Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

“Ilha das flores”, a ironia das palavras…



Segundo a Embrapa Agroindústria de Alimentos,nada menos do que dez toneladas de alimentos vão parar no lixo diariamente. O desperdício de alimentos no mundo se fosse atacado, abriria espaço para saciar a fome de um bilhão * de pessoas mundo afora, sendo que 19 milhões no Brasil — mais do que os 13 milhões de brasileiros com fome.
O cálculo famintos versus desperdício é de pesquisadores da Universidade finlandesa de Aalto e foi publicado, este mês, na revista americana “Science”. Para outros especialistas, porém, a conclusão sobre a redução da fome pode ser precipitada, uma vez que não leva em conta o tipo de alimento descartado e a qualidade do produto, além da forma de acesso das populações mais pobres aos produtos agrícolas, considerados commodities. As Nações Unidas cravam que 870 milhões de pessoas passam fome, seja porque não têm terra — o que dificulta a agricultura de subsistência — ou porque não têm dinheiro para pagar o preço de mercado.(…)
(…)Em pleno século XXI, 870 milhões de pessoas vão dormir diariamente com fome. Isso significa que 12,5% da população mundial estão subnutridas, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês). A propósito da divulgação dos novos números, seu diretor-geral, o brasileiro José Graziano da Silva, escreveu: “não há escassez de oferta ou deficiência tecnológica que justifique esses indicadores”.

( * leia-se mil milhões)



O documentário chocante, “Ilha das Flores” de Jorge Furtado, mostra a problemática da sociedade de consumo, a riqueza e a desigualdade.

3 comentários:

  1. Estes tipo de documentários deixa-nos de rastos.
    Já vi alguns muito construtivos que mostram como em Portugal há quem consiga aproveitar muitos desperdícios de restaurantes, de lojas, famílias, etc.
    Uma vez um inglês meu amigo disse-me que não compreendia como é que Portugal, sendo tão pobre, desperdiçava tanto e em tudo...isto já foi há mais de vinte anos.
    Quanto a mim é uma questão de políticas e incapacidade de gerir os recursos duma forma equitativa. Também é fruto de guerras fratricidas em países do 3º mundo.
    As desigualdades são gritantes, mas não se pode encontrar soluções individualmente...terão de ser encontradas nos povos e com os povos.

    ResponderEliminar
  2. Inacreditável, Regina. E pensar, também, que há países que destroem os alimentos para que os preços não diminuam!!!!!!
    Este mundo precisa mesmo de ser remodelado.

    Um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E há pessoas sem qualuer escrúpulo que "roubam" alimentos que vão para países necessitados, para depois venderem especulativamente no mercado negro.
      Deixo-vos um poema que talvez conheçam já pois é do meu 1º livro
      Ausência
      Hoje não estou para ninguém.
      Se alguém telefonar,
      nem que seja algum ministro,
      (como se fosse vulgar
      algum ministro ligar...)
      digam só que eu não existo,
      ou então fui viajar,
      que ando à deriva no espaço,
      que estou morta de cansaço.
      Sentada no meu terraço,
      hoje não estou para ninguém.
      Quero ver o pôr do sol,
      mais logo, ao entardecer,
      quero ver Vénus nascer
      e a lua desabrochar.
      Quero dormir ao luar,
      é noite de lua cheia.
      Quero ter como lençol
      este céu que me rodeia,
      um céu de estrelas pejado.
      Quero ver a estrela polar,
      Marte, Júpiter, Dragão
      Cassiopeia, Leão,
      quero ver estrelas cadentes,
      correndo no céu estrelado
      brilhando, muito luzentes.
      Quero sonhar com pulsares
      com galáxias, quasares,
      e à luz das constelações
      embriargar-me de amor.
      Quero esquecer meus pesares
      e todo este amargor
      que por dentro me consome
      ao pensar que ainda há um ror,
      são oitocentos milhões,
      de gente que passa fome.

      Eliminar