Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O mundo é pequeno….

No dia 27 de Maio, fui à escola do Meiral, em Gaia, a convite da professora bibliotecária. O mundo é pequeno. No momento em que nos encontrámos constatámos que já nos conhecíamos. Na infância e adolescência, o marido e eu passámos férias na mesma aldeia do Nordeste Transmontano. Mais tarde, a colega e o marido foram colegas do meu marido. Durante a conversa viemos a descobrir que um dos genros é colega e amigo de um dos meus filhos.
De manhã fiz três sessões para alunos (uma média de três turmas por sessão) e à noite estive presente numa feira do livro que decorreu na escola. Tive”boleia” da colega pelo que tive oportunidade de rever o marido e recordar outros tempos.
Na escola fui muito bem recebida e percebi que a minha visita tinha sido cuidadosamente preparada como se pode constatar aqui , aqui e aqui
Cartaz alusivo à visita




A peça que consta no cartaz ,  foi-me  carinhosamente oferecida pela aluna que a produziu

À noite, na sessão em que estive presente,  uma pequenita que estava na feira veio pedir-me para autografar um livro e no fim a mãe voltou-se para a criança : Diz.
Como a miúda nada dissesse a mãe esclareceu. Ela acha que a senhora lhe lembra a avó e gostaria de tirar uma fotografia consigo.

Algumas crianças vinham  pedir autógrafos com livros que não eram da minha autoria. Explicava-lhes que não podia autografar esses livros pois não era a autora. Ficavam geralmente muito decepcionadas pelo que autografei, com muito gosto, meu e das crianças, algumas folha de papel em branco

No dia 30 estive na escola da Fontinha, a convite da professora bibliotecária. Também aqui se notou que os professores tinham preparado cuidadosamente a visita.

Esta escola tem uma característica que me encantou. É talvez a escola mais multicultural que já visitei. Crianças originárias da Guiné, de Angola, do Gana, da Costa do Marfim, do Paquistão, da China, dos países de Leste… Logo que entrei na escola, e enquanto aguardava a chegada de uma professora, um pequenito da pré primária dirigiu-se a mim:
És a escritora? Foi então mostrar-me um desenho seu, baseado num dos meus poemas, e que estava exposto na parede do corredor. Perguntei-lhe o nome: Mamadu. Perguntei de onde era, suspeitando já que seria guineense, o que ele confirmou. E quando lhe disse que conhecia Bafatá, ficou feliz pois é a sua zona. Na sessão em que esteve presente brilhou pelas intervenções.
Todas as sessões decorreram num espaço um pouco inóspito, a que chamam ginásio,
Não dispus, como é habitual, de PC, vídeo projector, retroprojector para projectar experiências, mas o calor humano superou todas as dificuldades.
Decidi começar a sessão com o poema diversidade

Era uma escola muito colorida tão cheia de vida como nunca vi.


Aqui e ali meninos negrinhos que vieram de Angola


jogavam à bola com outros meninos também africanos, outros indianos,


outros europeus da Europa de Leste, do Norte e do Sul,


olhos de cor verde, castanha e azul.


Os cabelos eram dos mais variados: encaracolados, claros e escuros, lisos, esticados como aquele indiozinho tupi - guarani e um coreano de seu nome Li,


que tinha uns olhinhos bem enviesados.


Havia um menino que era timorense, outro guineense e imaginem só,


até existia um menino esquimó.


Um grupo bailava e um outro cantava a uma voz só


um vira , um tebe, um semba, uma morna, uma marrabenta e até um forró.


Era aquela escola, como um arco-íris, de múltiplas de cores.


Lembrava um canteiro repleto de flores.
(in Ciência para meninos em poemas pequeninos)

A partir daqui passámos para o poema arco-íris e as experiências e os poemas foram surgindo perante o olhar vivo das crianças. Estas presentearam-me com trabalhos, leitura de poemas e com a alegria contagiante.

Vou colocar algumas fotos com as crianças, evitando, por precaução, expor os seus rostos.










Mas dizia eu, acima, que o mundo é pequeno.

Um dos professores presentes perguntou-me se eu não tinha leccionado no Alexandre Herculano. Tinha sido meu aluno e recordava-se do carácter experimental das minhas aulas tendo referido em particular uma em que fiz uma demonstração experimental sobre o paradoxo hidrostático.



Fotos com os professores onde se vê o meu ex-aluno

E para quem não sabe em que consiste o referido paradoxo aqui deixo uma breve descrição



O fundo dos 3 recipientes, 1, 2 e 3, é uma película de borracha fixa no suporte do aparelho. Quando se deita água no recipiente, o  fundo do aparelho encurva-se e este movimento transmite-se à agulha. A experiência mostra  que:
Quando as colunas de água nos recipientes atingem a mesma altura, a indicação do ponteiro é sempre a mesma, ou seja, a força com que o líquido actua sobre o fundo do recipiente é  independente do peso do líquido contido no vaso.

1 comentário:

  1. Olá Regina
    O seu post é um claro desmentido do que se diz sobre a má qualidade da Escola Pública e respectivos professores. Gostei muito.
    Quanto ao poema, achei-o genial.

    Um grande beijo e muitos parabéns.

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