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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sábado, 8 de setembro de 2012

O mundo é pequeno




Este texto foi escrito em 13/08


Um ou dois dias após a minha passagem pela Rua dos Balcões, recebi uma chamada da Casa da Cultura. Estava lá uma escultora da Parada que gostaria de me conhecer pois tinha ouvido falar da minha vertente de “escritora” . Indiquei-lhe a morada e  fiquei a aguardar que um dia aparecesse. Desconhecia a existência de uma escultora da terra pelo que fiquei curiosa. Comentando o caso com um parente já afastado, soube que era a dona da casa, na referida rua,  cuja fachada me tinha surpreendido há dias(ver mensagem anterior). Mas soube mais ainda: é neta de um primo do meu pai, de  Mogadouro,  que, em segundas núpcias casou com uma senhora, dona da tal casa agora restaurada.
Lembro-me muito vagamente desse primo mas recordo com muita saudade um irmão, que vivia em Mogadouro e era, se a memória não me falha, capitão de  fragata aposentado. Vivia com a mulher (não tinham filhos) numa casa pequenina mas muito arranjada que, à frente tinha um jardim com um laguinho onde nadavam peixinhos vermelhos. Sempre que nos deslocávamos  a Mogadouro (o meu pai gostava de ir às festas da Senhora do Caminho) íamos visitar o primo e eu, pequenita, sentava-me na borda do laguinho, fascinada com o voltear dos peixes. 
Passados poucos dias a escultora apareceu. Também ela desconhecia o parentesco…
E assim fiquei a saber que após uma incursão na área da literatura, cursou teatro em Évora e, depois  de passar dois anos pelo teatro Pé de Vento, no Porto, decidiu rumar a França e aí enveredou  pelo mundo das artes. Ali casou e ali reside. O marido faleceu e, em busca das memórias da infância, conseguiu comprar a casa que fora da avó adoptiva e onde, em criança, passava alguns dias por ano. Tenciona usá-la essencialmente no Inverno. Não teme o frio, pois está habituada em França. Vem em busca do Sol que lá não tem… 

Em conversa falou-me de um livro que há uns anos adquirira,  no posto de turismo,  em Alfândega da Fé, um livro que tinha achado muito interessante. Tratava-se da saga de uma família, saga essa que passava pela região. Não se lembrava do nome do livro nem do autor (achava que era um autor) mas quando regressasse a França mandar-me-ia os dados. Quando se preparava para ir embora, resolvi oferecer-lhe um exemplar do livro “Poemas Póstumos” da autoria do meu pai, bem como alguns dos livros meus que tinha cá. Ao ver a capa de “Estórias com sabor a Nordeste” comentou. Mas este é o tal livro de que eu lhe falei…



Com este meu livro passou-se um outro episódio interessante. Durante alguns anos trabalhei em equipas de investigação em Didáctica, coordenadas pela Prof. Drª Nilza Costa, da Universidade de Aveiro. Um dia, estando a trabalhar em sua casa, tocou o telefone. Era uma colega da Universidade. Quando lhe disse que estava a trabalhar comigo ripostou : Curioso, há dias fui ver o meu pai e estava a ler um livro cuja autora tem esse nome. Era nada mais nada menos que Estórias com sabor a Nordeste. O pai, viúvo de uma senhora ainda parente do meu pai, está aposentado e já há algum tempo que vive aqui na aldeia, a cerca de 50 m de minha casa.
Nesse mesmo ano,  um dia em que veio visitar o pai, veio a minha casa dar-se a conhecer. Há dias apareceu também aqui a cumprimentar-me. Estava de visita ao pai.

Decididamente o mundo é pequeno….

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