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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

sábado, 26 de março de 2011

Um país adiado

Portugal é, de há muito, um país para muito poucos. Mas, infelizmente, talvez nunca como agora, quiçá nem nos tempos da ditadura, se tenha transformado, do ponto de vista económico, num inferno para muitos, num purgatório para grande parte e num paraíso inigualável para uma minoria de corruptos.

António Marinho Pinto, controverso bastonário da Ordem dos Advogados, cujas intervenções pecam por vezes por alguma demagogia, na abertura do ano judicial proferiu um discurso com que me identifico muito.
Frisou que "pessoas houve que acumularam fortunas gigantescas no exercício exclusivo das mais altas funções públicas, durante anos" e que "bancos foram saqueados em milhares de milhões de euros e os principais beneficiários continuam impunes".

José Sócrates pediu a demissão. E agora?

Ainda recentemente, face a uma proposta creio que do BE, para diminuir regalias e vencimentos dos grandes senhores, PS e PSD votaram contra.

Nenhum deste partidos pode merecer o voto dos portugueses, salvo dos que pertencem  à minoria anteriormente  referida.
Mas tal como no Triunfo dos Porcos de George Orwell, a ignorância favorece  a manipulação das massas.

Sou optimista por sistema, mas neste momento sinto algum pessimismo. Será que alguma formação política poderia mudar este status quo?

Sartre, no livro  A engrenagem , retrata uma situação onde os que causaram a revolução se sentem traídos, porque os que lideraram a revolução não cumpriram o que prometeram.
Também George Orwell, no já citado Triunfo dos Porcos, apresenta uma alegoria bastante original: um grupo de animais revolta-se numa quinta governada pelos humanos e funda uma corrente ideológica que, como tantas outras, começa como uma grande ideia cheia de nobres valores e intenções a acaba por servir como meio de favorecer os mais fortes, violando todos os princípios a que se tinha proposto.

Os caminhos afiguram-se rochosos mas temos que recomeçar.

Termino precisamente com duas obras de Edith Cohen-Gewerc, uma artista de que muito gosto e a que já tenho recorrido em outras ocasiões

Chemins rocailleux


L´eternel recommencement

4 comentários:

  1. Também considero difícil mas não impossível chegarmos a uma situação de mais justiça e igualdade sociais.Arrasa-se a indústria, destrói-se a agricultura,entra-se num jogo financeiro que nada produz, apenas canaliza o dinheiro para os mesmos bolsos e é o povo que tem que pagar os custos de uma má governaçao!!!!! Não é justo.
    Há soluções e muitas medidas já foram propostas,mas infelizmente rejeitadas.
    É urgente uma união na luta e no esclarecimento da população que tão adormecida anda com as notícias a que tem
    acesso.
    Eu conservo a esperança e continuo, dentro das minhas poissibilidades, a tentar mostrar as causas e os efeitos da crise.
    Não é para mim,mas continuo a pensar que os meus netos assim como todos os nosso futuros descendentes viverão num mundo melhor.

    Um grande beijo de esperança, Regina.

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  2. Nunca fui de esquerda, mas sempre considerei que os políticos tinham de ser incorruptos e de saber gerir com competencia e lisura o que é de todos.
    Não acredito que todos os eleitos pelo povo português sejam ladrões ou incompetentes.
    Há-de haver quem queira o melhor para o país e creio que os mais competentes são os que tiveram melhores educação e valores. A ideologia dominante neste momento é a de que só o dinheiro nos dá felicidade e de que só com canudos se consegue chegar a bom porto. Ninguém pensa no esforço, no mérito, no sacrifício pessoal em prole dos outros.
    Quase todas as instituições estão degradadas...
    O Marinho Pinto diz algumas coisas sérias, mas não tem razão em 90% dos casos. São os proprios advogados os culpados das demoras e problemas que encalham a justiça, não os juizes.
    Ele próprio defende o lado prevaricador muitas vezes.
    Gostava de acreditar nos partidos da direita, mas sei que o país está na bancarrota, devido a um estado social ultrapassado e corrupto e será muito difícil mostrar à população que não pode depender do Estado para tudo na vida.

    Fico por aqui.

    Pode ser que acordemos um dia com mais esperança e vontade de vencer.

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  3. Eu, em contrapartida, sempre fui de esquerda. Mas neste momento, estou muito céptica em relação aos políticos de uma forma geral e isso entristece-me muito.
    Um abraço para as duas
    Regina

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  4. Não me parece que sejas tão esquerda quanto isso, Regina....mas cada um sabe de si. Falo do que conheço de ti, das tuas ideias acerca da escola, do teu modo de vida, etc.

    Só fui de esquerda no período a seguir ao 25 de Abril em Lisboa, mas depressa compreendi que as doutrinas esquerdistas eram tão perigosas quanto as fascistas porque radicais e cerceadoras do pensamento e da liberdade individual.
    Não sou uma pessoa para viver em colectivo, embora d~e e empreste tudo o que é meu. Gosto de ter uma casa, uma família, comprar coisas para mim - nada de luxos, como sabes - poder ir a concertos, viajar, etc. Sou coerente com a educação que recebi e procuro honrar os valores com que fui criada. Tb procuro ajudar quem precisa, mas não acredito que possamos todos ser iguais e viver do mesmo modo, gosto da diferença e de ser diferente...

    Adoro esses quadros da Edith. O primeiro é espectacular!

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