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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Fez ontem 42 anos ....

Fez ontem 42 anos que o homem pisou a Lua pela primeira vez.


Pensei colocar uma mensagem mas não consegui arranjar tempo para fazê-lo.

Hoje, porque acordei muito cedo, fui pesquisar algo para aqui colocar e deparei com um blog muito interessante http://atomoemeio.blogspot.com/
 onde se dá conta do que aconteceu há 42 anos e se pode fazer uma visita guiada à Lua.


Creio que a melhor forma de terminar esta mensagem é deixar-vos com o Poema do Homem Novo de  António Gedeão…

Niels Armstrong pôs os pés na Lua


e a Humanidade inteira saudou nele

o Homem Novo.


No calendário da História sublinhou-se


com espesso traço o memorável feito.


Tudo nele era novo.


Vestia quinze fatos sobrepostos.


Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,


um colante poroso de rede tricotada


para ventilação e temperatura próprias.


Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,


catorze, no total,


de película de nylon


e borracha sintética.


Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,


na cabeça e nos braços,


confusíssima trama de canais


para circulação dos fluidos necessários,


da água e do oxigénio.


A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,


um envólucro soprado de tela de alumínio.


Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,


auscultadores e microfones,


e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,


luvas com luz nos dedos.


Numa cama de rede, pendurada


da parede do módulo,


na majestade augusta do silêncio,


dormia o Homem Novo a caminho da Lua.


Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,


bocas de espanto e olhos de humidade,


todos se interpelavam e falavam


do Homem Novo,


do Homem Novo,


do Homem Novo.


Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.


Caminhava hesitante e cauteloso,


pé aqui,


pé ali,


as pernas afastadas,


os braços insuflados como balões pneumáticos,


o tronco debruçado sobre o solo.


Lá vai ele.


Lá vai o Homem Novo


medindo e calculando cada passo,


puxando pelo corpo como bloco emperrado.


Mais um passo.


Mais outro.


Num sobrehumano esforço


levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.


Com redobrado alento avança mais um passo,


e a Humanidade inteira,


com o coração pequeno e ressequido,


viu, com os olhos que a terra há-de comer,


o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,


exactamente como faria o Homem Velho.

2 comentários:

  1. Olá Regina
    Também acho que a ida do Homem à Lua foi um feito extraordinário. Mas penso que quem consegue por um homem na Lua ,não deve esquecer o Homem na Terra.E, no meu entender,essa tarefa passa um pouco por todos nós.

    Um beijo.

    Um beijo.

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  2. Enquanto o valor supremo que rege o mundo for a ambição desmedida, o não olhar a meios para atingir os fins, não poderemos ter um mundo onde todos os homens vivam com dignidade
    Um ab
    Regina

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