Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Se eu fosse mais nova….




Se eu fosse mais nova….

Já aqui referi que até 2000, nunca imaginei pedir a aposentação antes dos 70 anos ( caso a saúde me permitisse continuar a exercer a profissão que jamais trocaria por qualquer outra). As barbaridades da ministra MLR levaram a que me aposentasse aos 60 anos, com 39 de serviço.
Da mesma maneira sempre achei que, para viver, não trocaria Portugal por qualquer outro país. Agora, estou tão desencantada  com tudo o que se passa à minha volta ( e não é só de agora) que, se fosse mais nova, talvez emigrasse.
Ultimamente tenho reflectido muito sobre isso. Curiosamente hoje tomei conhecimento do texto Conselho aos Filhos de Portugal , escrito por um emigrante.  Aqui fica para reflexão

Se és um jovem português, atravessa a fronteira do teu País
e parte destemido na procura de um futuro com Futuro
Porque no teu País a Educação é como uma licenciatura
tirada sem mérito e sem trabalho, arquitectada por amigos docentes
e abençoada numa manhã dominical 
Porque no teu País é mais importante a estatística dos números
que a competência científica dos alunos.
O que interessa é encher as universidades, nem que seja de burros
Porque no teu País a corrupção faz parte do jogo
onde os jogadores e os árbitros são carne do mesmo osso
e partilham o mesmo tempero
 Porque no teu País a justiça é ela própria uma injustiça
porque serve quem é rico e influente
com leis democraticamente pobres
 Porque no teu País as prisões não são para os ladrões ricos
porque os ricos não são ladrões
já que um desvio é diferente de um roubo
Porque no teu País a Saúde é uma doença crónica
onde, quem pouco tem
é sempre colocado na coluna da despesa
Porque no teu País se paga a quem nada faz
e se taxa a quem pouco aufere
 Porque no teu País a incompetência política
é definida como coragem patriótica
Porque no teu País o mar apenas serve para tomar banho
e pescar sardinhas
 Porque no teu País um autarca condenado à prisão pela justiça
pode continuar em funções em liberdade
passeando e assobiando de mãos nos bolsos
 Porque no teu País os manuais escolares são pagos
enquanto a frota automóvel dos políticos é topo de gama
 Porque no teu País há reformas de duzentos euros
e acumulação de reformas de milhares deles
 Porque no teu País a universidade pública deixou cair a exigência
e as licenciaturas na privada
tiram-se ao ritmo das chorudas mensalidades 
Porque no teu País os governantes, na sua esmagadora maioria
apenas possuem experiência partidária
que os conduz pelas veredas do "sim ao chefe"
 Porque no teu País o que é falso, é dito como verdade,
sob Palavra de Honra!
São votos ganhos numa eleição
 Porque no teu País as falências são uma normalidade,
o desemprego é galopante, a criminalidade assusta,
o limiar da pobreza é gritante
e a venda de Porsche e Ferrari ... aumenta
 Porque no teu País há esquadras da polícia em tal estado
onde os agentes se servem da casa de banho
dos cafés mais próximos
Porque no teu País se oferecem computadores nas escolas
apenas para compor as estatísticas
do saber "faz de conta" em banda larga
Porque no teu País se os teus pais não forem ricos
por mais que faças e labutes
pouco vales sem um cartão partidário
Porque no teu País os governantes não taxam os bancos
porque, quando saírem do governo serão eles que os empregam
 Porque no teu País és apenas mais um número
onde o Primeiro-Ministro se chama Alice
que vive no País das Maravilhas mesmo ao lado do teu.
Foge !
E não olhes para trás !"


Deixo também um outro texto que reforça algum conteúdo do  anterior


Dezassete  antigos administradores da CGD recebem dois milhões em reformas por ano(…)
A CGD é apenas um dos muitos exemplos de empresas com reformados pelo Estado e/ou pela Segurança Social que regressam ao mercado de trabalho no sector privado, acumulando desta forma reformas acima dos dois mil euros com novos e altos salários em empresas ou instituições privadas(…)
No caso do banco do Estado foram 17 os antigos administradores que passaram pelo conselho de administração e que recebem actualmente cerca de dois milhões de euros por ano em pensões, que variam entre os 2.710 euros mensais e os 14.352 euros brutos.
Numa altura em que o Governo está a congelar e a cortar as pensões de milhares de portugueses, e já prometeu novas medidas de austeridade nesta área, este leque de reformados, a que se juntam outras personalidades públicas, continuam a poder acumular reformas milionárias com outros rendimentos provenientes do trabalho no sector privado (…)
Em sentido inverso, o Diário Económico escreve, esta terça-feira, que a Caixa Geral de Depósitos não rende dinheiro ao País desde 2007. Nos últimos dez anos, o Estado gastou, no total, 4,35 mil milhões de euros em injecções de capital na CGD e foi remunerado, com o pagamento de dividendos, em 2,21 mil milhões de euros. Contas feitas, o saldo é negativo para os contribuintes em 2,13 mil milhões de euros.

E porque falei de emigração deixo aqui duas canções emblemáticas Ei-los que partem na voz de Manuel Freire e Trova do emigrante ( texto de Manuel Alegre, cantado também por Manuel Freire),  aqui na voz de  Cecília de Melo com a guitarra de  Carlos Paredes.

Termino com  a obra “Emigrantes” de Lasar Segall  pertencente ao acervo da  Pinacoteca de S. Paulo

 


5 comentários:

  1. O meu filho João saiu para a Alemanha aos 20 anos e esteve lá sete anos , a trabalhar e a fazer o doutoramento. A mulher esteve lá 4 anos, já com um filho, a trabalhar e a fazer um MBA. A minha filha Luisa esteve 5 anos em Leeds, donde nunca sairia, não fora a doença que se declarou a meio do percurso. Só o meu filho mais novo ainda não saiu...mas trabalha com pouco ânimo no mundo da justiça, que está como sabemos.

    Eu sempre me considerei europeia, mais do que portuguesa, com sangue da Índia a 2/3 e só 1/3 português. Não tive coragem de emigrar porque eram outros tempos e sempre fui muito conservadora em termos familiares.

    Acho que sair do nosso país é uma necessidade, uma libertação, um arejar, com sacrifícios mas com retorno. O problema amior sõ as línguas e é por isso que dou tanto valor ao inglês. Devia ser tão obrigatório como o inglês, mas ensina-se a brincar até ao 7º ano e só depois a sério, com penalização forte para os alunos.

    Acho bem que os meus filhos tenham voltado, mas sei que o fizeram por amor à família...pois este país não é para jovens....nem velhos!

    Bjo

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  2. Devia ser tão obrigatório como o português, queria eu dizer, desculpa os erros!

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  3. Olá Regina
    Como sempre fico encantada com o que escreve no seu "blog".
    Tudo tão bem relacionado. Situação do País, música, pintura!!!! Gostei muito.
    Apenas queria acrescentar uma pequena coisa. Não me parece que a emigração seja uma solução , não só porque os outros países também estão de rastos, mas também porque é no seu País que os portugueses devem exercer as suas competências, fazendo-o progredir. Não há condições? Pois não, mas vamos sempre cair no mesmo ponto . É preciso criá-las rapidamente e para isso é urgente mudar de política. Os portugueses são tão bons como outros quaisquer. O que é preciso é saber aproveitá-los com uma política virada para as condiçôes sem as quais nada resulta, das quais destaco a saúde, a instrução, a haitação e, claro, a alimentação.

    Um beijo grande, Regina.

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  4. Queria acrescentar que os meus filhos, apesar de uma educação de elite, sempre tiveram a noção do país em que vivem e sempre quiseram trabalhar para o bem dos seus compatriotas, nunca aceitaram o trabalho no privado , onde poderiam ganhar balúrdios, tanto um como o outro em áreas diferentes. Mas sair envolve ganhar experiência, sem a qual não pode haver progresso, Graciete. Portugal é demasiado pequeno....

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  5. Sempre incentivei os meus filhos no sentido da abertura de horizontes. O Miguel foi fazer Erasmus para Grenoble e o Nuno para Lille. Passado algum tempo depois de regressar o Miguel casou e nunca optou por ir trabalhar para fora. O Nuno, depois da experiência como aluno Erasmus, foi trabalhar um ano para Itália. Acabou por regressar e se fixar aqui.
    Apesar de breves, acho que as duas estadias foram enriquecedoras para ambos .
    Eu nunca pensei sair( a não ser para viajar...)mas se fosse mais nova, não sei o que faria.
    Lutar cá dentro não tem conduzido a nada mais que seja a "evolução na continuidade"
    Ab
    Regina
    Ab
    Regina

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