Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Feynman


Richard Feynman, foi um fisico notável (Nobel da Física em 1965) mas foi também grande divulgador de ciência, como se pode ver no vídeo anexo e em outros que colocarei em novas mensagens.

Produziu também alguns trabalhos no campo das artes, nomeadamente o desenho, sob o pseudónimo Ofey.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Evocando Júlio Resende



Júlio Resende, o artista que "respirava simplicidade" foi  título de notícia publicada no Público, no passado dia 27


Tive o privilégio de ter conhecido pessoalmente o Mestre e de ter falado com ele duas ou três vezes. A simplicidade, num vulto tão grande da cultura portuguesa, era quase comovente.

Na referida notícia, Germano Silva, comenta

(…)Viajei com ele em Goa, porque ele fez lá uma exposição e admirei sobretudo a maneira aberta como contactou com as pessoas de lá. A sensibilidade que ele demonstrou pelas cores e pelos odores, que depois transportou para as telas no ciclo de Goa, no que deve ter sido um dos momentos mais fascinantes da obra do Júlio Resende(...)


Uma das telas de que mais gosto


Se a  passagem pela Índia deixou marcas indeléveis na sua pintura, o mesmo aconteceu com as viagens a outras paragens como Cabo Verde ou o Brasil. Mas para a sua imensa sensibilidade qualquer lugar, pessoa, animal ou objecto poderiam deixar, e deixaram, marcas profundas que se reflectem na sua obra

A sua imensa sensibilidade reflecte-se também na sua obra como ilustrador que, embora muito menor, não deixa de revelar o grande Mestre.

Obrigada Mestre. Até sempre

O DIA EM QUE VERDI DERROTOU BERLUSCONI...


Uma amiga enviou-me um e-mail que quero partilhar convosco


O DIA EM QUE VERDI DERROTOU BERLUSCONI
No último 12 de março, Silvio Berlusconi teve que enfrentar a realidade. A Itália festejava o 150º aniversário de sua unificação e, entre as muitas comemorações da importante data, uma decorreu na Ópera de Roma, com a apresentação da obra "Nabucco", de Giuseppi Verdi, dirigida pelo maestro Ricardo Muti.
Antes da apresentação, Gi anni Alemanno, prefeito de Roma, subiu ao cenário para pronunciar um discurso denunciando os cortes no orçamento federal dirigido à cultura que haviam sido feitos pelo governo, do
qual o próprio Alemanno, velho amigo de Berlusconi, é membro. Esta intervenção política,  num momento cultural dos mais simbólicos para a  Itália, produziria um efeito inesperado ao qual Berlusconi, em pessoa,
 foi obrigado a assistir.

Segundo o relatado por Ricardo Muti, "... A princípio houve uma grande salva de palmas pelo público. Começou  a ópera. Tudo correu muito bem até  ao famoso canto Va Pensiero. Imediatamente
senti que a atmosfera entre o público se ia tornando cada vez mais tensa. Existem coisas que não se conseguem descrever, mas que sentimos. Era o silêncio profundo que se fazia sentir! No momento em que o público percebeu que começavam os primeiros acordes de Va Pensiero, o silêncio  transformou-se em verdadeiro fervor. Podia-se sentir a reação visceral dos presentes ante o lamento dos escravos que cantam
Ó pátria minha, tão bela e perdida...
Assim que o coro chegou ao fim, puderam ouvir-se vários pedidos de bis. Começaram os gritos de Viva
Italia e Viva Verdi. As pessoas nas galerias jogavam pequenos papéis escritos com mensagens patrióticas".

Apenas uma única vez Muti havia aceitado fazer um bis de Va Pensiero, numa apresentação no La Scala de Milão em 1986

"Eu não pensava em fazer apenas um bis", disse o maestro , "teria que haver uma intenção especial para fazê-lo", referiu.
Então,  num gesto teatral, Muti  voltou-se para  ao público e para  a Berlusconi  e disse:

"Logo que cessaram os gritos de bis, vocês começaram a gritar Longa vida à Itália. Sim, estou de acordo com isto: Larga vida à Itália. Mas... Já não tenho trinta anos e vivi a minha vida. Corri o mundo e, hoje, tenho vergonha do que acontece no meu país. Por isso, vou aceitar os pedidos para apresentar novamente Va Pensiero. Não só pela alegria patriótica que sinto neste momento mas também  porque, enquanto dirigia o coro que cantou Ai meu país belo e perdido pensei que, se continuarmos assim, vamos matar a cultura sobre a qual erguemos a história da Itália. E, nesse caso, a nossa pátria também estaria bela e perdida.  Durante anos mantive minha boca fechada mas agora, creio que precisaríamos dar sentido a este canto: estamos na nossa casa, o Teatro de Roma, com o coro que cantou magnificamente bem e com a orquestra que o acompanhou esplendidamente. Se quiserem, proponho  que se unam a nós para que cantemos todos juntos".

Assim, o maestro convidou o público a cantar junto com o coro dos  escravos.
Muti continua a sua narrativa:
"Vi grupos de gente  a levantar-se. Toda a Ópera de Roma se levantou. E o coro também. Foi um
 momento mágico! Essa noite não foi apenas mais uma representação de Nabucco, mas também uma declaração, no Teatro da capital italiana, para chamar a atenção dos políticos".

Aqui está o vídeo que registrou este belo momento repleto de emoção.

Ao texto do e-mail acrescento a letra do “Va pensiero” em italiano e traduzida


Ópera "Nabuco" (1842)

PARTE TERZA (Cena IV)

Le sponde dell'Eufrate (Na margem do Eufrates)

Ebrei incatenati e costretti al lavoro. (Hebreus agrilhoados constrangidos ao trabalho)


EBREI:

Va', pensiero, sull'ale dorate;

va', ti posa sui clivi, sui colli,

ove olezzano tepide e molli

l'aure dolci del suolo natal!

Del Giordano le rive saluta,

di Sïonne le torri atterrate...

Oh mia patria sì bella e perduta!

Oh membranza sì cara e fatal!

Arpa d'or dei fatidici vati,

perché muta dal salice pendi?

Le memorie nel petto raccendi,

ci favella del tempo che fu!

O simìle di Sòlima ai fati

traggi un suono di crudo lamento,

o t'ispiri il Signore un concento

che ne infonda al patire virtù!



Hebreus:

(Vai, pensamento, em asas douradas,

vai, pousa sobre as colinas e montes

onde sopram as doces brisas,

a quente e leve fragrância da nossa terra natal

do Jordão, das saudadas margens

e das desoladas torres de Sião

Oh pátria minha tão bela e perdida

Oh lembrança tão querida e fatal

Harpas de ouro dos fatídicos lamentos

porque pendem mudas nos salgueiros?

A memória no peito revive

a qual fala de um tempo que se foi

Cada um como Sodoma nos fados

lança um som de profundo lamento,

que o Senhor te inspire uma canção

que insufle coragem no padecer)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Neutrinos ultrapassam velocidade da luz ?


A confirmação da existência de uma partícula mais rápida que a luz vai abrir portas à hipótese de se poder "viajar no tempo", defendeu Gaspar Barreira, o investigador português do Conselho da Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN).


A existência de algo mais rápido que a luz não deveria acontecer de acordo com a teoria de Einstein que tornou famosa a equação “E=mc2”. No entanto, o CERN anunciou na quinta-feira uma experiência que defende que os neutrinos são 60 nanossegundos mais rápidos do que a luz. 23/09/11

Carlos Fiolhais  refere a propósito da referida  experiência
Na experiência(…)há emissão de neutrinos no CERN, na Suíça, e a sua detecção no laboratório instalado no túnel de Gran Sasso (na figura), em Itália, a mais de 700 km de distância. E esses neutrinos, viajando debaixo da Terra, estariam a ir mais rápido do que é permitido pelas leis da física tal como as conhecemos hoje. Seria só um bocadinho, mas daria para o excesso ser reconhecível. Contudo, a generalidade dos físicos da área duvida da exactidão dos resultados. É preciso medir muito bem os tempos e as posições para saber bem a velocidade. Tem de se verificar se há algum erro. Na minha opinião deve haver. É muito provável que haja. Se fosse verdade, haveria uma partícula com massa, embora pequena, que andaria mais depressa do que os fotões, que não têm massa. A teoria da relatividade de Einstein, um dos pilares da física moderna, estaria em causa. Essa teoria não tem de ser eterna, mas tem resistido desde há mais de cem anos, e factos extraordinários exigem provas extraordinárias.


O Sol está constantemente a emitir neutrinos, muitos neutrinos, que chegam à Terra e conseguem atravessá-la, excepto nalguns casos raros, pois essas partículas, sem carga e quase sem massa, dificilmente interagem com a matéria. Os neutrinos são partículas elementares: viajam a uma velocidade que é inferior mas bastante próxima da luz e são quase imparáveis. Todos nós estamos sujeitos a um chuveiro de neutrinos, que não nos faz mal nenhum.


Mas o que é um neutrino?Aqui  poderão ler:
Quando um neutrão é “extraído” e isolado de alguma forma de um núcleo atómico, os cientistas verificam que, em cerca de vinte minutos, o neutrão “desaparece” e, em vez dele, se detectam um protão e um electrão.
Os primeiros cientistas a observar esta transformação ficaram intrigados porque ao calcular (utilizando a equação de Einstein acima indicada) as energias envolvidas nessa transformação, estas não batiam certo: a soma das energias correspondentes ao protão e ao electrão resultante era inferior à energia do neutrão inicial!
Partindo do princípio de que c é constante e logo que as energias envolvidas em qualquer transformação ou reacção correspondem a massas bem determinadas, a experiência punha então em causa um princípio enunciado por Lavoisier: o da conservação da massa. De facto, verificava-se que, no processo de transformação de um neutrão num protão e num electrão, se perdia, de alguma forma, massa! Num esforço teórico para “conservar”o princípio de Lavoisier, que, recorde-se, enuncia que nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, conta a história da física que W. Ernst Pauli (prémio Nobel da Física em 1945) propôs a hipótese da existência de uma outra partícula, indetectável pela tecnologia da época, que não teria carga eléctrica, mas com a massa discreta mas em falta no balanço energético! Como a massa em falta era pequena, a hipotética partícula sem carga foi baptizada por “neutrino”.
Os neutrinos veriam a ser detectados experimentalmente em 1956 na proximidade de reactores nucleares e a confirmação da sua existência, permitiu manter “incólume” o princípio da conservação de Lavoisier, mas também a universalidade de E = mc2.


Poderão lere mais Ler mais neste site 


E já que falamos de neutrinos coloco ( ou recoloco?) o poema Caminhada  (in Magnetismo Terrestre) bem como a fotografia que o acompanha (autor da fotografia, Fernando Gouveia)

Flores tímidas, selvagens, atapetam o chão.


Coberta de líquenes e musgo, a fraga, ao fundo,


onde frágil se equilibra uma oliveira


que espreita a queda de água que escorre na ladeira


onde agoniza um pombal, já sem função.


Um balir de rebanho rompe o ar dolente


e uma avezita, que emerge de um sobreiro,


toma por seu mundo o céu inteiro.


Medito enquanto calcorreio o caminho lentamente.


Quanta transformação química ocorrida


para transformar húmus em vida?


Quanta energia transformada?


Quanto neutrino atravessando o nada?

Regina Gouveia

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sobre o medo


Uma amiga enviou-me vídeo fantástico: uma intervenção de Mia Couto numa conferência sobre Segurança
Enquanto o ouvia, fui-me lembrando de alguns poemas publicados no meu 1º livro de poesia Reflexões e Interferências, editado em 2002. Aqui deixo dois.

Ausência

Hoje não estou para ninguém.


Se alguém telefonar, nem que seja algum ministro,


(como se fosse vulgar algum ministro ligar...)


digam só que eu não existo, ou então fui viajar,


que ando à deriva no espaço, que estou morta de cansaço.


Sentada no meu terraço, hoje não estou para ninguém.


Quero ver o pôr do sol, mais logo, ao entardecer,


quero ver Vénus nascer e a lua desabrochar.


Quero dormir ao luar, é noite de lua cheia.


Quero ter como lençol este céu que me rodeia,


um céu de estrelas pejado.


Quero ver a estrela polar, Marte, Júpiter, Dragão


Cassiopeia, Leão, quero ver estrelas cadentes,


correndo no céu estrelado brilhando, muito luzentes.


Quero sonhar com pulsares, com galáxias, quasares,


e à luz das constelações embriargar-me de amor.


Quero esquecer meus pesares e todo este amargor


que por dentro me consome ao pensar que ainda há um ror,


são oitocentos milhões, de gente que passa fome.



Tchador

Déboras, Irinas, Svetlanas


ucranianas,  sul- americanas, não importa.


Partiram em busca de uma porta


que lhes desse acesso a melhores vidas.


e acabaram ludibriadas,  iludidas, nas mãos de proxenetas.


São traficadas, são exploradas, vezes sem conta são violadas


e quando, apesar de jovens, acabadas,


são abandonadas, jogadas nas sarjetas.


Sandras, Bintas, não importa o nome,


a vida deu-lhes até hoje violência e fome.


Aquela com onze anos, tão menina, de uma outra menina já é mãe.


Por certo é a primeira boneca que ela tem.


E nos olhos, em vez de ódio e de revolta, uma lágrima solta,


enquanto embala a filha com amor.


Aquela outra ali é argelina, talvez a "pietá" que correu mundo.


Nos olhos um desgosto tão profundo, maior que o próprio mundo.


E aquelas outras das quais não vejo o rosto


que, se doentes, não podem ser tratadas,


que são impuras, se desvirginadas,


que se forem violadas poderão por castigo ser queimadas?


O que dirão os seus olhos por baixo do tchador?


Humilhação? Desgosto? Resignação? Rancor? Talvez revolta?


Se eu um dia usar tchador por meu querer


acreditem que não é para me esconder


é só para tentar não ver  tanta injustiça, tanto horror,


tanto fanatismo, tanta dor, neste mundo cruel à nossa volta.


Breves


1
Continua aberta ao público na Utopia - Escola de Artes Plásticas, Rua Antero de Quental, 257 uma exposição de Teresa Silva Vieira que aconselho vivamente
2
No site da Vivacidade poderão encontrar referências ao lançamento de Breve História da Química, no passado dia 15


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Reportagem de férias -conclusão

Na primeira mensagem que deixei sobre a “reportagem” de férias referi-me ao terraço da minha casa da aldeia, um terraço com uma latada, do qual no Verão se vê o pôr do sol


Aqui ficam duas imagens tiradas em Agosto bem como um poema (in Magnetismo terrestre) que nos fala do pôr do sol e não só…
Ilusão


Em pleno estio


os meus olhos vagueiam na ladeira


que exulta em cor, em cheiro e em sons


que me afloram o ouvido, subtis.


Os meus olhos vagueiam na ladeira,


exuberante em todos os seus tons,


tecendo à minha volta mil ardis


É o amarelo das searas, das oliveiras


o verde prateado, dos troncos dos sobreiros


o tom acastanhado, mais além um outro verde,


das figueiras. Pobres figueiras


em terras tão avaras, avaras de água,


que não de encantamento


que esse de há muito me há a mim tomado


enquanto dolente passa o vento


que agita os ramos das amendoeiras.


Os meus olhos vagueiam na ladeira


em pleno estio e sinto um arrepio.


Lá em baixo serpenteia preguiçoso o rio


e o céu, por cima, dum azul sem fim,


parece olhar para mim.


Sinto no ar toda uma fragrância


e volto sem querer à minha infância


de sonhos que nunca mais foram sonhados.


Amoras, mel, uvas e mosto


de repente sinto-lhes o gosto.


Tudo se repete agora e logo, de onde em onde.


Cigarras, besouros, libelinhas,


gaviões, pardais e andorinhas,


urze, giesta, papoilas e tomilho,


tudo se agita; é grande a euforia


nos meus pensamentos enredados,


grávidos de sonho e fantasia


que parecem gerar como que um filho,


envolto em tule, rendas e brocados.


Afaga-me uma onda de alegria


matizada de muita nostalgia,


aproxima-se a noite, ao fim do dia.


No ocaso, o sol vermelho já se esconde,


porém, já lá não está, é ilusão!


Ainda o vemos devido à refracção

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Encontros e desencontros. (Em crioulo Na Kontra Ka kontra)

Como já tinha aqui anunciado, no dia 13 de Setembro decorreu, na casa da Cultura de Alfândega da Fé, a apresentação do livro Na Kontra Ka Kontra de Fernando Gouveia bem como a inauguração da exposição, Memórias paralelas da Guerra Colonial.

Deixo imagens que podem ver aqui bem como alguns excertos da apresentação que fiz do livro
Excertos da apresentação

Da génese deste livro dá-nos conta o autor no prefácio

(…)Tentei afastar-me das lembranças da guerra da Guiné(…)
(...)Porém, ao fim de quarenta anos tive, por acaso, conhecimento do Blogue “Luís Graça e Camaradas da Guiné”. (…)Há cerca de ano e meio, a convite de Luís Graça, administrador do Blogue, fui instado a escrever meia dúzia de estórias da minha vivência na guerra na Guiné (…).

A publicação no blogue levou o autor a reencontrar amigos e a conhecer outros
(...)Ao fim de uns meses de sã convivência(...)  tomei conhecimento que um grupo, com cerca de trinta camaradas, estava a organizar uma ida à Guiné. Logo me começaram a “desencaminhar” no sentido de ir com eles de carro, África abaixo(...).
(…)Fui de avião, por recear que a minha coluna não aguentasse(…)
(...)Fui, e sabendo o que sei hoje, arrepender-me-ia para sempre se não tivesse ido (…).

A justificação do título do livro, e não só, dá-no-la o autor na página 16

Por mais rocambolescos que pareçam os factos(...)foram realmente vividos pelas personagens, só que, para não haver quaisquer constrangimentos por parte de qualquer interveniente, se optou por ficcionar um pouco a saga(…)
(...)Embora nos primeiros episódios, pareça tratar-se de uma estória da guerra colonial, com o seu desenvolvimento vai tornar-se numa sucessão de encontros e desencontros (NA KONTRA KA KONTRA) amorosos, e não só(…).


Nesta estória, cruzam-se memórias indeléveis, do autor e de outros, envolvendo várias personagens, nomeadamente guineenses que aos olhos do autor representam um povo a quem o livro é dedicado.
E nesta dedicatória não há apenas palavras vãs. O lucro da venda reverte integralmente para as crianças da Guiné Bissau que também eu recordo com imnesa saudade.

E a propósito das minhas recordações da Guiné, incluo o poema telejornal (in Reflexões e Interferências)

Telejornal

Vejo o Telejornal no canal dois
A apresentadora fala da BSE, de clonagem, do Kosovo e, logo depois,
de um acidente no Cais do Sodré e da instabilidade na Guiné.
E eu empreendo no tempo uma viagem...
O Braima, a Binta, o Adrião, onde andarão neste momento?
Conheci-os em Bafatá, há muito tempo, iam buscar o "cume" no fim da refeição.
Recordo os seus olhos vivos de crianças pele negra, dentes alvos, sem igual
os passos apressados quando o vento anunciava em breve um temporal
Eu era aluna e eles mestres do crioulo de que mal guardo lembranças.
Das mulheres, recordo as suas vestes fossem mulheres grandes ou "bajudas"
no tronco, eram em geral desnudas, presos na cinta panos coloridos
que, de compridos, chegavam quase ao chão.
Algumas eram de tal modo belas que pareciam extraídas de telas
Recordo, servindo-me o café, o Infali com aquele seu olhar tão doce e triste
talvez o ar mais triste que eu já vi.
Será que o café ainda existe?
Recordo aquele condutor, o Mamadu, mostrando com orgulho o seu menino
Que terá feito deles o destino?
Recordo os passeios na estrada do Gabu, os mangueiros, os troncos de poilão,
a mesquita, o mercado, a sensação de paz que tudo irradiava,
apesar do obus de Piche que atroava, apesar da maldição da guerra
cujo espectro por cima pairava.
Recordo ainda o cheiro e a cor da terra, o Colufe e o Geba sinuosos
onde canoas esguias deslizavam, recordo macaquitos numerosos
que entre os ramos das árvores saltavam enquanto que lagartos, preguiçosos,
ao sol, pelos caminhos se espraiavam e uma miríade de insectos buliçosos
ao nosso redor sempre volteavam.
Recordo o batuque daquele casamento
Na foto ficou bem impresso o momento em que o dançarino fazia um mortal
numa fantástica expressão corporal
Foi lá na Ponte Nova, naquela tabanca onde de azul se coloriam panos
que as mulheres usavam em volta da anca e que desciam quase até ao chão.
Tudo isto se passou há muitos anos.
A apresentadora fala agora em danos causados por uma longa estiagem
e mostra uma desértica paisagem.
Eu regresso da minha viagem e tento organizar o pensamento.
O telejornal está quase no final. Deve seguir-se a previsão do tempo.

domingo, 18 de setembro de 2011

Ainda a "reportagem" de férias

Após a partida de filhos netos e noras, a minha amiga Ana Maria foi passar uns dias connosco. Foi de autocarro. Fui esperar a chegada do mesmo, uns dias antes às 18 h,  para, junto do motorista saber pormenores: local e horário de partida do Porto, hora de chegada e de partida de Macedo de Cavaleiros. Não precisei de perguntar ao motorista. A sair e a caminhar com muita dificuldade, vinha o Sr. Simão com uma mala.
Então foi passear, perguntei?


Fui ao Porto, parti daqui ontem às 7 h da manhã e estou a regressar hoje; parti de lá às 13. Ontem fiz 87 anos e fui festejá-los com os filhos e netos.

É fantástico aquele senhor; as pernas ajudam pouco mas mesmo assim todos os dias vai ver a sua horta e é frequente vê-lo sentado à porta de casa a ler….

Passei as informações à Ana Maria e passados uns dias aguardava-a na paragem..

Fomos ao Rio Sabor (diz-se “Sábor”), ao Santo Antão da Barca (que vai “mudar de lugar”por causa da barragem que tanta polémica tem causado), à vila, com paragem no Casa da Cultura Mestre José Rodrigues e no Café do Castelo, à estalagem/SPA da Senhora das Neves, de onde se avista uma paisagem deslumbrante. Fizemos algumas caminhadas e “escachámos” amêndoa
A faina da escacha (hoje extinta) é uma das tarefas que recordo com mais saudade. A ele me refiro no livro Estórias com sabor a Nordeste e no poema Nostalgia (in Magnetismo terrestre)

(...)De todos os sons, o que mais recordo é o da escacha da amêndoa. Foi sempre a tarefa que mais me seduziu. Talvez porque eu tomava parte activa nela. Ainda hoje guardo o meu escachador. Era pequenino, cilíndrico e mais perfeito que qualquer outro. A escacha da amêndoa era feita no pátio de baixo. Previamente a amêndoa era escabulhada no mesmo pátio e ensacada. Era dos sacos que as escachadeiras (neste trabalho havia essencialmente mulheres) tiravam punhados de amêndoas que mantinham na mão esquerda. Essas amêndoas eram colocadas, uma de cada vez, sobre uma cova numa pedra, e fixadas entre o polegar e o indicador da referida mão. Com o escachador, usado com a mão direita, partia-se a casca da amêndoa deixando o grão, umas vezes intacto, outras vezes com pequenas mazelas. O grão ia sendo deitado, primeiro para o avental e, posteriormente, para sacos. Era bonito ouvir o som dos vários escachadores, umas vezes em uníssono, outras vezes não. Mas o que eu mais gostava de ouvir, eram as conversas, as histórias, as adivinhas, os provérbios, as cantigas com que se iam preenchendo os serões da escacha. Lembro-me de uma noite em que, ao desafio, se iam dizendo provérbios encadeados.


 No poupar é que vai o ganho .......Grão a grão enche a galinha o papo....... Há quem poupe no farelo e esbanje na farinha.....Vale mais quem Deus ajuda do quem cedo madruga, .....Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer....A conversa é como as cerejas...... Que se comem em Maio ao borralho.


Lembro-me também das adivinhas:


 Alto está, alto mora, todos o vêem, ninguém o adora....Verde foi meu nascimento, mas de luto me vesti, para dar a luz ao mundo mil tormentos padeci.... Destas e de muitas outras (...).



Nostalgia


Quando passo num amendoal, após o verão,


sinto um misto de nostalgia e emoção


ao ver a amêndoa abandonada nas árvores e no chão.


Outrora significou prosperidade e eram guardados os amendoais


para garantir que os rebusqueiros não rebuscavam demais,


que rebuscavam só no chão, à claridade, só de dia e não ao lusco-fusco.


Hoje, já ninguém anda ao rebusco.


No Verão, sob um sol abrasador, era a apanha.


Hoje fica nas árvores e cai na terra que a arrebanha e com ela se funde;

confundem-se os seus tons. Da escacha já há muito não se ouvem sons.


Os escachadores ora em uníssono, ora desfasados, habilmente manejados


com gestos secos, certeiros e breves por mulheres, crianças, raparigas,


que enchiam o ar de risos e cantigas, iam partindo a amêndoa,


sempre cadenciados, deixando o grão intacto ou com mazelas leves,


enquanto das cascas, o monte crescia no chão.


Mais tarde, a par da lenha, na lareira, iriam servir para combustão.


O grão ia para sacos de serapilheira. Mais tarde era vendido


e o seu destino era assim perdido.

Aquele que ficava imperfeito, esbotenado,

iria ser, mais tarde, laminado,

misturado com ovos e açúcar, nos rochedos

cujas receitas eram envoltas em segredos e cuja doçura ocultava a agrura


de tanta fadiga e de tanto suor.


Eram a lavra, a limpa, a enxertia, ano após ano um ritual que se cumpria


e quando floriam as amendoeiras, o lavrador contemplava


do cimo das ladeiras aqueles véus de noiva a perder de vista,


não com o olhar breve de um turista,


mas com um profundo olhar, cheio de amor.

sábado, 17 de setembro de 2011

"Reportagem de férias"- continuação


Tal como prometido, vou continuar a minha "reportagem" de férias no meu Nordeste
No fim de semana a seguir à nossa ida só com os dois netos mais velhos, chegaram filhos noras e os dois netos mais pequenos. Uma alegria. Como sempre, cumprimos parte do “nosso ritual”. Para além das idas frequentes a Alfândega, que incluem sempre um dia de feira, das tertúlias com familiares na minha aldeia ou noutra vizinha, das caminhadas quase diárias, fazem parte desse ritual um espectáculo de teatro com as crianças mais velhas e, eventualmente, com um ou outro amigo que esteja por lá, uma refeição no Lameirinho, uma ida ao Rio Sabor tomar um banho, uma ida a uma praia no Azibo (não aquela muito concorrida mas uma que geralmente fica só “por nossa conta”) e uma ida a Zamora ou Salamanca.
Desta vez não surgiu oportunidade de irmos todos a Espanha. Mas fomos ao Lameirinho no dia 6 de Agosto (no dia 11 a Visão fez uma referência a este restaurante que poderão ler aqui  e ao Azibo, à nossa praia privativa…


Quanto ao teatro é um ritual que começou quando a Rita tinha 3 anos (agora tem 9) e não havia mais netos. Ensaiamos sempre um pequeno Sketch na semana que precede a chegada de filhos, noras e netos mais pequenos. Os textos, inicialmente criados só por mim, rapidamente  passaram a ser da autoria dos mais pequenos, embora com uma pequena ajuda minha.

Ocupados que estivemos em criar o novo espaço a que se faz referência na 1ª reportagem não houve tempo para pensar no teatro. Estavam os dois netos muito tristes quando me lembrei que poderíamos encenar parte do 1º acto do meu livro Breve História da Química, anteontem lançado no espaço Vivacidade. Para o meu neto a ideia não poderia ter sido melhor. Fazer de saltimbanco, fazer piruetas…

E assim foi

Começaram por entrar ambos com uma tocha improvisada, a tocar tambor e a fazer piruetas

Venham ao largo da feira, chegaram os saltimbancos.


Se querem ficar sentados, tragam cadeiras ou bancos.


Alguém da assistência (obviamente eu…)


Façam vossas pantominas, essas nós queremos ver.


Tenham cuidado c´o fogo, não ponham a feira arder.


Entra a neta envolta numa capa, um plástico cor de fogo


Que tendes vós contra o fogo? Conheceis a minha história ?


Há muitos milhares de anos mudei a vida aos humanos.


Eu trouxe calor e luz . E, para além de protecção,


permiti alterações na sua alimentação. Permiti muita invenção.


Enquanto o neto fazia piruetas todo divertido, a neta aproveitava para colocar nova capa - um plástico branco toda enfeitado com fios dourados
Sou o cobiçado ouro. Entro nas cortes reais


e em muito, muito tesouro.


Ao fogo, eu muito devo tal como muitos metais.


Entretanto já eu preparara o neto com uma capa de plástico transparente


Digo-vos mais, sou o vidro e ao fogo eu devo a vida.


Enquanto a neta retorna ao palco fazendo piruetas, eu preparo o neto com uma capa de serapilheira


Sou barro e ao fogo agradeço a sua acção magnânima,


ao transformar-me em cerâmica.


É então que entro eu, envolta num lençol branco


Chamo-me Empédocles e venho,


aos quatro ventos bradar, a importância do fogo.


É um dos quatro elementos de que o nosso mundo é feito.


Água, terra, e ainda ar, assim enumero a eito os que estavam a faltar.


Ouve-se a voz da minha neta, por momentos na assistência


Não entendo o que dizeis mas uma coisa eu queria,


tudo transformado em ouro por artes de grã magia.


De novo no palco os dois saltimbancos com a tocha e o tambor, fazem piruetas

Isso também eu queria… Adeus até outro dia



Espero em breve colocar uma foto do evento
Na próxima reportagem ireia dar conta da "escacha" da amêndoa e não só...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Mais uma breve…

Ontem decorreu no “Vivacidade” a apresentação do meu livro Breve História da Química. A sala estava cheia

A apresentação foi feita pelo Prof. Dr. João Paiva do Departamento de Química da FCUP. Gostei muito da apresentação em que, de uma forma simples mas muito conseguida, realçou todos os aspectos essenciais da obra. No final várias pessoas me abordaram felicitando-me não só pela obra mas também pela escolha do apresentador. Na mesa esteve também presente o editor, “mimo” a que não estava habituada. Com o editor foram dois elementos do seu grupo de teatro, 3 Pancadas, que de uma forma simples mas muito divertida, encenaram alguns excertos.

A todos agradeci durante a sessão e renovo aqui os meus agradecimentos, fazendo mais uma vez referência ao dinamismo da responsável , Adelaide Pereira que, sem apoios, mantém vivo um espaço que tem vindo a desempenhar um papel relevante na cultura do Porto.

Logo que tenha disponíveis imagens do lançamento, colocá-las-ei.

domingo, 11 de setembro de 2011

Breves


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«Acredito no poder humanizador da Ciência» foi com este título que Ciência Hoje publicou uma entreviita minha
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A propósito da reportagem de férias (publicada ontem) e dos afectos ligados à minha casa da aldeia, tenho um poema  (em Reflexões e interferências e em Magnetismo terrestre), que quero partilhhar convosco
Sensações


Tem um cheiro inconfundível a minha casa da aldeia


Não sei se é do rosmaninho que perfuma todo o linho


dentro das arcas guardado,


se é da madeira das portas, dos tectos e do sobrado


se é das pratas no lambrim ou das peças de faiança,


são travessas e são pratos, nas paredes pendurados,


se é das peças de mobília uma herança de família,


não sei se é dos retratos que às vezes, a horas mortas,


falam, sorriem para mim.


Terão perfume as memórias de quando eu era criança?


Terá perfume a lembrança?


Tem um cheiro inesquecível a minha casa da aldeia


Mas não é só o odor São as cores e são os sons


que vejo e ouço em qualquer lado e em tudo o que me rodeia.


Lembro lágrimas, sorrisos, por vezes já imprecisos.


Lembro sussurros e histórias imagens em vários tons, plenas de luz e de cor


ou também acinzentadas, baças, sem cor, desbotadas.


Têm cor alguns dos sons. Sons e cores têm odor


A minha casa da aldeia cheira a afecto e amor.


Mesmo quando estou distante às vezes, por um instante,


chego a pensar que estou lá,


pois apesar da distância eu sinto aquela fragrância.


Que explicação haverá?


Será acção magnética? Uma interacção eléctrica?


Força electromagnética? Gravítica? Nuclear?


Forte ou fraca interacção?


É difícil de explicar pois não há explicação


que assente só na razão.


Esta estranha sensação tem a ver com o coração.


Uns amigos meus têm um turismo de aldeia e pediram-me para usar este poema. Foi uma honra para mim. Um excerto está exposto (em português e em inglês). Tiveram a gentileza de me enviar a tradução mas não sei onde a guardei. Podemos ler o excerto numa das ementas



Reportagem de férias nº 1

No dia 31 de Julho partimos para Trás os Montes. Connosco os dois netos mais velhos e o gato.

Chegámos e almoçámos (o almoço já ia feito). À tarde ainda deu para uma caminhada pequena.

A casa na aldeia, que tem vários compartimentos ao nível do 1º andar, tem vindo a sofrer transformações à medida que a família cresce. De três quartos, um escritório, uma sala, uma saleta e uma cozinha,  já há muito que passou para quatro quartos, um escritório com um sofá que pode servir de cama, e uma sala cozinha.
Ainda neste piso há um terraço com uma latada, do qual no Verão se vê o pôr do sol (mas isso fica para outra reportagem).
Por baixo de quase todo o 1º andar há uma adega ampla, cheia com as coisas mais diversas (talhas para o azeite, pipas para o vinho, um alambique, arcas,  balança para pesar amêndoa, móveis, utensílios variados) que alimentam um sonho: um dia organizar no espaço uma “miniatura” de um museu etnográfico.

A par dessa adega existe um lagar de vinho (hoje transformado num tanque que foi adaptado a uma mini piscina), um pátio coberto, muito fresquinho, cobiçado pelos amigos durante o Verão, um outro pátio coberto que serve de garagem e um compartimento que ao longo do tempo foi tendo várias funções. Durante a minha infância e adolescência era destinada a passar roupa ( a lavagem era feita por uma lavadeira, no rio ou num tanque que ainda existe num prédio rústico que hoje é também meu); ali existia também uma máquina de costura onde a minha mão costurava e mais tarde bordava, quando começou a sentir que bordar à mão (que bem que ela bordava…) lhe perturbava um pouco a visão. Havia ainda um pequeno divã que eventualmente servia para alguém dormir, se necessário.

A dada altura o espaço passou a ser partilhado com o meu pai que montou uma pequena oficina, com aquele material essencial que existe em quase todas as casas.

Mais tarde chegou a luz eléctrica e com ela acabaram por ir parar à saleta/oficina, uma arca congeladora e uma máquina de lavar roupa.

Quando o meu pai faleceu, o meu marido ampliou muito a oficina e o compartimento passou a ser o depósito de tudo o que possam imaginar.

Nas férias, com toda a gente em casa (já somos dez) tornava-se imperioso que a saleta / oficina desse lugar a um espaço funcional. A oficina foi para a adega e será mais tarde integrada no museu ( o sonho comanda  a vida…) já que existem peças muito bonitas, algumas  com mais de 100 anos.
Depois foi recriar o espaço com móveis e objectos perdidos na adega e na confusão que existia na saleta. Tudo o que era possível fazer sem ajuda masculina, foi feito por mim, com ajuda dos dois netos (essencialmente da neta), nos primeiros 5 dias de Agosto .  Queríamos que tudo estivesse pronto quando o resto da família chegasse.

A minha neta trabalhou com um entusiasmo incrível e dizia “Eu sou como tu; entusiasmo-me muito com estas coisas”. Ainda não sei se foi o meu entusiasmo que a contagiou ou se foi o dela que me contagiou a mim…

Quando o resto da família chegou todos ficaram estupefactos com a transformação.

Lamentavelmente não me lembrei de fotografar o “antes” pelo que vos deixo apenas imagens do “depois”.







Por detrás das cortinas, de enrolar, continuam a máquina de lavar, a arca e a tábua de passar....

Até à próxima reportagem.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Regresso

Retomo hoje a publicação no Blog após mais de um mês de inactividade no mesmo.

Dia 31 de Julho fui para o meu Nordeste com os dois netos mais velhos; mais tarde juntou-se o resto da família (já somos 10). A casa fervilhou de vida durante a primeira quinzena de Agosto. A segunda quinzena foi mais calma. Deu para caminhar, conviver com amigos e familiares, ler, ouvir música, pintar, tocar (finjo que toco) cavaquinho… Irei dando conta de alguns eventos nas próximas mensagens.

Regressámos no passado domingo mas só hoje arranjei algum tempo para escrever algo enquanto a minha neta mais pequenina dorme e o irmão vê desenhos animados.

O tempo tem voado não só a apoiar os quatro netos como a resolver uma série de coisas que se acumularam durante a nossa ausência.

Entretanto recomeça a “corrida”.

No próximo dia 10, na X Feira do Livro(em anexo o programa) integrada nas Festas do Concelho de Gondomar, no Largo do Souto, S. Cosme, terá lugar pelas 17 h uma pré-apresentação do meu novo livro Breve História da Química (infanto- juvenil) edição de 7dias6noites



No domingo regresso a Alfândega da Fé onde, no dia 13 pelas 18 h, decorrerá o lançamento do livro Na Kontra Ka Kontra de Fernando Gouveia juntaamento com a abertura da exposição de fotografia “Memórias paralelas da Guerra Colonial".




Regressaremos dia 14 e no dia 15 também pelas 17 h será a apresentação de Breve História da Química no Espaço Vivacidade


Até breve com as prometidas "reportagens" de férias