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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Neutrinos ultrapassam velocidade da luz ?


A confirmação da existência de uma partícula mais rápida que a luz vai abrir portas à hipótese de se poder "viajar no tempo", defendeu Gaspar Barreira, o investigador português do Conselho da Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN).


A existência de algo mais rápido que a luz não deveria acontecer de acordo com a teoria de Einstein que tornou famosa a equação “E=mc2”. No entanto, o CERN anunciou na quinta-feira uma experiência que defende que os neutrinos são 60 nanossegundos mais rápidos do que a luz. 23/09/11

Carlos Fiolhais  refere a propósito da referida  experiência
Na experiência(…)há emissão de neutrinos no CERN, na Suíça, e a sua detecção no laboratório instalado no túnel de Gran Sasso (na figura), em Itália, a mais de 700 km de distância. E esses neutrinos, viajando debaixo da Terra, estariam a ir mais rápido do que é permitido pelas leis da física tal como as conhecemos hoje. Seria só um bocadinho, mas daria para o excesso ser reconhecível. Contudo, a generalidade dos físicos da área duvida da exactidão dos resultados. É preciso medir muito bem os tempos e as posições para saber bem a velocidade. Tem de se verificar se há algum erro. Na minha opinião deve haver. É muito provável que haja. Se fosse verdade, haveria uma partícula com massa, embora pequena, que andaria mais depressa do que os fotões, que não têm massa. A teoria da relatividade de Einstein, um dos pilares da física moderna, estaria em causa. Essa teoria não tem de ser eterna, mas tem resistido desde há mais de cem anos, e factos extraordinários exigem provas extraordinárias.


O Sol está constantemente a emitir neutrinos, muitos neutrinos, que chegam à Terra e conseguem atravessá-la, excepto nalguns casos raros, pois essas partículas, sem carga e quase sem massa, dificilmente interagem com a matéria. Os neutrinos são partículas elementares: viajam a uma velocidade que é inferior mas bastante próxima da luz e são quase imparáveis. Todos nós estamos sujeitos a um chuveiro de neutrinos, que não nos faz mal nenhum.


Mas o que é um neutrino?Aqui  poderão ler:
Quando um neutrão é “extraído” e isolado de alguma forma de um núcleo atómico, os cientistas verificam que, em cerca de vinte minutos, o neutrão “desaparece” e, em vez dele, se detectam um protão e um electrão.
Os primeiros cientistas a observar esta transformação ficaram intrigados porque ao calcular (utilizando a equação de Einstein acima indicada) as energias envolvidas nessa transformação, estas não batiam certo: a soma das energias correspondentes ao protão e ao electrão resultante era inferior à energia do neutrão inicial!
Partindo do princípio de que c é constante e logo que as energias envolvidas em qualquer transformação ou reacção correspondem a massas bem determinadas, a experiência punha então em causa um princípio enunciado por Lavoisier: o da conservação da massa. De facto, verificava-se que, no processo de transformação de um neutrão num protão e num electrão, se perdia, de alguma forma, massa! Num esforço teórico para “conservar”o princípio de Lavoisier, que, recorde-se, enuncia que nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, conta a história da física que W. Ernst Pauli (prémio Nobel da Física em 1945) propôs a hipótese da existência de uma outra partícula, indetectável pela tecnologia da época, que não teria carga eléctrica, mas com a massa discreta mas em falta no balanço energético! Como a massa em falta era pequena, a hipotética partícula sem carga foi baptizada por “neutrino”.
Os neutrinos veriam a ser detectados experimentalmente em 1956 na proximidade de reactores nucleares e a confirmação da sua existência, permitiu manter “incólume” o princípio da conservação de Lavoisier, mas também a universalidade de E = mc2.


Poderão lere mais Ler mais neste site 


E já que falamos de neutrinos coloco ( ou recoloco?) o poema Caminhada  (in Magnetismo Terrestre) bem como a fotografia que o acompanha (autor da fotografia, Fernando Gouveia)

Flores tímidas, selvagens, atapetam o chão.


Coberta de líquenes e musgo, a fraga, ao fundo,


onde frágil se equilibra uma oliveira


que espreita a queda de água que escorre na ladeira


onde agoniza um pombal, já sem função.


Um balir de rebanho rompe o ar dolente


e uma avezita, que emerge de um sobreiro,


toma por seu mundo o céu inteiro.


Medito enquanto calcorreio o caminho lentamente.


Quanta transformação química ocorrida


para transformar húmus em vida?


Quanta energia transformada?


Quanto neutrino atravessando o nada?

Regina Gouveia

1 comentário:

  1. Mais um belo post em que a poesia se alia à ciência.
    Também já li e fiz um pequeno comentário ao texto de Ciência Hoje.

    Um beijo.

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