Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Principezinho, mais uma vez ...

Prometi em mensagem anterior que iria falar sobre a encenação de O Principezinho pelo grupo de Teatro 3 Pancadas. O grupo começou a preparar a peça não há muito tempo e já fez, em escolas, algumas apresentações de excertos . Vi a que levaram a cabo no Colégio de Santa Teresa de Jesus  em Santo Tirso. A encenação envolve marionetas, teatro de sombras e projecção de imagens. Gostei do que vi.

Recebi o Principezinho como prenda de anos ou Natal (não sei bem) quando tinha 12 anos e já não sei quantas vezes o reli. Faz agora uma ano dediquei-lhe um post. Reproduzo o texto introdutório 

Já há muito que não escrevia uma carta mas senti uma necessidade imperiosa de contactar com o principezinho. Dele apenas conheço a morada. Nem telefone , nem e-mail…
Decidi então escrever-lhe

Ao Principezinho
Asteróide B612

Caro principezinho.

Deves achar estranha esta carta pois possivelmente nem sabes quem eu sou. Mas eu conheço-te desde os meus 12 anos e nunca mais te esqueci. Tão pouco esqueci a descrição da tua viagem e as tuas conversas com Saint Exupéry, que ele tão bem nos legou.Como estão o teu planeta, a tua flor e o teu carneiro? Como resolveste o problema com a mordaça? Tens estado atento aos vulcões e aos baobás? Tenho a cereteza que sim pois, tal como o acendedor de lampiões que encontraste no quinto planeta que visitaste, tens pleno sentido da responsabilidade Voltaste à Terra? Suponho que não. Não creio, aliás, que gostasses do que irias ver. Está infestada de pessoas que pensam como o homem de negócios e como o rei. O ter e o poder passaram a valores primordiais. Cada vez mais agitados, os homens correm de um lado para o outro sem conhecer o sabor da água de uma fonte cristalina
Gostaria de emigrar para o teu planeta mas sei que é pequeno demais.
Ainda espero que neste meu planeta nos dêmos conta, um dia, de que o essencial é invisível para o olhar. Entretanto vou continuar a estar atenta ao teu riso vindo lá das estrelas
Se quiseres responder-me podes fazê-lo para o meu blogue www.docaosaoscomos.blogspot.com


Há dias em Ciência Hoje foi noticiado que a  Sonda Kepler descobriu mais 11 sistemas planetários.
Quem sabe,  um dia vai descobrir o Asteróide B612?


Tenho boas razões para pensar que o planeta de onde o principezinho tinha vindo era o asteróide B612. Este asteróide foi visto ao telescópio uma única vez, em 1909, por um astrónomo turco. Nessa altura, o cientista fez uma grande demonstração da descoberta a um Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém o levou a sério por causa da maneira como estava vestido. As pessoas crescidas são assim.
Felizmente, para a boa reputação do asteróide B612, um ditador turco lembrou-se de impor ao seu povo, mas impor-lhe sob pena de morte, que passasse a trajar à ocidental. O astrónomo tornou a fazer a demonstração em 1920, agora muito bem posto. E toda a gente a aceitou.
Se vos contei isto tudo sobre o asteróide B612 e se vos confiei o número dele foi por causa das pessoas crescidas. As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falam de um amigo novo, nunca perguntam nada de essencial. Nunca perguntam: «Como é a voz dele? A que é que ele gosta mais de brincar? Faz colecção de borboletas?» Em vez disso, perguntam: «Que idade tem? Quantos irmãos tem? Quanto é que ele pesa? Quanto ganha o pai dele?» Só então julgam ficar a saber quem é o vosso amigo.
Se contarem às pessoas crescidas: «Hoje vi uma casa muito bonita de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombas no telhado...», as pessoas crescidas não conseguem imaginá-la. Precisam de lhes dizer: «Hoje vi uma casa que custou cem mil contos.» Então já são capazes de a admirar: «Mas que linda casa!» 

(excerto de O Principezinho)
Sempre actual este texto de Antoine de Saint-Exupéry tal como os outros, muito em particular a conversa com o homem de negócios.


- "E que fazes tu de quinhentos milhões de estrelas?"
- "Nada. Eu as possuo."
- "E de que te serve possuir as estrelas?"
- "Servem-me para ser rico."
- "E para que te serve ser rico?"
- "Para comprar outras estrelas, se alguém achar."

No entanto, fez ainda algumas perguntas.

- "Como pode a gente possuir as estrelas?"
- "Eu as administro. Eu as conto e reconto, disse o homem de negócios. É difícil. Mas eu sou um homem sério!"

O principezinho ainda não estava satisfeito. "Eu, se possuo um lenço, posso colocá-lo em torno do pescoço e levá-lo comigo. Se possuo uma flor, posso colher a flor e levá-la comigo. Mas tu não podes colher as estrelas."

- "Não. Mas eu posso colocá-las no banco."

- "Que quer dizer isto?"
- "Isso quer dizer que eu escrevo num papelinho o número das minhas estrelas. Depois tranco o papel à chave numa gaveta."

"As pessoas grandes são mesmo extraordinárias, repetia simplesmente no percurso da viagem."
(excerto de O Principezinho)


Mas nada melhor que ler/reler o livro ou, se o tempo for escasso, ver os vídeos que  seguem I , II   e III

E já que falámos de planetas mais uma informação lida em Ciência Hoje, sobre as dunas de Titã

2 comentários:

  1. Olá Regina.
    É sempre muito bom ler o seus "post".
    O principezinho" é também um livro que sempre me encantou e acredito que os seres humanos possam transformar o nosso Planeta num igual àquele donde o Principezinho veio.

    Também vi as dunas de Titã.

    Um beijo.

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  2. Ofereci o "O Principezinho" à Leonor há cerca de duas semanas. Leu-o rápido e adorou! Realmente, há livros que encantam gerações e nunca saem de moda.

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