Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ainda a semana da leitura


Na 3º feira  de manhã fui a uma escola na Afurada, estar com meninos do 2º ano (primeira sessão) e do 3ºano (segunda sessão). Os primeiros eram um pouco mais irrequietos talvez pela idade. Os segundos comportaram-se de uma forma excepcional  Para mim foi uma surpresa pois não sabiam quem eu era nem tinham trabalhado nenhum livro meu. Projetei  uns poemas com as respectivas ilustrações e fui fazendo algumas experiências (por exemplo, a propósito do poema arco-íris,  projetei uma grande arco-íris no teto, usando um retroprojetor e um copo de água). Os miúdos acompanhavam tudo com enorme atenção. Quando acabei de projetar os poemas que tinha selecionado perguntaram-me se o livro não tinha mais poemas. Então quiseram que eu lesse mais um e mais outro e mais outro …  Estava na  hora de irem almoçar mas não se dispunham a abandonar a sala de aula. Foi fantástico…

No intervalo  fui a uma mini sala de professores onde os mesmos se reúnem nos intervalos para partilhar um chá, umas bolachas, e supostamente conversarem e trocarem impressões. Enquanto ali permaneci estiveram todo o tempo ocupados a preencher formulários, a acabar relatórios, etc,etc etc...Quanto pude perceber é assim quase todos os dias. E não pude deixar de pensar com tristeza,  no quão supérfluo é hoje muito do trabalho dos professores

À hora de almoço o editor e a mulher foram buscar-me à escola e aconteceu a segunda boa surpresa do dia. Reuniram para almoçar em sua casa  três dos “seus escritores”, Vanda Marques, Ivo machado e eu. Foi um almoço extraordinariamente agradável, numa  marquise envidraçada, a dar para um pátio onde brincava o pequeno Lucas, com quase três anos.

Depois de almoço esperavam-nos mais sessões em escolas. As minhas decorreram em Ermesinde. A primeira para três turmas de 8º ano e a segunda para duas turmas de 8º e uma de 9º ano. Os alunos estavam um pouco inquietos até porque alguns iam ter testes.
Se dos alunos não tive aquele acolhimento muito caloroso que “enche as medidas” da vida de um professor, por parte dos professores fui acolhida com muito carinho.

Na 5ª feira fui à escola Óscar Lopes em Matosinhos, uma escola bastante problemática. O grupo de teatro acompanhou-me mas no fim da apresentação teve que se deslocar para outra escola. Eu fiz uma intervenção sobre a peça e, de seguida, fui brindada com várias intervenções dos alunos.

Um grupo de alunos com dificuldades educativas fez uma apresentação muito interessante do poema caleidoscópio

Caleidoscópio
Deram um dia ao José
um tubo bem divertido
Por ele espreitou
e viu um desenho colorido.
Sempre que o tubo rodava,
logo o desenho mudava
como se fosse magia.
Mas afinal era a luz
que a brincar se divertia
com vidrinhos coloridos,
dentro do tubo escondidos
no meio de três espelhos

Tinham construído caleidoscópios e no fim ofereceram-me um 


Um outro grupo de alunos encenou o poema Era uma vez um ecoponto

Uma das turmas constitui um grupo de metalofones e flautas e tocaram uma peça.

Mais alguns alunos leram poemas e um dos alunos, com uma belíssima voz, leu o poema trovoada tendo feito  questão de criar um ambiente próprio: simulação de trovões e raios, um cenário com uma imagem de trovoada, que representou também no rosto, etc 

Trovoada
Que estrondo medonho atravessa o ar?
Que luz é aquela a correr no céu, longe
lá ao fundo?
É o fim do mundo?
Não. É apenas um forte trovão e a luz, o
clarão.
É a trovoada, que no mundo antigo
se tinha por castigo de um deus
zangado.
E o que é afinal?
É uma das formas com que a natureza
mostra o seu poder e a sua beleza.

Acabadas as apresentações, partilhei com todos um chá com uns pasteis de leite servidos e preparados por alunos de um curso profissional que é uma das ofertas da escola.
E por falar em ofertas fui presenteada com um prato pintado, contendo um poema meu, feito pelos alunos de cerâmica e anda com uma tela com desenhos alusivos aos meus livros.


Fiquei muito sensibilizada pelo carinho com que todos me trataram.

E mais uma vez senti uma enorme tristeza ao ver que tudo isto só é possível pelo empenho inexcedível de muitos professores a quem a tutela tão mal tem tratado

Hoje, 6ª feira, acompanhada pelo grupo de teatro, estive na casa da Cultura de Oliveira do Hospital. Fizemos duas sessões para alunos de várias turmas: a primeira com alunos de 7º ano e a segunda com alunos de 8º ano. Deu para perceber que também aqui se tratava de alunos problemáticos, o que foi confirmado  pelos professores. Mas apesar de serem muitos, lá foram participando,  pior na primeira sessão, razoavelmente na segunda.

Quando regressávamos, uma autora que deveria estar presente à tarde em Ermesinde, comunicou  ao editor que tal seria impossível. Os alunos tinham preparado uma peça relativa a um livro da referida autora para apresentar na sua presença e adivinhava-se uma imensa decepção. Decepção era também o sentimento do editor pelo que  lhe sugeri  ir eu, não para substituir a autora obviamente, mas para que os alunos não se sentissem tão frustrados.
Vi e gostei muito da representação dos alunos, muito empenhados no seu papel.
De seguida li alguns poemas meus que acompanhei com algumas experiências. Estavam satisfeitos e no fim quiseram tirar umas fotografias comigo.

Também aqui se notou o grande envolvimento dos professores no acompanhamento destes alunos.

Quero expressar o meu apreço por todos os professores que, de Norte a Sul do país, dão o seu melhor. Em particular queria realçar o papel fundamental de muitos professores bibliotecários, muitas vezes os grandes dinamizadores destes eventos.

E termino com um texto que podem encontrar aqui
…. apesar de os professores terem sido quase considerados inimigos e criminosos por parte dos dois últimos (des)governos, foi divulgado agora o relatório PISA - que o actual governo e a comunicação social se preocuparam rapidamente a esconder - onde mais de 90% dos alunos portugueses afirmam ter uma imagem positiva dos seus professores, ocupando os professores portugueses a 1ª posição entre os docentes dos 33 países da OCDE.
O mesmo relatório conclui ainda que os "professores portugueses estão sempre disponíveis para as ajudas extras aos alunos e que mantêm com eles um excelente relacionamento". E acrescenta que "Portugal é o 6º país da OCDE cujo sistema educativo melhor compensa as assimetrias sócio/económicas".

2 comentários:

  1. E lá continua o seu ótimo roteiro pelas Escolas.
    Anteontem estive em Alfândega da Fé e lá vi a CASA da CULTURA MESTRE JOSÉ RODRIGUES. Também vi muitas amendoeiras floridas.
    Espetáculo lindo!!! Esperemos que seja também proveitoso para este País.

    Um beijo.

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  2. Fico satisfeita por saber que vistam Alfândega pessoas que eu considero muito, entre elas a Graciete
    Bjs
    Regina

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