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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Couto Mineiro do Pejão


Hoje estive na escola de Couto Mineiro do Pejão, onde tem estado a decorrer uma feira do livro.

Foram duas sessões com o auditório cheio. Na primeira sessão fui “brindada” por uma representação do 1º ato de Breve História da Química, por jovens de 8ºano. Ensaiados por uma professora que dinamiza o teatro na escola e que também interveio durante a apresentação, os alunos estiveram muito bem apesar do pouco tempo que tiveram para ensaiar. Ainda nesta sessão um jovem que protagonizou a figura de Lavoisier foi entrevistado de forma “muito profissional” por uma colega. Na segunda sessão já não existiram estes momentos, por incompatibilidade de horários de professores e alunos. Em ambas as sessões fui descrevendo sucintamente a obra ao mesmo tempo que fazia algumas experiências. Apesar de estarem presentes várias turmas por sessão,  as sessões não correram mal. Dispersos pelas paredes do auditório estavam textos construídos pelos alunos tendo por base dois poemas meus que aqui deixo, bem como uma pequena amostra dos trabalhos dos alunos.

Certeza

Falavam-nos de heróis e de vilões,
e  eram sempre os outros os vilões.
Contavam-nos batalhas  e traições,
falavam de epopeias, de façanhas,
de guerras desiguais, mesmo assim ganhas.
A meio da lição,
já eu montava no meu alazão
e uma vezes era D. João,
outras vezes  D. Sebastião
ou D. Fernando, morto em Fez,
ou então, D Filipa, a linda  Inês,
o Decepado, sempre com a bandeira,
ou ainda Brites, a famosa padeira.
Cresci e desde então não mais sonhei
usar a espada,  guerrear, ser realeza.
Passei a confrontar-me com a certeza
que um belo dia nada mais serei
que molécula,  átomo ou ião, 
mistura   de cinza com poeira
provavelmente  pisada no chão.
In Reflexões e Interferências

Teia

Com as recordações da minha infância
fui tecendo, dia a dia, enredada teia.
O cheiro do azeite no lagar 
e no Outono a fermentar o mosto,
o céu estrelado, o luar de Agosto,
as cores da Primavera e as do Outono,
o vermelho das papoilas, dos medronhos,
o branco das flores de amendoeira,
o sabor das amoras de silva ou de amoreira,
as histórias contadas à lareira,
o som da chuva, da neve,  do granizo,
na escacha da amêndoa, o som do riso,
o rumorejar do rio no fundo da ladeira,
o piar da coruja, o bramir do vento,
são imagens que preenchem os meus sonhos
e assim invadem o meu pensamento,
enredando-o na emaranhada  teia
que até hoje a minha vida prende
por um fio, que tanto se contrai como distende.

In Magnetismo Terrestre

 




 

Findas as apresentações almocei na escola. O almoço foi preparado e servido por alunos do Curso Profissional de restauração. Um bom almoço pelo qual felicitei os jovens  que,  ao longo de toda a refeição, se mostraram muito envolvidos no seu trabalho e preocupados em mostrar o seu  profissionalismo.

Regressei a casa feliz com mais este encontro com professores e alunos.

Na Net fui pesquisar algo sobre as minas do Pejão de que ouvi falar quando estudante e a  que me referi várias vezes como professora, nomeadamente nas várias visitas que fiz com alunos à central térmica da Tapada do Outeiro. Como recordação dessas minas e em homenagem a tantos mineiros que ali trabalharam deixo vídeos sobre as minas do Pejão: vídeo 1 e vídeo 2.

 Deixo também uma imagem que a propósito do trabalho mineiro encontrei na NET e de que não consegui identificar o autor

 

2 comentários:

  1. Lido as seis da manhã....

    Como deve ser:))

    Continuas a tua senda em busca de mais devotos da Química, da Poesia e de tudo mais....

    Bem hajas por seres assim.

    Bjo

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  2. Belo trabalho o seu, Regina, que aqui é bem evidenciado pela colaboração excelente daqueles meninos de regiões tão desfavoecidas.
    Continuemos a esperar que os tempos acabarão por dar o verdadeiro valor aos que tanto sofrem.

    Um beijo.

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