Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

terça-feira, 30 de novembro de 2010

As fotos prometidas

 Tal como prometi numa das últimas mensagens, vou colocar hoje as fotos dos encontros com jovens nos Agrupamentos de Escolas  de  Alfândega da Fé e de  Arouca

                                                              Em Alfândega da Fé






Em Arouca na representação de "Era uma vez um ecoponto"





Em Arouca, sessões com diferentes grupos de alunos


 




Renovo o meu agradecimento a alunos, professores bibliotecários, professores em geral, membros dos conselhos executivos, funcionários com que contactei, pela forma extremamente carinhosa com que fui recebida em ambos os lados

Look Up

Look Up! Natural Porto Art Show é um grande evento artístico a decorrer desde 2 de Outubro e que se prolonga até 19 de Dezembro de 2010. O conceito base é a sustentabilidade na arte, a arquitectura e o design, envolvendo algumas das mais importantes instituições da Cidade de Porto, tais como Edificio da Alfándega, a Casa da Música, o Palácio das Artes, o Palacete Pinto Leite, a Reitoria da Universidade, o Palácio da Bolsa ou o Aeroporto Sá Carneiro.



Promovido pela ANJE, Associação Nacional de Jovens Empresários de Portugal, Look Up! Natural Porto Art Show é um projecto com vocação sustentável que tem como objectivo criar ligações artísticas, culturais e sociais com a cidade do Porto, idealizado pelo comissário espanhol David Barro e o galerista Fernando Santos. Através da arte, a arquitectura e o design, a intenção é a de trabalhar o espaço público como um território de intervenção artística, e também implicar importantes edifícios emblemáticos da cidade. O objectivo é o de pensar a arte como serviço à comunidade de um território, mas também como um questionamento da sociedade em que vivemos.


Look Up! Natural Porto Art Show procura ser uma tomada de consciência dos benefícios sociais e económicos, e, claro ambientais, que nos levam a trabalhar com critérios de sustentabilidade; seja directamente, com uma série de reflexões sobre as implicações de ser sustentável nos livros produzidos para o evento, ou de maneira mais aberta, com as exposições preparadas ex professo para Look Up!, que abordam a problemática do indivíduo submerso no abismo do contemporâneo e de como o ser humano habita os espaços da contemporaneidade.


No passado dia 19 foi inaugurada no Palacete Pinto Leite (onde funcionou o Conservatório,  junto à Maternidade), a exposição Lugares de Incerteza/Interferências VII. Entre os vários artistas plásticos ali representados encontra-se Noé Sendas, filho da pintora Lourdes Sendas, minha amiga desde a escola primária em Bragança.

Da publicação que acompanha as exposições, deixo ficar o que diz respeito à que decorre no momento.





Ainda não a visitei  ( na abertura estava para Trás-os- Montes e desde que regressei ainda não me foi possível). Espero visitá-la no próximo dia 1. Mas quis deixar esta mensagem para também poderem aproveitar esse dia se assim o entenderem…

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mais vale tarde que nunca…

Sou fã incondicional de Chico Buarque desde a “Banda”. No âmbito musical, tenho quase toda a sua obra. Quando saiu o seu livro Estorvo, o mesmo constituiu um verdadeiro estorvo para mim. Familiares e amigos, sabendo da minha “devoção” a Chico Buarque, resolveram oferecer-me o livro pelo Natal. Recebi seis exemplares…


Sou franca. Não gostei do livro ( e ainda há pouco tempo o reli e não mudei muito a minha opinião). Quando saiu Benjamim resolvi adquirir o livro . Achei este mais interessante mas mesmo assim li-o sem grande entusiasmo. Quando saiu Budapeste decidi não o comprar mas foi-me oferecido. Li-o com agrado.

Quando saiu Leite Derramado, comecei a lê-lo na livraria que mais frequento (a Leitura no “Cidade do Porto”). Comprei-o de imediato pois não conseguia para de o ler. Já o reli e, apesar de já ter lido várias críticas muito negativas, continuo a achar que é um livro fabuloso.

Por isso, quando lhe foi atribuído o Prémio PT,  pensei dedicar-lhe um post mas só agora me foi possível.

Mais vale tarde que nunca…


No Jornal Público pôde ler-se :
Com obra "Leite Derramado" Chico Buarque é o vencedor do Portugal Telecom de Literatura 2010

(…)Receber este prémio no valor de 100 mil reais (42.416 euros) para o escritor - que trabalha com "o nosso idioma", apesar de muitas vezes "não perceber o que os portugueses estão a falar" -, é "um abraço a Portugal também e aos demais países da língua portuguesa", disse respondendo a uma pergunta do PÚBLICO, no final da cerimónia.

(…)A noite foi também de homenagem ao Prémio Nobel da Literatura 1998, José Saramago (1922-2010), que com "Caim" estava entre os dez finalistas mas foi retirado da lista a pedido da Fundação Saramago. Foi Pilar del Río, que em cima do palco, abriu o envelope, disse :"Toda a vida quis dizer isto" e leu o nome do vencedor: Chico Buarque e "Leite Derramado".

Imagens da cerimónia que foi também de homenagem a José Saramago,podem ver-se aqui




Também no JLpodemos ler :
 Chico Buarque distinguido com o Prémio PT
Chico Buarque é o grande vencedor da edição deste ano do Prémio PT de Literatura, um dos galardões mais importantes do Brasil. O júri atribuiu o 1.º lugar a Leite Derramado, em que o conhecio cantautor revisita os últimos cem anos da história brasileira (em segundo lugar ficou Outra Vida, de Rodrigo Lacerda, e, em terceiro, Lar, de Armando Freitas Filho). Recuperamos aqui a crítica que publicamos no JL n.º 1009 (de 3 de Junho de 2009), antes da saída do romance em portugal

Cinco anos depois de Budapeste, Chico Buarque regressa à escrita com um romance em tons sombrios. Leite Derramado não é apenas a história de uma família mas também o relato de décadas de História do Brasil. Já dizia Jorge Luís Borges que "o livro é uma extensão da memória e da imaginação"(...9

"Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra". Assim começa o quarto romance de Chico Buarque, um olhar sobre a vida, a partir do fim, movido por um impulso de regresso às origens. Eulálio d'Assumpção, aristocrata arruinado de Copacabana, encontra-se, aos 100 anos, numa cama de hospital, depois de ter sofrido uma grave fractura(...)

"Estou pensando alto para que você me escute", diz Eulálio que, logo nas primeiras páginas, lança uma dúvida ao leitor: para quem fala este homem que desmonta à nossa frente a sua vida? Falará apenas para a sua interlocutora ou para si próprio? Na verdade, Chico desenhou nesta história um protagonista complexo, à semelhança do José Costa de Budapeste. Tão complexo como entusiasmante(...)

O romance constrói-se sobre dois planos a história propriamente dita e o simbolismo do espaço em que se desenrola. O primeiro remete-nos, efectivamente, para o abandono de Eulálio pela mulher, Matilde, quando esta ainda amamentava a filha do casal. A história de Eulálio é contada de forma fragmentada, aos retalhos, ou não fossem estas memórias "um pandemónio" que só ganham sentido porque alguém as ouve ("sem você meu passado se apagaria"). Progressivamente, a saga familiar de Eulálio cruza-se com o segundo plano, uma imagem de um país visto através do olhar amargo de um narrador que transforma esta tragédia numa derrocada irreversível(...)

Os avanços e recuos dão lugar à justaposição de histórias em tempos diferentes, conseguindo atingir um efeito realista, e à sobreposição eficaz da ficção com a realidade. O olhar racista das elites e a mestiçagem são dois dos temas privilegiados que dão lugar a verdadeiras cenas tragicómicas protagonizadas por Eulálio que, ao descer ao ambiente da "cidade-dormitório", nem assim perde a altivez aristocrata ("em momento algum perdi a linha"). Deliberadamente ou não, a história da saga familiar de Eulálio é reveladora de um profundo conhecimento, por parte do autor, ao nível cultural e historiográfico. Leite Derramado pode ser, mais do que a história da ruína de uma família aristocrata, uma metáfora de dois séculos de história do Brasil republicano(…)

À medida que a narrativa se desenvolve, os espaços da vida do narrador vão sendo cada vez mais exíguos. Do chalé de Copacabana dos seus 20 anos passamos para um apartamento nas traseiras do chalé, seguimos para um apartamento menor na Tijuca, vemos o palacete da família em Botafogo ser vendido, a fazenda de infância transforma-se numa favela e a última morada do narrador é o antigo cemitério onde jaz o avô. Tudo converge para um estado que culmina, simbolicamente, na morte. Em relação ao narrador, o leitor desenvolve sentimentos contraditórios: pena, indiferença, raiva. Mas é de Matilde, cuja vida termina de forma dramática por causa dos preconceitos e dos ciúmes doentios de Eulálio, que se guarda uma imagem inesquecível. É Matilde, ao amamentar a filha (com o leite, símbolo de vida, amargo), que se converte numa imagem obsessiva para Eulálio(...)

A respeito desta personagem, Leyla Perrone-Moisés levanta uma hipótese bem interessante e a merecer desenvolvimento: e se este livro for, indirectamente, não a história de um homem mas a história de uma mulher, Matilde? Uma história triste, contada pela voz confusa de um narrador, que leva Matilde a juntar-se à galeria de personagens femininas de Chico Buarque. Matilde, mulher espontânea, que viveu uma história triste, à mercê do ciúme masculino, e que, ao longo do livro, atinge uma densidade poética, porque "a respiração de Matilde chamava as ondas"(...)

"Ao passo que o tempo futuro se estreita, as pessoas mais novas têm de se amontoar de qualquer jeito num canto da minha cabeça. Já para o passado tenho um salão cada vez mais espaçoso, onde cabem com folga meus pais, avós, primos distantes e colegas da faculdade que eu já tinha esquecido, com seus respectivos salões cheios de parentes e contraparentes e penetras com suas amantes, mais as reminiscências dessa gente toda, até o tempo de Napoleão". Regressa-se com facilidade ao passado, a esse tempo das origens, através da imaginação. Mas esse é um tempo irreversível, como o leite que se derrama e que não é possível recolher. Assim é a vida, a de Eulálio e a de todos os homens, única, irrepetível. A voz de Eulálio Montenegro d'Assumpção é, de algum modo, a voz de cada um de nós. Em Leite Derramado, Chico Buarque capta esta que é a essência da vida: todos vivemos a nossa história, a história do país, as nossas próprias ficções. Todos regressamos, mais cedo ou mais tarde, às origens, a esse tempo de infância onde, ainda menino, de calças curtas, Eulálio é levado pela mãe a despedir-se do tetravô no hospital(…)


A terminar ouçamos o autor lendo excertos do livro e o "cantautor" em três canções que evocam figuras femininas:

Terezinha

Rita

Joana Francesa

domingo, 28 de novembro de 2010

Descoberto planeta noutra galáxia

Os excertos que a seguir incluo pertencema um texto publicado em 18/11 na revista on-line Ciência Hoje

Canibalismo galáctico expõe exoplaneta de origem extragaláctica
Primeiro planeta extra-galáctico. (Crédito: ESO/L. Calçada)

Utilizando o telescópio MPG/ESO, de 2,2 metros, instalado no Observatório de La Silla do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, uma equipa europeia de astrónomos detectou um exoplaneta em órbita de uma estrela que entrou na nossa Via Láctea vinda de outra galáxia. O planeta semelhante a Júpiter é particularmente invulgar, já que orbita uma estrela que se aproxima do final da sua vida e pode ser engolido por esta a qualquer momento. A descoberta fornece pistas importantes sobre o destino do nosso próprio sistema planetário, num futuro. Os resultados são hoje publicados na revista «Science Express».(…)


Durante os últimos 15 anos, os astrónomos detectaram 500 planetas em órbita de estrelas da nossa vizinhança cósmica, mas nunca nenhum foi confirmado fora da Via Láctea. Este, com uma massa mínima de 1,25 vezes à de Júpiter foi encontrado em órbita de uma estrela de origem extragaláctica, embora se encontre actualmente no interior da nossa própria Galáxia. (…)


A estrela, conhecida por HIP 13044, situa-se a 2000 anos-luz de distância, na constelação austral da Fornalha. Os astrónomos detectaram o planeta, chamado HIP 13044 b, ao procurar minúsculas oscilações da estrela causadas pelo puxão gravitacional de um companheiro em órbita.(…)Para o tornar ainda mais famoso, é igualmente um dos poucos que sobreviveu ao período de expansão da sua estrela hospedeira, depois de esta gastar todo o hidrogénio do seu núcleo. A estrela contraiu-se novamente e está agora a queimar hélio no seu centro(…)


“A descoberta faz parte de um estudo no qual estamos sistematicamente à procura de exoplanetas que orbitem estrelas que se aproximam do final das suas vidas,” diz Johny Setiawan, também do MPIA, que liderou a equipa. “É particularmente interessante quando consideramos o futuro distante do nosso próprio sistema planetário, uma vez que o Sol também se tornará numa gigante vermelha dentro de cinco mil milhões de anos”(…)


O HIP 13044 b encontra-se próximo da sua hospedeira, ou seja, no ponto mais próximo da sua órbita elíptica, está a menos de um diâmetro estelar da superfície da estrela (o que corresponde a 0,55 vezes a distância Sol - Terra). Completa uma órbita em apenas 16,2 dias e Setiawan e colegas pensam que esta seria inicialmente muito maior, mas que se teria deslocado para o interior durante a fase de gigante vermelha8…)


Embora HIP 13044 b tenha escapado ao destino, pode estar prestes a ser engolido pela estrela, o que significa que afinal sempre esteve condenado(…).






Este texto muito interessante lembrou-me alguns textos poéticos, para leitores diversas  idades,  que aqui deixo, em excertos ou na íntegra.



….Presos sem grades somos


E assim presos vogamos pelo espaço à mercê de um braseiro,


roendo as unhas limpas, sem ferrugem.


Ontem eras tu frio; hoje são outros; amanhã outros outros;


e assim pelo tempo fora


até que, também ele, o tal dragão magnífico,


o indispensável centro do carrocel celeste em que penamos,


como tu, como eu, como um qualquer de nós, acabará em frio…

Gedeão, A. in Poema das mãos frias in Novos poemas Póstumos


….Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.


Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada


E com o desconforto da alma mal-entendendo.


Ele morrerá e eu morrerei


ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos .


A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.


Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta


E a língua em que foram escritos os versos.


Morrerá depois o planeta gigante em que tudo isto se deu….


Álvaro de Campos, Tabacaria



Via Láctea


Hoje, ao olhar o firmamento, na direcção de Cassiopeia e de Perseu


deparei com algo, que não via no céu há muito tempo.


Na nossa galáxia espiral, milhões de estrelas em cintilação


definiam como que uma estrada, uma mancha difusa, esbranquiçada.


Muitas delas já nem estrelas serão pois as estrelas,


como qualquer mortal, também nascem, crescem e fenecem.


A mitologia, que sempre alimentou a humana fantasia,


tem, para a dita estrada, outra explicação.


Júpiter que, apesar de ser deus, de galáxias e estrelas nada percebia,


decidiu criar no céu aquela via


E assim, enquanto Juno o filho amamentava, pelo céu algum leite derramava.


O que Júpiter jamais suspeitaria é que tal via,


mais tarde serviria a uma outra fé, num outro deus.

Regina Gouveia, não publicado



Um dia
Um dia o sol há-de deixar de brilhar


E a terra- os continentes e oceanos…


Mas não há razão para te preocupares


Ainda faltam milhões de anos

(Jorge Sousa Braga em Pó de estrelas)

sábado, 27 de novembro de 2010

Falando de adereços

O Jornal ciência Hoje de 24/11 traz uma notícia interessante:
Investigação aplicada à joalharia e ourivesaria da qual transcrevo alguns excertos

Técnica recorre a nanotecnologias aplicadas à joalharia


A Universidade do Minho (UMinho) e a Agência de Investimento da África do Sul (GEDA) iniciaram, hoje, em Guimarães uma parceria nas áreas da investigação de novos materiais em joalharia e ourivesaria e da sua aplicação à indústria, disse fonte universitária(…).
Filipe Silva, um dos investigadores, garante que o projecto “é absolutamente inovador”, tendo ganho em Maio o «Research Award» do 24º Santa Fe Symposium, maior simpósio mundial do sector, que elogiou "a excelência, criatividade e inovação" da pesquisa. Na quinta edição da Portojóia estreou “os últimos revestimentos coloridos e efeitos que a ciência permite conferir ao ouro”.
Recorde-se que a técnica recorre a nanotecnologias aplicadas à joalharia. O método mais utilizado ainda pode ser considerado fora do convencional: o revestimento é feito por electro-deposição, ou seja, a peça é mergulhada num banho líquido e por efeito eléctrico deposita-se-lhe o ouro em bruto, com a projecção de átomos a alta velocidade (dez quilómetros por segundo) na malha cristalina do material(…)


Um dos grandes fascínios da Física e da Ciência em geral, é precisamente a sua aplicação em campos tão variados


Não sou ourives, nem tão pouco joalheira, mas há anos que tenho como hobby a criação de adereços a partir de material muito simples.

Eugénio de Andrade in “Canção Breve”diz : Tudo me prende à terra onde me dei, o rio subitamente adolescente…
Também a mim tudo me prende à terra onde me dei, nomeadamente o rio Sabor que umas vezes adormece outras galopa na viagem… e em cujos areais, pedras que o rio esculpiu, desde pequenos calhaus rolados a fragas ostentando múltiplas formas e cores, me fascinam desde criança. Com essas e outras memórias recriadas pela imaginação, fui tecendo, dia a dia, enredada teia, teia que por sua vez é o manancial de memórias onde a imaginação se nutre.
Assim fui entrelaçando pedras e memórias que se propagam na curva do espaço enquanto que, lânguida a memória se espreguiça na curva do tempo….. Memórias que vão de lágrimas e sorrisos a botões, fivelas, restos de adornos da mãe, da avó, de uma ou outra tia….

A Câmara Municipal e o Centro Cultural de Alfândega da Fé  perguntaram-me se, nesta época natalícia e de crise , poderia dinamizar uma oficina para crianças e jovens, no âmbito desta minha actividade.
(A propósito da notícia sugerida anteriormente há uma pequena correcção a fazer: Não nasci, como refere o texto, mas cresci no concelho de Alfândega da Fé onde tenho as minhas raízes pelo lado paterno)


Nunca tinha feito nada nesta área, mas aceitei o desafio. No passado dia 22 decorreram três sessões, abrangendo mais de sessenta alunos, alguns do ensino especial


Fiquei verdadeiramente surpreendida. Os alunos aderiram de uma forma espectacular. (Espero poder colocar em breve algumas fotos que ficaram de me enviar)

Vários adultos manifestaram interesse também numa oficina. Acabei por aceder mas com alguma apreensão, pois a esse nível teria que usar de maior sofisticação. Também com os adultos correu para além das minhas expectativas (logo que me enviem as fotos colocá-las-ei).

A par das oficinas sugeriram-me uma exposição mas atendendo a que as peças são pequenas para um espaço tão grande, foram também expostos quadros.





Deixo imagens da exposição













sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Breve registo..

Encontrei hoje na Net, algumas referências à minha passagem por escolas, algumas sobre o mesmo evento
 ( http://www.box.net/shared/d413djoior
http://roedoressba.blogspot.com/
http://bibliotecasba.blogspot.com/
http://besvicente.blogspot.com/
e dei comigo a reflectir: Como é possível que apesar de tão mal tratados pela tutela, haja muitos professores que continuam a dar o seu melhor envolvendo os seus alunos em inúmeros projectos e actividades?
Para eles a minha sincera admiração.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Semana da Ciência e da Tecnologia

Aproximar a ciência do público é o objectivo principal da Semana da Ciência e da Tecnologia, organizada pela Ciência Viva, que este ano conta com mais de 300 iniciativas, com entrada gratuita, em todo o país. Até domingo, instituições científicas, universidades, escolas, associações, museus e os Centros Ciência Viva vão abrir as portas ao público para workshops, conferências, exposições, visitas guiadas, passeios científicos e projecção de filmes.
Quarta-feira assinala-se o Dia Nacional da Cultura Científica, dedicado a Rómulo de Carvalho. Este iniciativa foi instituída em 1997 para comemorar o nascimento deste cientista, divulgador de ciência, professor e poeta (in Ciência Hoje)


No âmbito da semana da Ciência e da Tecnologia estive em Alfândega da Fé(Agrupamento de Escolas), no Porto (Colégio dos Órfãos) e Arouca (Agrupamento de Escolas), com alunos desde o pré-primário até ao 9ºano, para falar de Ciência, de Rómulo de Carvalho e /ou de António Gedeão e de Poesia…

Espero em breve colocar algumas fotos das sessões mas para já deixo o meu agradecimento a alunos, professores bibliotecários, professores em geral, membros dos conselhos executivos, funcionários com que contactei, pela forma extremamente carinhosa com que fui recebida em todos os lados
Em Arouca o acolhimento foi de tal modo caloroso que as crianças quiseram autógrafos não só em livros que eventualmente adquiriram, como em folhas de papel (para si, e nalguns casos também para familiares). Para além disso brindaram-me com desenhos e textos.




Na EB1 surpreenderam-me com uma encenação do poema Era uma vez um ecoponto, do livro Era uma vez ciência e poesia no reino da fantasia
Também em Alfândega da Fé, numa das turmas foi feita uma leitura colectiva de um poema do meu próximo livro que, espero, seja apresentado no próximo dia 9, no Espaço Vivacidade
Nas várias sessões foram lidos poemas e feitas algumas actividades experimentais.

A referência a Rómulo de Carvalho/ António Gedeão foi também uma constante das várias sessões.
E é com o seu poema Lágrima de preta, na voz de Manuel Freire que termino esta mensagem

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Eu fui à terra do bravo...(continuação)

Prometi que iria falar dos Impérios e prometido…é devido.

Mas antes deixo ficar  fotos (também prometidas) das sessões com as crianças, quinta e sexta feira e das crianças com os pais, no sábado







Falemos então dos Impérios
Os impérios são o ex-libris das celebrações do Divino Espírito Santo na Terceira

Por todas as ilhas existem pequenas capelas, na sua maioria na vizinhança das igrejas, onde os seus interiores são decorados sobriamente com um altar coberto por cetim imaculadamente branco e com flores frescas e aromáticas onde se encontra uma coroa de prata e ceptro que simboliza o poder da Trindade. Mas é na ilha Terceira onde existe a maior quantidade de Impérios(…)Todos estes Impérios começaram a ser edificados nos fins do século XVII e hoje quase na totalidade são de pedra ou bloco, materiais que substituíram os mais antigos então edificados em madeira(…)Também há algo que diferencia estes Impérios dos outros espalhados pelas restantes ilhas, a pintura das paredes exteriores, de cores garridas e terem, todos eles, apenas duas janelas e uma porta na fachada principal sobre a qual se encontra normalmente uma coroa, embora os haja com uma pomba, o simbolo do Espirito Santo. Normalmente a área do interior não ultrapassa os 30 metros quadrados e muitos destes Impérios têm outra pequena adição, chamada de dispensa, onde é armazenado o pão, a carne e o vinho bem como outros materiais relevantes para os festejos.

 Império em S. Mateus
Um dos vários Impérios de Angra

No percurso Angra Aeroporto, o motorista do carro, mais uma das pessoas extremamente amáveis que encontrei, foi-me explicando comovido todo o ritual que envolve este culto.

Ainda no site anteriormente referido, pode ler-se

Com as primeiras famílias de colonos que vieram habitar os Açores após a sua descoberta no século XV, vieram as tradições etnográficas, a religiosidade, as crenças e um conjunto de factores que devido à insularidade das ilhas não permitiu grandes alterações até aos nossos dias. Neste parâmetro temos o Culto ao Divino Espírito Santo com muito poucas alterações desde esses tempos remotos. No presente, onde as ligações por barco e mais destacadamente por meio dos aviões, entre a Europa ou Américas com os Açores, não levou o povo açoriano a abandonar, como aconteceu no Continente ao longo dos séculos, esta crença e devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que foi iniciada, segundo a lenda, nos tempos da Rainha Santa Isabel, esposa do nosso Rei D. Dinis. Os açorianos souberam sempre manter bem viva esta chama na devoção ao Divino.


Mas se olharmos pela Diáspora açoriana temos a prova da preservação deste Culto dos Açores mesmo daqueles que, no século XVII, emigraram para outras terras à procura de melhor futuro(…).Tudo, mesmo tudo, é uma cópia viva das que se realizam, nos nossos dias, por todas as ilhas açorianas, das quais destacamos as coroações, os estandartes, o Bolo de Leite, as filarmónicas, o cantar de porta em porta (por muitos conhecido por Pezinho) e outras tradições que não se diluíram com o passar de mais de três séculos. Desde a povoação dos Açores, por gente do reino, após a sua descoberta pelos navegadores portugueses, que o Culto ao Divino foi a principal fonte da crença religiosa cristã até porque os cataclismos, na forma de terramotos e actividade vulcânica que se fazia sentir periodicamente, incutia o temor nas populações pelo que estas se refugiavam na fé e nas orações ao Divino Espírito Santo para desta forma obter a clemência do Criador e assim serem poupados da destruição e da morte.

(…)Dizemos que vale a pena peregrinar pelas freguesias da ilha Terceira em busca destes Impérios que nos deixam fascinados não pela grandeza arquitetónica mas sim pela simplicidade embora rico em trabalho decorativo das suas fachadas e, acima de tudo, pelas cores com que são pintados, mesmo berrantes assemelhando-se por vezes alguns às cores do arco iris. Durante as festas em louvor ao Divino Espirito Santo que já assistimos por diversas vezes durante as visitas que efectuamos àquela ilha maravilhosa e de gente hospitaleira, como em Altares, S. Pedro, Vila Nova e outras, a azafama é total e constante das mordomias e seus voluntários com Missa solene que inclui as coroações de crianças e jovens, o desfile do Bodo de Leite que é sempre acompanhado pelo pároco da freguesia, a distribuição de pensões e do pão e do leite, os concertos pelas bandas filarmónicas, os cantadores da terra durante o pesinho que de casa em casa agradecendo a hospitalidade destes e onde lhes são servidos comida regional, as arrematações de ofertas no átrio defronte desses Impérios, a festa, o folclore e claro o almoço colectivo das sopas do Divino Espirito Santo onde centenas para não dizermos milhares de pessoas que se sentam em extensas mesas e onde são servidos a sopa, carne, vinho e pão a quantos desejarem receber.


É uma festa onde não só se destaca a religiosidade no culto ao Divino Espirito Santo mas também se perpetuam os valores da caridade e da fraternidade com acções de ajuda aos mais carenciados, a um nosso irmão, amigo, vizinho, idoso, criança desprotegida, enfermo (…).

Mais informações e fotos podem ser encontradas em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Irmandades_do_Divino_Esp%C3%ADrito_Santo

http://www.portaldodivino.com/Divacores/terceira.htm

http://www.portais.ws/a/imagens_imperios/post_santo.JPG

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eu fui à terra do bravo...



 Este é o título de uma canção da Ilha Terceira, que podemos ouvir numa versão de Fernando Lopes Graça

No passado dia 3 fui à terra do bravo e regressei ontem dia 7. Fui a convite da BPARAH (Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo). O convite para fazer algumas sessões com crianças na secção infanto-juvenil da referida Biblioteca, foi-me dirigido pelo Dr. Marcolino Candeias, Director da mesma.
As sessões decorreram no Centro Cultural e de Congressos

 Biblioteca
Centro de Congressos (edifício moderno em cima)
A propósito de poesia, centrada essencialmente no meu livro “ciência para meninos em poemas pequeninos” mas não só, foram abordados alguns conceitos científicos, tendo em conta o nível etários dos participantes. Nessa abordagem fizeram-se várias experiências muito simples desde a obtenção dum arco íris à construção de um ludião, passando por várias outras.
As crianças de uma maneira geral reagem muito bem a esta abordagem da ciência e da poesia.

Espero em breve poder colocar imagens das sessões com as crianças, imagens essas que ficaram de me enviar


Já tinha estado uma vez na Ilha Terceira, creio que há nove anos. Fui com toda a família (ainda não tinha netos nessa altura) visitar três ilhas dos Açores: Terceira, S. Miguel e Faial .Gostei imenso de todas elas por razões diferentes. No caso da Terceira, fiquei fascinada com a cidade de Angra. Mas agora, com tempo para a “saborear” sozinha, dei comigo a pensar que não me importaria nada de ali viver. É uma cidade onde apetece estar, não só pelo património inestimável que vai da beleza natural a uma arquitectura ímpar, que a levaram a Património da Humanidade já em 1983, mas também pela simpatia das sua gentes, pela segurança que ali se sente, pela história que ali se respira..

Situada numa pequena e belíssima baía, que está na origem do seu nome, Angra tem muito para contar. Foi elevada a cidade em 1534, a primeira cidade do Arquipélago dos Açores.. O topónimo “Heroísmo” deriva das lutas liberais do século XIX, onde Angra do Heroísmo pautou pela defesa dos ideais de liberdade tal como se tinha oposto com heroísmo ao domínio Castelhano na era dos Filipes. Por seu lado, o actual nome da ilha, que inicialmente era Ilha de Jesus Cristo, parece estar relacionado com o facto de ter sido a "terceira" das ilhas do arquipélago a ser descoberta.

Da janela do meu quarto no hotel que me reservaram, mesmo em frente ao mar, desfrutei estas vistas fantásticas para além de adormecer ouvindo as ondas a ir e voltar.






Não resisto a colocar aqui um poema do meu primeiro livro
Poesia


Gosto do narciso poeta aquela flor cuja corola,

por dentro amarela, é branca por fora.

Colhi duas.

Uma decidi comê-la cuidando assim

engravidar de poesia

Mas a poesia, tão arredia, riu-se de mim.

Cheia de mágoa, à beira da água

lancei ao mar a outra flor, daquelas duas.

E fiquei a olhar, a flor boiar

na onda que vai e que logo vem,

que se reflecte e se refracta,

que interfere e se difracta.

A luz do sol bateu no mar, fê-lo de prata,

reflexão também.

Por entre os meus dedos, a areia fluía suavemente.

A flor boiava dolentemente

e a onda, sempre a ir e voltar,

e o som do mar com seus segredos

e o gosto a sal a pairar no ar

deixando um cheiro a maresia.

Então, por magia, luz , céu e ar,onda do mar, no ir e voltar,

areia, sal , flor a boiar,tudo em redor foi poesia

(in Reflexões e Interferências)
Referi acima que a gentileza e o carinho com que fui tratada. Desde as várias pessoas com quem contactei no Centro Cultural e de Congressos e na Biblioteca (Dr. Marcolino Candeias, Dr.ª Helena Martins, Dr.ª Graça Cardoso, estagiário André, D. Lurdes),ao pessoal do hotel, passando por pessoas a quem pedia uma informação na rua, o trato foi de tal modo afável que esta ida a Angra me tocou profundamente.

Numa das noites jantei em casa do Dr. Marcolino Candeias onde tive ocasião de conhecer a esposa  e filha. Nunca poderei esquecer o carinho com que fui tratada por aquela família de poetas. Já sabia que ia estar na presença de um poeta (foi precisamente através da poesia que eu vim a conhecer o Dr. Marcolino); quanto à esposa fiquei a saber, no referido jantar que também o é.

Talvez há uns dez anos, quando preparava uma sessão sobre Física e Poesia, fiz uma pesquisa sobre poemas nessa interface. Já conhecia, entre outros, António Gedeão e Vitorino Nemésio (natural da Ilha Terceira). Mas vim a conhecer alguns mais, nomeadamente os brasileiros Carlos Vogt, Marco Lucchesi, Millôr Fernandes e o terceirense Marcolino Candeias cujo poema “Mensagem“ me fascinou


Mensagem
Desculpa esta emissão de amor a seis horas de diferença TMG

Desculpa que seja telegráfico

Porém teu coração estará captando

em toda a plenitude de teu ser

este código de saudade que sinto mas não decifro
Primeiro uma suave onda curta

depois uma longa onda média

Seguidamente a onda te envolverá tornando-se infinita

e as fibras do teu coração subitamente ficarão ao rubro

Então as teorias relativistas cairão por terra

porque em nosso amor não existe espaço e tempo
(in "Na Distância deste Tempo")



Na NET procurei informações sobre o autor.Soube que nascera na Ilha Terceira, que se revelara como poeta aos dezassete anos, que fora professor nas Universidades de Coimbra e na dos Açores e que desde 1986 exercia o Leitorado de Português na Universidade de Montreal, onde também leccionava Cultura Portuguesa e Brasileira).
Eram estes os dados que eu tinha até 2008, ano em que fui convidada pela Dra. Cristina Carvalhinho, para participar nos “15ºs Encontros Filosóficos. Educação para o século XX”, que tiveram lugar na Cidade da Horta, no Faial. Convidado também para os mesmo encontros, estava presente o Dr. Laborinho Lúcio, que tive o privilégio de então conhecer pessoalmente. Uma pessoa extraordinariamente culta e afável. Em conversa falei no poeta Marcolino Candeias. Disse-me ser seu amigo, contactou-o e assim, a partir daí, passei a comunicar via e-mail com o Director da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo.

Soube então que regressara aos Açores em 1998, onde foi ocupando vários lugares de destaque nomeadamente o que hoje ocupa.

Ofereceu-me o seu livro "Na Distância deste Tempo" com poemas belíssimos de entre os quais destaco o que segue.



Tive curiosidade em entrar no café Aliança mas segundo o autor, já pouco tem a ver com o referido no poema.


E para além do café Aliança, visitei a Sé e muitas outras igrejas, o Jardim e o Pico da Memória, o Museu no Convento de S. Francisco, as duas fortalezas, o teatro Angrense onde fui assistir a um concerto com várias filarmónicas, o Mercado, o Centro de Ciência (mesmo à beira do meu hotel), o Palácio dos Capitães Generais e tantos outros locais de interesse que poderia enumerar











Propositadamente deixei para o fim a referência aos Impérios. Fotografei vários em Angra e um em S. Mateus, aldeia piscatória, onde muito gentilmente a Drª Helena me levou. Mas sobre os Impérios prometo falar noutra mensagem.


Uma imagem de S. Mateus