Bem-vindo, bienvenido, bienvenu, benvenuto, welcome....


Silêncio cósmico

Pudera eu regressar ao silêncio infinito,

ao cosmos de onde vim.

No espaço interestelar, vazio, negro, frio,

havia de soltar um grito bem profundo

e assim exorcizar todas as dores do mundo.

Regina Gouveia

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Eu fui à terra do bravo...(continuação)

Prometi que iria falar dos Impérios e prometido…é devido.

Mas antes deixo ficar  fotos (também prometidas) das sessões com as crianças, quinta e sexta feira e das crianças com os pais, no sábado







Falemos então dos Impérios
Os impérios são o ex-libris das celebrações do Divino Espírito Santo na Terceira

Por todas as ilhas existem pequenas capelas, na sua maioria na vizinhança das igrejas, onde os seus interiores são decorados sobriamente com um altar coberto por cetim imaculadamente branco e com flores frescas e aromáticas onde se encontra uma coroa de prata e ceptro que simboliza o poder da Trindade. Mas é na ilha Terceira onde existe a maior quantidade de Impérios(…)Todos estes Impérios começaram a ser edificados nos fins do século XVII e hoje quase na totalidade são de pedra ou bloco, materiais que substituíram os mais antigos então edificados em madeira(…)Também há algo que diferencia estes Impérios dos outros espalhados pelas restantes ilhas, a pintura das paredes exteriores, de cores garridas e terem, todos eles, apenas duas janelas e uma porta na fachada principal sobre a qual se encontra normalmente uma coroa, embora os haja com uma pomba, o simbolo do Espirito Santo. Normalmente a área do interior não ultrapassa os 30 metros quadrados e muitos destes Impérios têm outra pequena adição, chamada de dispensa, onde é armazenado o pão, a carne e o vinho bem como outros materiais relevantes para os festejos.

 Império em S. Mateus
Um dos vários Impérios de Angra

No percurso Angra Aeroporto, o motorista do carro, mais uma das pessoas extremamente amáveis que encontrei, foi-me explicando comovido todo o ritual que envolve este culto.

Ainda no site anteriormente referido, pode ler-se

Com as primeiras famílias de colonos que vieram habitar os Açores após a sua descoberta no século XV, vieram as tradições etnográficas, a religiosidade, as crenças e um conjunto de factores que devido à insularidade das ilhas não permitiu grandes alterações até aos nossos dias. Neste parâmetro temos o Culto ao Divino Espírito Santo com muito poucas alterações desde esses tempos remotos. No presente, onde as ligações por barco e mais destacadamente por meio dos aviões, entre a Europa ou Américas com os Açores, não levou o povo açoriano a abandonar, como aconteceu no Continente ao longo dos séculos, esta crença e devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que foi iniciada, segundo a lenda, nos tempos da Rainha Santa Isabel, esposa do nosso Rei D. Dinis. Os açorianos souberam sempre manter bem viva esta chama na devoção ao Divino.


Mas se olharmos pela Diáspora açoriana temos a prova da preservação deste Culto dos Açores mesmo daqueles que, no século XVII, emigraram para outras terras à procura de melhor futuro(…).Tudo, mesmo tudo, é uma cópia viva das que se realizam, nos nossos dias, por todas as ilhas açorianas, das quais destacamos as coroações, os estandartes, o Bolo de Leite, as filarmónicas, o cantar de porta em porta (por muitos conhecido por Pezinho) e outras tradições que não se diluíram com o passar de mais de três séculos. Desde a povoação dos Açores, por gente do reino, após a sua descoberta pelos navegadores portugueses, que o Culto ao Divino foi a principal fonte da crença religiosa cristã até porque os cataclismos, na forma de terramotos e actividade vulcânica que se fazia sentir periodicamente, incutia o temor nas populações pelo que estas se refugiavam na fé e nas orações ao Divino Espírito Santo para desta forma obter a clemência do Criador e assim serem poupados da destruição e da morte.

(…)Dizemos que vale a pena peregrinar pelas freguesias da ilha Terceira em busca destes Impérios que nos deixam fascinados não pela grandeza arquitetónica mas sim pela simplicidade embora rico em trabalho decorativo das suas fachadas e, acima de tudo, pelas cores com que são pintados, mesmo berrantes assemelhando-se por vezes alguns às cores do arco iris. Durante as festas em louvor ao Divino Espirito Santo que já assistimos por diversas vezes durante as visitas que efectuamos àquela ilha maravilhosa e de gente hospitaleira, como em Altares, S. Pedro, Vila Nova e outras, a azafama é total e constante das mordomias e seus voluntários com Missa solene que inclui as coroações de crianças e jovens, o desfile do Bodo de Leite que é sempre acompanhado pelo pároco da freguesia, a distribuição de pensões e do pão e do leite, os concertos pelas bandas filarmónicas, os cantadores da terra durante o pesinho que de casa em casa agradecendo a hospitalidade destes e onde lhes são servidos comida regional, as arrematações de ofertas no átrio defronte desses Impérios, a festa, o folclore e claro o almoço colectivo das sopas do Divino Espirito Santo onde centenas para não dizermos milhares de pessoas que se sentam em extensas mesas e onde são servidos a sopa, carne, vinho e pão a quantos desejarem receber.


É uma festa onde não só se destaca a religiosidade no culto ao Divino Espirito Santo mas também se perpetuam os valores da caridade e da fraternidade com acções de ajuda aos mais carenciados, a um nosso irmão, amigo, vizinho, idoso, criança desprotegida, enfermo (…).

Mais informações e fotos podem ser encontradas em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Irmandades_do_Divino_Esp%C3%ADrito_Santo

http://www.portaldodivino.com/Divacores/terceira.htm

http://www.portais.ws/a/imagens_imperios/post_santo.JPG

4 comentários:

  1. Já tinhamos poeta, escritora, professora, fisica, quimica, pintora, e um milhão de outras coisas que faz muitíssimo bem! Agora temos uma gande artista em fotografia!
    Nada a pára!
    Mais Reginas para este mundo, tão necessitado delas, por favor. É urgente!...
    Adelaide Pereira

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  2. Já fui à Ilha Terceira,já conheci os impérios e as festas associadas,mas uma descrição e um estudo tão minuciosos e bonitos como os que a Regina fez, nunca encontrei.
    Parabéns Regina. Fiquei a desejar voltar aos Açores. No entanto a ilha do Pico continua no meu coração.

    Um grande beijo, Regina.

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  3. Eu, artista em fotografia??!!! Nem pouco mais ou menos. Qualquer azelha como eu conseguirá fazer fotografias mais ou menos razoáveis naquela cidade...Imagine o que não fará um artista? O Pedro tem que lá ir...
    Bjs
    Regina

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  4. Obrigada, mais uma vez, Graciete.
    Eu também desejo voltar.
    Bjs
    Regina

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