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Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Da invisibilidade à nanoarte

Rumo ao mundo invisível é o título de um artigo publicado já em 2008 do qual deixo um excerto mas  que podem ver aqui

A invisibilidade está deixando o campo da ficção científica e se encontra cada vez mais perto do alcance de nossas mãos depois da descoberta de materiais tridimensionais capazes de desviar a luz visível(...) Os cientistas que realizaram os experimentos com nano-objetos (a milionésima parte de um milímetro) acreditam que podem aplicar o mesmo princípio para tornar uma pessoa, um tanque ou até um petroleiro completamente invisíveis.
Os novos materiais ("metamateriais") devem desviar a luz ao redor do objecto, de modo a envolvê-lo, e, em seguida, recuperar sua forma original, assim como uma corrente de água recupera sua forma após passar por um obstáculo. O observador já não vê a perturbação na luz e, desta forma, o objecto desaparece. Embora uma das aplicações mais imediatas destes “metamateriais” possa ser a construção de lentes especiais para enxergar até um vírus ou uma molécula de DNA, o mais interessante para a imaginação tem a ver com a concretização da previsão da invisibilidade descrita por autores como H.G. Wells ("O homem invisível") e J.K. Rowling (Harry Potter) e muito utilizada em telesséries de ficção científicas como “Jornada nas Estrelas” (Star Trek).

O tema surge agora de novo em Ciência Hoje
Dispositivo desenvolvido em Birmingham ocultou pequenos objectos


Tornar alfinetes ou clipes invisíveis ao olho humano já é possível graças a uma invenção de Zhang Shuang, da Universidade de Birmingham (Inglaterra), que desenvolveu um dispositivo capaz de ocultar objectos dentro do espectro de luz visível.
Nesta investigação, descrita na revista científica “Nature Communications”, os cientistas criaram um aparelho composto por dois cristais de calcite, um mineral que possibilita a polarização da luz, sendo capaz de criar um “manto da invisibilidade”.
Quando um raio de luz incide na calcite, decompõe-se em dois feixes polarizados em direcções perpendiculares e com velocidades diferentes. Os investigadores colocaram dois prismas deste mineral unidos em forma piramidal na parte superior e recorreram a ouro para fortalecer a reflexão. Daí resultou o “desaparecimento” dos elementos colocados entre os cristais.
A investigação nesta área de estudo tem vindo a dar largos passos desde 2006, quando um grupo de cientistas liderado por John Pendry descreveu a técnica de “óptica de transformação”, que consegue controlar a luz e outras ondas electromagnéticas.
(…)Tendo em conta o sucesso alcançado com este dispositivo, futuramente os investigadores esperam conseguir esconder objectos maiores, como artigos militares. Outra das aplicações desta investigação poderia reflectir-se na indústria cosmética, visto que as calcites, segundo Zhang Shuang, podem ocultar pequenas manchas e imperfeições da pele.

Se esta última aplicação me pode criar a esperança de tornar invisíveis as minhas muitas rugas, a outra assusta-me…
Já em 2006 um artigo publicado também em ciência hoje alertava para aspectos éticos.

Recordo aqui parte do texto

Dois estudos independentes apresentaram na revista Science uma teoria pioneira sobre como tornar objectos invisíveis, delineando um plano para fabricar “capas de invisibilidade” que serão capazes de esconder objectos ou pessoas de forma a não serem detectadas.
As capas deverão ser manufacturadas a partir de metamateriais, compósitos artificialmente estruturados que têm vindo a ser desenvolvidos nos últimos cinco anos. Os metamateriais podem ser fabricados de forma a possuírem uma vasta gama de propriedades ópticas que permitem manipular luz e outras ondas electromagnéticas..
Engenheiros na Universidade de Duke procuram agora fazer dos metamateriais uma realidade. Espera-se que as primeiras amostras possam ser testadas na frequência de ondas rádio, mas serão contudo capas sólidas e pesadas, com pouco uso prático. Também é difícil prever ainda o quão perfeita será a invisibilidade obtida através destes materiais. Até agora existem fortes limitações relacionadas com o facto dos metamateriais serem ainda fortes absorventes de radiação, o que os leva a reflectir luz e assim serem detectados.
Outro aspecto limitador prende-se com o facto da teoria funcionar idealmente para uma dada frequência e ter um rendimento deteriorado para outras frequências. De momento, os cientistas estão ainda duvidosos de que alguma vez se possam fabricar capas que sejam eficientes para todo o espectro da radiação visível.
Os autores colocaram também água na fervura em relação à especulação mediática em torno da possibilidade de se poderem fabricar capas do estilo Harry Potter nos próximos cinco ou dez anos. “A ideia de podemos encobrir uma pessoa ou um objecto completamente permanece ainda firmemente no campo da ficção cientifica”, disse Smith ao CH. Contudo, os cientistas deixam antever que outro tipo de aplicações militares, de telecomunicações e médicas da tecnologia serão possíveis no futuro.
A teoria da invisibilidade também já atraiu a preocupação das associações de nanoética para os perigos advindos em termos de privacidade e segurança. “ Os problemas relacionados com ética, segurança e privacidade envolvidos neste assunto só são limitados pela nossa imaginação. Os problemas de visão e também de maleabilidade destas capas são perfeitamente passíveis de serem resolvidos a qualquer altura”, avisou Patrick Lin, director do Nanoethics Group. “Podemos imaginar alguém a usar uma capa para algo tão mesquinho como roubar um banco ou um casino, ou então algo muito mais sério como entrar na Casa Branca. Podemos também conceber que versões mais leves destas capas possam esconder veículos móveis (tecnologia furtiva para carros por exemplo) que levem contrabando, pessoas ou armas”.

Em todo o processo a polarização da luz desempenha um papel importante. Poderão ver,  de seguida,  um pequeno vídeo sobre polarização da luz
A experiência ilustrada no vídeo pode ser feita, com igual sucesso, usando lentes de óculos (polaróide, claro)

E já que temos vindo a falar de um mundo à escala nanométrica, passemos à nanoarte

Aproximar a ciência das pessoas por meio da arte. Esse é o intuito do grupo de pesquisadores do Liec (Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica) da UFScar que lançarão em breve aquele que é considerado o primeiro livro sobre a nanoarte. A nanoarte é feita a partir de imagens tiradas por microscópios eletrônicos de transmissão por varredura coloridas digitalmente pelos nanoartistas, que são pesquisadores e cientistas. “Nanoarte: a arte de fazer arte” será intitulada essa obra pioneira. Ela conterá cerca de 250 imagens dispostas em 85 páginas. As imagens foram coloridas pelos pesquisadores do CMDMC (Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos). Esse grupo de 450 pesquisadores procura imagens que se assemelhem a elementos do cotidiano a fim de que haja esse aproximação entre a plateia e o cientista. O organizador do projeto, Edson Longo, coordenador do Liec declarou à Revista da Cultura que sua meta é tornar um tema considerado “antipático” como a química em algo interessante.
A nanoarte é um campo recentemente explorado. Foi o  romeno Cris Orfescu, o grande precursor dessa área.
Deixo-vos com uma imagem de partículas de poeira



Poderão encontrar várias na Galeria de Arte Nanotecnologia aqui

2 comentários:

  1. Da imaginação à realidade....há muitas coisas inventadas em ficção que acabam por ser realidade. Já Julio Verne tinha visionado um futuro que hoje foi ultrapassado. É empolgante ler sobre estas descobertas. Que as imagens dos microscópios são artísticas não tenho dúvidas nenhumas, basta ver filmes do CSI para verificar. Com todas as possibilidades de modificações ou tratamento das imagens à disposição, também será fácil usar estas técnicas para criar arte. O site que indicas é um exemplo disso.

    bjo

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  2. Olá Regina
    Li o seu blog, embora não com a atenção merecida porque me sinto um pouco cansada.
    No entanto, apesar das maravilhosas utilizações da nanociência na tecnologia, nas artes, na saúde , ficou-me um certo desgosto por verificar que a evolução da Ciência através dessa nova descoberta,que poderá salvar vidas e criar mais conhecimentos e beleza, pode também ser utilizada nas terríveis artes da guerra, para matar e destriur. É outra vez o caso da energia nuclear.
    O ser humano ainda é muito imperfeito apesar da sua extaordinária capacidade de estudo e descoberta. Não estou a falar dos cientistas mas sim dos que utizam, para o mal, o resultado dos seus Esforços e Inteligência. A Ciência não é contra a humanidade. Uma parte dos homens é que é contra ela(humanidade).

    Um beijo grande.

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