de Santa Teresa de Jesus  em Santo Tirso.
com actividades que integraram a Semana de Henriquecimento. A designação desta semana tem a ver com o enriquecimento cultural que se pretende, respeitando Santo Henrique de Ossó, nascido a 16 de outubro de 1840,   fundador da "Congregación de Hermanas de la Compañía de Santa Teresa de Jesús" Curiosamente foi professor de Matemáticas y Física no Seminário de Tortosa


23 DE JANEIRO - SEGUNDA-FEIRA
•    Para os alunos do 3º ciclo: 2 sessões
9H — Encontro com a escritora Regina Gouveia, com representação teatral.
•    Para os alunos do 2º ciclo:
Relativamente a esta actividade foram feitas duas sessões, relativas ao mesmo livro (Breve História da Química) que correram muito bem, particularmente a primeira , com alunos muito interventivos

14H — Peça de teatro "O Principezinho"
Relativamente a esta  peça dedicarei uma outra mensagem


Finalmente no dia 24 estivemos em Coimbra, na Escola Alice Gouveia e também com o grupo de teatro, fizemos duas sessões, sobre o mesmo livro,  para alunos (num total de  86) do 9º ano.
No fim, espontaneamente vários alunos vieram dizer que tinham gostado muito das sessões.
Em todos as escolas fomos recebidos com muito carinho por professores,  alunos e funcionários.
É muito reconfortante...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os pássaros


Possivelmente muitos viram já o filme “Os pássaros” de Alfred Hitchcock que aqui recordo num excerto e em que várias aves enlouquecidas cortam a energia eléctrica, arrasam casas e atacam pessoas, chegando a matá-las selvaticamente

Um artigo publicado no passado dia 14, em Ciência Hoje adianta uma explicação para situações reais idênticas à ficcionada no filme

Neurotoxina é responsável por enlouquecer "pássaros de Hitchcock"


(...) Embora não tenha realmente acontecido e não haja registos de um ataque aviário tão sangrento, o argumento do cineasta baseou-se em factos reais. Dois anos antes da obra de Hitchcock, em 1961, os jornais californianos davam conta de uma história, na cidade litoral North Monterey Bay, onde pássaros marinhos tinham atacado.
As aves não agrediram directamente pessoas, mas empreenderam-se contra peixes, batiam em muros e paredes, desorientadas. Os acontecimentos pareciam saídos do livro «The Birds», publicado em 1952. E tal, como no cinema, não houve explicação para o que ocorreu.

Trinta anos depois, em 1991, a natureza resolveu recontar a história. Na mesma área, pelicanos apareceram desorientados e morreram aos milhares. Neste caso, uma equipa de biólogos marinhos conseguiu explicar o sucedido.
Encontraram vestígios de ácido domóico (DA), uma neurotoxina produzida por um tipo de fitoplâncton, que provoca envenenamento amnésico por mariscos (Amnesic Shellfish Poisoning - ASP), é um aminoácido excitatório que contém a estrutura do ácido glutâmico e semelhante ao ácido caínico. A substância foi encontrada em grandes quantidades no estômago de peixes da região, o principal alimento dos pássaros marinhos. A toxina pode chegar a concentrações fatais para os predadores que as ingeriram.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

La piovra

La piovra

Muitos se lembrarão da série italiana, O polvo.
Deixo um excerto para quem viu poder recordar e para quem não viu, ficar com uma ideia da série.

Lembrei-me dessa série porque infelizmente, com a globalização, as máfias que associávamos de imediato a Itália, são hoje uma realidade em toda a Europa e, em meu entender, é aí que residem essencialmente as raízes da crise.
E a propósito da crise vejam o vídeo  anexo e actualizem os vossos conhecimentos com um novo teorema, o teorema neoliberal, que hoje me chegou via e-mail e que podem ver aqui.
TEOREMA NEOLIBERAL

Explicação do Teorema Neoliberal

(dedicado a todos aqueles que ainda se sentem algo confusos perante esta verdade científica)

O Teorema Neoliberal estabelece que engenheiros e outros técnicos especialistas NUNCA JAMAIS conseguirão ganhar tanto como gestores políticos, dirigentes das SAD do futebol, consultores estrangeiros, astrólogos ou cartomantes. O Teorema Neoliberal pode ser facilmente demonstrado reduzindo-o a uma simples equação matemática.

Vejamos:
A equação tem por base os seguintes Postulados indiscutíveis:


Postulado N°1 : Saber é Potência
Postulado N°2 : Tempo é Dinheiro

Ora de acordo com as imutáveis Leis da Física,

Potência = Trabalho / Tempo

então como vimos,  Potência = Saber    Tempo = Dinheiro

Por substituição temos que:

Saber = Trabalho / Dinheiro

O mesmo será dizer que,

Dinheiro = Trabalho / Saber

Ou seja, quando o saber tende para ZERO, o dinheiro tende para INFINITO, independentemente do valor atribuído ao Trabalho.

Pelo contrário, quando o saber tende para INFINITO, o dinheiro tende para ZERO.

Neste caso você corre sérios riscos de ser despedido na próxima reestruturação da Empresa, mesmo que o seu Trabalho seja enorme.

CONCLUSÃO EVIDENTE:

Na economia neoliberal, quanto menos você souber, mais dinheiro conseguirá realizar.

Se sentiu alguma dificuldade em seguir esta demonstração matemática do Teorema Neoliberal, você deve estar a ganhar uma pipa de ma$$a!

domingo, 8 de janeiro de 2012

De poesia e de arte

O dia de Reis acordou, para mim, recheado de coisas boas.
Às 10h, quando me preparava para ir ter com as minhas amigas Daisi e Isabel , com quem não tinha podido estar antes do Natal, ao abrir a caixa do correio, deparei com o livro  Rio virando mar que me foi enviado, devidamente autografado por Deka Purim.
Conheci Deka Purim na minha última visita a Angra do Heroísmo, que teve lugar em Novembro de 2010, a convite do Dr. Marcolino Candeias,  Director da  Biblioteca Publica e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo(BPARAH). Da visita, das crianças com quem contactei, do carinho com que  fui acolhida, bem como da forma como tomei conhecimento do Dr.  Marcolino Candeias e da sua poesia, dei conta neste blogue. Num dos dias, o Dr. Marcolino convidou-me para jantar em sua casa. Foi assim que conheci Deka Purim, com um percurso de vida muito interessante Neste seu primeiro livro a  poesia emerge viva, no título, na dedicatória, em cada poema.


POETA

Ser poeta é
quase
quase
deixar de Ser.
É se diluir
pra pertencer.
É o gozo do
aperto do leito
das palavras
das grafias
e do divino ritmo.
Ser poeta é
Ser Rio
Virando Mar.

Mas continuando o meu dia...Estive com as duas amigas, que estimo muito, conversámos  e trocámos pequenas lembranças de natal
.À tarde fui visitar a exposição "Jogos de luz" de Virgínia Barros, a que fiz referência na mensagem anterior. Trata-de um conjunto muito interessante de fotografias a preto e branco, duas das quais mereceram a minha
preferência. Deixo aqui, embora sem boa qualidade, duas fotos  mas podem ver mais aqui 

No entanto o melhor é visitar a exposição  (espaço Vivacidade )





Ao fim da tarde, ao chegar a casa, fui consultar um blog que consta da minha lista, Alfândega da Fé... Noticias de cá e de lá e aí encontrei referências à exposição de Nadir Afonso, na casa da Cultura de Alfândega da Fé. Já sabia da exposição mas ainda não pude ir visitá-la. Deixo um vídeo sobre a mesma e uma imagem de um  quadro do autor.




Finalmente, à noite fui assistir ao concerto de Ano Novo  na Casa da Música, concerto a que já me havia referido na mensagem anterior



Deixo alguns dados sobre o concerto

1ª parte

Carl Maria von Weber/Hector Berlioz- Convite à valsa

Hector Berlioz- “Ballet des Sylphes e Minuet” de La damnation de Faust

Maurice Ravel- Don Quichotte à Dulcinée

Claude Debussy -“Minuet” de Petite Suite

Claude Debussy - Tarantelle Styrienne
2ª parte
Léo Delibes-“Valse de la Poupée” de Coppélia

Emil Waldteufel- Les patineurs (podem encontrar aqui numa versão bailada)



Charles Gounod- Valsa e ária “Avant de quitter ces lieux” de Faust

Jacques Offenbach (arr. Manuel Rosenthal)- “Allegro Molto e Valse” de Gaité parisienne

Jacques Offenbach-“Je suis Brésilien, j’ai de l’or” de La vie parisienne

Ambroise Thomas- Abertura da ópera Mignon

José Luis Gomez direcção musical, Andrew Ashwin barítono

Natural da Venezuela, o jovem maestro espanhol José Luís Gomez atraiu as atenções internacionais ao conquistar o Primeiro Prémio no V Concurso Internacional de Direcção Sir Georg Solti, em Frankfurt, em Setembro de 2010, naquela que foi uma rara decisão por unanimidade do júri.

Andrew Ashwin barítono

O barítono de ópera britânico Andrew Ashwin tem obtido sucesso em vários países, incluindo Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda e Espanha, bem como no Reino Unido.
De entre os vários trechos cantados deixo aqui na voz de Dário Moreno  a ária “Sou brasileiro, tenho ouro” que retrata o quotidiano cosmopolita da capital francesa na época em que o próprio compositor viveu e onde pairavam milionários, nobres falidos e novos ricos de todo o mundo. é um retrato vívido dessa realidade e conta a história de um desses turistas que vai às compras para estar na moda.

Sou brasileiro, tenho ouro,

Acabo de chegar do Rio de Janeiro

Mais rico do que nunca,

Oh, Paris, de novo a ti regresso!

Já duas vezes cá vim,

A mala de ouro cheia

E diamantes no peitilho,

E quanto durou isto assim?

O tempo de fazer centos d’amigos

E a quatro ou cinco amantes querer,

Seis meses de galantes enlevos,

E depois acabou! Ó Paris! Paris!

Em seis meses me limpaste,

E depois, para a minha jovem América,

Pobre e melancólico,

Com bons modos me mandaste!

Mas por voltar ansiava,

Lá longe, sob o meu céu selvagem,

Raivosamente insistia:

Ganhar outra fortuna ou finar!

Pois que não finei,

Loucas maquias como pude amontoei.

E eis-me aqui pra que me roubes

Tudo o que por lá roubei!

Sou Brasileiro, tenho ouro…

Paris, o que de ti quero,

Tuas mulheres é o que quero,

Burguesas não, nem grandes damas,

As outras sim... está bom de ver!

As que exibindo se podem ver

Nos veludos da ribalta

Com jeito de rainhas

Grandes ramos de lilases brancos,

As de que o olhar frio e sedutor

Num ápice aquilata a sala

E de cadeira em cadeira procura

Sucessor para o janota que,

Todo chique mas pobrete,

No fundo do camarim se anicha,

E diz mordendo o bigode:

Onde raio desencantar dinheiro?

Dinheiro! Tenho-o eu! Vinde!

Vamos comê-lo, minhas pombinhas!

E depois, vou empenhar-me,

Estendei ambas mãos e levai!

Sou brasileiro, tenho ouro…

Hurra! Acabo de chegar,

Às vossas cabeleiras, cocotes!

Entre vossos dentes ponho

Inteira fortuna a tragar!

O pato chegou, depenai, depenai;

Levem meus dólares, minhas notas,

Meu relógio, meu chapéu e minhas botas,

Mas digam que me amam!

A mim os gozos e os risos

E as danças de parelha

A mim as noites de Paris!

Levem-me ao baile de Asnières!

Vinde a mim e tereis Jóias e atavios;

Vinde e despojar-me-eis,

Atrevidas e coquetes!

Mas fiquem a saber,

Pois que me estás no sangue,

Cada cêntimo cobrarei,

Juro-o; Cada cêntimo cobrarei,

Vinde!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A crise é culpa é dos funcionários públicos...

A culpa é, obviamente,  dos funcionários públicos como podem confirmar.

Alguns sofrem há muito com a crise Só podem comprar vinho velho, carros sem tejadilho, etc



Por isso, o melhor é dificultar  a vida à maioria dos funcionários públicos, de modo a que  acabem  por se extinguir.
E se essa maioria de funcionários públicos acabar?  Lá se vai a explicação dos políticos para a crise :
Um artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na Universidade de Estrasburgo, a ler com olhos de ler.

Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociaisImporta em primeiro lugar averiguar as causas (da crise) . Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união.

Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.
Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre (...).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Da magia à nostalgia do Natal ...

Gosto muito da magia do Natal, a família reunida à mesa, a alegria das crianças, os sabores próprios desta quadra festiva.... Mas com a magia surge também a nostalgia que decorre dos lugares vazios à mesa (cada vez mais numerosos), particularmente o da minha mãe.

Lembro-me, da sua belísima voz de soprano, cantando a Ave Maria de Bach/Gounod e particularmente a de Schubert que aqui deixo na voz de Nana Mouskouri
E na mesma voz deixo ainda mais algumas canções que a minha mãe, antes da doença (Alzheimer aos 58 anos), cantava frequentemente:
Serenata de Schubert
Una furtiva lágrima de O elixir de amor, de Donizetti
Amapola de José María Lacalle García (Joseph LaCalle)


E porque estamos em 2012, noticio a exposição de fotografia "Jogos de luz" de Virgínia Barros que inaugura no próximo dia 5, às 17 h, no espaço criativo Vivacidade