Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

domingo, 31 de outubro de 2010

Crise para quem?

Sentei-me no bar do Centro Cultural de Alfândega da Fé e comecei a folhear a última Visão. Gonçalo M. Tavares, virtuoso na arte de escrever micro contos, insere dois na sua crónica. Aqui fica aquele de que mais gostei.



Umas páginas mais à frente, Alfredo Bruto da Costa, na rubrica economia insere o texto “Pode haver 500 mil pessoas em pobreza extrema”. Analisando essencialmente o caso português e a propósito do aumento de impostos para a classe com maiores rendimentos comenta (sic): Faz umas cócegas mas não os atinge de forma substancial. Não deixa de inserir dados arrepiantes a nível mundial(sic) As 500 pessoas mais ricas do mundo têm ativos correspondentes ao rendimento de 417 milhões de pessoas(…) Um certo grau de desigualdade é inevitável e até pode ser útil à economia. Mas há um desequilíbrio no rendimento que não é justificado por nenhuma exigência económica sã.

Voltando ao caso português refere (sic). Se compararmos os 5% mais ricos com os 5% mais pobres, concluímos que somos o país da Europa onde os desequilíbrios são maiores.

E estes números causam-me uma espécie de náusea. Somos bombardeados permanentemente com o fantasma da crise em nome da qual se impõem sacrifícios. Mas sacrifícios e crise para quem?

E lembrei-me de imediato de um texto publicado há tempos no JN da autoria de Manuel António Pina,

Os novos pobres

A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país, fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do Banco Comercial Português que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.


A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem.


Já quase no fim da revista, uma interessante entrevista a António Lobo Antunes, conduzida por Ricardo Araújo Pereira. Não se falou de crise mas de livros, de vida, de morte, de talento e de bondade e a este propósito cito António Lobo Antunes (sic). Há uma coisa muito mais importante que o talento: é a bondade.

E a bondade,  a meu ver,  não é compatível com a ganância desmedida e com o egoísmo feroz ( em que não se olha a meios para atingir os fins), esses sim,os grandes responsáveis pela crise.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Por terras do Algarve

Começou a minha digressão pelas escolas, no ano lectivo 2010/2011.
No âmbito das comemorações do Dia das Bibliotecas Escolares (25/10), a convite de escolas de Vila do Bispo e Sagres e da Biblioteca de S. Brás de Alportel, estive no Algarve de domingo (24) a terça feira (26). Aproveitei a ida ao Sul para passar em Setúbal e ficar dois dias com a minha amiga de infância Lourdes Sendas (pintora de que vou falar numa próxima mensagem). Fui sexta .De manhã tinham sido vistos vários golfinhos no rio mas eu já não vi nenhum. No sábado fomos almoçar a Tróia sempre na esperança de ver algum golfinho, mas não. De qualquer maneira foi muito agradável. Gosto muito de Setúbal, ali junto ao Sado,  e de atravessar para Tróia.

No domingo parti para Lagos onde me tinham reservado hotel. Já há muitos anos que não ia a Lagos e foi muito bom rever a cidade. Outra cidade de que gosto muito. Fiquei muito bem impressionada com a simpatia das pessoas com quem contactei. Basta citar dois episódios. Cheguei à estação e não havia táxis. De imediato um funcionário me veio esclarecer que havia um telefone grátis para chamar o táxi. O taxista, quando lhe indiquei o hotel disse. Eu vou deixar a senhora junto à Praça de Táxis e ajudo-a a levar a mala. O  hotel é muito perto da praça de táxis.Se a levar de táxi até à porta do hotel, tenho que dar uma volta muito grande e fica-lhe muito caro.
Pousei a mala no hotel e fui passear. Comecei pela marina e depois entrei pelo arco da muralha




Subi até à fortaleza. Dali quis ir para a praça Gil Eanes ( a da polémica estátua de Cargaleiro, D. Sebastião) mas de imediato não me lembrei para onde devia deslocar-me. Pedi a informação a dois senhores que estavam à conversa junto da fortaleza e um deles disse. Eu tenho que ir para esses lados e acompanho-a. Foi um autêntico guia indicando-me os locais com interesse desde o mercado de escravos que já conhecia ao Centro Cultural que é relativamente recente, passando por igrejas e outros locais .


No dia seguinte, quando para me ir buscar, a bibliotecária Paula me pediu a localização do hotel, dei-lhe a indicação da praça de táxis e para lá me dirigi. Mal cheguei ouvi uma voz. As férias foram curtas. Era o taxista que ali ficou a conversar comigo até chegar a “boleia”.


Daí fui a Vila do Bispo e a Sagres, onde se encontrava a bibliotecária Ilda. Seguiram-se as actividades conforme o programa previamente fixado  mas ainda houve tempo para almoçar na cantina de uma das escolas e para tirar uma foto...

Terminadas as sessões, a Eugénia, que representava a Editora Gatafunho, levou-me a S. Brás de Alportel onde me apresentou à Bibliotecária, Teresa Oliveira, historiadora, de uma gentileza ímpar que me foi mostrar S. Brás, ao memo tempo que me contava a história da terra ao longo dos tempos e me mostrava os locais de interesse. Pensei que era são-brasense, mas não. Adora S. Brás mas nasceu e viveu muitos anos em Lourenço Marques, hoje Maputo. Falei-lhe então de uns primos meus, moçambicanos. Quando me referi a um deles perguntou: O Jorginho, muito alto, que faleceu há dois anos? Fomos colegas de faculdade e embora eu cursasse história e ele biologia éramos amigos .

O mundo é pequeno…




Uma rua de S. Brás

O programa incluía sessões com dois grupos de crianças
Por fim almoçámos num pequeno jardim da Biblioteca com professores e alunos. A sobremesa foi feita pelos mesmos. Salame de chocolate




Na mesa ao fundo, professores, crianças, a Teresa e eu.



 Na imagem a Olga da Biblioteca e a Eugénia.

Em todas as escolas os meninos me brindaram com surpresas: um poema que me é dedicado, ilustrações de poemas e um caleidoscópio feito por eles, que gotografei,  mas não sei por que artes, não ficou...

 




Em tempos, o grupo coral da aldeia, em Trás-os-Montes, tinha-me pedido uma letra para uma canção sobre as amendoeiras (que ali abundam, ou melhor, abundavam).
Não sei fazer versejar por encomenda mas escrevi umas quadras para cantar ao som de “Ao passar da ribeirinha”.

Resolvi adaptar o texto ao Algarve ( foi só mudar o refrão) e aí está a história da princesa triste que só se alegrou ao ver os amendoais floridos. Foi com esta história cantada que terminei as sessões (antes do tempo dedicado às questões colocadas pelo público, e que foram bastantes…)

Era uma vez uma princesa, era uma vez uma princesa,

vinda de um país distante, de neve muito abundante.

Chorava de noite e dia, chorava de noite e dia,

tinha saudades da neve que já há muito não via



Refrão

Seja lenda ou verdade, seja lenda ou verdade,


as flores da amendoeira embelezam o Algarve.


Com pouca neve para dar, com pouca neve para dar,

o rei doou à princesa um enorme amendoal.

Quando o amendoal floriu, quando a o amendoal floriu,

não mais chorou a princesa, pela primeira vez sorriu.

Regressei feliz e nem valorizei os percalços do regresso. Chegada à estação de Faro,  dirijo-me  à bilheteira  a fim de tirar bilhete para o Alfa directo ao Porto. Dizem-me que houve um acidente perto de Alcácer e por isso só quem já tinha comprado bilhete é que podia seguir. Tento tirar para o próximo, mas dizem-me que têm ordens para não tirar mais bilhetes seja em que comboio for. Fui à empresa de camionagem e a primeira camioneta partia por volta das 16,30 e chegaria ao Porto depois da meia noite. Seria uma violência, até porque de camioneta geralmente enjoo. Resolvi regressar à estação e esperar o desenrolar dos acontecimentos. Se nada se alterasse teria que regressar de camioneta. Dirigi-me de novo à bilheteira mas continuaram a dizer-me que só iriam ser transportados os passageiros que já tinham bilhete. Protestei mas respondiam-me que ali nada podiam fazer. Já em cima da hora a que devia partir o comboio, a funcionária veio dizer-me que a CP tinha encontrado uma solução. Todos os passageiros seriam levados até Grândola e daí seriam transportados até à gare do Oriente. Assim foi e cá cheguei, embora com 40 minutos de atraso. Os passageiros que se encontravam no Oriente estavam muito zangados e eu compreendo mas foi a solução que a CP encontrou

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A arquitectura da felicidade

Fui buscar o título desta mensagem, A arquitectura da felicidade a um livro de Alain de Botton de que é feita um resenha na revista on line ComCiência, resenha da autoria de Simone Pallonne e onde se pode ler:


Entre a beleza das obras, a praticidade, a funcionalidade, a representação de ideais, estão algumas das explicações de a arquitetura ser um caminho para se alcançar a felicidade…

Mas voltemos  a ComCiência, revista de jornalismo científico, uma das publicações que recebo on-line.


O último número que recebi fala de arquitectura, uma área que é muito do meu agrado, não fora eu mulher, mãe e tia de arquitectos…

O director de redacção da revista é Carlos Vogt (Graduou-se em Letras na Universidade de São Paulo e fez mestrado na Universidade de Besançon, França. Posteriormente doutorou-se em Ciências no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp) que nos  brinda sempre com o editoral no início da revista e com um poema no fim  (seguem transcrições)

Editorial

O arquiteto, a cidade e o poeta

Como arquitetar planos e não alturas,

fazer a casa ir sem novidade embora,

traçar a linha divisória da porta por-onde e da porta-contra,

juntar vazios que prometem vidas,

as ameaças em desconforto, fora?

É preciso no plano arquitetar o espaço

como se feito de um xadrez de ausências,

que rima oposições fora de compasso

e escala o tempo como um conta-gotas,

que pinga chuvas de concreto e aço.

Eu, sim, gosto da arquitetura nova,

mesmo quando gosto do poeta sem novidade

para dizer que tudo passa e tudo continua

no traço-muro que, se divide os quartos,

junta corredores para assombrar a lua.

A arquitetura do poema educa pela confissão da forma

quem nele vive, neste texto-casa,

vive à espreita, como em partitura,

do livro aberto feito dos silêncios

em que jaz a música para ser leitura.

Nada escapa à intenção do traço,

que por contornos delimita áreas,

que por extornos vão ficando aéreas,

plantam no chão novas geografias,

voam assentadas como doces feras.

Como o pedreiro, ao ajustar o prumo,

assenta as partes que farão do todo

parte outra vez de uma divisão do espaço

que ganha tempo pela permanência

do periódico no que é ilimitado.

A casa em que morou a nossa infância,

território desse país inexistente,

plena de paredes, labirintos e janelas,

revela sob a luz que as corta e queima

a nova paginação de histórias velhas.

Para o arquiteto-pedreiro-engenheiro-construtor

tornar o mundo justo, como lhe quer a poesia,

não é questão de justiça, nem de alegoria,

tampouco um compromisso retórico com a política;

torná-lo justo, dando-lhe justeza,

é considerar que o brutalismo,

que expõe de dentro a sua indústria em manufatura,

cozinha a forma como um depoimento

de que o pesado é leve,

o estendido é ponto,

o ágil é lento.

E a casa que com casas é texto e faz cidade,

não por acréscimo, soma, peças justapostas,

mas por sintaxe de insubordinação,

um dia, máquina de felicidade,

é um signo feito de concreto

que funde na matéria e na imagem

a cidade de fato com o fato de sua imaginação.



Poema final

Meio a meio

Acordou, de manhã, de bem com a vida!

À noite, agradeceu por não ter acontecido

nada que preenchesse o vazio desse sentimento.


Ao ler o editorial,lembrei-me de um poema belíssimo de Eugénio de Andrade, publicado num catálogo sobre a obra do atelier GALP, creio que escrito para o mesmo.

Relações de casas boas e más para juízo dos  arquitectos Carlos Loureiro e Pádua Ramos.
(Eugénio de Andrade)

Há casas

cuja beleza começa no projecto;

outras, e são talvez as mais belas,

existem só na cabeça do arquitecto.

.

Há casas feitas à medida do homem,

outras há para andar de bicicleta;

há casas sobre cascatas

onde ao sortilégio da água

se junta a música de Bach.

.

Há casas tão ajustadas

como fato por medida

ou um verso de Cesário,

outras de tão confusas

não viram régua nem esquadro.

.

Há casas de papel, casas de madeira,

casas de palha e de barro;

casas que trepam pelo céu,

casas que cheiram a jasmim do Cabo;

há casas só para dormir

parecidas com um sudário.

.

Há casas onde

habitar é o começar da morte;

há casas de pátios caiados

com varandas para o mar;

casas onde apetece estar sentado

com um gato nos joelhos

e o coração apaziguado.

.

Há casas com recantos para amar,

há outras onde o amor

se faz em cinco minutos

e às vezes já é demais;

há casas como um dedal

e geometria de abelhas,

casas de perfil atento

ao rumor das nascentes e das estrelas.

.

Há casas como um cristal,

casas de luz circular,

casas onde não é possível

ouvir correr o silêncio; há casas

que de casas só têm o nome;

há casas que nem para cães.

.

Há casas tão inteligentes

que não consentem qualquer margem

para luxos e arrebiques,

casas onde a alegria se instala

sem tempo nenhum para a mágoa.

.

Há casas onde o pão é triste

e a roupa mal lavada;

há casas que são um rio, há casas

que são um barco;

outras têm pomares

onde os diospiros ardem;

há casas com terras de vinha e trigo

e muros a toda roda.


Há casas que são um poema

para dar a um amigo.

E porque há sensações associadas às casas, aqui deixo o meu poema Sensações

Sensações

Tem um cheiro inconfundível a minha casa da aldeia
Não sei se é do rosmaninho
que perfuma todo o linho dentro das arcas guardado,
se é da madeira das portas, dos tectos
e do sobrado se é das pratas no lambrim
ou das peças de faiança, são travessas e são pratos,
nas paredes pendurados, se é das peças de mobília,
uma herança de família, não sei se é dos retratos
que às vezes, a horas mortas, falam, sorriem para mim.
Terão perfume as memórias de quando eu era criança?
Terá perfume a lembrança?
Tem um cheiro inesquecível a minha casa da aldeia
Mas não é só o odor, são as cores e são os sons
que vejo e ouço em qualquer lado e em tudo o que me rodeia.
Lembro lágrimas, sorrisos, por vezes já imprecisos.
Lembro sussurros e histórias,
imagens em vários tons, plenas de luz e de cor
ou também acinzentadas baças, sem cor, desbotadas.
Têm cor alguns dos sons, sons e cores têm odor
A minha casa da aldeia cheira a afecto e amor.
Mesmo quando estou distante às vezes,
por um instante, chego a pensar que estou lá,
pois apesar da distância eu sinto aquela fragrância.
Que explicação haverá? Será acção magnética?
Uma interacção eléctrica? Força electromagnética?
Gravítica? Nuclear? Forte ou fraca interacção?
É difícil de explicar pois não há explicaçã que assente só na razão.
Esta estranha sensação tem a ver com o coração.




Um amigo meu, que tem um turismo de aldeia na região do Douro, em colocou este poema nas suas casa, bem como a tradução em inglês que gentilmente me enviou, mas que não consigo encontrar para colocar aqui

E já agora um curiosidade..




O escano que se vê ao lado da lareira fazia parte de um conjunto de escanos da casa dos meus avós paternos. A casa foi comprada por familiares de um antigo feitor, que remodelaram totalmente a cozinha e queimaram os escanos. Também o da fotografia teria igual fim, mas consegui salvá-lo. Disso dou conta no meu livro de Ficção Estórias com sabor a Nordeste



(...)Dias depois, vou com Carlos e os meus filhos visitar a CASA que é agora habitada por um filho do António Joaquim. Quando entro na cozinha, sinto uma angústia terrível. O lar tinha dado lugar a uma moderna cozinha forrada a azulejos. Já não consigo ver mais nada. Ao sair vejo, junto da lenha, um dos escanos. Pergunto pelos outros.
Já foram queimados e esse está à espera.

Peço-lhe que mo venda.

Leve-o que eu só o quero p´ra lenha.

Está agora na cozinha da casa de cima, ou simplesmente da CASA. Sim, porque agora já não tem sentido falar da outra. A CASA é definitivamente esta. O cordão umbilical já tinha sido cortado. Agora recebera a herança da casa mãe.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O branco mais negro do Brasil

Na sequência da última mensagem e a propósito da discriminação “racial” lembrei-me de Vinicius de Morais, o branco mais negro do Brasil, como ele se definia
Vinicius de Moraes nasceu em 1913 e faleceu em 1980. Foi diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor.
Eis o seu auto-retrato

Nome: Vinicius. Porquê?


O quo vadis, saindo em 13

Ano em que também nasci.

Sobrenome: de Moraes

De Pernambuco, Alagoas

E Bahia (que guardo em mim).

Sou carioca da Gávea

Bairro amado, de onde nunca

Deveria ter saído.

Fui, sou e serei casado

E apesar do que se diz

Não me acho tão mal marido.

Filho: três e um a caminho

Altura: um metro e setenta

Meão, pois. O colarinho

Trinta e nove e o pé quarenta.

Peso: uns bons setenta e três

(Precisam ser reduzidos...)

Dizem-me poeta; diplomata

Eu o sou, e por concurso

Jornalista por prazer.

Nisso tenho um grande orgulho

Breve serei cineasta

(Ativo). Sou materialista.

Deito mais tarde do que devo

E acordo antes do que gosto.

Fui auxiliar de cartório

Censor cinematográfico

Funcionário (incompetente)

Do Instituto dos Balcários.

Atualmente sou segundo

Secretário de Embaixada.

Formei-me em direito, mas

Sem nunca ter feito prática.

Infância: pobre mas linda

Tão linda que mesmo longe

Continua em mim ainda.

Prefiro vitrola a rádio

Automóvel a trem, trem

A navio, navio a avião

(De que já tive um desastre).

Se voltasse a vida atrás

Gostaria de ser médico

Pois sou médico nato.

Minhas frutas prediletas

Por ordem de preferência:

Caju, manga e abacaxi.

Foi com meu pai, Clodoaldo

De Moraes, poeta inédito

Que aprendi a fazer versos

(Um dia furtei-lhe um

Para dar à namorada).

Tinha dezenove anos

Quando estreei com meu livro

“O Caminho para a Distância”

Meu preferido é o último:

“Poema, Sonetos e Baladas”.

Toco violão, de ouvido

E faço sambas de bossa

Garoto, lutei “jiu-jitsu”

Razoavelmente. No tiro

Sobretudo em carabina

Sou quase perfeito. As coisas

Que mais detesto: viagens

Gente fiteira, facistas,

Racistas, homem avarento

Ou grosseiro com a mulher.

As coisas que mais gosto:

Mulher, mulher e mulher

(Com prioridade a minha)

Meus filhos e meus amigos.

Ajudo bastante em casa

Pois sou bom cozinheiro

Moro em Paris, mas não há nada

Como o Rio de Janeiro

Para me fazer feliz

(E infeliz). Desde os sete anos

Venho fazendo versinhos

Gosto muito de beber

E bebo bem (hoje menos

Do que há dez anos atrás).

Minha bebida é o uísque

Com pouca água e muito gelo.

Gosto também de dançar

E creio ser esta coisa

A que chamam de boêmio.

Em Oxford, na Inglaterra

Estudei Literatura

Inglês, o que foi

Para mim fundamental.

Gostaria de morrer

De repente, não mais que

De repente, e se possível

De morte bem natural.

E depois disso, ao amigo

João Conde nada mais digo.
 
Falar em Vinícius transporta-nos de imediato para Garota de Ipanema que aqui deixo nas vozes de João Gilberto e Caetano Veloso
Mas há outras como  Samba da Bênção que fez parte da banda sonora do filme de Claude Lelouch, Um homem e uma mulher , um  filme da década de sessenta

A poesia de Vinícius é muito vasta tal como o número de poemas musicados. Aqui ficam alguns:
Soneto da fidelidade na voz de Vinícius, música de Tom Jobim e Medo de amar na voz de Chico Buarque, Felicidade na voz de João Gilberto  que também canta   Deixa de saudade

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ontem aconteceu no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra

Só hoje me apercebi da notícia que segue, publicada em Ciência Hoje

Incluir e aceitar a diferença através da Ciência      2010-10-08
Mover-se numa cadeira de rodas, numa sala cheia de objectos ou abotoar um casaco com luvas de boxe calçadas parecem desafios inalcançáveis. Contudo, na próxima edição do “Ciência em família”, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) pretende mostrar que com a ajuda da tecnologia tudo isto é possível.
Subordinado ao tema “Descobre a Ciência ao Serviço dos Sentidos”, a sessão do próximo domingo, dia 10 de Outubro, vai contar com actividades para crianças e adultos e com a apresentação de diversas inovações nesta área, focando a aplicação da Ciência e da Tecnologia na produção de equipamentos e instrumentos que promovam a melhoria da qualidade de vida, em particular para as pessoas com deficiência.
A sensibilização para a aceitação da diferença e para a inclusão das pessoas com deficiência é um objectivo reconhecido por parte dos organizadores da iniciativa. “Aceitar implica conhecer e nada melhor do que experimentar e partilhar a vida ou o quotidiano com aqueles que, por razão da deficiência ou de doença incapacitante, têm modos diferenciados de desenvolver as práticas quotidianas que todos temos em comum”, sublinha Ana Cristina Abreu.

No meu livro Reflexões e Interferências tenho um poema que nos leva a pensar nas diferenças através de exemplos da Ciência
Normal

Normal.

Pode ou não ser vertical, a algo é perpendicular.

Pode significar regular como alguns poliedros,

cubos e tetraedros, como alguns verbos também

que, outros, defeitos têm, o que não impede ninguém

de sempre os utilizar de uma forma natural.

Normal.

Basta apor-lhe só um A e não normal aí está,

o que nem todos respeitam por vezes até rejeitam.

É isto a intolerância, fruto da ignorância,

pois a água, substância à vida fundamental,

não é lá muito normal.

Durante o aquecimento, em vez de o volume sofrer

um continuado aumento, começa por decrescer

até um dado momento, de máxima densidade,

depois começa a crescer, quase com normalidade.

Tudo isto é anormal, e é essa anormalidade

que vai permitir explicar que se a água congelar

o gelo fique a boiar, como acontece no mar

duma região polar.

Tal qual como um cobertor, o gelo, isolador,

cobre o mar com muito amor, não deixa a água gelar.

A vida dentro do mar pode assim continuar.

Para a vida é fundamental e tudo isto, afinal,

porque a água é anormal
Regina Gouveia


Quando se fala em aceitação/ não aceitação de diferenças vêm-me à mente,  de imediato,  a discriminação, a xenofobia, os fundamentalismos e os crimes que por causa de tais aberrações se têm cometido ao longo da história

Incluo assim mais dois poemas

Genoma

Nos núcleos das várias células existem os cromossomas

e dentro destes os genes que definem os genomas.

O homem investigou, por fim identificou o tal do genoma humano

com os seus milhares de genes, o dobro do das líbélulas.

Tal identificação mostrou não haver razão para as raças distinguir.

Diferentes, mas iguais, somos assim os mortais, em Berlim ou Agadir.

A tal da ariana raça, a tal raça superior,

não passava de uma farsa que espalhou muito terror

Agora caiu o pano! Basta tão só reflectir no tal do genoma humano
Regina Gouveia

Diversidade

Era uma escola muito colorida

tão cheia de vida como nunca vi.

Aqui e ali meninos negrinhos

que vieram de Angola jogavam à bola

com outros meninos também africanos,

outros indianos, outros europeus

da Europa de Leste, do Norte e do Sul,

olhos de cor verde, castanha e azul.

Os cabelos eram dos mais variados:

encaracolados, claros e escuros, lisos,

esticados como aquele indiozinho

tupi - guarani e um coreano de seu nome Li,

que tinha uns olhinhos bem enviesados.

Havia um menino que era timorense,

outro guineense e imaginem só,

até existia um menino esquimó.

Um grupo bailava

e um outro cantava a uma voz só

um vira, um tebe, um semba, uma morna,

uma marrabenta e até um forró.

Era aquela escola, como um arco-íris,

de múltiplas de cores.

Lembrava um canteiro repleto de flores.
Regina Gouveia in Ciência para Meninos em Poemas Pequeninos
E não posso deixar de referir uma sentença fabulosa de André Gide a propósito das diferentes cores da raça humana
Já a conhecia há muito mas não me recordo de onde a retirei. Procurando na NEt encontrei um texto que vale a pena ler de que incluo um excerto

Viagens e poemas
Encontrava-me a ler um texto de um historiador inglês sobre a descolonização europeia da primeira parte do século passado quando deparei com uma oportuna citação do livro de André Gide, Voyage au Congo(...).
Em 1897 André Gide fez a sua primeira e longa viagem ao Norte de África. Depois disso, escreveu várias obras contando as suas impressões. Em 1909, juntamente com outros intelectuais, criou a Nouvelle Revue Française. E, em Julho de 1926, partiu para uma viagem de dez meses através das possessões francesas na África equatorial. O livro citado foi escrito no rescaldo dessa viagem. Em 1947 recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Oxford e o Prémio Nobel da Literatura. O livro causou uma enorme sensação em França, e não só. O autor descreveu as condições de vida dos negros ao longo do rio Congo, levantando questões até aí adormecidas. O livro transformou-se rapidamente num verdadeiro manifesto contra a administração colonial francesa, assumindo um incontornável sentido político, graças aos inúmeros detalhes sociológicos e etnológicos (...)
André Gide reparou que o poder, nas colónias francesas de África, era precário e pouco inteligente. O poder colonial era imposto aos indígenas através do terror. Faltava, denunciou ele, uma autoridade natural capaz de retirar deles tudo quanto se encontravam dispostos a dar. Ele denunciou toda essa precariedade de uma forma brilhante: “Quanto menos o branco é inteligente, mais o negro lhe parece estúpido.”

Finalizo com a obra Operários de Tarsilla do Amaral uma das figuras centrais da pintura brasileira e da primeira fase do movimento modernista brasileiro. A obra é como  um hino à diversidade


Mais obras da artista podem ser vistas em http://planetin.blogspot.com/2008/01/verdadeiras-obrasdearte-tarsilaamaral.html

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A magia de Saturno

Nova teoria sobre a origem dos anéis de Saturno in Ciência Hoje 2010-10-07

Os anéis de Saturno podem ter surgido depois de um grande satélite, muito maior do que a maioria dos meteoros, ter colidido com a superfície rochosa e gelada deste planeta, acredita a investigadora Robin Canup, que apresentou a sua teoria à Associação Americana de Astronomia.
A cientista, para quem é preciso explorar novas alternativas, acredita que o choque foi suficientemente forte para deslocar parte do manto de Saturno, o que explica o facto de os anéis serem compostos basicamente por água.
De acordo com esta tese, uma lua gigante, dez vezes maior do que aquelas que as teorias actuais apresentam, poderia ter alterado o campo energético de Saturno ao ponto de ter separado a água das rochas. Depois disso, a água teria formado os anéis e as rochas teriam voltado ao planeta.
A origem dos anéis de Saturno é uma questão que absorve os especialistas há vários anos. Quase toda a estrutura é composta por água e gelo, havendo também pequenas pedras e poeira espacial que resultam dos choques com micro-meteoros.
Até agora, havia duas teorias que explicavam a composição destes corpos. De acordo com uma delas, um cometa de gelo decompôs-se ao aproximar-se de Saturno. A outra hipótese revela que pequenas luas foram absorvidas pelo campo gravitacional, acabando por ser destruídas e cercar o planeta.
Robin Canup espera agora provar a sua teoria até 2017, ano em que a sonda Cassini, que está a orbitar Saturno, será desactivada.
Saturno é conhecido desde a mais remota antiguidade: era o Cronos dos gregos (pai de Zeus – Júpiter). Mas só depois de Galileu, incrédulo, ter observado pela primeira vez os seus anéis em 1610, ficou conhecido como a “jóia do Sistema Solar”. Contudo, só Christiaan Huygens, em 1659, identificou correctamente a geometria dos anéis. Hoje sabe-se que todos os planetas gigantes possuem tais sistemas
Mais imagens de Saturno podem ser vistas em


A magia de Saturno e dos seu anéis tem inspirado poetas, uns maiores, outros menores.

Anillos De Saturno

Como piel de serpiente mudada

la inocencia, y más triste,
y estúpidamente predispuesto
a esa facultad privativa
de los seres -o dibujos- animados,
compadecerse, permitir
el saqueo a la ternura: está
maduro el corazón para creer
que el dolor te aureola
con los anillos de Saturno.
Aunque ya ni siquiera
puedes volar tras tu sombrero.
Juan Cobos Wilkins in  “Escritura o paraíso” 1998
Juan Cobos Wilkins es un poeta y escritor español nacido en 1957 en la localidad de Minas de Riotinto (Huelva). Es licenciado en Ciencias de la Información por la facultad de Ciencias de la Información de Madrid. Fue el creador de la Fundación Juan Ramón Jiménez



Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno

E quase ia morrendo com o receio de que ele não te coubesse no dedo.

Jorge Sousa Braga

Saturno

Usando a minha luneta observo o céu nocturno

e eis que me surge Saturno, um fabuloso planeta..

É de uma estranha beleza com os seus anéis gelados

que brilham iluminados.

Para o sistema solar é um planeta gigante

mas, ideia extravagante, poderia flutuar

se pousado em grande mar.

Fascina tanta grandeza deste infinito universo

em que o mundo está imerso.

Possui-me um grande fervor e agradeço ao Criador,

seja lá Ele qual for,

e agradeço a Galileu por me ajudar a olhar o Céu.
Regina Gouveia in Reflexões e Interferências


Anéis de Saturno

Pudera eu ir buscar a mancha vermelha de Júpiter.

Qual rubi, incrustá-la-ia num dos anéis de Saturno.

Obra prima de joalharia, talvez colorisse com alguma fantasia,

o meu universo, por vezes tão soturno.

Regina Gouveia

Também as artes plásticas e a música têm evocado os planetas, incluindo Saturno.
Melancolia 1 de Dürer

A imagem, em geral, reproduz um campo de ruínas(…) Ao redor da figura alada encontram-se, em desordem e espalhados pelo chão, os mais variados utensílios da vida activa, além de outros detalhes procedentes da tradição cultural (pedras transformadas em figuras geométricas, a figura de Eros, um calendário...); todos eles sem qualquer serventia e tornados objectos de uma meditação irada, insistente e infindável sob o furioso olhar dessa espécie de anjo. Ao fundo, os anéis de Saturno suspensos no céu reúnem o sol (ou a lua?), irradiando intensos feixes de luz(…)
Termino com Saturno da Suite “Os planetas” de Holst

Gustav Holst nasceu em Cheltenham (Inglaterra), em 21 de Setembro de 1874, filho de Adolph, um pianista de remota origem sueca, e Clara von Holst. Era uma criança anémica e de visão fraca. Entretanto, aos treze anos, já tinha lido o tratado de instrumentação de Berlioz. Aluno de Stanford no Colégio Real de Música, onde viria a ser professor de composição (1919), conheceu Vaughan Williams (1895), de quem se tornou grande amigo.
Original, dotado de uma forte personalidade e de um espírito curioso, interessou-se muito pelas civilizações orientais e pela literatura védica. Foi primeiro trombone na orquestra da Ópera Carl Rosa e na Ópera Escocesa e depois, organista da Ópera Real de Londres. Dedicado a maior parte de seu tempo ao ensino, restando-lhe pouco para a composição, o músico morreu em Londres, em 25 de Maio de 1934.
Juntamente com Vaughan Williams, Holst procurou estabelecer um estilo musical inglês, baseado em suas pesquisas sobre a canção folclórica daquele país, procurando afastar as influências germânicas de então. Centrando-se em obras vocais, Holst foi um dos mais importantes compositores britânicos do século XX. Fascinado pela música folclórica inglesa, pelo oculto e, acima de tudo, pelo misticismo religioso, é conhecido sobretudo por Os planetas Op. 32 (1916-1918), suite sinfónica na qual cada parte representa um planeta, seu mito e sua astrologia.
A popularidade de nível internacional de Os planetas ofuscou o resto de seus trabalhos, entre eles a ópera Savitri (1908), baseada em um tema indiano. Outras obras: Hino de Jesus Op. 37 (1917), para coro e orquestra, Suíte n.º 2 Op. 29 - St. Paul (1913), inspirada em melodias do folclore inglês.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A inclusão de Ciência para meinos em poemas pequeninos no PNL já pode ser confirmada no site respectivo

LIVROS RECOMENDADOS PARA PROJECTOS RELACIONADOS COM TEMAS CIENTÍFICOS

EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR       1º e 2º ANOS DE ESCOLARIDADE

Junho 2010



AUTORES TÍTULOS EDITORAS ISBN


Arlon, Penelope Água Civilização 978-989-550-427-5

Beaumont, Émile et al. Dicionário por imagens das invenções Fleurus 2-215-06951-1

Caravela, Nuno Miguel Porque existe o dia e a noite Convite à Música 978-972-8637-85-9

Chanut, Emmanuel Segredos da água* Porto Editora 972-0-71646-0

Erne, Andrea A minha primeira enciclopédia Verbo 978-972-22-2779-7

Gouveia, Regina Ciência para meninos em poemas pequeninos Gatafunho 978-972-8920-64-7

Holzwarth-Raether,Ulrike A tecnologia em nossa casa Verbo 972-22-2327-5

Huggins-Cooper, Lynn Ciência em primeira mão: materiais Everest Editora 978-989-50-0489-8

Manning, Mick Ciências Everest Editora 978-989-50-0712-7

Providencia, Constança Ciência a brincar: descobre o património Bizâncio 978-972-53-0390-0

Stannard, Russell A academia do Dr. Dyer Edições 70 978-972-44-1448-5

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dois pequenos registos a propósito da implantação da República

No dia 1 de Fevereiro de 1908, quando regressavam de Vila Viçosa, D. Carlos e o príncipe herdeiro foram assassinados no Terreiro do Paço. A situação política que já era complicada, agravou-se extraordinariamente e a 5 de Outubro de 1910 foi implantada a República.

Um dos autores do atentado de 1 de Fevereiro de 2008 tinha por nome Buiça. A ele se refere  Manuel Alegre num poema seu de que gosto muito, publicado em “Praça da Canção” e creio que musicado por Manuel Freire. Sei a música, mas não consegui encontrar qualquer referência na NET.

Aqui fica um excerto do poema  "Trova"

(…)Não venho matar o rei

que eu não sou nenhum Buiça

com trovas entro na liça

não tenho as armas do rei

canto a favor da justiça

que em trovador me tornei(…)



O outro registo tem a ver com Alfredo Keil, autor da música do Hino Nacional. Num site de música que consulto com relativa frequência e que contém, entre outros dados, pequenas sinopses biográficas de inúmeros compositores, encontrei referências a Keil :

Alfredo Keil nasceu em Lisboa, em 3 de julho de 1850. Português de ascendência alemã por parte do pai e alsaciana por parte da mãe, Keil foi pintor, poeta, e, como músico, embora não fosse a sua principal actividade, merece ser mencionado em lugar de relevo relativamente à história da ópera em Portugal, e para tal bastava que dele citássemos Serrana (baseada no conto de Camilo, Como ela o amava), que pode ser considerado um dos mais importantes marcos na criação da ópera portuguesa.

Mas ao lado desta podemos citar ainda D.Branca (com libreto extraído do poema de Garret), Irene (libreto com base na lenda de Santa Iria) e Susane (libreto de Higino de Mendonça). Além destas obras são de referir também muitas pequenas peças pianísticas no estilo de salão, três cantatas, um poema sinfónico (Uma caçada na corte). Foi também Keil que compôs a música do hino nacional português (A portuguesa). Morreu em Hamburgo (Alemanha), em 4 de outubro de 1907.

Nunca me tinha movido qualquer curiosidade sobre o compositor. Mas resolvi pesquisar e encontrei um vídeo com obras suas. Ao piano Gabriela Canavillas e no canto a soprano Ana Ferraz


Voltando ao Hino Nacional ,foi composto em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e foi utilizado desde cedo como símbolo patriótico mas também republicano. Aliás, em 31 de Janeiro de 1891, na tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efectivamente, quando, após a instauração da República a 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911.
A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) — onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses — veio substituir o Hymno da Carta, que era  o hino nacional desde Maio de 1834.
Na minha pesquisa, encontrei também alguma obras do autor, no campo da pintura. Achei interessante a que aqui deixo







Francisco Keil do Amaral,  figura de referência na arquitectura portuguesa, era neto de Alfredo Keil.Foi casado com a pintora Maria Keil que, como ilustradora, colaborou com várias revistas  como Panorama, Seara Nova, Vértice, e Eva

domingo, 3 de outubro de 2010

Mais um livro no PNL....

Em Junho passado foi-me comunicada pela Editora Gatafunho uma boa notícia. O PNL tinha encomendado vários exemplares de Ciência para meninos em poemas pequeninos, (CPMPP)um dos livros que seria ( e foi) distribuído aos alunos do 5º ano no início deste ano lectivo. Consequentemente o livro passaria (e passou) a integrar o PNL.


Fez-se uma nova edição já com referência ao referido plano.



Por que razão ainda não tinha referido isto no BLOG?
Gostava de ter partilhado a notícia há mais tempo mas tenho estado à espera que a lista completa dos livros do PNL seja actualizada. Isto porque na actualização anterior, ficaram por incluir alguns livros, nomeadamente CPMPP.

Como a actualização tarde em acontecer decidi não esperar mais e partilhar esta notícia que me deixou muito satisfeita. Os meus dois livros para crianças até agora editados, constam no PNL.

Espero que Pelo sistema solar vamos todos viajar o livro que irá sair em breve (espero…) ,
seja igualmente bem recebido por crianças e adultos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Shostakovich no Dia Mundial da Música

No Dia Mundial da Música quero compartilhar convosco a música de Shostakovich., compositor de que gosto muito. Escolhi  a 2ª valsa, uma obra bastante conhecida, na interpretaçao de André Rieu e a Sinfonia nº5 sob  a direcção de Bernstein

E porque se está a falar de música, dois quadros de Matisse "A música "  de 1910 e  de 1939,  um  de Picasso e outro de Amadeo Souza-Cardoso.







Termino com um poema que,  creio, já uma vez inseri.

Acordes


Que acordes são estes que subtis irrompem no meu espaço-tempo?

De onde vêm estes sons

que me transportam a outra dimensão no cosmos infinito?

Presto assai, allegro moderato, andante lento -

sinfonia que vem do alfa e vai em direcção a um ómega ignoto,

difundida por entre as estrelas, a propagar-se na matéria escura

talvez vinda dum tempo remoto,

dum tempo em que ainda não havia tempo,

talvez ainda antes da criação do mundo,

quem sabe transportada pela radiação de fundo.

Na noite calma, embala-me esta música que não identifico,

e onde, entre um tanger de cítaras e harpas, se impõe sublime, um violino

Acordo, deixo o cosmos etéreo, esfuma-se o som divino.

O som que escuto agora é bem real. Apenas um bater de coração aflito.

Regina Gouveia

Ainda a escala nano

A capacidade de medir fenómenos em nanossegundos abre um novo campo de estudos, dado poderem agora adicionar a dimensão do tempo a experiências onde mudanças extremamente rápidas ocorrem. Em perspectiva, a diferença entre um nanossegundo e um segundo é praticamente a mesma comparação entre um segundo e trinta anos. Uma quantidade imensa de física acontece durante esse período, que anteriormente não era visível.
No artigo de onde foi extraído o texto anterior é apresentado um vídeo interessante que também poderá ser visto em


E já que estamos a falar de escalas não deixem de ver o vídeo Potências de 10

Finalmente, e a propósito da escala humana neste espaço tempo, deixo três breves poemas e um quadro


Fugacidade

E foi o Big Bang, o caos, o cosmos, o infinitamente grande.

E foi o tempo…Tão longo o tempo em tão longa viagem …

E foi a vida…Tão breve a vida em tão fugaz passagem…

Escala cósmica

Frenética, em torno da luz rodopiou - era o bailado da sua despedida -

até que, completamente exausta, ali tombou.

No chão, as asas nacaradas testemunham a presença fugaz.

Umas horas apenas lhe durou a vida.

Mas à escala cósmica, imensa, desmedida, umas horas, uns anos, tanto faz.


Viagem

Do quark ao átomo, do átomo à célula, da célula à vida,

quanta energia dispendida, quanta energia transformada…

Para quê tanto corrida se afinal é breve a estada ?

Já se aproxima a partida, foi há tão pouco a chegada.

Regina Gouveia